Em nosso país, Rugendas é pouco divulgado, porém no século passado foi visto assim como Debret, um grande artista.

Jovem artista alemão, obteve pouca repercussão de um processo ainda novo da litografia, utilizando-se deste para "in loco" retratar nossas paisagens, nossos índios e o povo brasileiro.

Nascido em Augsburg, Johann Moritz Rugendas, filho de uma família de pintores da Alemanha corporativista dos séculos passados.

Por influência de seu pai começa sua carreira na Academia. Desde essa época sente-se atraído por motivos animalistas, sobretudo pelo cavalo, tendo feito vários desenhos com incrível perfeição anatômica, habilidade e vigor.

Qualidades que, inconfundivelmente, marcarão toda a sua produção artística. Se conhece de suas obras da época acadêmica: "A Retirada de Napoleão em Waterloo" e "A Batalha de Arcis". Neste mesmo tempo, começa a praticar uma nova técnica, a gravura litográfica a partir de um original de seu avô Jorge Filipe.

Já em Munique, por intermédio de Augusto Riedel, seu amigo íntimo, Rugendas teve notícias de que o Cônsul russo Langsdorff preparava uma expedição científica ao Brasil e que o botânico berlinense Ludwig Riedel dela participaria. Fascinado em conhecer e retratar o Novo Mundo, assina contrato com Langsdorff integrando a expedição como desenhista.

Chega ao Brasil, em março de 1822, hospedando-se na casa do Barão Wenzel von Mareschal. Apaixonado pela capital brasileira, Rugendas escreve: "É o mais belo porto da terra, situado num país que produz tudo que as necessidades físicas do homem exigem, tudo o que o Estado pode precisar da natureza para sua prosperidade…Uma cidade imperial, populosa, animada pela atividade do comércio mundial, imponente pelo esplendor que lhe emprestam as cerimônias do culto católico e os seus edifícios, e revelando na sua corte todo o brilho das cortes da Europa".

"As florestas nativas constituem a parte mais interessante das paisagens do Brasil", costumava dizer.

Só dois anos mais tarde o pintor inicia com Langsdorff a viagem científica pelas províncias de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso, visitando primeiramente a província de Minas. Em Ouro Preto não é a arquitetura barroca que impressiona o jovem alemão, todo voltado ao estilo neoclássico, e sim a atividade aurífera. Ainda em Ouro Preto, ele se encontra com índios Monoxós e Maxakalis, que conduzem-no até suas aldeias. Eram hábeis colhedores de palmitos o que lhe permitiu desenhá-los em plena ação. Esse desenho dos índios palmiteiros, completado com outros índios utilizando uma ponte pênsil de lianas, foi litografado posteriormente por Alex Victor Joly, tornando-se o mais popular dos desenhos indígenas de Rugendas.

Baseado no livro "Voyage Pittoresque dans le Brésil" de Rugendas.