Este trabalho teve como objetivo verificar a frequência com que professores que cursam a Especialização em Educação: Métodos e Técnicas do Ensino da UTFPR realizam estudos envolvendo artigos científicos/periódicos. 

Resumo

Este trabalho teve como objetivo verificar a frequência com que professores que cursam a Especialização em Educação: Métodos e Técnicas do Ensino da UTFPR realizam estudos envolvendo artigos científicos/periódicos. Entre os objetivos específicos: realizar um levantamento bibliográfico da produção de artigos científicos na área da educação nos anos de 2013 e 2014; relacionar os dados verificados no questionário online com pesquisas e publicações realizadas nos anos de 2013 e 2014. Apesar da baixa adesão dos professores em participar do estudo, verificou-se a pouca utilização deste recurso como fonte de estudos. Ao realizar um levantamento bibliográfico da produção de artigos científicos na área da educação nos anos de 2013 e 2014. Notou-se uma constância no número de publicações na área. Ao relacionar os dados verificados no questionário online com pesquisas publicações realizadas nos anos de 2013 e 2014 notou-se que tanto a área de interesse por busca de leituras dos professores como as áreas temáticas de maior publicação coincidem, mostrando assim, que os professores podem obter com maior facilidade os artigos de seu maior interesse.

Palavras-chave: formação continuada; leitura; professor; docência.

1. Introdução

O desenvolvimento de artigos científicos vem crescendo ao longo dos anos, isso ocorre devido a diversos fatores, como por exemplo, o aumento do investimento de agências de fomento, o incentivo a iniciação científica de instituições de ensino superior (IES), o aumento no número de Programas de Pós-Graduação lato sensu (Especialização) e stricto sensu (Mestrado e Doutorado). A produção dos artigos está dividida em diversas áreas, mas de um modo geral elas atendem as necessidades de populações específicas, como por exemplo, profissionais de determinadas área.

Existem diversos meios de divulgação destes artigos científicos, no tempo presente com o advento da internet é possível ter acesso a diversas bases de dados nacionais e internacionais, que são vinculadas as revistas cientificas e periódicos, as quais nos fornecem o acesso, gratuito ou não, para inúmeros materiais, além disso, pode-se encontrar esses artigos disponíveis de forma impressa; em periódicos de revistas científicas; eventos científicos, facilitando assim, o acesso a produção.

Os artigos científicos são uma oportunidade de que profissionais de diversas áreas se atualizem. Para os professores eles fornecem novos direcionamentos, ideias, impressões, opiniões, e o patamar da educação atual.

A formação continuada de professores também é um assunto constante nas publicações e estudos que estão dispostos a estudar as vertentes que envolvem a prática docente. Haja vista que municípios, estados e governo federal têm iniciativas que buscam viabilizar esta formação, as quais são feitas por intermédio de cursos ministrados em semanas pedagógicas, formação com o auxílio de plataformas de web, como a plataforma Moodle – que é denominada como um Ambiente de Ensino e Aprendizagem via Internet, – que facilitam o acesso dos professores aos cursos disponibilizados. Além disso, a formação continuada é uma das exigências para que o professor atinja as progressões estabelecidas em seus planos de carreira.

Estes cursos não garantem que o professor faça buscas pessoais de formação continuada. Logo, uma das alternativas para que o professor busque sanar as suas necessidades como profissional de forma mais efetiva nas áreas que ele sente necessidade seria, a leitura de materiais que subsidiassem tais conhecimento.

A leitura de periódicos e livros envolvem um gasto monetário que pode ser um empecilho para a manutenção dessa formação continuada. Mas existem plataformas de acesso online e gratuito que disponibilizam artigos científicos.

Apenas a facilidade de encontrar esses materiais não garante que os profissionais estejam acessando e fazendo uso de tais conhecimentos neles apresentados. Em meio a isso, formula-se o problema de pesquisa deste trabalho: Qual a frequência com que professores que cursam a Especialização em Educação: Métodos e Técnicas do Ensino realizam estudos envolvendo artigos científicos/periódicos? Qual o papel dos artigos científicos/periódicos na formação continuada de professores da Educação Básica?

O objetivo geral do presente estudo foi o de verificar a frequência com que professores pós-graduandos realizam estudos envolvendo artigos científicos/periódicos. Os objetivos específicos foram: realizar um levantamento bibliográfico da produção de artigos científicos na área da educação nos anos de 2013 e 2014; e posteriormente relacionar os dados verificados por meio de um questionário online com pesquisas publicações realizadas nos anos de 2013 e 2014.

2. Fundamentação Teórica

Ao abordar a formação continuada de professores, não há como desprezar que o "pensar a formação implica conhecer no presente aquilo que se anuncia para o futuro" (KRAMER, 1999, p. 131). Por isso, o objeto da formação docente são os processos de formação inicial e continuada, os quais fornecem a possibilidade dos professores adquirirem e aperfeiçoarem conhecimentos, habilidades, disposição para exercer a docência, para que, desta forma, haja a melhoria da qualidade da educação (GARCIA, 1999).

A necessidade de formação inicial e continuada, em especial, a formação continuada, necessita que o professor demande esforços para o seu aprendizado pois, não é compromisso apenas dos professores recém formados a modernização da escola para torná-la compatível com a sociedade contemporânea, e que esteja em consonância com os anseios pessoais e coletivos dos alunos (REIS, 2010).

Os trabalhos voltados a formação de professores no Brasil eram foco de estudos de 5 a 7% do total da produção discente, isso nos anos de 1990 a 1996. Destes trabalhos 76% falavam sobre a formação inicial do professor e incluíam estudos sobre a formação normal (40%), o curso de licenciatura (22,5%), pedagogia (9%), além de estudos comparados. A formação continuada era foco em 14,8% dos trabalhos, e falavam sobre Educação (43%), programas ou cursos de formação (21%), processos de formação em serviço (21%) e questões da prática pedagógica (14%). Enquanto que 9,2% dos trabalhos falavam sobre a identidade e profissionalização docente segundo André (et al., 1999). Diante disso, nota-se que a formação continuada faz parte de um processo de formação do professor, ou desenvolvimento profissional docente. Este último termo nos sugere que evolução e continuidade (GARCIA, 2009).

 

Formação Continuada de professores é uma ação que abrange toda e qualquer formação, nenhum saber é acabado, ele se renova a cada dia, ou seja, trata-se de refletir sobre o que é possível e adequado para o profissional da educação, prevendo, assim, meios que o auxiliem em sua prática docente. Possibilita uma reflexão sobre a atuação e sua formação tendo implicações no processo educativo de seus educandos. É essencial ressaltar que a formação continuada, não deve ser entendida como mera capacitação em prol de aplicabilidade na sala de aula, mais sim realização profissional, partindo de conhecimentos da experiência para o aprimoramento intelectual (LOBATO; SILVA, 2013, p. 2).

 

A formação continuada pode ser entendida como uma proposta intencional e planejada, a qual visa a "mudança do educador através de um processo reflexivo, crítico e criativo, conclui-se que ela deva motivar o professor a ser ativo agente na pesquisa de sua própria prática pedagógica produzindo conhecimento e intervindo na realidade" (FALSARELLA, 2004, p. 50). Os trabalhos realizados com interesse voltado a formação continuada de professores podem não ser muito expressivos em valores numéricos, mas, "cobrem diferentes níveis de ensino, contextos variados, meios e materiais de ensino diversificados" (ANDRÉ et al., 2003).

Os conhecimentos profissionais são evolutivos e progressivos e por isso é necessário uma formação contínua e continuada, na qual os profissionais devem se autoformar e se reciclar através de diferentes meios, desse modo a formação profissional ocupa boa parte da carreira, e é preciso que os conhecimentos profissionais, científicos e técnicos sejam revisáveis, criticáveis e passíveis de aperfeiçoamento (TARDIF, 2000).

Através da formação continuada os professores estariam mais preparados para exercer a sua função, por isso, no contexto atual da educação, ela se tornou essencial, isso se dá pela necessidade nacional de possibilitar ações mais eficazes no contexto educativo nas escolas (LOBATO; SILVA, 2013). Para Libâneo (2004) professor que tem um compromisso consciente de sua formação, sabe que ela não se encerra com a colação de grau no ensino superior, mas faz parte de um processo de conhecimento que é construído ao longo de toda a sua trajetória na vida profissional.

A formação continuada de professores, vêm sendo discutida na área da educação a décadas, e junto a essa discussão se atrela a temática: formação docente continuada. Dos 284 trabalhos de teses e dissertações, realizados entre 1990 e 1996, sobre formação docentes, 42 (14,8%) falam sobre formação continuada, enquanto que entre os anos de 1990 e 1997 dos 115 artigos publicados em periódicos 30 (26%) tinham como tema a formação continuada, entre os anos de 1992 e 1998 dos 70 trabalhos apresentados do grupo de trabalho (GT), realizado nos encontros da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), 15 (22%) falam sobre formação continuada (ANDRÉ et al., 1999).

Os trabalhos de teses e dissertações que envolvem formação continuada analisam propostas de governo ou de Secretarias de Educação (43%), programas ou cursos de formação (21%), processos de formação em serviço (21%) e questões da prática pedagógica (14%), além disso, esses trabalhos focalizam-se em temas bastante variados como diferentes níveis de ensino (infantil, fundamental, adultos), contextos diversos (rural, noturno, a distância, especial), meios e materiais diversificados (rádio, televisão, textos pedagógicos, módulos, informática), evidenciando dimensões bastante ricas e significativas dessa modalidade de formação (ANDRÉ et al., 1999).

Quanto aos trabalhos que constam nos periódicos sobre formação continuada nota-se que eles abordam o tema no ensino fundamental e médio, os conceitos e significados, tecnologia e comunicação, a educação continuada e o desenvolvimento social; o levantamento da produção científica; o ensino superior; o papel da pesquisa na formação, e as políticas públicas (ANDRÉ et al., 1999).

 

Podem-se resumir os conteúdos dos textos sobre formação continuada em torno de três aspectos: a concepção de formação continuada, propostas dirigidas ao processo de formação continuada e o papel dos professores e da pesquisa nesse processo. O conceito predominante de formação continuada nos periódicos analisados é o do processo crítico reflexivo sobre o saber docente em suas múltiplas determinações. Em sua maioria, as propostas são ricas e abrangentes, indo além da prática reflexiva, envolvendo o enfoque político-emancipatório ou crítico dialético. Nos artigos dos periódicos, o professor aparece como centro do processo de formação continuada, atuante como sujeito individual e coletivo do saber docente e participante da pesquisa sobre a própria prática (ANDRÉ et al., 1999 p. 305).

 

Nos trabalhos apresentados nos GTs da ANPED sobre a formação continuada é tida como:

 

[...] formação em serviço, enfatizando o papel do professor como profissional e estimulando-o a desenvolver novos meios de realizar seu trabalho pedagógico com base na reflexão sobre a própria prática. Os textos argumentam que, nessa perspectiva, a formação deve se estender ao longo da carreira e deve se desenvolver, preferencialmente, na instituição escolar (ANDRÉ et al., 1999 p. 308).

 

Mercado nos dá uma perspectiva do que seria o perfil de professor segundo as exigências da sociedade do conhecimento:

 

Comprometido - com as transformações sociais e políticas; com o projeto político-pedagógico assumido com e pela escola; Competente - evidenciando uma sólida cultura geral que lhe possibilite uma prática interdisciplinar e contextualizada, dominando novas tecnologias educacionais. Um profissional reflexivo, crítico, competente no âmbito da sua própria disciplina, capacitado para exercer a docência e realizar atividades de investigação; Crítico - que revele, através da sua postura suas convicções, os seus valores, a sua epistemologia e a sua utopia, fruto de uma formação permanente; seja um intelectual que desenvolve uma atividade docente crítica, comprometida com a idéia do potencial do papel dos estudantes na transformação e melhoria da sociedade em que se encontram inseridos; Aberto à mudanças - ao novo, ao diálogo, à ação cooperativa; que contribua para que o conhecimento das aulas seja relevante para à vida teórica e prática dos estudantes; Exigente - que promova um ensino exigente, realizando intervenções pertinentes, desestabilizando, e desafiando os alunos para que desencadeie a sua ação reequilibradora; que ajude os alunos a avançarem de forma autônoma em seus processos de estudos, e interpretarem criticamente o conhecimento e a sociedade de seu tempo; Interativo - que concorra para a autonomia intelectual e moral dos seus alunos trocando conhecimentos com profissionais da própria área e com os alunos, no ambiente escolar, construindo e produzindo conhecimento em equipe, promovendo a educação integral, de qualidade, possibilitando ao aluno desenvolver-se em todas as dimensões: cognitiva, afetiva, social, moral, física, estética (MERCADO, 1998, grifos nossos, p. 3-4).

 

Como um pressuposto de uma formação é necessário que o professor desenvolva em si mesmo o hábito da leitura, prática esta sinalizada como essencial para que o professor possa despertar no aluno o gosto pela leitura. "Para tornar seus alunos e alunas leitores e pessoas que gostem/queiram escrever, os próprios professores precisam estabelecer relações estreitas com a linguagem, experimentando a leitura e a escrita como prática social e cultural (KRAMER, 1998, p. 20). Mas esta não pode ser a única função da leitura.

 

Leituras são práticas, são fenômenos socioculturais, usos e disposições a partir de referências sociais concretas. Por um lado, a leitura pode ser percebida como estando mais ligada à oralidade, estando o ato de ler diretamente vinculado à sonorização das palavras. Ou pode-se entender que ler não é só transpor imagens gráficas em imagens sonoras, mas sim signos visíveis em sentido. A leitura, então, não é a soma do sentido das palavras que compõem um texto, pois o subtexto e seu contexto é que lhe darão o sentido. Ela requer um conhecimento prévio, lingüístico e não-lingüístico — tanto a informação visual quanto a não-visual são importantes na leitura do texto (KRAMER, 1998, p. 24).

 

Ao investigar sobre a prática de leitura dos professores, suas experiências como leitores, e articular tais práticas a criação de situações que possibilitem o florescer do gosto pela leitura em seus alunos, Kramer, (1998, p.27) diz "que as políticas de formação de professores precisam ser concebidas, consideradas e implementadas no interior e como parte de uma efetiva política cultural e como condição de efetivação de uma também urgente política científica". Desta forma então seria possível que o professor se visse com as contingências necessárias para que criasse em si o hábito da leitura. E a partir dessas leituras pudesse estabelecer novos conhecimentos em sua prática.

Mas é claro que não apenas o seus interesses de leitura podem estar ligados a sua área de formação ou atuação profissional, visto que o professore é um ser social, e que seus interesses também são voltados a fatores pessoais. Além disso, é preciso considerar "o papel de eventos mais amplos, sejam sociais, políticos, econômicos ou culturais, com seus determinantes que perpassam a vida grupal ou comunitária" (GATTI, 2003, p.196). Por este motivo é importante que programas formativos, "levem em consideração as condições sociopsicológicas e culturais de existência das pessoas em seus nichos de habitação e convivência, e não apenas suas condições cognitivas" (GATTI, 2003, p. 196).

 

É preciso ver os professores não como seres abstratos, ou essencialmente intelectuais, mas, como seres essencialmente sociais, com suas identidades pessoais e profissionais, imersos numa vida grupal na qual partilham uma cultura, derivando seus conhecimentos, valores e atitudes dessas relações, com base nas representações constituídas nesse processo que é, ao mesmo tempo, social e intersubjetivo (GATTI, 2003, p. 196).

 

A leitura nesse quesito tem o potencial de atender a uma formação que abranja as varadas facetas do professor. Além disso o crescimento de artigos fazem com que esses se tornem uma fonte de conhecimento acessível ao professor.

 

As atividades de produção de indicadores quantitativos em ciência, tecnologia e inovação vêm se fortalecendo no país na última década, com o reconhecimento da necessidade, por parte dos governos federal e estaduais e da comunidade científica nacional, de dispor de instrumentos para definição de diretrizes, alocação de investimentos e recursos, formulação de programas e avaliação de atividades relacionadas ao desenvolvimento científico e tecnológico no país (MUGNAINI; JANNUZZI; QUONIAM, 2004, p. 123).

 

O aumento do número de trabalho é uma realidade, segundo Mugnaini, Jannuzzi e Quoniam (2004), o número de trabalho indexados na base Pascal de 1983 a 2000 foi de mil trabalhos de autores e co-autores brasileiros, no ano de 2000 esse número deu um salto para 6 mil trabalho, entre 1991 e 2000 o aumento de trabalhos foi de 120%. É claro que nem todos os trabalhos seriam do interesses de professores, mas este estudo mostrou um tendência eu vem se confirmando ao longo dos anos.

A formação docente mostrasse uma área de importância para a viabilização de uma Educação que priorize o professor não apenas como a pessoa incumbida de passar os conhecimentos para os alunos. Ou seja, aquele que apenas ministra as aulas com o conhecimento anteriormente adquirido. Mas ele é também um ser em constante transformação pessoal e profissional, é nesse quesito que a formação continuada contempla suas mais diversas facetas.

A leitura surge como subsídio, como uma das alternativas para que essa formação seja algo de interesse significativo para o professor, vinculada a suas práticas, as suas necessidades, e a sua vida como ser único e completo. A leitura livre como possibilidade para a formação continuada ocorre respeitando os interesses do professor.

3. Metodologia

Esta é uma pesquisa quantitativa. Na qual buscou-se a obtenção de dados e informações sobre características, ações e opiniões da população estudada, devido a isso e ao instrumento utilizado, questionário, este é uma pesquisa survey, (TANUR apud PINSONNEAUT; KRAEMER, 1993) classificada como descritiva (PINSONNEAUT; KRAEMER, 1993), de corte transversal (SAMPIERI et al., 1991).

A população da pesquisa é de professores da rede publica municipal ou estadual que fazem Especialização no sistema EAD, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A amostra é composta pelos 28 alunos da especialização em Educação: Métodos e Técnicas de Ensino - 2014, após contato por intermédio do sistema Moodle, utilizado pela universidades, obteve-se a colaboração de 8 alunos. O método de amostragem utilizado foi o não probabilístico por conveniência, onde os participantes são escolhidos por estarem disponíveis (HENRY apud BICKMAN; ROG, 1997).

A coleta de dados foi realizada por meio de questionário disponibilizado para os participantes na web. Este questionário teve o intuito obter dados de caracterização da amostra, como ano de nascimento, sexo. Além disso foram solicitados os dados de formação e atuação pertinentes, como ano de formação, anos de atuação e área de atuação. Quanto aos dados sobre a frequência de leitura de artigo ou periódicos científicos, foi solicitada a frequência semanal, mensal e anual, bem como quais as áreas de interesse dos profissionais.

O contato dos participantes foi realizado por meio do canal de mensagens da plataforma moodles da especialização em Educação: Métodos e Técnicas de Ensino - 2014, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Após o contato o aluno poderia responder o questionário e reenviar para a pesquisadora.

Quanto a pesquisa realizada sobre a produção de artigos científicos na área da educação nos anos de 2013, 2014, obteve-se os dados por intermédio da plataforma SCIELO, os termo de busca utilizados foram Educação e Ensino, Utilizou-se tais termos pelo vínculo com a especialização aqui investigada. Filtrou-se os resultados para apenas as publicações realizadas no Brasil e em língua portuguesa. Os artigos levados em consideração para análise foram aqueles vinculados a área das Ciências Humanas, as áreas temáticas escolhida foram, Educação e pesquisa educacional, Educação Especial, Sociologia, Saúde pública ambiental e educacional, Física Multidisciplinar, História, Humanidades, Multidisciplinar, Estudos Culturais, Ciências sociais Interdisciplinar, Psicologia Educacional, Questões sociais.

Com base nos dados utilizados monto-se um organograma, onde os valores estão expressos em números, além disso, construiu-se um gráfico das áreas temáticas, bem como das revistas nos quais os artigos foram publicados.

Os dados foram analisados de forma qualitativa. Primeiramente será realizado a analise descritiva dos dados mostrando a média, desvio padrão e percentil. Optou-se por uma descrição mais detalhada quanto as formações e atuações dos sujeitos e frequência de leitura de artigos, realizando uma descrição individual de cada um dos participantes. Os dados foram apresentados por meio de tabelas e gráfico

Para os dados referente as publicações nos anos de 2013 e 2014, optou-se pela formulação de um organograma, contendo os passo da análise dos artigos e quantidades verificadas, para uma melhor explanação das áreas temáticas fez-se o uso de gráficos. Quanto a apresentação dos resultados, eles são feitas dos números totais e porcentagens. Para todas as análises estatísticas e cálculos necessários foi utilizado o pacote estatístico SPSS versão 20.

4. Resultados e Discussões

A análise inicial dos dados se deu por meio de análise descritiva. Participaram da pesquisa 8 professores que cursam a Especialização em Educação: Métodos e Técnicas de Ensino, Especialização no sistema EAD, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, sendo 4 deles do sexo feminino e 4 do sexo masculino. Na tabela abaixo vemos os valores de idade, tempo de serviço, expressos por meio de média e desvio padrão, mínima e máxima.

Quanto ano de formação apenas 3 participantes da pesquisa contribuíram com esses dados, por este motivo optou-se por realizar uma descrição de cada um dos sujeitos participantes da pesquisa, na Tabela 2 podemos averiguar o curso no qual cada um dos sujeitos obteve a sua graduação, e em qual ano, e em qual nível da Educação Básica atua.

Apesar do número reduzido da amostra, vemos uma tendência de que os alunos que compõem o curso de especialização aqui investigados, possuem uma formação inicial diversificada, sendo oriundos de diversos cursos de graduação. Suas áreas de atuação se diversificam por todas as áreas da Educação Básica, desde a Educação Infantil, até a atuação em cursos de formação continuada, mostrando que os alunos são ecléticos em suas áreas de atuação.

Na Tabela 3 podem ser observados os valores referentes a leitura de artigos em periódicos científicos, os sujeitos foram questionados quando a frequência semanal, mensal e anual. Além disso, pode-se vislumbrar as áreas de maior interesse da amostra investigada quanto aos artigos lidos (GRÁFICO 1). Vemos que apesar as áreas de interesse se diversificam, mas a busca por artigos nas áreas de Educação e Saúde são apontados pela metade da amostra como sendo alvos de suas escolhas de leitura.

 

 

 

A busca pelos artigos publicados nos anos de 2013 e 2014 que estão vinculados a plataforma SCIELO vem mantendo um número de publicações regulares em ambos os anos, ou seja, 48,9% dos artigos encontrados foram publicados no ano de 2013, enquanto que 51,1% foram publicados no ano de 2014, mostrando um equilíbrio entre os anos.

Os artigos se dividem em 11 áreas temáticas, mas a grande maioria encontra-se na área de Educação e Pesquisa Educacional, onde se encontram 95,3% das publicações encontradas, notou-se também a escassez de uma área temática cujo interesse fosse voltados para o Ensino. Esses dados podem ser vislumbrados no Organograma 1 e no Gráfico 2.

Os dados sobre os locais de publicação dos artigos podem ser vistos no gráfico 3, onde são mostrados as revistas nos quais os artigos foram publicados, em língua portuguesa e no Brasil.

Na Tabela 4 pode-se observar a relação feita entre os principais interesses dos professores e as áreas temáticas com maior número de publicações, para isso agrupou-se as áreas temáticas que se assemelhavam. Com isso nota-se que a área temática de maior publicação é também a de maior interesse dos professores.

 

 

 

A relação do professor com a leitura é sinalizada como fator essencial para que ele seja capaz de despertar nos seus alunos a prática pela leitura. Neste trabalho damos a leitura outro enfoque, aquele voltado a formação do professor, a sua prática de leitura para a aquisição de formação e informação voltada a sua docência.

Com a perspectiva de que os artigos científicos poderiam ser usados para tal, investigamos sobre a prática de leitura dos professores em processo de formação continuada, no caso os que cursam a Especialização em Educação: Métodos e técnicas de Ensino. Visto que investigar a leitura durante a formação dos professores é um fator determinantemente importante (KRAMER, 1998). Vimos com isso que esta não é uma constância para eles. Ou seja, a maior parte dos professores participantes não mantém uma constância em leitura de artigos científicos. Sendo que a maioria lê cerca de um artigo semanalmente, menos de 5 mensalmente. Segundo Kramer (1998, p. 24) "ser leitor é ser, então, produtor de significados. Ser leitor de textos é praticar leituras em seu cotidiano com capacidade de articulá-las na formação desses significados". Nessa perspectiva o professor leitor passa a ser capaz de articular suas leituras com sua prática docente. Daí então a importância da leitura na formação continuada do professor, pois teria assim o papel de trazer novos conhecimentos e incorporá-los a prática da docência.

Na pesquisa realizada pelo autor supracitado pode-se perceber "o gosto pela leitura é primordial na formação do sujeito-leitor; e esse gosto é construído a partir de experiências positivas, de práticas concretas de ler e escrever, de identificação de interesses, de liberdade (ou não) de escolher" (KRAMER, 1998, p. 24), dessa forma se justifica as escolhas dos artigos lidos pelos professores participantes. Até por que ler é produzir significado (KRAMER, 1999). Vimos que seus interesses estão de certa forma ligados a sua área de formação e, pressupõem-se, atuação. Na conclusão de seu trabalho Kramer (1998, p. 39) afirma que "a formação é um direito e a concretização de práticas de leitura e escrita precisa ser considerada parte da formação de professores".

Por intermédio dos dados apresentados quanto aos números de artigos produzidos nas mais diversas áreas temáticas podemos notar que a produção de artigos seria mais do que suficiente para ser mantenedora da leitura para professores. Se isto é uma realidade, por que não é uma prática constante dos participantes desta pesquisa, visto que eles estão em processo de formação continuada? "Trabalhos sobre formação em serviço ou continuada e desempenho de professores têm analisado as dificuldades de mudança nas concepções e práticas educacionais desses profissionais em seu cotidiano escolar" (GATTI, 2003). Ou seja, o dia a dia dos professores não esta sendo favorável a manutenção de suas leituras, apesar do aumento da carga horária da hora atividade dos professores, este panorama parece não alcançar índices melhores. "Para que mudanças em concepções e prá- ticas educacionais de professores ocorram, é necessário que os programas que visam a inovações educacionais, aperfeiçoamentos, atualizações tenham um entrelaçamento concreto com a ambiência psicossocial em que esses profissionais trabalham e vivem" (GATTI, 2003, p. 203).

A produção científica também é uma realidade crescente no Brasil desde os ano 2000 (MUGNAINI; JANNUZZI; QUONIAM, 2004), em concomitância com os dados aqui apresentados quanto aos artigos produzidos e as áreas temáticas, pode-se aceitar como certo que os professore tem os subsídios de produção necessários para que realizem leituras como fonte de sua formação continuada.

Um fator interessante dos dados encontrados na base de dados avaliada e no interesse dos professores é que a maior parte dos artigos encontrados faziam um vínculo com a área temática Educação e pesquisa Educacional, enquanto que o maior interesse dos professores era justamente nos artigos na área de Educação, com base nisso podemos ver que existem as contingências e demandas necessárias para a utilização desses artigos.

5. Considerações Finais

O objetivo geral deste trabalho era o de verificar a frequência com que professores que cursam a Especialização em Educação: Métodos e Técnicas do Ensino realizavam os seus estudos envolvendo artigos científicos/periódicos. Tendo em vista a baixa adesão dos professores em participar do estudo, pode-se concluir a pouca utilização deste recurso como fonte de estudos.

Quanto ao objetivo de realizar um levantamento bibliográfico da produção de artigos científicos na área da Educação nos anos de 2013 e 2014. Notou-se uma constância no número de publicações na área.

Ao relacionar os dados verificados no questionário online com pesquisas e publicações realizadas nos anos de 2013 e 2014 notou-se que tanto a área de interesse por busca de leituras dos professores como as áreas temáticas de maior publicação coincidem, evidenciado assim, que os professores podem obter com facilidade os artigos de seu interesse.

Com base na revisão da literatura pode-se também estabelecer um parâmetro próximo entre a formação continuada e a leitura em um modo geral.

Como limitação do estudo salientamos a pouca adesão dos professores em processo de formação continuada que cursam a Especialização em Educação: Métodos e Técnicas de Ensino da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, no sistema EAD.

Como uma possível explicação para a pouca prática de leitura dos professores em relação a artigos científicos publicados em periódicos, apontou-se duas possibilidades: 1) um provável baixo incentivo a utilização desses meios durante a especialização; 2) problemas vinculados a pouca utilização devido ao foto de que professores lecionam concomitantemente com o seu processo de formação, isso implicaria em má organização sistemática para a busca e leitura de artigos. Cabe como sugestão para próximos estudos averiguar tais possibilidades de forma mais efetiva.

 

Referências

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FALSARELLA, A. M. Formação continuada e prática de sala de aula: os efeitos da formação continuada na atuação do professor. Coleção Formação de Professores. Campinas, SP: Autores Associados, 2004.

GARCIA, C. M. Formação de professores: para uma mudança educativa. Porto: Porto Editora, 1999.

GATTI, B. A. Formação continuada de professores: a questão psicossocial. Cadernos de Pesquisa, n.119, p. 191-204, jul. 2003.

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LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Alternativa, 2004.

GARCIA, C. M. Desenvolvimento Profissional: passado e futuro. Sísifo – Revista das Ciências da Educação, n. 8, p. 7-22, jan./abr. 2009.

MERCADO, L. P. L. Formação docente e novas tecnologias. In: Congresso da Rede Iberoamericana de Informática Educativa – RIBIE, 4., 1998, Brasília. Anais eletrônicos... Brasília, DF, 1998. p. 1-8. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/niee/eventos/RIBIE/1998/pdf/com_pos_dem/210M.pdf>. Acesso em: 03/04/2015.

MUGNAINI, R.; JANNUZZI, P. M.; QUONIAM, L. Indicadores bibliométricos da produção científica brasileira: uma análise a partir da base Pascal. Ciências da Informação. Brasília, v. 33, n. 2, p. 123-131, mai/ago. 2004.

PINSONNEAULT, A.; KRAEMER, K. L.; Survey research in management information systems: an assessement. Journal of Managemente Information System, v. 10, n. 2, p. 75-104, set. 1993.

REIS, M. A. Professor (des)conectado. In: Congresso Internacional da Cátedra Unesco de Educação de Jovens e Adultos, 1., 2010, João Pessoa. Anais... João Pessoa, PB, 2010. CD-ROM.

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TARDIF, M. Saberes profissionais dos professores e conhecimentos universitários: elementos para uma epistemologia da prática profissional dos professores e suas conseqüências em relação à formação para o magistério. Revista Brasileira de Educação, n. 13, p. 5-24, jan/fev/mar/abr. 2000.

 

Autores

Tatyanne Roiek Lazier-Leão. Mestre em Educaçao Física (UEM). Especialista em Educação: Métodos e Técnicas de Ensino (UTFPR). Graduado em Educação Física (UNIGUAÇU). Maringá, Paraná, Brasil. www.clubedosrecreadores.com

Cleber Mena Leão Junior. Mestre em Ensino (UNESPAR). Especialista em Educação: Métodos e Técnicas de Ensino (UTFPR). Especialista em Educação Física Escolar (PUCPR). Graduado em Educação Física (PUCRS). Maringá, Paraná, Brasil. www.cleberjunior.com.br

Ricardo dos Santos, Doutor, Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Docente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Campus Medianeira, Paraná, Brasil.

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