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DESEMPREGO SEM SAÚDE Diorindo Lopes Júnior
Sei, pelos meios de informação,
que o índice de desemprego atinge a 20% na Grande São Paulo. Não sei se este
indicador abrange também os trabalhadores informais que trabalham (e muito!) sem
carteira assinada, mas é-me dito que este índice é maior em outros conglomerados
humanos do país.
Notícias assim não deveriam (me) surpreender, as ouço/vejo/leio desde que me
entendo por gente - e isto faz tempo. A questão é outra. Como este
desempregado cuida de sua saúde e da saúde dos seus?
A questão é pertinente porque, mesmo em planos de demissão voluntária, onde se
promete uma extensão dos planos de saúde (quando esta cláusula é praticada) por
um determinado período, chega uma hora em que esta assistência caduca e se o
trabalhador não encontra outro emprego, é certo que a sua casa vai cair.
Se ficar doente, por exemplo, e não puder procurar cuidados médicos, precisando
se submeter às quilométricas e demoradas filas das assistências públicas, é
praticamente certo que não poderá buscar uma nova colocação, muito menos nela
trabalhar. Isto se não falecer aguardando a sua vez numa dessas desumanas e
humilhantes filas.
Da mesma maneira, talvez até em maior intensidade, sabendo que um filho ou
filha, mulher ou marido, esteja sofrendo por problemas de saúde, o mesmo
desempregado mal conseguirá tirar os olhos do chão onde se arrasta. Sim, se
arrasta, pois a primeira mazela provocada pelo desemprego é estraçalhar a
auto-estima do cidadão, torná-lo ainda menor que as estatísticas já o reduzem.
O novo governo promete empenhar esforços para, ao menos, encaminhar soluções
para tantos males que a Nação enfrenta - educação, emprego, segurança,
alimentação, etc - mas isto levará anos, décadas, tamanha é a degradação imposta
ao sistema social, saúde pública incluída. Cabe a adoção de medidas imediatas,
a exemplo do que está sendo feito contra a fome, também na saúde. Sem comida,
não há saúde que resista. Sem saúde, não há comida que aplaque a mortalidade.
Talvez uma solução emergencial passe por uma ação conjunta das empresas de
planos de saúde em consonância com sindicatos, empresários (alguns com dívidas
enormes junto ao INSS) e o governo. Importante é as partes falarem o mesmo
idioma e negociarem rapidamente um caminho.
A saúde e a alimentação caminham lado a lado na estrada da reconstrução.
Publicado em 07/08/2003
Diorindo Lopes Júnior - jornalista e autor dos juvenis O Sol em Capricórnio (Atual Editora) e Cesta de 3 (Alis Editora), este indicado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) como “Leitura Altamente Recomendada”, em 1999
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