A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA ALFABETIZAÇÃO PARA O PSICOPEDAGOGO
Gláucia Lúcia da Silva Leite e Eunice Barros Ferreira Bertoso

RESUMO
O presente artigo trata do resgate do lúdico como processo educativo, demonstrando que ao se trabalhar ludicamente não se está abandonando a seriedade e a importância dos conteúdos a serem apresentados às crianças, pois as atividades lúdicas são indispensáveis para o desenvolvimento sadio e para a apreensão dos conhecimentos, uma vez que possibilitam o desenvolvimento da percepção, da imaginação, da fantasia e dos sentimentos. O mesmo tem como objetivo apresentar questões relacionadas ao papel dos psicopedagogos diante das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem e revela a forma lúdica como auxílio na alfabetização.
Estudos têm comprovado a importância das atividades lúdicas, no desenvolvimento das potencialidades humanas das crianças, proporcionando condições adequadas ao seu desenvolvimento físico, motor, emocional, cognitivo, e social.
Para tanto, o trabalho se orienta por uma metodologia de abordagem qualiquantitativa, tendo como instrumento a coleta de dados questionários, constituídos de perguntas fechadas e abertas e optou-se por trabalhar com totalidade de quinze psicopedagogos que atuam em escolas e clínicas particulares da zona sul da cidade de São Paulo.
Percebeu-se que 93% dos entrevistados possuem pouca experiência na área e/ou já atuam há mais de 9 anos. Porém, apenas 7% apresenta uma atuação maior na área.  Há um índice de 27% de pessoas que utilizam o método da sonorização, que aos pouquinhos a criança faz a junção das letras mentalmente e depois pronuncia pausadamente as palavras e frases; e produzindo pequenos textos.
Portanto, é em meio às atividades lúdicas, que a criança comunica-se consigo mesma e com o mundo, aceitando a existência dos outros, estabelecendo relações sociais, construindo conhecimentos e desenvolvendo-se integralmente.

Palavras-chave: lúdico; brinquedos e brincadeiras; alfabetização.
1. INTRODUÇÃO
A importância desse trabalho é conscientizar o educador de que os problemas referentes à alfabetização estão relacionados às práticas educativas (métodos de ensino).
Hoje em dia, os educadores precisam utilizar-se do lúdico na alfabetização, pois ao separar o mundo adulto do infantil, e ao diferenciar o trabalho da brincadeira, a humanidade observou a importância da criança que brinca.
Os efeitos do brincar começam a ser investigados pelos pesquisadores que consideram a ação lúdica como metacomunicação, ou seja, a possibilidade da criança compreender o pensamento e a linguagem do outro. Portanto, o brincar implica uma relação cognitiva e representa a potencialidade para interferir no desenvolvimento infantil, além de ser um instrumento para a construção do conhecimento do aluno.
Conforme Santos (1999), para a criança, brincar é viver. Esta é uma afirmativa bastante usada e aceita, pois a própria história da humanidade nos mostra que as crianças sempre brincaram, brincam hoje e certamente, continuarão brincando. Sabemos que ela brinca porque gosta de brincar e que, quando isso não acontece alguma coisa pode não estar bem. Enquanto algumas crianças brincam por prazer, outras brincam para dominar angústias, dar vazão à agressividade.
Para Vygotsky (1987), a aprendizagem e o desenvolvimento estão estritamente relacionados, sendo que as crianças se interrelacionam com o meio objeto e social, internalizando o conhecimento advindo de um processo de construção.
O brincar permite, ainda, aprender a lidar com as emoções. Pelo brincar, a criança equilibra as tensões provenientes de seu mundo cultural, construindo sua individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade. Mas, é Piaget que nos esclarece o brincar, implica uma dimensão evolutiva com as crianças de diferentes idades, apresentando características específicas, apresentando formas diferenciadas de brincar.
Desta forma, a escola deve facilitar a aprendizagem utilizando-se de atividade lúdica que criem um ambiente alfabetizador para favorecer o processo e aquisição de autonomia de aprendizagem. Para tanto, o saber escolar deve ser valorizado socialmente e a alfabetização deve ser um processo dinâmico e criativo através de jogos, brinquedos, brincadeiras e musicalidade.
É muito importante aprender com alegria, com vontade. Comenta Sneyders (1996), que “Educar é ir em direção à alegria”. As técnicas lúdicas fazem com que a criança aprenda com prazer, alegria e entretenimento, sendo relevante ressaltar que a educação lúdica está distante da concepção ingênua de passatempo, brincadeira vulgar, diversão superficial.
Com a utilização desses recursos pedagógicos, o professor poderá utilizar-se, por exemplo, de jogos e brincadeiras em atividades de leitura ou escrita em matemática e outros conteúdos, devendo, no entanto, saber usar os recursos no momento oportuno, uma vez que as crianças desenvolvam o seu raciocínio e construam o seu conhecimento de forma descontraída.
O momento lúdico compõe-se de permitir ao paciente/aluno brincar e construir um espaço de experimentação, onde temos uma transição entre o mundo interno e o mundo externo.
Conforme Weiss (2007), “No diagnóstico o uso de situações lúdicas é mais uma possibilidade de se compreender, basicamente o funcionamento dos processos cognitivos e afetivo-sociais em suas interferências mútuas, no modelo de aprendizagem do paciente”.
As atividades lúdicas têm poder sobre a criança de facilitar tanto o progresso de sua personalidade integral, como o progresso de cada uma de suas funções psicológicas, intelectuais e morais. Ao ingressar na escola, a criança sofre um considerável impacto físico-mental, pois até então, sua vida era exclusivamente dedicada aos brinquedos e ao ambiente familiar.
Marcellino (1990) defende a reintrodução das atividades lúdicas na escola. Entende-se que esse direito ao respeito não significa a aceitação de que a criança habite um mundo autônomo do adulto, tampouco, que deva ser deixado entregue aos seus iguais, recusando-se, assim, a interferência do adulto no processo de educação.
Na escola, a criança permanece durante muitas horas em carteiras escolares nada adequadas, em salas pouco confortáveis, observando horários e impossibilitada de mover-se livremente. Pela necessidade de submeterem-se à disciplina escolar, muitas vezes a criança apresenta certa resistência em ir à escola. O fato não está apenas no total desagrado pelo ambiente ou pela nova forma de vida e, sim, por não encontrar canalização para as suas atividades preferidas.
O crescimento, ainda em marcha, exige maior consumo de energia e não se pode permitir que a criança permaneça, por longo tempo, trancafiada em sala de aula, calma e quieta, quando ela mais necessita de movimento.
A escola deve partir de exercícios e brincadeiras simples para incentivar a motricidade e as habilidades normais da criança em um período de adaptação para, depois, gradativamente complicá-los um pouco possibilitando um melhor aproveitamento geral.
A criança se prepara para a vida, assimilando a cultura do meio em que vive, e ela se integrando e com ela convivendo como ser social por intermédio da atividade lúdica. Para Brougere (1995), “A brincadeira é, entre outras coisas, um meio de a criança viver a cultura que a cerca, tal como ela é verdadeiramente, e não como ela deveria ser”. A brincadeira, além de proporcionar prazer e diversão, pode apresentar um desafio e provocar o pensamento reflexivo da criança. Com as atividades lúdicas, espera-se que a criança desenvolva a coordenação motora, a atenção, o movimento ritmado, conhecimento quanto à posição do corpo, direção a seguir e outros; participando do desenvolvimento em seus aspectos biopsicológicos e sociais; desenvolva livremente a expressão corporal que favorece a criatividade, adquira hábitos de práticas recreativas para serem empregados adequadamente nas horas de lazer, adquira hábitos de boa atividade corporal, seja estimulada em suas funções orgânicas, visando ao equilíbrio da saúde dinâmica e desenvolva o espírito de iniciativa, tornando-se capaz de resolver eficazmente situações imprevistas.
O tema atual serve de estímulo a todos aqueles que, de alguma forma, estão envolvidos com o processo de alfabetização de crianças; e procuram alcançar a relação entre os que pensam e os que vivem da pesquisa sobre o cotidiano educacional, buscando sempre refletir sobre sua prática pedagógica.
Com a realização desse trabalho, profissionais da área pedagógica poderão ter um respaldo maior e utilizarão ferramentas que auxiliarão as crianças em fase de alfabetização.
Através desta pesquisa podemos, com um trabalho psicopedagógico bem orientado, contribuir com a sociedade revendo os passos no processo de alfabetização com o lúdico, podendo assim, além de aprimorar o que se pratica, buscar novos caminhos ou clareá-los neste processo.
O interesse pela pesquisa originou mediante à dificuldades que algumas crianças expressavam no momento em que estavam sendo alfabetizadas, portanto, uma ajuda muito importante dada a essas crianças, seria a implantação do lúdico em suas atividades escolares. Através do qual serão esclarecidos mediante pesquisas bibliográficas.
As possibilidades concretas dessa pesquisa vir a se realizar encontra-se no amplo material a ser coletado e pesquisado tanto no grupo de quinze psicopedagogos a serem questionados quanto às suas experiências tanto para o questionamentos como também para definições.

2. OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
Refletir a importância da ludicidade na prática pedagógica como facilitador do ensino/aprendizagem do aluno na alfabetização.

2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO
Identificar e analisar as necessidades existentes dentro da clínica/escola para implantar a cultura do lúdico.

3. METODOLOGIA
O trabalho se orienta por uma metodologia de abordagem qualiquantitativa com a intenção de coletar e discutir informações sobre a importância do lúdico na alfabetização, como ponto de partida as opiniões dos psicopedagogos.
Os sujeitos de pesquisa foram selecionados a partir da disponibilidade de tempo e aceitação da participação na pesquisa respondendo com clareza e atenção ao questionário. Foram escolhidos numa amostra de conveniência 15 psicopedagogos (sendo uma pessoa na faixa etária entre 18 a 25 anos, seis pessoas entre 26 a 33 anos, três pessoas entre 34 a 41 anos, e cinco pessoas acima de 42 anos, todas do sexo feminino) que atuam em escolas e clínicas particulares da zona sul da cidade de São Paulo.
Para coleta de dados foi escolhido o questionário com questões abertas e fechadas (anexo) entregue aos psicopedagogos. O primeiro contato com os participantes foi o preenchimento do Termo de Consentimento Livre Esclarecido para a participação da pesquisa.
Os resultados foram analisados e organizados de acordo com as informações obtidas através da bibliografia consultada e da análise estatística das questões dos questionários e este estudo tem com base teórica autores como: Nelson Rosamilha (1979), Paulo Nunes de Almeida (1990), Lino de Macedo (2005), Ana Lúcia Sicólli Petty (2005), Luis Carlos Cangliari (2007) entre outros.
Nas considerações finais abordamos a importância do lúdico na alfabetização, as inferências que o lúdico proporciona ao paciente/cliente, metodologias, recurso e instalação necessárias para a estimulação de paciente/cliente e a formação de psicopedagogos.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


Percebe-se que 93% dos entrevistados possuem pouca experiência na área e/ou já atuam há mais de 9 anos. Porém, apenas 7% apresenta uma atuação maior na área. Entendemos que educar ludicamente não é jogar lições empacotadas para o educando consumir passivamente. Educar é um ato planejado, é tornar o indivíduo consciente, engajado e feliz com o aprendizado.
A educação traz muitos desafios aos que nela trabalham e aos que se dedicam a sua causa. Pensar em educação, é pensar no ser humano em sua totalidade, em seu ambiente, nas preferências, prazeres, enfim, em suas relações vivenciadas.
“Na fase de criação é necessário pensar em um ‘esboço’ a ser formatado e colocado em prática; nesse momento o importante pode ser pensar na função e na utilidade de tal organização para a cultura, para a sociedade e para o sistema ao qual ela estará vinculada, ou seja, qual sua missão. Também nessa fase cabe a busca do valor de atuação, que será definido como a abrangência a um grupo específico, a uma localidade ou a determinada situação problema” (Ladim, 1988).
As brincadeiras, para a criança, constituem atividades primárias que trazem grandes benefícios do ponto de vista físico, intelectual e social. Como benefício físico, o lúdico satisfaz as necessidades de crescimento e de competitividade da criança. Os jogos lúdicos devem ser a base fundamental dos exercícios físicos impostos às crianças pelo menos durante o período escolar. Como benefício intelectual, o brinquedo contribui para a desinibição, produzindo uma excitação mental e altamente fortificante.
IIllich (1976), afirma que os jogos podem ser a única maneira de penetrar os sistemas formais. Suas palavras confirmam o que muitas professoras de 2º ano comprovam diariamente, ou seja, a criança só se mostra por inteira através das brincadeiras.
Como benefício didático, as brincadeiras transformam conteúdos maçantes em atividades interessantes, revelando certas facilidades através da aplicação do lúdico. Outra questão importante é a disciplinar, quando há interesse pelo que está sendo apresentado e faz com que automaticamente a disciplina aconteça.
Concluindo, os benefícios didáticos do lúdico são procedimentos didáticos altamente importantes; mais que um passatempo; é o meio indispensável para promover a aprendizagem disciplinar no aluno e incutir-lhe comportamentos básicos, necessários à formação de sua personalidade.
Estudar as relações entre as atividades lúdicas e o desenvolvimento humano é uma tarefa complexa, e para facilitar o estudo foi classificado o desenvolvimento em três fases distintas: aspectos psicomotores, aspectos cognitivos e aspectos afetivo-sociais.
Nos aspectos psicomotores encontram-se várias habilidades musculares e motoras, de manipulação de objetos, escrita e aspectos sensoriais.
Os aspectos cognitivos dependem como os demais, de aprendizagem e maturação que podem variar desde simples lembranças de aprendido até mesmo formular e combinar ideias, propor soluções e delimitar problemas.
Já os aspectos afetivo-sociais incluem sentimentos e emoções, atitudes de aceitação e rejeição de aproximação ou de afastamento.
O fato é que esses três aspectos interdependem uns dos outros, ou seja, a criança necessita dos três para tornar-se um indivíduo completo.
Ainda com respeito às categorias psicomotoras, cognitiva e afetiva, assim como a seriação dos brinquedos, devem-se levar em conta cinco pontos básicos: integração entre o jogo e o jogador, deixando-o aberto para o mundo para transformá-lo à sua maneira; o próprio corpo humano é o primeiro jogo das crianças; nos jogos de imitação, a imagem ou modelo a ser seguido é importante; os jogos de aquisição começam desde cedo e para cada idade existe alguns mais apropriados; os jogos de fabricação ajudam na criatividade, no sentimento de segurança e poder sobre o meio.
Numa obra sobre ensino de leitura, Duffy, Sherman e Roehler (1977) propuseram um modelo para descrever as relações das operações envolvidas no processo da leitura.
A facilidade com que a criança aprenderá a usar os três códigos dependerá da linguagem oral e da semelhança entre a linguagem da instrução. Para esses três autores, a leitura é um processo aprendido de reconhecimento e compreensão de palavras e frases que se apóiam mutuamente, levando a criança a se interessar por materiais impressos, brincando, recreando-se e descobrindo significados, melhorando dessa forma sua linguagem e sua comunicação com outras pessoas.

Os dados mostram que 68% dos psicopedagogos costumam participar de eventos na sua área como oficinas, palestras, congressos e etc. A participação em eventos é uma grande possibilidade de conhecer novas idéias e discutir idéias já vistas como verdadeiras e que hoje não são mais atuais, tentando aperfeiçoar a prática psicopedagógica, assim como afirma (FREIRE, 1996, p. 43), ao dizer que: “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática”.
Constatou-se como resposta dos entrevistados que 100% mostram fazer a leitura de livros, revistas, jornais ou outros materiais que abordam a alfabetização. Os dados também mostram que os psicopedagogos sempre estão em busca de novos recursos, técnicas e estratégias que atendam as necessidades de seus pacientes/alunos.
Alicia Fernández lembra que "aprender é quase tão lindo como brincar" e que aprender e brincar ocupa o mesmo espaço transacional no qual razão e emoção, objetividade e subjetividade se encontram. Para jogar o homem precisa exercitar uma lógica e uma ética, pois não basta apenas jogar bem para ganhar, mas é preciso ganhar com dignidade.
Por isso, o lúdico é um material por excelência da intervenção psicopedagógica, na medida em que possibilita o exercício destas lógicas racionais e afetivas necessárias para a ressignificação dos aspectos patológicos relacionados com a aprendizagem humana. Existe no jogo, contudo, algo mais importante do que a simples diversão e interação. Ele revela uma lógica diferente da racional. O lúdico revela uma lógica da subjetividade, tão necessária para a estruturação da personalidade humana, quanto à lógica formal das estruturas cognitivas.

Na questão que abrange a preparação para o atendimento, apenas 53% sentem-se preparados para atender um paciente/aluno com dificuldades de alfabetização. Porém, existe um índice significativo de 27% consideram que se encontram despreparados para a situação. Infelizmente a qualidade do preparo profissional dos psicopedagogos para atender os pacientes que sentem dificuldades de alfabetização é insatisfatória. Parece ser lógico que os psicopedagogos precisam buscar por si mesmos maiores conhecimentos em relação a esta defasagem, se conscientizando da importância do aprendizado.
Não é possível fazer um diagnóstico ficando neutro, acreditando que nada está tendo significado para o educando.
Fernandez (1990) diz que o diagnóstico serve para o psicopedagogo como a rede para o equilibrista, isto é, é apenas uma segurança, mas que estaremos no trapézio enquanto fazemos o diagnóstico.
Um ponto importante para se perceber este processo de constituição do sujeito se dá através da questão dos limites. Muitas vezes a queixa escolar e a produção da criança gira em torno da dificuldade em aceitar as normas e o formalismo necessário para construir determinados conteúdos acadêmicos. Outras vezes é a dificuldade em aceitar os erros e o esforço que a aprendizagem demanda, ou seja, é o jogo da aceitação dos próprios limites.

Tabela 1.  Métodos e técnicas no atendimento do paciente com dificuldade de alfabetização.
 
Métodos e técnicas Nº %
Fonético, junção das letras, leitura de palavras, frases, formação de textos, varal de letras e jogos de letras. 4 27
No momento não atua, mas está buscando conhecimento enquanto estuda. 2 13
Não tem prática, inexperiente. 3 20
Brincadeiras, alfabeto móvel, imagens. 2 13
Metodologia tradicional e material da ABD. 1 7
Recortes, jogos, música, leitura, escrita, colagem de imagens, fixação de palavras. 2 13
Construção do conhecimento – Piaget. 1 7
Total 15 100

Diante dos entrevistados, perguntamos quais os métodos e técnicas que utilizam no atendimento a pacientes que estão com dificuldade de aprendizagem. Existem meios por onde o psicopedagogo/pedagogo busca pra transmitir informações aos seus pacientes/alunos. E os métodos e as técnicas foram diversos. Houve um índice de 27% de pessoas que utilizam o método da sonorização (som/letra), que aos pouquinhos a criança faz a junção das letras mentalmente e depois pronuncia pausadamente as palavras e frases; e produzindo pequenos textos.
Há aqueles que utilizam em maior quantidade de tempo o alfabeto móvel para a formação de palavras, ditados variados e muitas brincadeiras. Alguns relataram que facilita o aprendizado quando as crianças estão fazendo recortes, colagens; usam os jogos para associação de palavras e frases; e ouvem músicas repetidas vezes. No método tradicional também foi encontrado formas de auxiliar a criança juntamente com material da ABD – Associação Brasileira de dislexia, tendo uma porcentagem de 7.
Dos diversos métodos citados acima, ainda é lamentável o número de pessoas que não se sentem preparadas e/ou que são totalmente inexperientes.
Segundo Vygotsky (1987), a escrita é muito mais difícil do que parece, embora sua aprendizagem interaja com a da leitura.
Ao incluir-se a escrita junto com a leitura, vê-se que aprender a ler é uma tarefa dificílima para uma criança de sete anos. Nesse momento, as habilidades psicomotoras incluem destreza manual e digital, coordenação mãos-alhos, resistência e fadiga e equilíbrio físico. Fica claro que a escrita é, enquanto conjunto de movimentos coordenados, um exemplo de complexidade para a criança.
Se, para a criança, a escrita é uma atividade complexa, o jogo, ao contrário, é um comportamento ativo cuja estrutura ajuda na apropriação motora necessária para a escrita.
Ao lado das atividades de integração da criança à escola, deve-se promover a leitura e a escrita juntamente, utilizando para isso a dramatização, conversar, recreação, desenho, música, histórias lidas e contadas, gravuras, contos e versos.
Para alguns pensadores, as atividades lúdicas realizadas pelas crianças permitem que elas se desenvolva, alcançando objetivos como a linguagem, a motricidade, a atenção e a inteligência.
O papel da escola é promover e facilitar o esquema corporal (conhecimento do corpo e suas potencialidades) através de exercícios realizados com olhos fechados facilitam esse conhecimento. A orientação espacial, posicionamento orientado da criança em espaços diferenciados, a orientação temporal, vivida a partir da marcação rítmica e a escrita, através da movimentação ampla, direção esquerda/direita.
“A criança é antes de tudo, um ser feito para brincar. O jogo – eis aí um artifício que a natureza encontrou para levar a criança a empregar uma atividade útil ao seu desenvolvimento físico e mental. Usemos um pouco mais esse artifício. Coloquemos o ensino mãos ao nível da criança, fazendo de seus instintos naturais, aliados, e não inimigos.” (Claparede, 1958).
Bontempo (1972) lembra que as crianças que falam mal são também as crianças que pouco brincam, pois há uma estrita relação entre o brinquedo e a linguagem.
Em suma, a escola deve aproveitar as atividades lúdicas para o desenvolvimento físico, emocional, mental e social da criança. Linguagem e brinquedo mostram sua origem comum em vários aspectos. Através do símbolo lúdico e corporal  e concreto, orienta-se a criança para as palavras.
No ensino da leitura e escrita, deve-se levar em conta o relacionamento da estrutura da língua e a estrutura do lúdico. Podem-se também estabelecer relações entre o brinquedo sócio-dramático das crianças, na sua criatividade, desenvolvimento cognitivo e as habilidades sociais. Destacando-se criação de novas combinações de experiências; seletividade e disciplina intelectual; concentração aumentada; desenvolvimento de habilidades de cooperação entre outros.
Para a criança que engaja no jogo sócio-dramático, é mais fácil para ela participar do jogo da vida escolar.
Para Suntton & Smith (1971), as crianças classificadas como mais lúdicas, são mais engajadas em atividades físicas durante o brinquedo, mais alegres e bem humoradas, mais flexíveis com o grupo, saíram-se melhor em tarefas como: sugerir novas idéias sobre o uso do brinquedo, novos títulos para histórias, lista mais ricas de nomes de animais, de coisas para comer, de brinquedos, etc.
Afirma ainda que toda as matérias escolares permitem aproveitar a ludicidade para cada tipo de conhecimento. Sendo assim, para a criança fazer a transposição entre a língua oral e a escrita, é necessário trabalhar primeiramente o concreto, pois para ela a alfabetização, torna-se mais fácil através da ludicidade.
A função dos brinquedos, na obtenção de melhor equilíbrio emocional de crianças, foi percebida e utilizada na área educacional, pois atividades físicas e recreativas influenciam positivamente vários outros aspectos afetivo-sociais das crianças.
O brinquedo, como atividade agradável, não pode ser confundido com um jogo de sentido de “partidas, competições”, que podem significar obrigação, treinamento, atividade difícil, fanatismo, ansiedade, etc.
Toda vez que a competitividade ou a agressividade superam os demais atributos jogo-brinquedo, esta passa a ser jogo-vício ou jogo-obrigação. O jogo-brinquedo é, em essência, de natureza criativa. A maioria dos escritores e artistas criativos apresentam uma atitude bem humorada e lúdica diante da vida.
Segundo Almeida (1990), educar ludicamente tem um significado muito profundo e está presente em todos os segmentos da vida. Por exemplo, uma criança que joga bolinha de gude ou brinca de boneca com seus companheiros não está simplesmente brincando e se divertindo; está desenvolvendo e operando inúmeras funções cognitivas e sociais, ocorre o mesmo com uma mãe que acaricia e se entretém com uma criança, com um professor que se relaciona bem com seus alunos ou mesmo com um cientista que prepara prazerosamente sua tese ou teoria. Eles educam-se ludicamente, pois combinam e integram a mobilização das relações funcionais ao prazer de interiorizar o conhecimento e a expressão de felicidade que se manifesta na interação com os semelhantes.
As crianças com curiosidades mais altas tiveram melhores respostas quando podiam manipular objetos através das atitudes lúdicas, encontrando correlação entre brinquedo e o comportamento de busca de informação.
De acordo com Cangliari (2007), um dos objetivos mais importantes da alfabetização é ensinar a escrever. A escrita é uma atividade nova para a criança, e por isso mesmo requer um tratamento especial na alfabetização. Espera-se que a criança, no final de um ano de alfabetização, saiba escrever e não que saiba escrever tudo e com correção absoluta e a outra atividade fundamental desenvolvida pela escola para a formação dos alunos é a leitura, é muito mais importante saber ler do que saber escrever.

Tabela 2. Papel do lúdico na prática pedagógica e psicopedagógica.

Papel do lúdico Nº %
Extremamente importante, pois facilita o aprendizado por meio da associação, rompendo barreiras e aproximando o psicopedagogo ao paciente e vice-versa. 4 26
Indispensável na prática pedagógica, pois a criança além de aprender, se socializa dando oportunidade ao educador de observar ações realizadas, possibilitando intervenções nas dificuldades. 3 20
Não tem prática. 1 7
Ajuda no desenvolvimento do paciente, deixando-o a vontade, respeitando se momento e espaço. 4 26
Memorizar com facilidade e diversão. 1 7
Excelente, mas dificulta o retorno conteudista. 1 7
Imprescindível, estabelecendo relação com a vivência. 1 7
Total 15 100

Sobre o papel do lúdico na prática psicopedagógica, houve um percentual de 26 dizendo que é muito importante para o aprendizado da criança, pois facilita a associação de palavras e frases.
Com o mesmo percentual, há quem diga que o lúdico ajuda no desenvolvimento do paciente, pois o mesmo fica mais tranqüilo ao fazer a lição, e o psicopedagogo também vai respeitando o tempo e espaço de cada criança.
Porém, houve um índice menor que pensa ser importante também, mas durante o ano é necessário seguir uma lista de conteúdo programático, portanto, não favorecendo o tempo disponível para que a criança memorize de forma divertida.
A brincadeira permite a criança criar, imaginar e representar a realidade e as experiências por ela adquiridas, pois são experiências vivenciais prazerosas.
O psicopedagogo ao valorizar as atividades lúdicas, ajuda a criança a formar um bom conceito de mundo, em que a afetividade é acolhida, a sociabilidade vivenciada, a criatividade estimulada, e os direitos da criança, respeitados.
Para Ferreiro (1989), o problema da alfabetização foi sempre uma decisão tomada somente pelos professores, sem considerar, porém, as crianças. Tradicionalmente, as investigações sobre as questões de alfabetização giram em torno de uma única pergunta: “Como ensinar a ler e escrever?”.
Segundo Poppovic (1968), “a prontidão para alfabetização significa ter um nível suficiente sob determinados aspectos para iniciar o processo da função simbólica que a leitura e a sua transposição gráfica que é a escrita” (Assunção José & coelho, 1982, p.5).
Como a escrita é uma função culturalmente mediada, a criança se desenvolve numa cultura letrada e está exposta aos diferentes usos da linguagem escrita e ao seu formato, tendo diferentes concepções a respeito desse objetivo cultural ao longo de seu desenvolvimento. A principal condição necessária para que uma criança seja capaz de compreender adequadamente o funcionamento da língua escrita, é que essa criança descubra que a língua escrita é um sistema de signos que não tem significados em si. Os signos representam outra realidade, isto é, o que se escreve, tem uma função instrumental, funcionando como suporte para a memória e a transmissão de idéias e conceitos.
Dentro do vasto programa de pesquisas do grupo de Vigotsky (1987), foi desenvolvido um estudo experimental sobre o desenvolvimento da escrita. Foi solicitado às crianças que não sabiam ler e escrever que memorizassem uma série de sentenças faladas por ele. Propositalmente, o número de sentenças era maior do que aquele que a criança conseguiria lembrar-se. Depois de ficar evidente para a criança sua dificuldade em memorizar todas as sentenças faladas, o experimentador sugeriu que ela passasse a “escrever” as sentenças, como ajuda para a memória. A partir da observação da produção de diversas crianças nessa situação, foi delineado um percurso para a pré-história da escrita. As crianças, inicialmente, imitaram o formato da escrita do adulto produzindo apenas rabiscos mecânicos sem nenhuma função instrumental, isto é, nenhuma relação com os conteúdos a serem representados. Obviamente, esse tipo de grafismo não ajudava a criança em seu processo de memorização. Ela não era capaz de utilizar sua produção escrita como suporte para a recuperação da informação a ser lembrada.
Vygotsky (1987), cita que é importante mencionar a língua escrita, como aquisição de um sistema simbólico de representação da realidade. Também contribui para esse processo o desenvolvimento dos gestos, dos desenhos e do brinquedo simbólico, pois essas são também atividades de caráter representativo, isto é, utilizam-se de signos para representar significados.
Para Froebel, a educação mais eficiente é aquela que proporciona atividades, autoexpressão e participação social às crianças. Ele afirma que a escola deve considerar a criança como atividade criadora e despertar, mediante estímulos, as suas faculdades próprias para a criação produtiva. Sendo assim, o educador deve fazer do lúdico uma arte, um instrumento para promover e facilitar a educação da criança. A melhor forma de conduzir a criança à atividade, é autoexpressão e a socialização seria através do método lúdico.
Já Dewey (1952), pensador norte-americano, afirma que o jogo faz o ambiente natural da criança, ao passo que as referências abstratas e remotas não correspondem ao interesse da criança. Em suas palavras: somente no ambiente natural da criança é que ela poderá ter um desenvolvimento seguro.
Piaget (1973), mostra claramente em suas obras que os jogos não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energia das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. Os jogos e as atividades lúdicas tornaram-se significativas à medida que a criança se desenvolve, com a livre manipulação de materiais variados, ela passa a reconstituir, reinventar as coisas, o que já exige uma adaptação mais completa. Essa adaptação só é possível, a partir do momento em que ela própria evolui internamente, transformando essas atividades lúdicas, que é o concreto da vida dela, em linguagem escrita que é o abstrato.
Se o lúdico é tão discutido por psicólogos e pensadores, não seria este o momento da escola parar e refletir também sobre a importância do lúdico (jogos e brincadeiras) para a criança? Quais os benefícios para ela? Como utilizar essas atividades lúdicas para aquisição da linguagem escrita e do conhecimento como um todo? Com o passar dos anos, a criança deixa o meio familiar e vai ao encontro de outra realidade: a escolar. Como será esta escola? O que acontecerá? Como se comporta? São questões que passam pela cabecinha desse pequeno ser que, muitas vezes, encontrará na escola o mesmo ambiente familiar. No entanto, se ela consegue uma escola comprometida com o seu desenvolvimento e que compreenda as suas necessidades de correr, brincar, jogar, de expandir-se em vez de tornar-se prisioneira por várias horas, com certeza será uma criança alegre e feliz. A escola deve aproveitar todas as manifestações de alegria da criança e canalizá-la emocionalmente através de atividades lúdicas educativas. Essas atividades lúdicas, quando bem direcionadas, trazem grandes benefícios que proporcionam saúde física, mental, social e intelectual à criança, ao adolescente, até mesmo ao adulto.


5. CONCLUSÃO 

No decorrer deste artigo, procuramos nos remeter a reflexões sobre a importância das atividades lúdicas durante a alfabetização, tendo sido possível perceber que a ludicidade é de fundamental importância para desenvolvimento global da criança, pois para ela, brincar é aprender.
É importante lembrar que o brincar precisa estar constantemente nas inquietações e reflexões dos psicopedagogos/pedagogos. É sempre muito bom que se autoavaliem perguntando: Quais os objetivos de tais brincadeiras? Como elas estão sendo apresentadas às crianças? O que queremos? As crianças estão sendo ouvidas?
Cabe ressaltar que só é possível o psicopedagogo reconhecer uma criança se nela ele reconhecer um pouco da criança que já foi e que, de certa forma, ainda existe em si. Dessa forma, o psicopedagogo conseguirá redescobrir e reconstruir em si mesmo o gosto pelo fazer lúdico, buscando em sua bagagem recente ou não, contribuições para a aprendizagem lúdica, prazerosa e significativa.
Compete ao profissional – psicopedagogo/pedagogo – proporcionar aos seus pacientes/alunos um ambiente rico em atividades lúdicas, já que estas são responsáveis por um desenvolvimento sadio e harmonioso. Quando brinca, a criança exercita sua capacidade de concentração e atenção, cria um mundo de possibilidades, de situações criadoras que a levam à autonomia, desenvolve habilidades motoras, diminui a agressividade, exercita a criatividade e aumenta a integração, promovendo, assim, o crescimento intelectual e social.
O estudo permitiu compreender que o lúdico é significativo para a criança poder conhecer, compreender e construir seus conhecimentos, ser capaz de exercer sua cidadania com autonomia e competência.
Uma lacuna observada e como psicopedagogos, deixa-nos muito preocupados, diz respeito à falta de preparo profissional no atendimento de paciente com dificuldade de alfabetização. Sendo assim, tanto a pesquisa de campo quanto o material consultado mostra a necessidade de rever e exigir uma formação acadêmica de qualidade para profissionais dessa área.
Analisando os dados coletados concluímos que a maioria dos psicopedagogos se preocupa com sua própria formação e com a qualidade de atendimento que oferecem para seus pacientes/alunos, procurando atualizar-se através de eventos ou recursos materiais.
As atividades lúdicas estão gravemente ameaçadas em nossa sociedade pela modernidade e evolução dos tempos. Portanto, cabe aos psicopedagogos, preocupados em garantir uma educação de qualidade, recuperar a ludicidade de nossos alunos. Ao brincar, não aprendemos somente conteúdos escolares, aprendemos algo sobre a vida ajudando a encontrar sentido para ela.
Propomos aos psicopedagogos/educadores transformar o lúdico em trabalho pedagógico para que experimentem, como mediadores, o verdadeiro significado da aprendizagem com desejo e prazer.

Bibliografia

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1995.
CANGLIARI, Luis Carlos. Alfabetização & Lingüística. São Paulo: Scipione, 2007.
FERNÁNDEZ, Alicia.  A Inteligência Aprisionada – abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. 1ª e 2ª ed, Porto Alegre: Artes Médicas, 1990/1991.
FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes médicas, 1997.
FREIRE. Paulo. A importância do Ato de Ler. São Paulo: Ed. Cortez, 1996.
LADIM, Leilah (Org.) et. al. Sem Fins Lucrativos: as organizações não-governamentais no Brasil. Rio de Janeiro: Iser, 1988.
MACEDO, Lino de; PETTY, Ana Lúcia Sícoli; PASSOS, Norimar Christe.  Os jogos e o lúdico na aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2005.
MARCELLINO, Nelson Carvalho. Pedagogia da Animação. São Paulo: papiros, 1990.
PIAGET, Jean. A formação do Símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
POPPOVIC, A. M. Alfabetização: disfunções psiconeurológicas. São Paulo: Vetor, 1968.
ROSAMILHA, Nelson. Psicologia do jogo e aprendizagem infantil. São Paulo: Pioneira, 1979.
SANTOS, Santa Marli Pires dos. Brinquedo e infância: um guia para pais e educadores.  Rio de Janeiro: Vozes, 1999.
SNEYDERS, George. Alunos Felizes. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins, 1984.
WAJSHOP, Gisela. Brincar na Pré-Escola. São Paulo: Cortez, 1995.
WEISS, Maria Lucia Lemme. Psicopedagogia Clínica – Uma visão Diagnóstica dos problemas de Aprendizagem Escolar.  Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.
WINNICOTT, D. W.  O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

Publicado em 27/01/2010

Currículo(s) do(s) autor(es)

Gláucia Lúcia da Silva Leite e Eunice Barros Ferreira Bertoso - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) - Gláucia Lúcia Da Silva Leite: discente, UNASP. E-mail: avlis_gl@yahoo.com.br
Eunice Barros Ferreira Bertoso: Mestre, Docente, Orientadora, UNASP.