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A PRÁTICA PEDAGÓGICA... Maria Auxiliadora Rodrigues da Silva
A prática pedagógica do professor: entre a reprodução e a (re)construção “Se o professor não busca sua auto-formação, na dialética entre conteúdos sistematizados e experiências, passa a ser cúmplice de reprodução de um sistema, o que não é mais aceitável em nossa sociedade.” Atualmente a discussão sobre a formação do professor tem ocasionado inúmeros debates, todavia o conteúdo desses debates de alguma forma está refletindo na pratica pedagógica de cada professor, permitindo-lhe uma apropriação cada vez mais profunda do conhecimento. Por esta razão percebe-se que as questões relacionadas à formação do professor e sua prática têm todo um espaço a ser percorrido, intervalado por dúvidas e incertezas. No entanto, este caminho pode ser percorrido mesmo com as dificuldades que nele se apresentam. Para percorrer este caminho faz-se necessário refletir sobre o que é ser professor, termo que dá origem a várias interpretações, mas aqui se compreende como profissional comprometido com a transformação social, formação do cidadão com a construção do saber, capaz de promover a autonomia e a criticidade em seus alunos. Desse modo, falar na formação do professor nos dias de hoje difere de anos anteriores, onde acreditava que ao terminar o curso de formação de professor, o profissional estaria preparado teórica e cientificamente para dirigir com competência o processo de ensino. Com o desenvolvimento social, político e científico percebeu-se que esta visão era equivocada. Segundo Mizukami (1986, p.31) “nenhuma instituição de ensino superior, por mais eficiente que seja a pratica pedagógica dos profissionais que nela atuam e por mais articulados e consistente que sejam seus currículos, pode fornecer a formação completa e definitiva”.
Sendo assim, é necessário que o professor procure uma formação contínua ou processual através de cursos, leituras, debates, seminários e reflexões sobre a sua prática, percebendo também que sua formação não está pronta, pois na vida tudo é movimento e que a formação contínua se impõe para todos os níveis de ensino, como forma de propiciar trocas, atualizações e sistematizações da própria prática pedagógica. “O desafio consiste em conceber a escola como um ambiente educativo, onde trabalhar e forma não sejam atividades distintas. A formação deve ser encarada como um processo permanente, integrado no dia-a-dia dos professores e das escolas, e como uma função que intervem à margem dos projetos profissionais e organizacionais”. Mc Brind (1989, p.29). É evidente que não se pode falar em formação do professor sem relacioná-lo ao momento histórico ou à sociedade da qual esse profissional faz parte. Sabe-se que a educação é influenciada pela sociedade, e que sozinha, não possui força para promover a transformação social. No entanto, ele alicerça tal processo, sendo a escola uma instância capaz de semear mudanças no âmbito social. DEMO (1990, p.47).
A grande preocupação na for“O fazer pedagógico dos professores é uma ação exercida dentro de um contexto sócio-histórico determinado onde estão situados professor, aluno, a própria instituição escolar e o conhecimento. A prática dos professores de forma consciente possibilita à viabilidade de ações que contribuam para a transformação social com base em um ensino de qualidade. Trabalho este que não pode ser exercido desvinculado da realidade político-social do país, quando desvinculada da realidade, causa empobrecimento do ensino e este, passado a ser visto como um mero transmissor de conteúdos ou um facilitador da aprendizagem, que supere o formalismo no processo de ensino-aprendizagem, passando a ser crítico reflexivo e não permanece simplesmente na função banalizada na condição de repassador barato de conhecimentos alheios”.mação dos educadores é a instrumentalização técnica que possibilite a mediação entre os fins e os valores do processo educacional continuando nessa visão a atual sociedade passa por transformações que exigem novas formas de educação, onde se tem a necessidade de escola para a maioria da população. Se o professor não busca uma auto-formação, na dialética entre conteúdos sistematizados e experiência, passa a ser cúmplices de reprodução de um sistema o que não é mais aceitável em nossa sociedade. O professor deve ter o compromisso de incentivar o aluno a pensar, refletir, levando-o a formar estruturas mentais e aprender os conceitos básicos na área do conhecimento sistematizado, pois os mesmos se desenvolvem no dia-a-dia, permitindo uma aprendizagem autônoma, por meio de pesquisas, o que deverá ser investido pelo professor, visto que este é um processo de aprendizagem que leva o aluno a perceber a significação do seu trabalho em sala de aula sendo levado à pesquisa como uma necessidade de enriquecimento fora de sala-de-aula. Deve-se deixar claro para o aluno o contrato de trabalho onde será estudado o fundamental programa: “Na medida em que o aluno é sujeito na construção do conhecimento há possibilidade que ele resolva suas próprias perguntas e dúvidas (através da pesquisa e do diálogo), coisa que, para isso a escola não disporia de tempo para fazer”. BICUDO apud VASCONCELOS (1995, p.106). Sabe-se que o professor tem em sua mão um grande desafio como aluno de uma escola reprodutora, ele deve tornar-se profissional de uma escola reconstrutiva, vários são os aspectos que influenciam, facilitam ou dificultam esse processo de formação, entre estes aspectos pode se destacar a relação entre a sociedade e a educação, o momento histórico e as tendências pedagógicas presentes nas escolas brasileiras. Como fator decisivo para vencer estes desafios está tomada a decisão de consciência da necessidade de unir a teoria e a prática, buscando fundamentos em ambos para o avanço educacional. “É fundamental, sobretudo compreender que a formação não se conclui num determinado estágio da vida escolar ou profissional, ela se dá no dia-a-dia à medida que construímos e reconstruímos a profissão”. DEMO (1942, p.63). Publicado em 28/11/2006 11:11:00
Maria Auxiliadora Rodrigues da Silva - Especialista em Metodologia do Ensino Superior; Professora contratada do Centro de Ensino Superior de Arcoverde, CESA; Professora da Graduaçao em Introdução à Educação e Prática de Ensino; Professora Titular em regime de dedicação exclusiva do Centro de Ensino Superior de Arcoverde, CEEA; Professora de Ensino Médio em Química.
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