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DIAS FELIZES, COM PAIS DE AMOR CLARIVIDENTE.

Angela Cristina Munhoz Maluf


Depois de estudar, um pouco, sabemos que nossos atos exteriores revelam nosso mundo interior.  Até as crianças sabem o que elas sentem, mais do que ninguém, como são e como vão as pessoas intimamente. A educação deveria crer que os pais conhecem os filhos.

Mas pela prática que todos temos, concluímos que são os filhos que conhecem os pais.

Conhecem e se escandalizam, aceitam e se desencantam.

Passemos a limpo o dia, desde o amanhecer, o entardecer até o anoitecer.

Examinemos nossas palavras e nossos tons de voz.

As negativas que multiplicamos sem motivos, logo que nossos filhos surgem em nossa frente, sem antes ouvir o que querem nos dizer. (Mal sabemos que as palavras na criança nascem de sonhos e enfeites interiores).

Afinal, por que repartimos tantos não, ao longo do dia?

Não será porque, de tanto termos desilusões, tomamos uma inconsciente resolução de empatar, passando para frente uma dor e uma mágoa que sentimos, que sofremos?

Quando se entra em algumas casas ou em apartamentos, não se sabe quem grita mais e quem começou a gritar primeiro.

Isso nem interessa, mas ficamos sem saber se a gritaria dos pais é para calar a gritaria dos filhos, se gritam para que os filhos não gritem. Sei lá.

Parece que ensaiam um trecho de Stravinsky ou de Mahler.

Ensinemos, em vez de proibir.

Afinal, quem é que tem obrigação de nascer sabendo?

No fundo, falta-nos a devida paciência para tudo, pois não temos nenhuma paciência com a vida e acabamos sendo impacientes com nossos filhos.

E os filhos é que pagam, se tornam rancorosos.

Será que já tivemos tempo e amor para pensarmos no final de cada dia, e como foi o dia de nossos filhos?

Não sei se quando entramos em casa, nos sobra afeto e atenção para darmos aos nossos filhos.

Precisamos refletir, reposicionarmos nossas atitudes.

Estamos magoando nossos filhos, deixando marcas profundas em corações inocentes, tão cheios de vida. É tão mais fácil proibir do que ensinar.

Vamos tentar criar para nossos filhos, dias felizes, horas povoadas de luz, dias calmos.

Com certeza eles terão uma formação serena.

Ao invés de distanciarmos nossos filhos com uma corda isolante de um “não”, coloquemos diante de seus olhos gestos sinceros, distrações, ocupações, obrigações com tranqüilidade e interesse.  Não nos revelemos tanto através de gritos, gestos impulsivos e por vezes ameaçadores. Revelemos aos nossos filhos o lado claro de tudo, é um benefício que fazemos, um dever que cumprimos, no amor que temos por eles.

Amar é povoar devagarzinho dia por dia de boas porções de luz. Futuramente nossos filhos verão como foi bom ter tido uma infância feliz, coberta de dias calmos, alegres e com muita luz por pais de amor infinito e clarividente.

Publicado em 10/05/2004 17:46:00


Angela Cristina Munhoz Maluf - Ms. em Ciências da Educação,docente de graduação e pós-graduação,psicopedagoga, especialista em Educação Infantil e Especial, escritora, palestrante e consultora de projetos.

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