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Carl G. Jung
Psiquiatra suíço, nascido a 26 de julho de 1875, em Kesswil, aldeia pertencente
ao cantão da Turgovia. Concluiu o curso de psiquiatria em 1900, ocupando o cargo
de assistente no hospital Burgholzli, de Zurique. Este hospital vivia na ocasião
um período de intensa atividade científica, sob a direção de Eugen Bleuler, sem
dúvida um dos maiores psiquiatras de todos os tempos.
No ano de 1906, Jung publicou os Estudos sobre Associações; e a seguir, 1908, O
conteúdo das Psicoses.
Em 1907, Jung entra pela primeira vez em contato pessoal com Freud, no dia 27 de
fevereiro daquele ano, visitou Freud em Viena, por treze horas conversaram.
Freud viu em Jung o homem adequado para conduzir avante a psicanálise.
Em 1910 foi fundada a Associação Psicanalítica Internacional. Freud usou toda
sua influência para que Jung fosse eleito presidente dessa Associação e assim
aconteceu. Mas, já em 1912, o livro de Jung, Metamorfoses e Símbolos da Libido
marcava divergências doutrinárias profundas que o separaram de Freud. Eram ambos
personalidades demasiado diferentes para caminharem lado a lado durante muito
tempo. Estavam destinados a defrontar-se como fenômenos culturais opostos.
FUNÇÕES JUNGUIANAS
Intuição (função superior)
As funções auxiliares, pensamento e sentimento, neste caso, poderiam ser usadas
com maior facilidade para se chegar à função inferior, contato com o material
intuitivo.
Para facilitar a nossa compreensão destas funções, poderíamos discorrer sobre
algumas características para reconhecer a presença destes elementos. São apenas
passíveis de revisões e novas elaborações.
Tendência do perceptivo-sensorial
Entra em contato com as propriedades sensoriais do objeto (extro:busca a
descrição objetiva do objeto externo/Intro: tende a descrever as sensações
internas, corporais, provocadas pelo objeto).
Nos desenhos tende a se prender às forma, ao cromático, ao espaço, à
luminosidade, etc.
Há uma maior preocupação pelo estético, a boa forma.
Está mais voltado para o presente, o imediato.
Na escrita, tende ao descritivo do explícito (Extro)/ ou do implícito (Intro).
Tendem a resistir diante de propostas que exijam associação livre e extrapolação
para o além do "aqui e agora".
No ato de "classificar", prendem-se a critérios mais funcionais e perceptivos.
As frases geralmente são diretas com poucas articulações de subordinação e
poucos períodos longos.
No ato de "seriar", as articulações passado-presente-futuro, são mais frágeis e
as estruturas complexas e subordinadas de antecedente-consequente,
começo-meio-fim, são mais pobres e menos presente.
Dificuldade em lidar com probabilidades, possibilidades e estimativas.
O jogo da fantasia e da associação livre que extrapola ao objeto presente
penaliza e não motiva.
As ciências enquanto experiência concreta, manipulação, são geralmente
motivadoras.
Na matemática e exatas em geral, busca regras, fórmulas concretas numa tentativa
de lidar com o econômico, aritmético e prático (principalmente no Extro).
Função Intuitiva
Tende a entrar em contato com as totalidades e generalidades (Extro: na
identificação com o objeto. Intro: ns identificação das imagens internas).
Expressa desenho geralmente muito simbólico, no plano das representações mentais
visuais carregados de subjetividade e fantasia (Intro) ou resgatando a essência
esquemática abstrata do objeto em relação às suas possibilidades, hipóteses, o
possível (Extro).
O estético é "visto"como possibilidade, alterações da "boa forma" já
estabelecida, coincide com a criação transformadora, como busca da essência.
O jogo do possível e da fantasia que transcende o aqui ao agora"são objetos de
maior satisfação e intenção.
Conseqüentemente, está mais voltado para o futuro ou para as origens
hipotéticas.
Na escrita, tende ao jogo da associação, estimativas, chegando muitas vezes, à
ficção, ao surrealismo ou ao futurismo. Apresenta associações abundantes de
viagens e estimativas, mas as construções parecem vagas, soltas, pouco precisas,
principalmente na tendência Intro. As estruturas lingüísticas se apresentam em
forma indireta com muitas metáforas e com uma ordem toda própria que foge da
linearidade. Os períodos tendem a ser longos e muitas vezes, com justaposições
de idéias e poucas articulações explícitas.
Tendem a resistir diante do pré-estabelecido, planejado e controlado
previamente, principalmente se referir-se ao descritivo e à articulações lógicas
lineares.
No ato de classificar, geralmente, baseia-se em critérios associados à origem e
transformação, tendendo mais para uma "seriação". Os critérios ou conceitos
extrapolam aos perceptivos e se relacionam mais com a essência do objeto.
A sensação é muito presente, principalmente quando associa-se à articulação
passado-presente-futuro, ou começo-meio-fim, antecedente e possíveis
conseqüentes. Geralmente não são seriação de causa-efeito, pois lidam mais com a
associação múltipla de interferência (pensamento em bloco).
Dificuldade em lidar com as propriedades de fenômenos presentes no real do "aqui-agora",
tendendo a desviar sempre para as estimativas presentes.
São muito motivados pelo uso de diferentes linguagens. O não-verbal é
facilitador na expressão.
O utilitário, a realização presente, a sistematização e organização gera
paralisação ou defesas, levando-os ao devaneio ou adiamento.
Geralmente, não são bem adaptáveis ao sistema acadêmico linear principalmente
aquelas com estrutura muito dirigidas e pré-estabelecidas. Nas ciências, as
ficções, possibilidades, os estudos das origens são os aspectos que lhe chamam
mais atenção ou aplicabilidade para o futuro (estimativa).
Nas matemáticas, as soluções acontecem com articulações mentais mais "gestálticas",
diferentes de um encadeamento lógico-linear e de uma sistematização detalhada de
operação.
A história têm um colorido especial quando enfatiza as origens, as extrapolações
futuras.
As artes ocupam um espaço de grandes possibilidades para sua expressão.
Função Pensamento
Olha o objeto como se fosse representação de significados, associados à pergunta
"Por que", "Para que" ou "O que é".
Os desenhos são expressões de significados ( conceituais, esquemáticos,
explicativos) com o objetivo de definir.
O espaço nem sempre é objeto de atenção. Quando aparece o configura como
contextos de causa-efeito do objeto ou fato colocado em foco: o que ele
"significa para o fato? O que ele gera?".
Está preocupado com o significado da mensagem expressa em uma figura, numa
construção, mais do que com qualquer outro elemento.
Foca a atenção na cadeia causa-efeito, implícito no processo.
A questão temporal, quando vista sobre o ângulo do encadeamento lógico, está
presente nas suas explicações.
Quanto à praticidade, aparecem duas modalidades: os teóricos voltados ao jogo
reflexivo do passado e futuro. Os práticos voltados à aplicação presente da
reflexão.
Gosta do jogo de antecipação, da explicitação dos objetivos, do planejar para
construção e a vivência.
Na escrita, a preocupação é o conteúdo, o semântico.
Na leitura e composição está mais centrado na interpretação e extrapolação.
Prende-se à dissertação, crônicas e narração, fazendo interpretação e
extrapolação.
As associações livres são substituídas pela necessidade de relação causa-efeito.
Os processos operatórios se apresentam com relações de causa-efeito,
encadeamento articulados de começo-meio-fim com implicações lógicas.
Nas classificações são usados mais freqüentemente os critérios mais implícitos e
categorias.
A seriação está associada ao processo de causa-efeito, antecedentes,
conseqüentes.
Utiliza com muita facilidade as hipóteses, jogos de probabilidades e
estimativas.
Apresenta uma tendência maior para explicações abstratas, com intenções
definidoras.
A explicitação dos objetivos, dos "porquês"antecipados em relação às atividades,
gera maior predisposição para a motivação.
Na matemática, apresenta motivação e facilidade para as descobertas lógicas, as
demonstrações dedutivas e sistematização passo-a-passo dos processos de
raciocínio.
Nas humanas, manifesta predisposição para os trabalhos interpretativos em
relação ao fenômenos.
Função Sentimento
Observa o objeto predominando o processo avaliativo: bom-mau, feio-bonito,
prazeiroso-desprazeiroso, útil-inútil, etc.
Os desenhos são expressões, muitas vezes simbólicos carregado de conteúdos
avaliativos e associados a relações vinculadas e projetos emocionais.
O espaço é visto como um contexto de conflito ou de possibilidades vinculadas
onde se projetam sentimentos com uma conotação avaliativa.
Em relação à dimensão do tempo, o produto ou o processo avaliativo apresenta-se
em alguns numa perspectiva de futuro associado a uma fuga de vínculos presentes
ou ao passado, associados a um julgamento nostálgico ou regressivo.
A subjetividade, no sentido de captar e expressar sob o ângulo das emoções
particulares, é um fator preponderante, principalmente no introvertido.
A tendência avaliativa, antecipada à execução, ao contato, está muito presente.
O princípio do gostar e não gostar rege as realizações.
Na escrita prende-se a conteúdos e significados relacionados aos sentimentos
humanos ou aos seus próprios sentimentos.
Na leitura e composição está mais centrado no juízo de valor, posicionamentos
subjetivos sobre a realidade associados a categorias de prazer e desprazer.
A narrativa é o estilo mais presente, onde o tema básico é o conflito da
personagem.
Os processos operatórios dominantes são o juízo de valor, a justificativa.
Na classificação está muito presente, critérios hedonistas ou de natureza ética
e estética.
As sensações associadas às estruturas meio-fim são usadas no desenvolvimento das
"tramas" e dos "conflitos".
Temas associados às relações afetivas e que têm identidade e afinidade com seu
universo de ação, sua vida, são mais valorizados e mobilizadores para a sua
integração interna com a tarefa (principalmente no Intro).
Apresenta maiores dificuldades em tarefas teóricas distante da sua realidade
afetiva.
Identifica-se mais com as humanas do que com as áreas relacionadas à Matemática
e Exatas, principalmente nas construções teóricas. |