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BRINQUEDO
(Oswald de Andrade)
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O Teatro Municipal, 1922.
Foto do arquivo
da Light, São Paulo
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Roda
roda São Paulo
Mando tiro tiro lá
Da minha janela eu avistava
Uma cidade pequena
Pouca gente passava
Nas ruas. Era uma pena
Desceram das montanhas
Carochinhas e pastoras
Por dormir em meus olhos
Me levaram pra abrolhos
Os bondes da Light bateram
Telefones na ciranda
Os automóveis correram
Em redor da varanda |
Roda
roda São Paulo
Mando tiro tiro lá
Brinquedos de comadre
Começaram pela vida
Pela vida começaram
Comadre e mexericos
Roda roda São Paulo
Mando tiro tiro lá
Depois entrou no brinquedo
Um menino grandão
Foi o primeiro arranha-céu
Que rodou no meu céu |
Do
quintal eu avistei
Casas torres e pontes
Rodaram como gigantes
Até que enfim parei
Roda roda São Paulo
Mando tiro tiro lá
Hoje a roda cresceu
Até que bateu no céu
É gente grande que roda
Mando tiro tiro lá
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O Teatro Municipal, o Hotel Esplanada e o edifício da Light. Arquivo da Light, São
Paulo. |

O Teatro São José, fachada da Rua Xavier de Toledo. |

A Rua Direita. |
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A Rua Libero Badaró. |

O Teatro São Pedro, no dia inaugural, 1917. |

O Trianon, na Av. Paulista, 1916. Arquivo da Light, São Paulo. |
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Oswald de Andrade
Discurso no Trianon
"Correio Paulistano", 10, 1, 1921.
São Paulo, neste
instante em que o eixo da vida de pensamento e de ação parece deslocar-se num milagre
lento e seguro para os países descobertos pela súplica das velas européias, partidas
como num pressentimento de fim, para a busca de Canaãs futuras, São Paulo é a
continuada promessa dos primeiros escolhos verdes em que bateram, numa festa, as antigas
proas cansadas. Estamos no Trianon, devassando a cidade panorâmica no recorte
desassombrado das suas ruas de fábricas e dos seus conjuntos de palácios americanos. É
a cidade que, nas suas gargantas confusas, nos seus desdobramentos infindáveis de bairros
nascentes, na ambição improvisada das suas feiras e nas vitórias dos seus mercados,
ulula uma desconhecida harmonia de violências humanas, de ascensões e desastres, de
lutas, ódios e amores, a propor, às receptividades de escol, o riquíssimo material das
suas sugestões e a persuasão imperativa das suas cores e linhas.
São Paulo é já cidade que pede romancistas e poetas, que impõe pasmosos problemas
humanos e agita, no seu tumulto discreto, egoísta e inteligente, as profundas
revoluções criadoras de imortalidade. Toma, pois, um sentido de investidura a nossa
participação na tua festa, ó irmão cumulado de abençoadas farturas. Vemos em ti o
milagre da salamandra, que a glória não queima.
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O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand no mesmo local do Trianon, inaugurado em
1968.
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