Tarsila do Amaral, Retrato de Oswald de Andrade, 1922. Col. Oswaldo de Andrade Filho.


Oswald de Andrade, Desenho colorido, 1922. Col. Oswaldo de Andrade Filho, São Paulo

Segundo o Sr. Antônio Cândido, eu seria o inventor do 'sarcasmo pelo sarcasmo'. Meio século de sarcasmo! Contra que? Contra o vento a quem a Prefeitura e o poeta Guilherme de Almeida entregam as folhas dos plátanos e as pernas das normalistas! A minha pena foi sempre dirigida contra os fracos... Olavo Bilac e Coelho Neto no pleno fastígio de sua glória. O próprio Graça Aranha quando quis se apossar do modernismo. Ataquei o verbalismo de Rui, a ‘italianitá’ e ‘futilitá’ de Carlos Games, muito antes do incidente com Toscanini. Em pintura, abri o caminho de Tarsila. Bem antes, fora eu o único a responder, na hora, ao assalto desastrado com que Monteiro Lobato encerrou a carreira de Anita Malfatti. Fui quem escreveu contra o ambiente oficial e definitivo, o primeiro artigo sobre Mário de Andrade e o primeiro sobre Portinari. Soube também enfrentar a apogeu verdismo e o Sr. Plínio Salgado. Tudo isso não passou de sarcasmo e pilheria! Porque a vigilante construção de minha crítica revisora nunca usou a maquilagem da sisudez nem o guarda-roupa da profundidade.

Oswald de Andrade.
Ponta de Lança, 1945

 


Página do caderno de notas de Oswald de Andrade, Década de 20.


Página do caderno de notas de Oswald de Andrade, Década de 20.


Página do caderno de notas de Oswald de Andrade, Década de 20.

Concluindo o rodapé de "O Pirralho", Oswald de Andrade aconselha aos jovens pintores que, "depois dos anos de aprendizagem técnica", "se desembaracem das recordações de motivas picturais que tiveram"..."e incorporados ao nosso meio, à nossa vida", tirem "dos recursos imensos do pais, dos tesouros de cor, de luz, de bastidores que o circundam, a arte nossa que afirme, ao lado do nosso intenso trabalho material de construção de cidades, e desbravamento de terras, uma manifestação superior de nacionalidade".

O Oswald de Andrade de 1912 e o de 1915 já são o prenúncio do que inventaria o movimento "Pau-Brasil" - produto da cultura européia e nacional, que outra não é, mesmo, a nossa contingência de povo, e principalmente nesse período de nossa história artística e cultural.

Mario da Silva Brito,
História do Modernismo Brasileiro.