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O TRABALHO COM LITERATURA NO PRÉ III: MÉTODOS UTILIZADOS EM SALA DE AULA
Maysa Cláudia Mori |
RESUMO Esta monografia traz uma pesquisa participante, cujo tema é verificar como é o trabalho com a literatura no Pré III e tem por objetivo geral refletir sobre como as práticas pedagógicas despertam o interesse nas crianças da pré-escola. Os objetivos específicos são: assistir a aulas de literatura infantil, para observar como o professor trabalha com a literatura junto a seus alunos; entrevistar professores, para apreender seus objetivos e crenças relativas ao estudo da literatura e contrapor a prática realizada em sala com o discurso do professor, a fim de detectar coerência e/ou discrepância entre teoria e prática. O trabalho procura responder a seguinte pergunta de pesquisa: Como são as metodologias apropriadas para despertar o interesse pela literatura nas crianças do Pré- Escola? A justificativa dessa monografia encontra-se na importância da literatura infantil, que tem função educativa, por fazer as crianças crescerem com um amplo conhecimento sobre costumes, regras, além de criar sentimentos, convicções, expectativas, criatividade, atenção e disciplina. Todas essas características são essenciais para a boa educação de uma pessoa e melhor ainda, quando impostas na infância. Mas, quando se trata de crianças na escola, a existência de métodos de ensino é indispensável. Para a coleta de informações constituinte do corpus de análise, foi observada a aula de um professor de literatura infantil, de uma Escola Municipal, com crianças entre cinco e seis anos de idade, analisando como este professor trabalha a literatura junto a seus alunos e quais as metodologias aplicadas. Ele respondeu a um questionário com perguntas abertas, na ausência do entrevistador.
Palavras-chave: Literatura infantil; práticas pedagógicas; criança; pré-escola.
INTRODUÇÃO A presente monografia tem como tema o trabalho com a literatura no Pré III, pois é nesse período que a personalidade da criança começa a consolidar-se, precisando que seus professores estejam preparados para educá-la. Tendo o propósito de verificar a metodologia apropriada para despertar o interesse pela literatura nas crianças de pré-escola. Um trabalho dessa natureza justifica-se pelo fato de ser necessário o uso de métodos apropriados para despertar o interesse das crianças pela literatura, o que contribui para o enriquecimento teórico e prático dos futuros professores do curso de letras. A fim de direcionar esta pesquisa, traçamos como objetivo geral refletir sobre como as práticas pedagógicas com a literatura no Pré III incentivam na criança o gosto pela literatura. Como objetivos específicos, o pesquisador assistirá à aula de literatura infantil, com alunos entre cinco e seis anos de idade do pré III, em uma Escola Municipal da cidade de Ivatuba-Paraná, para observar como o professor trabalha com a literatura junto a seus alunos. Além disso, será realizada uma entrevista com um professor para apreender seus objetivos e crenças relativas ao estudo da literatura e contrapondo a prática realizada em sala com o discurso do professor, será detectada coerência e/ou discrepância entre teoria e prática. Espera-se que um trabalho dessa natureza contribua como fonte de pesquisa para educação, não só da área da alfabetização, mas para educadores que estão dispostos a utilizarem recursos como a literatura infantil para o desenvolvimento de sua prática escolar.
CAPÍTULO I A LITERATURA INFANTIL NA ESCOLA A Literatura infantil guarda a função formadora de uma pessoa e é o primeiro passo para se atingir a continuidade do ensino com produção e eficiência desejáveis, “e é muito importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, é ter caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo”, Fanny Abramovich (1997, p.16). Além de estar voltada toda a cultura- “a de conhecimento do mundo e do ser” - como sugere Antônio Candido (1972, p. 806), “Sua atuação dá-se dentro de uma faixa de conhecimento, não porque transmite apenas informações e ensinamentos morais, mas porque pode outorgar ao leitor a possibilidade de descobrimento de suas capacidades intelectuais”, afirma a autora Regina Zilbermam (2003,p.46). Para desenvolver o conhecimento, precisa-se da colaboração do professor, com o uso de seus métodos de ensino para que as crianças se interessem, aprendam e estudem a literatura, de modo que tenham prazer em aprendê-la, “pois ela amplia e enriquece a nossa visão de realidade”, diz Anatol Rosenfelld (1976,p.53-5). “Quando se vai ler uma história -seja qual for- para a criança, não se pode fazer isso de qualquer jeito, pegando o primeiro volume que se vê na estante...”, Fanny Abramovich(1997,p.18). “A preocupação imediata do professor, em função da alienação, é ‘dar o seu conteúdo’ e ’defender sua sobrevivência’ devido a falta de interessa dos alunos”, escreve Celso Vasconcelos (1999,p.12), para que estes saibam trabalhar com essa função, usando práticas apropriadas de ensino, o aluno pode se motivar ainda mais a estudar literatura. Segundo a autora Regina Zilbermam (2003,p.25) “A atuação da Literatura Infantil sobre o recebedor é sempre ativa e dinâmica de modo que este não permanece indiferente a seus defeitos”, por esse motivo, os professores devem estar preparados para trabalhar a literatura com crianças, pois elas são o início de um mundo.
CAPÍTULO II AS ATIVIDADES COM A LITERATURA INFANTIL NA ESCOLA Neste capítulo, será apresentado a análise do corpus.
2.1 UMA AULA DE LITERATURA INFANTIL PARA PRÉ III Respondendo ao primeiro objetivo específico, que foi assistir a aulas de literatura infantil, para observar como o professor trabalha a literatura junto a seus alunos, foi observada uma aula na Escola Municipal Afrânio Peixoto em Ivatuba-Paraná, com alunos entre cinco e seis anos de idade, para verificar se os métodos de ensino da professora despertavam interesse nas crianças. A aula começou às sete horas da manhã, mas as crianças já estavam eufóricas. Todos fizeram uma oração e cada aluno fez uma prece para o dia. Depois disso, todas se sentaram em seus lugares e a professora iniciou a aula. Esta explicou sobre o assunto escolhido para estudar e leu a história da coleção Zum Zum, com o texto elaborado por Eunice Braido - A joaninha diferente. (Ver ANEXO B). A professora leu o livro pausadamente, para que todos os alunos pudessem entender a história. Durante a leitura, os alunos ficavam atentos para saber o que poderia acontecer com a joaninha. Depois de lido o texto, a professora pediu para que um dos alunos contasse a história. O aluno contou corretamente o que havia acontecido com a joaninha e, no final, fez um comentário dizendo que “não podemos ficar tristes por que somos diferentes um dos outros, temos que ficar felizes!”. Depois de lido o texto, desenharam a joaninha que imaginaram durante a leitura da história e mostraram para toda a turma seus desenhos já prontos.
2.1.1 Do que fala o livro? O livro trabalhado em sala de aula com as crianças recebe o título A joaninha diferente. Com o texto de Eunice Braido, DA COLEÇÃO Zum Zum e editado pela FTD, apresenta figuras em todas as paginas relatando o que acontece com os personagens, as ilustrações foram feitas por Mingo e Maria Donizate .É um livro com dezesseis páginas e com letras caixa-alta, sendo assim, os alunos que estão começando a ler, como os do Pré III, não sentem tanta dificuldade para compreender as palavras. O tema do livro diz respeito à diferença que existe em cada ser humano, mas que cada um faz algo de melhor. A história se passa em uma vila de joaninhas, onde Petipoá, personagem principal, é a única joaninha que não possui pintinhas. Sua mãe tenta conformá-la dizendo que nem todos são iguais em uma família e, mesmo assim, Petipoá continua descontente. Se sente assim, até uma praga atacar a plantação, era uma multidão de pulgões. Os rapazes da vila receberam uma convocação para defenderem e salvarem sua plantação. Todas as joaninhas ficaram em suas casas. Mas Petipoá se alistou junto aos rapazes e provou ser muito valente, defendendo a plantação dos pulgões. Assim, ao invés de ter pintinhas, tinha muitas medalhas, que ganhava ao fim de cada batalha. O foco narrativo é em terceira pessoa, “Poá ficava cada vez mais isolada, sentia-se rejeitada e pra fazer não tinha nada” (Eunice Braido, p.8). O tempo cronológico não é determinado, pois não existe no texto, marcador temporal indicando quanto tempo durou toda a história. Para crianças, esse livro é de fácil compreensão, com um tema muito apropriado para se trabalhar com os alunos, para que aceitem as próprias diferenças e façam o que melhor sabem fazer.
2.2 A PROFESSORA ENTREVISTADA: TEORIA E PRÁTICA COM A LITERATURA INFANTIL O segundo objetivo específico desta monografia era entrevistar professores para apreender seus objetivos e crenças relativas ao estudo da literatura. É claro que cada professor tem seus objetivos a serem alcançados. Entretanto, foi realizada uma entrevista com o mesmo professor observado em sala de aula, para entendermos os seus objetivos. Esta professora, formada em Pedagogia, no ano de 1995, é pós-graduada em Administração, Supervisão e Orientação Educacional e em Educação Especial, atua há cinco anos em sala de aula, atualmente leciona para o Pré III. Acredita que a Literatura desenvolve as idéias de forma organizada, criativa e a oralidade. Além disso, acredita que o próprio professor contribui para que as crianças se interessem pela literatura, pois um professor leitor, que sempre conta história, incentiva a leitura como algo bom e gostoso. A professora trabalha com a leitura, a contagem de histórias, interpretação de ilustrações, dramatizações. Faz leitura desde contos de fadas a textos informativos. Depois de usar todos esses métodos, a professora entrevistada percebe que alcançou seus objetivos quando há melhora da expressão oral das crianças, no aumento do vocabulário e na compreensão dos conteúdos apresentados.
2.3 PRÁTICA EM CONSONÂNCIA COM A TEORIA E por fim, devemos cumprir o terceiro objetivo específico, que é contrapor a prática realizada em sala com o discurso do professor, a fim de detectar coerência e/ou discrepâncias entre teoria e prática. É importante que o professor ou a professora do pré-escolar esteja preparada para enfrentar as necessidades da criança. A adaptação da criança está na dependência da orientação educadora, que deve conhecer cada fase da criança, para usar os métodos apropriados para a idade. A professora analisada deixou os alunos concentrados na história pela forma que fez a leitura do livro, mas poderia ter comentado mais sobre a lição que o livro passou, para que, durante a vida das crianças, não veja as pessoas diferentes como pessoas sem valor. Os alunos ficaram interessados para saber o que poderia acontecer com a personagem principal, estes ficavam atentos a leitura da professora que era muito prazerosa. Assim que acabou de ler a história, a professora questionou estes se haviam gostado da história, todos responderam de uma só vez que sim. Realizaram a atividade proposta pela professora atentos ao que desenhavam. Para desenvolver melhor a leitura, poderia ter realizado uma atividade em que todos os alunos usassem seus conhecimentos, como, por exemplo, deixar os próprios alunos lerem a história para fixarem as palavras e melhorar sua leitura. Depois, fazer com que alunos criassem um outro tipo de história, elaborassem um texto não - verbal, como uma historia em quadrinhos, e depois explicassem para a sala seus desenhos, contando a historia que fez.. E por fim, fazer uma atividade, como foi realizada pela professora, de recreação, desenhar como imaginaram os personagens da história.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a pesquisa realizada, percebemos a importância que a literatura infantil tem na formação de uma pessoa desde cedo, visto que no Pré III, os alunos começaram a ter um contato escolar agradável com esta arte, ouvindo, comentando, desenhando. Por esse motivo, nosso tema foi o trabalho com a literatura no Pré III. Todos os objetivos específicos propostos foram atingidos. Foi assistida à aula de literatura infantil, para observar como o professor trabalha com a literatura junto a seus alunos, em uma escola municipal na cidade de Ivatuba - Paraná, com alunos entre cinco e seis anos de idade. Notamos, com isso, que realmente os professores precisam de metodologias para dar aula para crianças, para que o conhecimento do professor seja transmitido para o aluno. O segundo objetivo específico se realizou com a entrevista feita com um professor de literatura infantil, para apreender seus objetivos e crenças relativas ao estudo da literatura (ver ANEXO A). Percebe-se que a professora que respondeu ao questionário solicitado gosta de literatura, pois, é através dessa que é possível desenvolver as idéias de forma organizada e criativa. Além de acreditar que o próprio professor contribui para que as crianças se interessem pela literatura fazendo com que os alunos tendem a se expressar melhor oralmente e sentirem prazer em ler. E por fim, o último objetivo específico alcançado foi contrapor a prática realizada em sala com o discurso do professor, que detectou coerência entre a teoria e a prática no estudo da literatura infantil com as crianças. A professora deveria ter comentado mais sobre a lição da história lida com seus alunos e fazer com que as crianças desenvolvessem a leitura para fixarem as palavras e assim, produzirem um texto sobre um tema relacionado. Todo esse trabalho aconteceu pela justificativa de que a literatura, como já foi mencionado, é muito importante, porque tem função educativa, amplia o conhecimento de quem lê, além de criar sentimentos, convicções, expectativas, criatividade, atenção e disciplina nos leitores. Essas são características essenciais para a formação de uma pessoa e melhor quando aplicada na infância. Por serem crianças, os professores necessitam de metodologias apropriadas para despertar o interesse pela literatura nos super-jovens leitores da pré-escola. Mas quais são essas metodologias apropriadas que despertam o interesse nas crianças? Respondendo a essa pergunta, a qual foi a pergunta de pesquisa deste trabalho, estes métodos estão ligados ao professor, mas não na perspectiva de ficar apenas nele, o docente é apenas os mediador, as crianças têm que estar concentradas no que ele explica. Por isso, o professor tem de provocar, colocar o pensamento do educando em movimento, propiciar que o aluno pense sobre o assunto estudado. Propor atividades de conhecimento, por exemplo, após a leitura de um livro infantil, fazer uma busca de todas as palavras desconhecidas e, novamente ler o livro, para que as crianças fixem o significado da palavra. Assim, estará dispondo de elementos e situações novas, isso possibilita uma melhor interpretação da obra. Mas também, é necessário que o professor, saiba interagir com as crianças. Ao solicitar uma atividade, o educador deve acompanhar o percurso de construção da atividade, para que ele possa ajudar o aluno com alguma dificuldade, o professor se junta a ele, para estabelecer novas explicações sobre os elementos que o aluno não conseguiu captar. No cotidiano da sala de aula, estes métodos podem se realizar com diversas estratégias que tenham coerência com os objetivos do professor, como a técnica de seminário, apresentação. Pela observação realizada, percebemos que o professor observado mostra-se capacitado para atuar como professor de literatura infantil no Pré III, pois soube escolher uma história para sua turma, ler de forma a despertar o interesse dos alunos, além de pedir atividades pertinentes à idade dos jovens e ao livro lido. Embora sua metodologia pudesse ser aprimorada, ela foi pertinente. Esperamos que este trabalho, resultante de pesquisas e observações, possa facilitar aos professores a busca dos métodos apropriados para se trabalhar a literatura com os alunos do Pré III, além de contribuir para o enriquecimento teórico e prático dos futuros professores do curso de Letras. REFERÊNCIAS ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1997. CANDIDO, Antônio. A Literatura e a formação do homem. In:_______.Ciência e cultura. São Paulo, SBPC, vol. 24, setembro, 1972. ROSENFELD, Anatol. Estrutura e problemas da obra literária.São Paulo: Pespectiva, 1976. ZILBERMAM, Regina. A Literatura infantil na escola. 11.ed. São Paulo :Global, 2003. BRAIDO, Eunice. A joaninha diferente. Ed. FTD. Publicado em 11/01/2007 15:17:00
Maysa Cláudia Mori - 1º ano do curso de Letras-Português/Espanhol, Centro Universitário de Maringá -
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