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É POSSÍVEL O DIÁLOGO ENTRE CULTURAS NUMA ÉPOCA DE GLOBALIZAÇÃO? Maria Auxiliadora Rodrigues da Silva
Resumo Este artigo analisa o cenário global da cultura de uma sociedade capitalista em época de globalização, e percorre o caminho da história visando compreender a possibilidade do diálogo entre os povos, perseverando no desejo pela inclusão do cidadão no mundo. Além disso, as vantagens e desvantagens, e aponta como necessidades básicas para o ser humano na conexão imediata integral e interplanetária, porém, com práticas solidárias, imbuídos do desejo de paz e união, realizando, assim, a aliança das civilizações.
Palavras-chave: Cultura – globalização – diálogo – intercâmbio
Abstract This article analyses the cultural global scenery from a capitalist society in a globalization way, and goes through the way of History, aiming to understand the possibility of dialogue among people, persevering at the desire for the inclusion of the world citizen. Besides, appoint the advantages and disadvantages, and as a basic necessity for the human being ine immediate integral and interplanetary connection, but with solidary practices, full of a desire of peace and union, making this way the alliance of the civilizations.
Word-keys: Culture – globalization – dialogue – interchange
1-Considerações iniciais Atualmente, os contatos intelectuais facilitam a comunicação e acentuam as migrações e interdependências econômicas. Por isso, o diálogo entre os povos é uma exigência para a convivência de diferentes projetos de vida. Isso consiste em privilegiar a educação, a cultura e o conhecimento, porque são as armas mais eficazes contra a manipulação do indivíduo a favor do progresso social e holístico. Diante dessa preocupação, é pertinente conceituar cultura, globalização e, na iminência de refletir sobre a relação entre as duas vertentes como contribuintes para o diálogo entre nações, fazer a exposição de alguns pontos relevantes.
2-O que sabe sobre cultura É de conhecimento comum que o ser humano apresenta uma forma de agir, sentir e pensar, desenvolvendo assim uma ação coletiva. Desta forma, o homem pode gerar uma cultura, que envolve sua produção material e espiritual, localizada no tempo e no espaço. No interior da sociedade, essa cultura é propagada aos membros mais jovens, se perpetua e, dessa forma, torna-se um patrimônio intelectual e espiritual, uma herança coletiva. Assim, a palavra “cultura” é polissêmica e torna-se objeto de estudo de diversas ciências, como sugere Tomazi (1990) nas subdivisões dispostas em seguida. A cultura-valor tem a idéia de “cultivar o espírito” e estabelece a diferença entre quem tem ou não cultura – artística, clássica ou científica - e ainda pertence a um meio culto ou inculto. Por isso, essa cultura apresenta um julgamento valorativo sobre a situação. Ainda segundo Tomazi (1990) ocorre também à cultura-alma coletiva, que corresponde à “civilização”. Nessa modalidade, tem-se a idéia de que todos os envolvidos no contexto social têm cultura e identidade cultural – cultura negra, indígena, chinesa, etc. e, a partir daí, todas elas são identificadas. A cultura pode ser visualidade como uma cultura-mercadoria e corresponde à “cultura de massa”. Na aplicação dessa cultura, não há julgamento valorativo nem referencia à sua identidade. Com essa concepção, objetos, sujeitos e atitudes desenvolvidos em seu meio são culturas. De modo redutivo, a cultura pode ser entendida como modo de pensar, sentir e agir dos indivíduos formadores de uma sociedade, em uma época e em algum lugar. Tomazi (1990) conceitua cultura como conjunto de práticas de uma sociedade, que representa o “projeto de vida” de um povo. Numa esfera socioeconômica e política, a cultura remete à “ideologia” tanto no sentido amplo da palavra, como no âmbito educacional, artístico religioso, de atividades espirituais e intelectuais, a cultura tem como objetivo edificar uma nação pluralista por sua diversidade baseada no respeito mútuo tendo como foco o bem comum.
3-Questionando a globalização Vários autores têm traçado visões distintas sobre a globalização e sua aplicação, como sendo um processo de mundialização, ou seja, como uma interdependência de todos os povos ou países do planeta. Empiricamente podemos destacar aspectos relevantes como o intercâmbio cultural e comercial entre as nações e os riscos reais. Já no lado negativo, aponta-se a interdependência dos povos, embora os países desenvolvidos se beneficiem mais amplamente e os países em desenvolvimento tenham aumentado suas dificuldades financeiras. Martins (2005) afirma que a globalização facilita a individualidade e gera riscos negativos como a exclusão social, a sociedade dual na fratura do seu interior, a marginalização, o êxodo massivo, o terrorismo, o narcotráfico, a poluição ambiental, os extremos religiosos, a pobreza, o subdesenvolvimento e a desculturalização através da assimilação de banalidades a exemplo de certos programas de televisão. Ao longo do século XX, a globalização do capital foi se transformando na globalização da informação e dos padrões culturais e de consumo. Em conseqüência disso, pode-se afirmar que a globalização recente tem resultado na americanização do mundo. No Brasil, tal evolução tem sido menos favorável. A redução de custos e diminuição dos preços implicaram na necessidade de as empresas produzirem com menos gente, o que resultou no aumento do desemprego. Foram incorporadas novas tecnologias e máquinas e o trabalhador perdeu mais espaço. Isso preocupa não apenas os brasileiros, mas também as grandes nações do mundo, que têm como desafio crescer o bastante para absorver a mão-de-obra disponível no mercado.
4-Diálogo entre culturas: Um processo possível em época de globalização? Sabe-se que atividades culturais estão orientadas para a adaptação e organização da vida e para a expressão e interpretação desse sentido da vida. A convivência com essa cultura proporciona aos grupos sociais a adaptação ao meio ambiente, a associação a outros povos, o cultivo de laços com seres superiores, além de perpetuar laços intra e interculturais com instituições sociais. Desta feita, a cultura representa, numa primeira instância, uma longa herança da natureza, que nos ensinou a colocar “ordem” e comportamentos calculáveis no acaso e na contingência. Já numa segunda instância, que remete à liberdade individual, forja a quebra do imediatismo animal da confrontação com o mundo. Para resultar nos efeitos propostos supracitadamente, o diálogo contribui na pressuposição das convicções próprias adquiridas através da socialização cultural e a experiência de vida. Assim, o processo desse dialogismo teria como finalidades à compreensão e o respeito. Enquanto aquela visa um consenso progressivo nos conteúdos, esta visa o respeito formal e recíproco para com as tradições autênticas e orientações das normas impostas pelos outros. Além disso, não promete a superação da ambivalência da condição humana e da alienação social e abre caminhos de comunicação e horizontes de aproximação sob as condições de que nenhuma cultura se mostre superior à outra, que a comunicação faça parte de uma responsabilidade ampla e que todas as culturas respeitem reciprocamente seus ideais.
5-Considerações finais Este artigo teve como preocupação mais árdua a influência da globalização no diálogo entre culturas. Constata-se na leitura bibliográfica que o fenômeno da globalização pode interferir diretamente na identidade cultural e suas conseqüências enquanto “pluralização” de identidades. Com esse fenômeno e o deslocamento das identidades culturais, Hall (2004), por exemplo, afirma ser possível a desintegração das identidades nacionais como resultado do crescimento da homogeneização cultural e do “pós-moderno global. Além disso, o autor reforça a possibilidade de que as identidades nacionais sejam locais ou particulares, serão reforçadas pela resistência à globalização ou poderão entrar em declínio e novas identidades tomarem seu lugar”. Referências bibliográficas HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade.Traduzido por Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: CP &A, 2000. MARTINS, Washington. Repensar a democracia, a tecnologia e o pluralismo. Recife: Ed. Do autor, 2005. TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia da Educação. São Paulo: Ática, 1990. – Série Educador em construção: textos selecionados. Publicado em 14/01/2008 14:26:00
Maria Auxiliadora Rodrigues da Silva - Especialista em Metodologia do Ensino Superior; Professora contratada do Centro de Ensino Superior de Arcoverde, CESA; Professora da Graduaçao em Introdução à Educação e Prática de Ensino; Professora Titular em regime de dedicação exclusiva do Centro de Ensino Superior de Arcoverde, CEEA; Professora de Ensino Médio em Química.
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