Renato Almeida, foto Manchete.

…Prossigam infatigavelmente no esforço para o conhecimento, cada vez mais extenso e mais profundo, do folclore brasileiro, como expressão da psique nacional, elo de continuidade tradicional e fonte de inspiração da nossa arte.

Cultivem o Folclore não como uma diversão, um capítulo pitoresco da história dos costumes, tampouco para nele descobrir apenas achegas a estudos históricos, sociais, antropológicos, estéticos, literários, mas como uma ciência de interpretação da cultura popular, destinada a desvendar, através do modo de ser das camadas populares e dos primitivos, o complexo espiritual da nacionalidade.

Renato Almeida,
Mensagem aos jovens folcloristas do Brasil

 


Capa da Revista Movimento Brasileiro de Renato Almeida, 1929.

Antes de tudo foi uma tomada de posição e valeu pelo conhecimento entre nós, entre Mário de Andrade e eu. A Semana foi uma delícia. Aconteceu o que nós queríamos e provocamos, a vaia, o apupo, a descompostura. Quando Ronald de Carvalho leu ‘Os Sapos’, de Manuel Bandeira que não pudera comparecer, as galerias glosavam o refrão. Mas a vaia mesmo estrugiu com a música de Villa-Lobos. Levaram gaitinhas para as torrinhas e comentavam certas passagens mais ousadas com uma irreverência muitas vezes engraçada e sempre veemente. Algumas intérpretes chegavam a chorar. Mas, para nós, era o desafio que se aceitava. Lembro-me que foi tocada uma peça de Eric Satie, em que zombava da "marcha fúnebre’ de Chopin. E a nossa Grande Guiomar Novais ameaçou não continuar participando da Semana. Alguém foi dizer isso a Graça Aranha e ele replicou imediatamente: - Pois que não tome. Sei que o caso ia azedando e se falou até em duelo… E os escândalos da Exposição de Pintura e Escultura, sobretudo o ‘Homem amarelo’, de Anita Malfatti que, então, consideravam o fim…

Depoimento de Renato Almeida