Atenção: Para imprimir este artigo sem cortes clique no ícone da impressora >>>>
 

A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGOGICA: UMA AÇÃO INTEGRADORA DO SUJEITO.

Márcia Goulart Tozzi Pego


A Psicopedagogia desde suas origens mostrou-se uma área de atuação integrativa, abarcando conhecimentos de diferentes áreas de modo a desenvolver um corpo teórico próprio sobre os problemas na aprendizagem humana. Daí que, em nossa atuação, nos tornarmos especialistas em integração do sujeito humano, na medida que oportunizamos o equilíbrio de suas características.

     

Quando se trata da aprendizagem humana, diferentes teorias tornam-se complementares. Daí a psicopedagogia fazer uso, por exemplo, dos conhecimentos da Psicologia Cognitiva e da Psicanálise. Utilizamos, portanto, diferentes pólos teóricos, pois estes se mostram complementares quando se trata da aprendizagem humana.

         A própria aprendizagem é uma ação integradora uma vez que acontece segundo a adequação das diferentes características que constituem o sujeito, somadas ao ambiente em que está inserido.

Segundo Fernandez, o sujeito aprendente é constituído por corpo, organismo, desejo e inteligência que inter-relacionam-se harmoniosamente. Ela nos diz que,

 

“Assim como em todo processo de aprendizagem estão implicados os quatro níveis (organismo, corpo inteligência e desejo), e não se poderia falar de aprendizagem excluindo algum deles, também no problema de aprendizagem, necessariamente estarão em jogo os quatro níveis em diferentes graus de compromisso”. (Fernandez, 57:1990).

 

         Entende-se o sintoma problema de aprendizagem como fruto do desequilíbrio resultante de fatores internos ao sujeito, organismo e corpo, ou externos a ele, inteligência e desejo.

         A inteligência e o desejo podem ser tomados como fatores externos ao sujeito se considerarmos que têm sua existência inter-relacionada entre si e com o ambiente externo, do qual sofre constante interferência.

         A Psicopedagogia na tentativa de entender os mecanismos envolvidos no surgimento do problema de aprendizagem não se detém aos aspectos fisiológicos, obedecendo então a uma abordagem cartesiana, pois isso restringiria sua visão.

A intervenção psicopedagógica no intuito de contribuir para sanar a patologia do aprender não se opõe à utilização de medicamentos quando estes são necessários, como no caso de TDAH. Nem por isso sua atuação pode ser classificada como organicista.

O tratamento medicamentoso, apesar dos ganhos no alívio de determinados sintomas, como por exemplo, no alívio da hipercinesia, não complementa ou possibilita o preenchimento das aquisições instrumentais não adquiridas durante o período anterior ao tratamento.

Se fixarmos a intervenção na eliminação do sintoma, não estaremos tratando do sujeito como um todo, e ele estará muito provavelmente, predisposto ao surgimento de outros problemas.

Uma intervenção para ser eficiente deve buscar o que leva ao surgimento do sintoma, quais condições favorecem seu surgimento.

Da mesma forma, dar excessiva ênfase às influências externas (família) de modo a direcionar o tratamento a ela pode levar ao erro de se esquecer que o sujeito apresenta dificuldades por uma tendência própria a desenvolvê-las.

Deve-se também atentar para a possibilidade de a manifestação do problema de aprendizagem trazer algum tipo de benefício ou mesmo ser uma maneira própria de estabelecer relação com o seu mundo.

O psicopedagogo com uma postura integrativa levará em conta não só o sintoma fruto de um distúrbio orgânico, mas também o afetivo e o emocional que o acompanham. A importância do afetivo emocional está em que não só podem fazer parte do surgimento ou do agravamento do sintoma como também são importantes no processo de cura.

O surgimento do sintoma pode ser considerado como uma forma de expressar um desequilíbrio na constituição do sujeito enquanto aprendente.

A conquista do equilíbrio está, não na ênfase em suprir o que falta ao paciente, mas em possibilitar-lhe uma ação integradora do que ele já conquistou para que na ação possa construir ou resgatar o que lhe falta.

BIBLIOGRAFIA:

ANDRADE, Márcia Siqueira (Org.).  O prazer da autoria: a Psicopedagogia e a construção do sujeito autor.  São Paulo: Memnon, 2002.

ANDRADE, Marcia Siqueira de. A escrita inconsciente e a leitura do invisível: uma contribuição às bases teóricas da Psicopedagogia.  (no prelo).  São Paulo: Editora Mennom, 2001.          

FERNÁNDEZ, Alícia.  A inteligência aprisionada.  Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.

____. A mulher escondida na professora. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

GOULART, Márcia Tozzi Pego.  A representação simbólica na clínica psicopedagógica. São Paulo: Vetor, 2003.

PAÍN, Sara. Subjetividade e objetividade. Relação entre desejo e conhecimento.  São Paulo: CEVEC, 1996.

____.  A função da ignorância.  Porto Alegre: artes Médicas, 1999.

Publicado em 29/06/2004 16:45:00


Márcia Goulart Tozzi Pego - Pedagoga e Psicopedagoga; Mestre em Psicopedagogia pela Universidade de Santo Amaro autora do livro: a Representação Simbólica na Clínica Psicopedagógica, Ed. Vetor.

Dê sua opinião:

Clique aqui: Normas para Publicação de Artigos

Do mesmo autor(a):

opinião

.Resgatando o aprendente
.Intervenção psicopedagógica e família

artigos

.O atendimento psicopedagógico frente o adolescente
.O casal parental: uma parceria necessária
.Psicopedagogia institucional – reflexões sobre o trabalho psicopedagógico com grupos