Cândido Portinari, Desenho, 1922.
Col. Particular, São Paulo.

…Não teve tempo nunca para procurar e explorar a palavra rara. Explicou uma vez Mário de Andrade, seu companheiro e seu amigo, que a pesquisa estética e técnica apaixonava o pintor a ponto de, em sua opinião, constituir, no fundo, o significado da sua obra: "Diante de qualquer solução alheia", escreveu o poeta brasileiro, "mesmo das que instintivamente lhe desagradam, Cândido Portinari é irresistivelmente levado a repensar essa experiência e a fazê-la por sí mesmo". Bem sabemos que amor oficial havia nele , com que paixão e paciência procurava. Más é sempre, evidentemente, no seu caso, de uma necessidade de aumento de vocabulário e de rigor expressivo que se trata. Por isso mesmo nem se quer se defendia daquilo que o entusiamava na solução alheia. talvez até possamos pensar que abertamente a buscava e desafiava.

Mário Dionísio

 

Vim da terra vermelha e do
Cafezal.
As almas penadas, os brejos e as matas virgens
Acompanham-me como espantalho,
Que é meu auto-retrato.

Todas as coisas
Frágeis e pobres
Se parecem comigo.

Minha pupila estará cheia
De tanta gente? Mas está vazia…
Fantasmas movendo-se
Sem existência.
.....

Candido Portinari