Anita Malfatti, Retrato de Tarsila, pastel, 1922. MASP.

Tarsila do Amaral, Abapurú, 1929.
Col. Erik Stickel, São Paulo.

Tarsila do Amaral, Manacá, 1923.
Col. Milton Guper, São Paulo.

ATELIER

Caipirinha vestida por Poiret
A preguiça paulista reside nos teus olhos
Que não viram Paris nem Piccadilly
Nem as exclamações dos homens
Em Sevilha
À tua passagem entre brincos

Locomotivas e bichos nacionais
Geometrizam as atmosferas nítidas
Congonhas descora sob o pálio
Das procissões de Minas
A verdura do azul klaxon
Cortada
Sobre a poeira vermelha

Arranha-céus
Fords
Viadutos
Um cheiro de café
No silêncio emoldurado

Oswald de Andrade

 

A poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente.

Temos a base dupla e presente-a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria e a álgebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de "dorme nenê que o bicho vem pegá"e de equações.

Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas, nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional.

Pau-Brasil.

Do manifesto Pau-Brasil,
de Oswald de Andrade, 1924.

 

Tarsila, Tarsila, volta pa ti mesma. Abandona o Gris e o Lhotte, empresários de criticismos decrépitos e de estesias decadentes. Abandona Paris, Tarsila.

Vem para a mata virgem, onde não há arte negra, onde não há também arroios gentis. Há MATA VIRGEM. Criei o matavirgismo. Sou matavirgista. Disso é que o mundo, a arte, o Brasil e minha queridíssima Tarsila precisam.

Mário de Andrade,
carta a Tarsila.