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PSICOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: SABERES E SENTIDOS NAS ESTRATÉGIAS DE FORMAÇÃO

João Beauclair


Historicamente, o percurso da Psicopedagogia brasileira mostra que desde os seus primórdios, sua maior preocupação esteve voltada à inclusão. Esta afirmativa é possível pelo fato de percebermos que, ao eleger cuidar de crianças, adolescentes, jovens e adultos com dificuldades de aprendizagem, nossa Psicopedagogia atuou e ainda atua com enfoque inclusivo.
Enfoque inclusivo pelo fato de que, ao buscarmos referenciais à prática psicopedagógica, nunca se perdeu de vista a construção de processos de análise das dinâmicas familiares, escolares e institucionais e suas respectivas importâncias na formação do sujeito aprendente.
É possível citar, por exemplo, o fato de que com o passar do tempo, novas perspectivas foram geradas pelo próprio movimento de revisão pelo qual acredito que a Psicopedagogia Brasileira está passando, no que concerne ao surgimento de novos pesquisadores e autores em seu campo e, também, no que diz respeito às próprias dinâmicas da profissionalidade psicopedagógica, sempre em permanente movimento.
Sabemos que a Psicopedagogia atua com as questões da aprendizagem, e por si só este é um fato importante para a interlocução aqui proposta. A cada novo dia, as mudanças de nosso tempo repercutem e alteram nosso cotidiano, pois os avanços que se apresentam nas Ciências, nas Tecnologias e nas Comunicações nos fazem perceber que precisamos, sempre, estar em processo de mudança, de revisão de conceitos e paradigmas que possuímos, enfim, de novas aprendizagens.
Neste sentido, no campo da Psicopedagogia e da Educação Inclusiva, novas demandas surgem, pois se torna essencial pensar, refletir, aprender e desaprender sobre o próprio conceito de mudança. Temas como formação humanística, identidade, alteridade e diversidade devem estar presentes nas formações de profissionais tanto do campo educacional inclusivo como no campo psicopedagógico.
Tais temas, acredito, podem favorecer a constituição de novos modos de perceber as próprias funções da aprendizagem na vida humana e sua importância na compreensão da diferença. Para se colocar diante dos preconceitos, visando superá-los e para a construção de uma efetiva Educação Inclusiva, necessária à configuração de uma sociedade também inclusiva, é preciso interlocução, intervenção e diálogo.
Com esta perspectiva, tecer possibilidades e oportunidades de reflexão, através da MOP Metodologia de Oficinas psicopedagógicas, é uma aposta/proposta que faço, enquanto formador, no intuito de vivenciar estratégias formativas em Educação Inclusiva, partindo das contribuições da Psicopedagogia, pelo fato de acreditar firmemente que será tão somente com formação permanente, supervisão e incessante busca por novas metodologias e técnicas de atuar em educação, que será possível contribuir para a interlocução, a intervenção, a invenção e o diálogo.
Organizar conjuntos de idéias visando uma integração conceitual e prática fomentadora das discussões em torno do tema em tela é pensar nas possíveis contribuições da Psicopedagogia à necessária revisão de paradigmas, que se configura como apreensões a partir das experiências vivenciadas por todos que buscam seguir adiante em suas formações acadêmicas e pessoais.
As estratégias formativas em Educação Inclusiva se presentificam como resultado dessas experiências e com a busca de aprofundamentos em estudos independentes: só é possível criar visões e possibilitar revisões no ato de incluir ampliando idéias e objetivando a promoção de saberes e práticas na/da diferença.
É necessário vivenciar a inclusão no cotidiano das instituições, pensando em novas premissas, em novas potencialidades e buscando modos novos de pensar e agir, onde seja possível sonhar, desejar, criar e realizar, efetivamente, uma prática psicopedagógica e inclusiva, colocando, assim, em movimento, os tantos e excelentes referenciais que temos, à nossa disposição, nas legislações e propostas vigentes de Educação e Inclusão.

Para saber mais:
AMARO, Deigles Giacomelli e MACEDO, Lino de. Observação do aluno no cotidiano escolar: uma necessidade para a prática inclusiva. In: AMARAL, Silvia (Coord.). Psicopedagogia: contribuições para a educação pós-moderna. Editora Vozes, Petrópolis, 2004.
BEAUCLAIR, João. Incluir, um verbo ação necessário à inclusão: pressupostos psicopedagógicos. Pulso Editorial, São José dos Campos, 2007.
BEAUCLAIR, João. Para Entender Psicopedagogia: perspectivas atuais, desafios futuros. Editora WAK, Rio de Janeiro, 2006.
BEAUCLAIR, João. Oficinas psicopedagógicas como estratégias de formação: a arte da aprendizagem ou aprendizagem em arte, 2004. Conferir no site
www.profjoaobeauclair.net
BEAUCLAIR, João. Olhar, ver, tecer: a busca permanente da teoria no campo psicopedagógico In.: AMARAL, Silvia (Coord.) Psicopedagogia: contribuições para a educação pós-moderna. Editora Vozes, Petrópolis, 2004.
GUIMARÃES, Tânia Mafra (org.). Educação Inclusiva: construindo significados novos para a diversidade. Belo Horizonte: SEE/MG, v.22, Lições de Minas, 2002.
MANTOAN, Maria Teresa E. Caminhos pedagógicos da inclusão. Editora Memnon, São Paulo, 2001.
ROSA, Dalva E. Gonçalves (Org.). Políticas organizativas e curriculares, educação inclusiva e formação de professores. Editora DP&A, Rio de Janeiro, 2002.
SCOZ, Beatriz.  Por que a alteridade é uma questão central para a psicopedagogia? In: AMARAL, Silvia (coord.). Psicopedagogia: portal para a inserção social. Editora Vozes, Petrópolis, 2003.

Publicado em 07/05/2008 14:47:00


João Beauclair - Doutorando em Intervenção Psicossocioeducativa pela Universidade de Vigo,Campus de Ourense, Galícia Espanha. Palestrante e Conferencista Internacional. Autor de vários livros sobre Educação e Psicopedagogia; Professor convidado por diversas instituições ministrar cursos de Pós-graduação em Educação e Psicopedagogia em diferentes regiões do Brasil; Escritor, Arte-educador,  Psicopedagogo, Mestre em Educação.
homepage: http://www.profjoaobeauclair.net

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