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SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Maria Auxiliadora Rodrigues da Silva

O sistema educacional é determinado pela dinâmica das relações sociais, ou seja, é socialmente determinado. Isto significa que a prática pedagógica e especialmente os objetivos, conteúdos de ensino e o trabalho docente são determinados pelos fins e exigências sociais, políticas e ideológicas, retratando os interesses da classe dominante.
“Tanto a forma de criar o conhecimento e a cultura profissional, como o sistema de transmissão dão a este enfoque um caráter político essencialmente conservador. O conhecimento profissional é o produto da adaptação às exigências do contexto sobre a escola, e o modo de transmissão é o veículo mais eficaz de produção no qual se prepara o aprendiz para aceitar lentamente a cultura profissional herdada e os papéis profissionais correspondentes”. SACRISTÁN e GÓMEZ (1998, p.64).
A educação é um fenômeno social e universal; é uma atividade humana necessária à exigência e funcionamento de todas as sociedades. Cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar no desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, prepará-los para a participação ativa e transformadora das várias instâncias da vida social. A educação não é apenas uma exigência da vida em sociedade, mas também um processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuarem no meio social e transforma-lo em função de necessidade econômica, sociais e políticas da coletividade.
Através da educação o meio social exerce influencia sobre os indivíduos e estes ao perceberem e reformularem essas influências, tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. Tais influências se manifestam através de conhecimentos, experiências, valore, crenças, modo de agir, técnica e costumes acumulados por muitas gerações e, transmitidos, assimilados e recriados pelas novas gerações. A educação não é algo isolado da
sociedade, ela é parte integrante de um todo, tendo uma função social, política e ideológica previamente pensada e determinada pela classe dominante que pretende perpetuar-se através de gerações.
“É encarada como um instrumento capaz de promover, sem contradições, o desenvolvimento econômico pela qualificação da mão-de-obra pela redistribuição da renda, pela maximização da produção e ao mesmo tempo, pelo desenvolvimento da “consciência política” indispensável à manutenção do estado autoritário”. LUCKESI apud KUENZER (1994, p.56).
Utiliza-se basicamente do enfoque sistêmico, da tecnologia educacional e da análise experimental do comportamento.
Logo o professor, formado nessa sociedade, muitas vezes, traz no âmago da sua prática, características do seu processo de formação, que contribuirão, mesmo involuntariamente, para a reprodução da sociedade, formando mão-de-obra dócil e submissa ao mercado de trabalho.
O interesse hegemônico se traduz na expectativa de formação na qual os estudantes concluam sua vivência escolar não apenas preparados para as funções, que terão que ocupar no contexto social (socialização capitalista), mas também perfeitamente harmonizados com a concepção de mundo com o tipo de homem e sistema social mais próximos da ideologia que sustentam.
É fundamental, pois, que o educador perceba que a prática pedagógica pode estar ligada a esses interesses.
A escola segundo a análise Althusser (1994, p.45).
“É o instrumento criado para otimizar o sistema, produtivo e a sociedade a que ela serve, pois ela não só qualifica para o trabalho, socialmente definido, mas também introjeta valores, que garante a reprodução comportamental compatível com a ideologia dominante, tomar um aluno mais competente para manter uma sociedade determinada”.
É importante compreender também que as relações sócias existentes na nossa sociedade não são estáticas, imutáveis, estabelecidas para sempre. Elas são dinâmicas, uma vez que se constituem pela ação humana na vida social. Isso significa que as relações sociais podem ser transformadas pelos próprios indivíduos que a integram. Portanto, na sociedade de classe, não é apenas a minoria da classe dominante que põe em prática seus interesses; mas também a classe dominada, através da educação, pode elaborar e organizar concretamente os seus interesses e formular objetivos e meios para lutar pela transformação social. É justamente este o medo que a classe dominante tem da educação, teme que conhecendo o poder que exerce, os educadores possam através de sua prática pedagógica, trabalhar junto aos seus educandos, idéias de mudanças,
A educação na sociedade se encaminha através dos conflitos e contradições sociais, sendo, desta forma, fundamentalmente política.
É o educador figura fundamental na reprodução ou transformação da sociedade, que necessita compreender a função sócio/política do seu trabalho posicionando-se em relação à direção que quer trabalhar.
Mas como realizar esta função política se está a educação subordinada à sociedade? Esse é o desafio a ser enfrentado pelos docentes; deste conflito entre classes é que vão surgindo avanços. O educador necessita compreender que ou ajuda a perpetuar ou a transformar a sociedade através de sua prática pedagógica.
“Apesar dos fatores externos à escola, já denunciados pelos professores dificultarem a sua democratização tendo em vista as altas taxas de evasão e repetência, a necessidade, a responsabilidade de modificar a escola no seu interior, na prática, é lançado como desfio: ensinar para que os alunos aprendam, apesar de um desafio: ensinar para que os alunos aprendam, apesar de sua péssima condição de vida e de trabalho” VEIGA (1992, p.80).
Sabe-se que o professor, vítima de um processo de formação reprodutora, tímido na compreensão da relação entre a sociedade e a educação, sente dificuldade em romper com o processo de seletividade presente em seu ambiente de trabalho e assumir uma prática de construção, de fazer pensar, de experimentar e transformar. É necessário que ele reflita, leia, participe de um processo de auto-formação e tome a decisão de defender e lutar para que a formação de seus alunos seja diferente da sua.
“O professor deverá utilizar seu raciocínio para definir os cursos de intervenção prática em função dos problemas que apresentam e das características diferenciais da situação na qual intervêm. Para estes processos de raciocínio e tomada de decisões se requer um conhecimento de princípios e procedimentos que se apóiem também na investigação científica, mas que excedem o conhecimento implícito nas técnicas e habilidades desenvolvidas mediante treinamento”. SACRISTÁN e GÓMEZ. (1998, p.359).

Publicado em 29/01/2007 13:08:00


Maria Auxiliadora Rodrigues da Silva - Especialista em Metodologia do Ensino Superior; Professora contratada do Centro de Ensino Superior de Arcoverde, CESA; Professora da Graduaçao em Introdução à Educação e Prática de Ensino; Professora Titular em regime de dedicação exclusiva do Centro de Ensino Superior de Arcoverde, CEEA; Professora de Ensino Médio em Química.

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