ATELIER
Caipirinha vestida
por Poiret
A preguiça paulista reside nos teus olhos
Que não viram Paris nem Piccadilly
Nem as exclamações dos homens
Em Sevilha
À tua passagem entre brincos
Locomotivas e bichos
nacionais
Geometrizam as atmosferas nítidas
Congonhas descora sob o pálio
Das procissões de Minas
A verdura do azul klaxon
Cortada
Sobre a poeira vermelha
Arranha-céus
Fords
Viadutos
Um cheiro de café
No silêncio emoldurado
Oswald
de Andrade
A poesia Pau-Brasil
é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas,
um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal
anda todo o presente.
Temos a base dupla e
presente-a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria e a álgebra e a
química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de "dorme nenê
que o bicho vem pegá"e de equações.
Uma visão que bata
nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas, nas usinas produtoras, nas questões
cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional.
Pau-Brasil.
Do
manifesto Pau-Brasil,
de Oswald de Andrade, 1924.
Tarsila, Tarsila,
volta pa ti mesma. Abandona o Gris e o Lhotte, empresários de criticismos decrépitos e
de estesias decadentes. Abandona Paris, Tarsila.
Vem para a mata
virgem, onde não há arte negra, onde não há também arroios gentis. Há MATA VIRGEM.
Criei o matavirgismo. Sou matavirgista. Disso é que o mundo, a arte, o Brasil e minha
queridíssima Tarsila precisam.
Mário
de Andrade,
carta a Tarsila.