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DESPERDÍCIOS E LIVROS

Diorindo Lopes Júnior

Em tempos de eleição, é comum candidatos falarem de seus programas governamentais como a salvação da lavoura, toneladas de papel que serão atirados no lixo sem ao menos serem manuseados pelo eleitor-leitor, sem muita paciência para palavras vazias que se perderão no vento mal as urnas sejam abertas – no caso do Brasil, agora modernizado com urnas eletrônicas, quando os votos forem computados.

Indústrias gráficas e de brindes engordarão seus faturamentos na confecção desses programas de governo vitoriosos e dos inevitáveis brindes de campanha.  Chaveiros, canetas fajutas (logo deixam de escrever), camisetas, bonés, santinhos que nada dizem, e mais uma infinidade de entulhos sem qualquer serventia, exceto oferecer (mais) trabalho para lixeiros e garis até outubro passar.  Como sempre paro para olhar o esforço desta massa trabalhadora, sempre mal-remunerada e duramente criticada em seu empenho para deixar as cidades um pouco menos imundas, penso desnecessário e até cruel dar mais trabalho a esta gente que sua horrores para ganhar dignamente seus miseráveis salários.

Não me lembro, jamais, de algum candidato a qualquer coisa oferecer livros em suas empreitadas eleitorais.  Com o dinheiro jogado fora em tantas inutilidades, muitos livros poderiam ser doados a crianças que mal conseguem aprender o bê-á-bá, e também a bibliotecas desprovidas nas escolas pobres.  Da mesma forma, professores poderiam ser mais bem remunerados, bem como os policiais, entidades beneméritas beneficiadas, e lixeiros e garis não teriam seu trabalho mal-remunerado sobrecarregado. 

Já que torram os tubos emporcalhando as ruas, os candidatos poderiam aplicar esse dinheiro desperdiçado em iniciativas que auxiliem a população menos aquinhoada pela sorte.  Quem sabe assim não teriam os votos pelos quais lutam tanto...

A palavra final não é minha.  Será dada pelas urnas eletrônicas.

Publicado em 25/09/2002


Diorindo Lopes Júnior - jornalista e autor dos juvenis O Sol em Capricórnio (Atual Editora) e Cesta de 3 (Alis Editora), este indicado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) como “Leitura Altamente Recomendada”, em 1999

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