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A ATUAÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA DENTRO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR

Carla Daniele M. da Silva

Resumo
O artigo a seguir tem como objetivo abordar a importância da Psicopedagogia dentro das escolas, a fim de melhorar o ensino de idiomas. O papel da Psicopedagogia é primordial para que um trabalho mais direcionado e efetivo seja feito com os alunos a médio e longo prazo, ou seja, atuando com alunos que já apresentam dificuldades na disciplina inglês e prevenir para que as séries futuras tenham um ensino de melhor qualidade, percebendo principalmente a aplicabilidade do idioma no cotidiano.

Palavras-chave: Psicopedagogia, inglês, problemas de aprendizagem, prevenção, papéis, qualidade de ensino.

Abstract
The article below approaches how important the Psychopedagogy is at school in order to improve the way of teaching languages. Its role is essential to provide a good short and long range work, helping students with learning problems as well as the future generations in a preventive way so as they can be successful in learning languages and mainly they will be able to use this subject in their everyday living.

Key words: Psychopedagogy, English, learning problems, prevention, roles, teaching quality.


Definindo a atuação Psicopedagógica
Para que a qualidade do ensino de línguas estrangeiras modernas no âmbito escolar seja melhorada, bem como a diminuição dos impactos dentro das escolas de idiomas seja percebida, o papel da Psicopedagogia deve ser inserido neste contexto em nível preventivo, para que os grupos subseqüentes sejam providos de um ensino mais qualificado. Além da preventiva, existe outra vertente psicopedagógica dentro da escola, a saber: a curativa, que é voltada para os alunos com problemas de aprendizagem. Todavia, trabalhar com os grupos em andamento não tem tanta efetividade se trabalharmos os grupos que irão se formar: é da base que começa a construir o conhecimento do aluno e depois que ele já está dentro do contexto escolar fica mais difícil de remodelar.
Na abordagem preventiva, o psicopedagogo pesquisa as condições para que se produza a aprendizagem do conteúdo escolar, identificando os obstáculos e os elementos facilitadores, sendo isso uma atitude de investigação e intervenção. Este trabalho preventivo é uma espécie de assessoria junto a pedagogos, orientadores e professores, cujo objetivo é:

...trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares professor-aluno e redefinir os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e o cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do conhecimento. (FAGALI; VALE, 2002, p. 10).

Para tanto, prioridades devem ser estabelecidas, dentre elas: diagnóstico e busca da identidade da escola, definições de papéis na dinâmica relacional em busca de funções e identidades, diante do aprender, análise do conteúdo e reconstrução conceitual, além do papel da escola no diálogo com a família.
O papel do psicopedagogo escolar é muito importante e pode e deve ser pensado a partir da instituição, a qual cumpre uma importante função social que é socializa os conhecimentos disponíveis, promover o desenvolvimento cognitivo, ou seja, através da aprendizagem, o sujeito é inserido, de forma mais organizada no mundo cultural e simbólico, que incorpora a sociedade.
Trabalhando de forma preventiva, o psicopedagogo preocupa-se especialmente com a escola, que é pouco explorada e há muito que fazer, pois grande parte da aprendizagem ocorre dentro da instituição, na relação com o professor, com o conteúdo e com o grupo social escolar como um todo.
Prevenindo, deve ser levado em consideração quem são os protagonistas dessa história: professor e aluno, porém estes não estão sozinhos; participam também a família e outros membros da comunidade que interferem no processo de aprendizagem e que decidem sobre as necessidades e prioridades escolares.

O trabalho psicopedagógico preventivo
Já que a LDB prevê zelar pelo aprendizado dos alunos e a elaboração de planejamento escolar que deve ser seguido, tais normas devem ser colocadas em prática pela instituição, contudo tendo como prioridade máxima a assimilação do conteúdo ministrado pelo aluno e em plano secundário o cumprimento do planejado. Nada adianta cumprir o conteúdo programado se o realizado não foi feito de maneira que o aluno saísse da aula com novos conhecimentos e interatividade com o contexto do dia-a-dia.
Para tanto, é necessário que se faça uma releitura e reelaboração do desenvolvimento das práticas curriculares, focando principalmente no aspecto afeto-cognitivo, para que haja a integração de aluno (criança e adolescente) e professor.
Além de reformular o conteúdo programático, deve-se buscar formas diferenciadas de aplicação do conteúdo, de forma a alcançar a realidade vivida pelo grupo. Ou seja, o desenvolvimento de atividades que ampliem a aprendizagem faz-se importante, através dos jogos e da tecnologia que está ao alcance de todos. Com isso, há a busca da integração dos interesses, raciocínio e informações que fazem com que o aluno atue operativamente nos diferentes níveis de escolaridade.
Vale salientar que tal criação de atividades é proporcionada pelo trabalho em grupo de orientadores, psicopedagogos e professores, bem como o desenvolvimento de projetos e treinamentos ligados à área em questão.
As situações “enlatadas”, estereotipadas, devem ser adaptadas, ou seja, contextualizadas e com objetivos a serem alcançados estabelecidos pelo ensinante para que aprendentes tenham o desejo de aprender despertado. Moldar o exercício atrelado à criação de atividades não ajuda somente na contextualização dos tópicos a serem ministrados, mas também na integração do grupo. Os vínculos devem ser criados entre professor, aluno (individualmente e inserido no grupo), material didático e realidade.
Pichon- Rivière (1995) defende que o aprendizado em grupo implica em uma relação dinâmica e dialética do homem no contexto social, considerando o homem um ser cujas necessidades são satisfeitas socialmente. Ou seja, o aprendizado depende do outro, das relações estabelecidas entre o outro e o ambiente. As atividades citadas anteriormente podem e ajudam na integração das pessoas e do meio. Para aprender, é necessário tornar explícito o implícito – medos, vínculos internos. Tal processo é desenvolvido através da dinâmica de grupo, jogos os quais lidam com limitações e projeções.
Pichon resgata a aprendizagem como transformação do ser, e tal proposta de modificação é sempre no “aqui e agora”, pois nela está inserida o passado, presente e o futuro e o grupo pode ser definido como o espaço que se aprende novas matrizes: o grupo real é o contexto do aprender.
Finalmente, a família deve ser inserida dentro do contexto escolar, a fim de auxiliar aluno e professor neste ciclo de aprendizagem. À família cabe a tarefa de encorajar seus filhos para os estudos, mas com certa cautela para não projetar seus sonhos frustrados e ansiedade. Também é responsabilidade da família mostrar aos seus filhos a importância de estudar e fazer com que jovens e crianças executem tal tarefa em prol de si mesmos e não para mostrar aos pais e cumprir com seus deveres de filho. Por isso que os “autos” devem ser incutidos desde sempre: auto valorização, auto respeito, auto amor... E isso parte dos pais que são tidos como referenciais, modelos a serem seguidos.
E a família (nuclear ou não) deve estabelecer relações estreitas com a escola e os educadores, de maneira a auxiliar no que for preciso para o progresso dos educandos. Não basta matricular o filho na escola e pagar (quando esta for particular), mas sim estar a par do que ocorre e fazer parte deste meio.
O trabalho psicopedagógico preventivo terá como objetivo principal trabalhar os elementos que envolvem a aprendizagem de maneira que os vínculos estabelecidos sejam sempre bons. A relação dialética entre sujeito e objeto deverá ser construída positivamente para que o processo ensino-aprendizagem seja de maneira saudável e prazerosa.

Sugestões para a melhoria do ensino da língua inglesa dentro das escolas
Diversas propostas foram levantadas para que aprendentes se beneficiem e tenham prazer de aprender um segundo idioma dentro da escola para que ele tenha vontade de buscar mais conhecimentos no futuro dentro de instituições especializadas para tal. Muitas destas propostas foram baseadas na metodologia construtivista.
No construtivismo é abordada a idéia de que nada é dado como pronto, acabado, especialmente o conhecimento que se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais, além de se constituir por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio. Por isso, a educação deve ser encarada como um processo de construção do conhecimento que ocorre como uma complementação, cujos lados constituem de professor e aluno e o conhecimento construído previamente.
As propostas elucidadas a seguir visam trabalhar as quatro habilidades dentro da sala de aula, bem como proporcionar a interação do grupo para a construção do conhecimento.
A priori, o afeto é muito importante para que se possa articular a língua-objetivo com a respectiva gramática. Sendo assim, primeiramente a fala será apresentada para, posteriormente, associar com a escrita. Deve-se lembrar que as palavras são ditas de uma maneira e escritas de outra em inglês e se o processo for o inverso, ocorre a pronúncia errônea das palavras mencionada em capítulos anteriores.
Após a articulação da fala e escrita de determinada gramática, a função gramatical pode ser trabalhada de modo a ampliar seus diferentes usos  e para que a assimilação seja bem sucedida, é válido relacionar o conceito aprendido com as necessidades e com a vida – algo que vem sendo abordado ao longo desta pesquisa.
Finalmente, o uso dos textos modernos e condizentes com a realidade do aluno, o auxiliam a sentir, pensar, intuir e perceber a realidade interna e externa, integrando-as, portanto, num todo.

1- Um exemplo que pode ser utilizado para elucidar este ponto é o Present Continuous, que é formado pelo verb to be mais um outro verbo com a terminação –ing que expressa gerúndio. Tal tempo verbal, além de expressar ações que estão acontecendo no momento, pode implicar numa ação futura que já fora arranjada (situações pessoais).

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Publicado em 15/02/2008 10:28:00


Carla Daniele M. da Silva - Graduada em Turismo e Professora de Inglês atuante nas escolas de idiomas. Cursa Pós Graduação em Psicopedagogia na Universidade Bandeirante de São Paulo, onde está pesquisando os obstáculos encontrados no ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras.

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