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Victor Brecheret,
Projeto para
escultura Pan,
década de '20,
cimento.
Col. Oswaldo de
Andrade Filho |
"Eu vejo a
terra assim", foi o que Brecheret respondeu quando lhe perguntaram porque chamara
Terra a uma pesada estátua de mulher. Pequeno, entroncado, uma cabeça de imperador
romano, falando uma lingua que mal se entendia, mistura de português, italiano e
francês, de uma bondade que se escondia por trás da carranca, assim era Bercheret que
conheci em Paris por volta de 1926 num café de Monteparnasse. Homem simples, metódico, sem vícios,
não chegava a gastar a mesada. Falo do bom tempo em que se podia ficar horas sentado no
"Rotonde"com um simples "café crême" que não era preciso tomar
sequer, que não passava de uma espécie de direito à mesa.
Em 1922, quando da Semana de Arte
Moderna, sua presença em São Paulo, foi positivamente escultórica e sua peças, ainda
muito influenciadas por Mestrovic, eram revelações maravilhosas.Dele fez então Oswald
de Andrade o Herói de um romance. Menotti escreveu várias crônicas a seu respeito e
todos nós quisemos possuir alguma coisa do gênio. Do jargão que empregava, para se
exprimir, tem-se uma noção pela história que me contou de uma feita. "O cão ele
avançava, per Bacco, e moi je roucoulais"
Sergio
Milliet
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Victor Brecheret,
Desenho,
década de '20.
Col. particular,
São Paulo |
Depois de estudar o
Classicismo, realizando-o com perfeição, deu expansão à sua personalidade
neo-espiritualista, fortemente tocado pelo imponderável espírito da tragédia, que
flutua na alma contemporânea de todos os estetas. A sua cerebração intuiu que o destino
da estatuária não era restituir as periferias no decalque morto das formas vivas; com
Rodin concebeu dinamismo expressionais no refranger dos músculos e na solenidade
esfingética das atitudes; a mudez da greda devia sugerir a alma interior, alí fixada
pelo artista, sendo a estátua mais que a reprodução inexpressiva de um corpo, na
perfeição icônica das suas formas e das suas dimensões. Menotti Del Picchia

Victor Brecheret,
Daisy,
mármore,
c. 1922.
Col. particular,
São Paulo |

Victor Brecheret, Pudor 1922.
Col. Milton Guper, São Paulo |
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