As “celebridades fitness”, através das redes sociais, são possuidoras de um número considerável de seguidores.

Resumo

As “celebridades fitness”, através das redes sociais, são possuidoras de um número considerável de seguidores. Estas vinculam seus próprios corpos como modelo ideal e divulgam suas rotinas de treinos e alimentação e métodos de emagrecimento e exercícios, influenciando o comportamento dos seus seguidores, que aderem a essa nova prática sem mensurar o perigo de seguir “celebridades fitness” que, em sua maioria, não tem uma formação para tal função. Nesse cenário, objetivou-se compreender a percepção dos educadores físicos sobre a influência da internet no mundo fitness. O presente estudo trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva, no qual sete profissionais de educação física, seis profissionais formados e um estagiário, que atuam em academias de diferentes regiões da cidade de Fortaleza – CE, responderam a um roteiro de entrevista semiestruturado, que abordavam “a percepção da atratividade da internet ao mundo fitness e a avaliação sobre esse movimento”. Nos resultados, analisados por meio de Análise de Conteúdo de Bardin, foram averiguados que os educadores físicos concordam que as “celebridades fitness” motivam os seus seguidores a incorporarem um estilo de vida saudável. Contudo, apenas três entrevistados seguem as “celebridades fitness” nas redes sociais. A maioria dos entrevistados relatou não acompanhar essas “webcelebridades”, por estas não possuírem conhecimento técnico e científico para validar sua prática. Conclui-se que os educadores físicos reconhecem que as “celebridades fitness” proporcionam benefícios aos seus seguidores, como o incentivo a um estilo de vida saudável, todavia os educadores físicos criticam o costume das “webcelebridades” em divulgar exercícios e dietas sem a devida capacitação.

Palavras-chave: educação física; internet; influência.

1. Introdução

Atualmente, a busca pelo corpo perfeito volta-se para a mídia, onde é reforçada a exigência da sociedade de um corpo ideal. Por meio dos meios de comunicação, são lançadas dietas novas, remédios, inibidores de apetite, procedimentos estéticos, exercícios, roupas e suplementos; é uma infinidade de produtos que muitas vezes não tem eficácia testada. Por meio da mídia, as pessoas também se inspiram em ídolos (PEREIRA JUNIOR; CAMPOS JUNIOR; SILVEIRA, 2013).

A mídia de internet (online) torna-se um dos principais meios de influência na busca do ideal de corpo. Assume o papel que antes era restrito às revistas. Agora, com outra roupagem, de forma mais inovadora (JACOB, 2014; VIEIRA; BOSI, 2013). Na internet, as redes sociais são ferramentas que estão à disposição da maioria da população. São diversos, rápidos, fáceis e independentes. Auxiliam na comunicação, na informação e até na educação. Além disso, algumas pessoas assumem as redes sociais como espaço de trabalho, com oferta de serviços diversos (JACOB, 2014). Inclusive o que está na moda são as “webcelebridades”, que utilizam inúmeras mídias sociais para disponibilizarem um arsenal de métodos de emagrecimento e exercícios sem um estudo ou formação prévia da área, e que chegam com velocidade a todos (ALVES; CAETANO, 2015).

As “webcelebridades” com conteúdos relacionados ao mundo fitness são chamadas de “blogueiros fitness”. Esses conseguem atingir um número considerável de seguidores com a vinculação dos seus próprios corpos como modelo ideal, apresentando toda sua rotina de exercícios e alimentação como exemplo de práticas para conseguir um corpo perfeito (ALVES; CAETANO, 2015; JACOB, 2014). Fazem dessa atividade seu trabalho, pois geram oportunidade de ganhar dinheiro fazendo propagandas de diversos produtos, do vestuário ao alimentício (JACOB, 2014).

Por meio dessas “webcelebridades”, é oferecida ajuda para ficar magro, no caso das mulheres, e forte, no caso dos homens, conforme a imagem do protótipo social. Eles influenciam e mudam o comportamento das pessoas que aderem essa nova prática sem mensurar o perigo de seguir pessoas que, geralmente, não tem uma formação acadêmica que o capacite para tal função. Entende-se, pois, que a internet dá a possibilidade de qualquer um estar na mídia e compartilhar receitas, dietas, dicas de exercícios, suplementos, alimentos, remédios, facilitando a comunicação e interação entre as pessoas. Na maioria das vezes, porém, não há filtro nas publicações, que, por vezes, são divulgadas sem o devido conhecimento acadêmico e científico (ALVES; CAETANO, 2015).

Além disso, esse ideal de corpo imposto pode não necessariamente adequa-se a uma generalização, ao biótipo, modo de vida ou condições financeiras de todos (PEREIRA JUNIOR; CAMPOS JUNIOR; SILVEIRA, 2013). Como consequência, a corrida pelo belo e pelo ideal exigido pode gerar dano físico e/ou psicológico às pessoas, se não houver uma orientação especializada (FERRARI; SILVA; PETROSKI, 2012).

 Diante de todas essas questões, parece difícil acreditar que há pessoas que seguem e se tornam consumidores do produto que os “blogueiros fitness” vinculam, mas existe. São pessoas que, muitas vezes, os nomeiam como ídolos, sem reconhecer os riscos implicados (JACOB, 2014). Diante de tudo que foi exposto, a finalidade desse estudo é compreender a percepção dos educadores físicos sobre a influência da internet sobre o mundo fitness.

2. Método

O presente estudo trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva, de cunho qualitativo sobre essa temática pouco explorada na literatura. Contou com a participação de sete profissionais de educação física, seis profissionais formados e um estagiário, que atuam em academias de diferentes regiões da cidade de Fortaleza – CE (Brasil), seguindo o critério de saturação de dados (SÁ, 1998).

Foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturado com perguntas abertas, que abordavam a percepção de existência da atratividade da internet ao mundo fitness e avaliação sobre esse movimento. As entrevistas foram realizadas de forma individual, com auxílio de gravador e os participantes foram informados previamente dos objetivos e procedimentos do estudo, sendo solicitado, que assinassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), garantindo o anonimato da sua colaboração e a confidencialidade de suas respostas. Salienta-se que foram respeitados os aspectos éticos exigidos pela Resolução nº466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

Destaca-se ainda que as entrevistas foram analisadas por meio da Análise de Conteúdo de Bardin. Deste modo, foram utilizadas as análises temáticas, análises de frequências quantitativas e análises transversais seguindo os passos de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, a inferência e interpretação (BARDIN, 1979).

3. Resultados e discussão

O corpus geral foi constituído por sete entrevistas - Unidades de Contexto Inicial (UCI), que contabilizaram 369 Unidades de Contexto Elementar (UCE), distribuídas em três categorias emergidas: 1) “Acompanhamento de dicas fitness pelas mídias sociais” (183 UCEs); 2) “Inspiração em celebridades para ter um corpo ideal” (30 UCEs); e 3) “Opiniões dos educadores físicos sobre a influência das “webcelebridades” sobre o mundo fitness” (156 UCEs).

1 - Acompanhamento de dicas fitness pelas mídias sociais

Nessa categoria, composta por 86 UCEs, dividida em três subcategorias, foram apresentadas a posição dos educadores físicos a respeito de acompanhar dicas fitness por meio das redes sociais. Na subcategoria 1.1 - “Educadores físicos que não acompanham” (23 UCEs) observou-se, a partir dos discursos dos participantes, que dos sete entrevistados, quatro não acompanham dicas fitness pelas mídias sociais. Percebe-se, portanto, a não aderência das redes sociais como instrumento para complementar e aperfeiçoar o conhecimento e a atuação profissional pela maioria dos educadores físicos, em virtude de, como informam Pretto e Silveira (2008), não perceberem as mídias sociais como uma ferramenta significativa de educação.

“Fisiculturistas eu não assisto, blogueira muito menos, uma raça que eu rejeito” (Participante 6)

Na subcategoria 1.2 - “Tipos de pessoas que os educadores físicos acompanham” (48 UCEs), subdividida em “Profissionais da área da saúde” (37 UCEs) e “Webcelebridades” (11 UCEs) é exposto que três educadores físicos seguem pessoas que dão dicas fitness pelas redes sociais, em razão da necessidade de saber quais são as tendências na mídia e levando em conta que as mídias sociais funcionam como um meio de divulgação e compartilhamento de informações e conhecimento (PRETTO; SILVEIRA, 2008; JACOB, 2014). Destaca-se que dois educadores físicos seguem profissionais da saúde, atletas e “blogueiros fitness” e somente um educador segue apenas profissionais da saúde, pois acredita que são unicamente esses profissionais que possuem capacitação e respaldo para falar e dar dicas sobre a área.

Em “Profissionais da área da saúde” é verificado o interesse dos educadores físicos em seguir profissionais dessa área, como professores e instrutores, que possuam conhecimento, pesquisa e especialização sobre a prática.  Infere-se, deste modo, que os educadores físicos optam por acompanhar profissionais da modalidade que tenham didáticas, conhecimento científico e práticas adequadas para a atuação profissional (MILEO; KOGUT, 2009).

“[...] são pessoas que estudam, doutores, mestres, e que estimulam sim o público, os clientes, a procurarem uma vida mais saudável, mas sem apelar para o uso de suplementos indiscriminados, anabolizante indiscriminadamente” (Participante 6).

Já em as “Webcelebridades” é elucidado que o acompanhamento de “webcelebridades”, como atletas, fisiculturistas e “blogueiros fitness, se dá em razão do interesse e da curiosidade em conhecer pessoas famosas que se tornaram referências dessa nova “dimensão fitness”, cada vez mais presente na sociedade contemporânea, a consumação de notícias e imagens relacionadas à valorização da cultura corporal e o estabelecimento de um padrão de corpo ideal, onde o intercâmbio de conteúdos são divulgados, reproduzidos e seguidos por milhares de pessoas através das mídias sociais (PRETTO; SILVEIRA, 2008).

“Sim, vários, mas a maioria é de artista mesmo. Como atleta, fisiculturistas, atletas fitness que a gente conhece” (Participante 7).

Na subcategoria 1.3 - “Tipos de mídias acompanhadas pelos educadores físicos” (4 UCEs), observou-se que os educadores físicos seguem entre os tipos de mídias sociais, sobretudo, canais no youtube e  contas no instagram, haja vista que esses são os principais meios de mídias utilizados para divulgar dicas fitness por conta da agilidade e facilidade de publicação e capacidade de compartilhamento de conteúdos online que é proporcionado (RODRIGUES; OLIVEIRA; BROSSARD, 2014).

“[...]mais  por meio de instagram” (Participante 3).

[...]canal (no youtube) e instagram” (Participante 1).

2 - Inspiração em celebridades para ter um corpo ideal

Nessa categoria, composta por 30 UCEs, dividida em duas subcategorias, foram apresentadas a colocação dos educadores físicos referente à inspiração em celebridades para ter um corpo ideal.

Na subcategoria 2.1 - “Educadores físicos que não se inspiram” (12 UCEs) - notou-se que grande parte dos educadores não se inspira em celebridades para obter um corpo idealizado. Depreende-se que este fato ocorre em virtude do conhecimento profissional e, deste modo, não são facilmente influenciados e/ou motivados a ter celebridades como modelo de corpo ideal por compreenderem que não é necessário se dedicarem em se encaixar no padrão corporal idealizado e almejado pela sociedade e representado e difundido pelo perfil corporal das celebridades, sobretudo dos “blogueiros fitness. Diante disso, os educadores físicos focam em uma vida saudável e no contentamento com o próprio corpo (CELICH; SPADARI, 2008; DANTAS, 2011).

“Não, não, não. [...] Hoje, eu estou muito relaxada em relação de me inspirar em alguém, de querer ser alguém” (Participante 6).

Em contrapartida, averiguou-se na subcategoria 2.2 - “Educadores físicos que se inspiram” (18 UCEs) que um dos participantes se inspira em atores famosos de filmes e personagens de vídeo game de ação e luta.

“[...] por exemplo o Schwarzenegger, o Stallone, o Jean Claude Van Damme [...] personagem de vídeo game, tais como da minha infância: Mortal Kombat, Street Fighter” (Participante 7). 

3- Opiniões dos educadores físicos sobre a influência das “webcelebridades” sobre o mundo fitness

Nessa categoria, composta por 156 UCEs, dividida em quatro subcategorias, foram apresentadas as opiniões dos educadores físicos sobre a influência das “webcelebridades” sobre o mundo fitness.

Na subcategoria 3.1 - “As “celebridades fitness” não possuem capacitação profissional” (64 UCEs) - a partir dos discursos dos participantes, observou-se que os educadores físicos possuem críticas em relação às “webcelebridades” não possuírem capacitação profissional e o consequente conhecimento científico que possa validar sua atuação, tendo em vista que apenas praticar e obter bons resultados pessoais não garante que elas possam compartilhar informações corretas sobre os exercícios, pois não dispõem de conhecimento técnico e científico para saber o que cada atividade está trabalhando e a forma certa de realizar o exercício.

Cada atividade, portanto, deve ser pensada de forma específica para cada pessoa, pois os efeitos dos exercícios variam entre os indivíduos. Por conseguinte, como relatam Alves e Caetano (2015), deve-se ter o devido cuidado com as informações que essas “webcelebridades” passam para seus seguidores, pois podem não estar comprovadas cientificamente e, desta forma, ocasionar lesões nas pessoas que seguem as dicas dessas “webcelebridades”.

[...] sabem fazer, sabem executar, mas não sabem passar, não sabem o que vai trabalhar, o que pode lesionar, como é que o exercício vai ajudar, não se entende muita coisa” (Participante 1).

“Então temos que ter bastante cuidado e ver de onde se originam essas pesquisas, saber se estão embasadas dentro de um conhecimento científico para que a gente possa dar o grau de validade para essas pesquisas” (Participante 2).

A subcategoria 3.2 - “As “celebridades fitness” motivam as pessoas a se exercitarem” (34 UCEs), evidencia o fato das “celebridades fitness”, por meio da produção e repercussão de dietas e exercícios físicos nas mídias sociais, interferem diretamente na construção de ideias e referenciais de seus seguidores e do público em geral, os estimulando a aderirem a prática de exercícios e uma alimentação balanceada. Nesse âmbito, essas pessoas, ao incorporarem o estilo de que é divulgado, modificam seus hábitos e alcançam uma melhoria na qualidade de vida, haja vista que, a prática de exercícios físicos está relacionada à prevenção de patologias, ao aumento da autoestima, à satisfação com a autoimagem e ao bem-estar (SALERNO et al., 2015).

 “[...] ele possa iniciar uma motivação de poder fazer com que aquela pessoa vá e busque treinar [...] e ter um condicionamento físico melhor, uma saúde melhor” (Participante 7).

Na subcategoria 3.3 - “As “celebridades fitness” querem ganhar fama” (9 UCEs) - foi destacado, por meio do discurso dos educadores físicos, que ocorre o uso da imagem dessas “celebridades fitness” para ganhar dinheiro e fama decorrente da oportunidade de negócios disponibilizada pela internet, especialmente nas mídias sociais. Este atual tipo de trabalho informal, além de possuir custos baixos, apresenta altos níveis de retorno financeiro, fazendo com que cada vez mais surjam “webcelebridades” nos meios de comunicação virtuais (JACOB, 2014; ROCHA; MAGALHÃES; PAIVA, 2012; PRETTO; SILVEIRA, 2008).

Vale ressaltar que essa venda de imagem praticada pelas “celebridades fitness” não condiz com a ética da área de educação física que preza para que, segundo a Resolução nº 056/2003 da CONFEF, o profissional de educação física adote um comprometimento ético para com a sociedade, estando a seu serviço independente de quaisquer interesses, acima de tudo, do âmago corporativista.

“[...]elas têm o intuito de valorizar o corpo delas, ganhar o máximo de curtidas e visualizações e entraram nessa porque tá todo mundo tá fazendo“ (Participante 1).

 “O blogueiro utiliza a imagem dele para vender algo e isso está totalmente inadequado junto à profissão” (Participante 3).

 A subcategoria 3.4 - “As “celebridades fitness” influenciam ‘modas’” (49 UCEs) - aborda que o que as “celebridades fitness” propagam nas mídias sociais é uma tendência, um elemento que está em alta devido à cultura do corpo “perfeito” possuir destaque significativo no contexto midiático, como televisão, revistas e, principalmente, mídias sociais (SANTOS; RODRIGUES; DARIDO, 2012). Contudo, como outras modas amplamente difundidas, pode-se perder o interesse por essa “dimensão fitness” e ser substituída por outra tendência.

“[...] é tudo modinha, não são pessoas que ficam firme, não são pessoas que ficam por motivos justos ou bons, são pessoas que vão por motivos ah puro e simplesmente por motivos muito fúteis, motivos ‘Ah eu quero ficar que nem a fulana’” (Participante 6).

Acrescenta-se que essa tendência decorre da cultura do corpo extensamente propagada e aspirada pela sociedade atual e não, uma busca de melhoria na qualidade de vida que os exercícios poderão gerar no indivíduo (DANTAS, 2011).

“faz com que pessoas leigas se deixem levar pela cultura do corpo, e não pelos benefícios que a atividade física propõe” (Participante 5).

4. Conclusão

A partir dos resultados obtidos na presente pesquisa, observa-se que os educadores físicos reconhecem que as “celebridades fitness” oferecem certos benefícios aos seus seguidores ao motivarem esse público a adotarem cuidados com a alimentação e prática de exercícios. Em contrapartida, apenas três dos entrevistados seguem as “celebridades fitness” nas redes sociais com a intenção de acompanhar as tendências na mídia. Já a maioria dos entrevistados relatou não acompanhar essas “webcelebridades” e as criticam por não possuírem o conhecimento técnico e científico para dar orientações na área.

Sugere-se, portanto, que os educadores físicos, trabalhando em conjunto com o Conselho de Educação Física, tomem certas medidas como difundir nos meios de comunicação, em razão da facilidade de divulgação de informação, comunicados sobre o risco e a importância de tomar cuidado com dicas fitness propagadas por pessoas que não possuem uma formação na área. Deve-se ainda haver uma maior fiscalização da indevida atuação profissional de “blogueiros fitness” como personal trainers.

Contudo, torna-se fundamental que os educadores físicos percebam as mídias sociais e a internet em geral como instrumentos oportunos, pois há nessas ferramentas a facilitação da aprendizagem, o que possibilita que os profissionais de educação física, ao tomar os devidos cuidados, aprendam e divulguem novos conhecimentos e práticas.

Além de aperfeiçoar a capacitação profissional, é essencial que os educadores físicos abram espaço para a reflexão com os seus alunos sobre questões importantes como a atual cultura do corpo perfeito e a grande publicidade e o certo enaltecimento em torno das “webcelebridades”, sobretudo as que cultuam os seus corpos tidos como ideais e divulgam dicas de exercícios físicos e alimentação.

Conclui-se que, apesar dos educadores físicos aprovarem o poder motivacional dos “blogueiros fitness” em seus seguidores para que estes passem a aderir a um estilo de vida saudável, os mesmos não concordam com a prática de compartilhamento de dicas saudáveis para com o público. É necessária, portanto, uma maior atuação dos Conselhos Regionais e Federal de Educação Física para investigar a prática de orientações fitness sem uma adequada capacitação. Contudo, propõe-se que os educadores físicos passem a visualizar nas mídias sociais um mecanismo de ensino e de formação de pensamento crítico, permitindo uma divulgação correta acerca de saúde e bons hábitos para com o corpo.

5. Referências

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BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

CELICH, K. L. S.; SPADARI, G. Estilo de vida e saúde: condicionantes de um envelhecimento saudável. Revista Cogitare Enferm, v. 13, n. 2, p. 252-60, 2008.

DANTAS, J. B. Um ensaio sobre o culto ao corpo na contemporaneidade. Estud. pesqui. psicol., Rio de Janeiro, v. 11, n. 3, p.898-912, 2011.

FERRARI, E. P.; SILVA, D. A. S.; PETROSKI, E. L. Associação entre percepção da imagem corporal e estágios de mudança de comportamento em acadêmicos de educação física. Rev. Bras. Cineantropom. Desempenho Hum., Florianópolis, v. 14, n. 5, p. 535-544, 2012.

FÍSICA, C. F. D. E. RESOLUÇÃO CONFEF n. º 056/2003. Dispõe sobre o Código de Ética dos Profissionais de Educação Física registrados no Sistema CONFEF/CREFs.

JACOB, Helena. Redes sociais, mulheres e corpo: um estudo da linguagem fitness na rede social Instagram. Revista Communicare – Dossiê Feminismo, v. 14, n. 1, p.88-105, 1º Semestre de 2014.

MILEO, T. R.; KOGUT, M. C. A importância da formação continuada do professor de educação física e a influência na prática pedagógica. In: IX Congresso Nacional de Educação–EDUCERE, 2009, São Paulo.

PEREIRA JUNIOR, M.; CAMPOS JUNIOR, W.; SILVEIRA, F. V. Percepção e distorção da auto imagem corporal em praticantes de exercício físico: a importância do exercício físico na imagem corporal. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo. v. 7. n. 42. p. 345-352. nov/dez. 2013. ISSN 1981-9927.

PETTO, N. D. L.; SILVEIRA, S. A. D. Além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder. EDUFBA, 2008.

ROCHA, M.; de Almeida MAGALHÃES, S. S. R.; de PAIVA, R. B. Da intranet às mídias sociais: um novo paradigma. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 10, n. 1, p. 178-185, 2012.

RODRIGUES, G. O.; de OLIVEIRA, S. E.; BROSSARD, C. S. Análise comparativa do uso de redes sociais como canal de marketing por empresas brasileiras de comércio eletrônico. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 12, n.1, p. 407-416, 2014.

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SALERNO, M.; ROMBALDI, A. J.; REICHERT, F. F.; SILVA, M. C. da. Conhecimento sobre atividade física e saúde dos profissionais de academias de Pelotas, RS, BR. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 21, n. 5, p. 345-349, 2015.

SANTOS, D. I. K.; RODRIGUES, H. D. A.; DARIDO, S. C. Os usos da mídia em aulas de Educação Física escolar: possibilidades e dificuldades. Movimento, p. 183-202, 2012.

VIEIRA, C. A. L.; BOSI, M. L. M. Corpos em confecção: considerações sobre os dispositivos científico e midiático em revistas de beleza feminina. Physis, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, p. 843-861, set. 2013.

 

Currículo(s) do(s) autor(es)

Cynthia de Freitas Melo – Psicóloga. Doutora em Psicologia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza. Coordenadora do Laboratório de Estudos e Práticas em Psicologia e Saúde (LEPP-Saúde). Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Bárbara Jéssyca Magalhães – Psicóloga pela Universidade de Fortaleza

Camila Maria de Oliveira Ramos – Turismóloga e graduanda em Psicologia pela Universidade de Fortaleza

Nathalia Gabriella da Justa Mota - Graduanda em Psicologia pela Universidade de Fortaleza

 

 

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