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CRIANÇAS OU JOVENS COM PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM, REPRESENTAM UMA RUPTURA PARA OS PAIS.

Angela Cristina Munhoz Maluf


Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos e os principais interessados no seu bem estar.

 

Introduzem expectativas e valores sobre como o filho (a) deve ser, como deve se comportar e até sonham com a profissão futura do seu filho (a).

 

Desde o seu nascimento começam a dizer que: (acho que ela será uma excelente pianista como a tia), ou (ele será um grande empresário como o pai) assim por adiante.

 

Tecem comparações, ele deve tirar notas boas como o irmão, (ela deve se comportar como uma dama). Todas estas situações podem marcar profundamente o desenvolvimento futuro da criança, pois os pais estão impondo coisas que estão em desarmonia com suas capacidades, aptidões e até vontades.

 

A existência de uma criança ou jovem com problemas de aprendizagem representa uma ruptura para os pais. As expectativas construídas em torno do filho (a) tornam-se insustentáveis. Vistos como uma projeção dos pais, estes filhos representam a perda de sonhos e esperanças e a obrigatoriedade em lidar com as limitações fazem com que muitos pais se sintam despreparados para lidarem com a situação.

 

Quando a criança começa a ir para a escola, ou situações em que a criança ou o jovem inicia um novo ano letivo, os pais esperam que seus filhos se saiam bem.

Que consiga boas notas, bom comportamento, etc.

 

Isso nem sempre acontece, e os pais se revoltam, começam a punir as crianças com castigos e até surras.

 

Infelizmente, muitas dessas crianças e jovens, desenvolvem uma auto-estima negativa, que agrava em muito a situação e que poderia ser evitada com o auxílio da família e de uma escola adequada.

 

É essencial que as crianças e jovens recebam apoio dos pais, pois quando sabem que tem pais que dão suporte emocional, desenvolvem uma base sólida e um senso de competência que a leva a uma auto-estima satisfatória.

 

Mas, para darem apoio, os pais precisam examinar os próprios sentimentos. Alguns sentem raiva, como se de algum modo à criança ou jovem fosse responsável pela situação. Outros entram em pânico, sentindo-se esmagados pelos desafios à frente. Ambas as reações são inúteis. 

 

As reações negativas privam a criança ou jovem da necessária ajuda.

 

Sabe-se ainda de pais que fazem uma verdadeira peregrinação por consultórios de especialistas, na esperança de conseguir algum tipo de ajuda para a criança ou jovem, mesmo engajados e dispostos a colaborar.

 

O diálogo entre pais e educadores, permite conhecer e compreender melhor a criança.

 

Num clima de relação aberta, pais e educadores pode construir um espaço de confiança, condição essencial para uma ação educativa participativa.

Bibliografia:

ABRAMOVICH, Fanny - O estranho mundo que se mostra às crianças. São Paulo, Summus V. 13 – Coleção Novas buscas em Educação – 1983.

CARDIÉ, Os atrasados não existem.Porto Alegre RS, Artes Médicas -1997.

FONSECA, V - Introdução às dificuldades de Aprendizagem – 2ª edição – Porto Alegre RS, Artes Médicas - 1994.

VIGOTSKI, L.S, LURIA, A.R e LEONTIEV - Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo, Ícone -1988.

WITLER, Geraldina P. Lomonâco. J.F.B- Psicologia de Aprendizagem- São Paulo –EPU –1984.

Ângela Cristina Munhoz Maluf – Especialista em Psicopedagogia, Educação Infantil e Especial. É autora do livro: BRINCAR PRAZER E APRENDIZADO -Vozes, 2ª edição, RJ, 2003.

Publicado em 03/02/2004 11:14:00


Angela Cristina Munhoz Maluf - Ms. em Ciências da Educação,docente de graduação e pós-graduação,psicopedagoga, especialista em Educação Infantil e Especial, escritora, palestrante e consultora de projetos.

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