Brincar é essencial na vida da criança. Se ela não tiver a oportunidade de brincar livremente, poderá ficar mentalmente doente. É brincando que a criança se introduz no mundo do adulto, revive conteúdos emocionais, aprende a criar e respeitar regras, interagir com o outro e com o ambiente e se prepara.

Toda a criança brinca. Ela necessita deste espaço para se desenvolver. 

É brincando que os bebês descobrem como as coisas funcionam ,  interagem  com o outro e começam a se relacionar com a vida, perceber os objetos e o espaço que seu corpo ocupa no mundo em que vive. 

Brincando, a criança pode realizar atividades próprias do mundo adulto, o que facilitará seu ingresso neste mundo futuramente.

Toda a criança brinca. Ela necessita deste espaço para se desenvolver. 

A criança simboliza: Brinca de faz-de-conta, representa papéis, “recria” situações que lhe foram agradáveis ou não. Só que quando a criança recria estas situações,   faz da forma que ela suporta, não correndo riscos reais. Através do faz-de-conta, a criança traz para perto de si uma situação vivida e a adapta à sua realidade e necessidade emocional. 

Podemos observar que não adianta proibirmos brincar com armas de brinquedo. Se a criança sentir necessidade de elaborar esta situação, ela o fará utilizando seus dedos ou qualquer outro objeto. E esta elaboração é necessária, sob pena da criança sofrer sérios problemas emocionais. 

Nota-se  que conforme se desenvolve emocional e cognitivamente, a criança  começa a incluir outras pessoas em suas brincadeiras. Ela começa a brincar” com o outro “e não mais “ao lado do outro”. 

É percebendo a presença do outro que começam a ser criadas e respeitadas  as regras. Conviver com outra pessoa exige que se respeitem limites. O limite imposto pelo outro. 

Começam aí as brincadeiras envolvendo jogos com regras. 

Os jogos com regras exigem raciocínio, estratégia, antecipação de um resultado. 

Percebe-se que quando a criança se mostra capaz de respeitar as regras dos jogos, seu relacionamento com outras crianças e  mesmo com os adultos melhora.   

O contrário também pode ser verdadeiro. Muitas vezes percebemos que crianças que têm problemas de relacionamento com os colegas, pais e professores, também demonstram dificuldades em respeitar regras impostas pelos jogos. 

Como psicopedagoga, posso observar que a forma como a criança brinca, pode influir no seu processo de aprendizagem. 

Se a criança não respeita regras, é porque não vê o outro como algo importante na sua relação. Se ela não vê o outro, como pode aprender? A pessoa que aprende tem que valorizar aquele que ensina para poder aprender o que se quer ensinar.  

Se a pessoa tem dificuldade em respeitar o direito do outro legitimado através da regra de um jogo, em que todos estão em igualdade de condições, pois a regra assim o permite, como ela vai admitir ser “ensinada" por outrem?   

Fica difícil abrir este espaço. 

Observa-se que quanto mais a criança se mostra tolerante às frustrações quando perde no jogo, percebendo o direito do outro e sua capacidade de vencer - pois ela também é capaz de vencer , mesmo respeitando as regras - mais se expande seu interesse em aprender, sua coragem de perceber que não sabe mas pode aprender. 

A criança percebe que, para vencer, precisa usar  estratégias, precisa raciocinar, pois,  seu adversário está ali.  

Quando antecipa o resultado e pensa sobre as razões de sua vitória ou fracasso, ela vai criando hipóteses e estas hipóteses podem contribuir no seu processo de aprendizagem escolar. 

Muitas crianças chegam ao consultório para um acompanhamento psicopedagógico  completamente desacreditadas de si mesmas, se sentindo incapazes de aprender.  

Jogando com o terapeuta, a criança vai compartilhando e socializando regras através desta experiência, o que pode favorecer a recuperação da auto - estima  e de uma relação saudável com o adulto, condição  fundamental para que ela aprenda. 

Portanto, a brincadeira e as situações de jogos são fundamentais para a vida saudável da criança e, por que não dizer, para o adulto também. 

Já pensou em um jogo que possa interessar a toda família, quantos benefícios poderá trazer?

Então, vamos brincar?

Referências Bibliográficas

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Macedo, Lino de Para umma psicologia construtivista Em Eunice Soriano Alencar( org) Novas Contribuições da Psicologia aos Processos de Ensino e Aprendizagem São Paulo, Cortez

Piaget, Jean(1936) O nascimento da inteligência na Criança

Piaget, Jean(1945) A formação do símbolo na criança: imagem, jogo e sonho, imagem e representação. Trad. Älvaro Cabral e Cristiano Monteiro Oiticica, R.J. Zahar, 1978

Piaget, Jean & Bärbel, Inhelder (1948) A representação do espaço na criança - Trad. Bernardina Machado de Albuquerque Porto Alegre Artes Médicas, 1993

Weiss, Maria Lúcia Lemme  Psicopedagogia Clínica uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar , 3a edição,revista e atualizada, R.J. DP&A editora, outubro 1997

Autora

Teresinha Véspoli de Carvalho: Pedagoga, Psicopedagoga. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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