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COMO LIDAR COM A INDECISÃO NA ESCOLHA DA PROFISSÃO?
Maria Flávia Ferreira |
A orientação profissional muitas vezes evita perda de tempo, uma vez que, muitas pessoas têm que recomeçar o percurso profissional, em função de uma escolha mal feita. A decisão (ou indecisão?) sobre qual profissão escolher, nos dias de hoje, também se deve ao fato da diversidade de opções?
A diversidade parece confundir ainda mais, mas o momento da escolha é sempre muito difícil pelas características da própria escolha, o adolescente precisa optar não só pela profissão que terá, mas por quem ele quer ser, qual o estilo de vida que ele quer levar, isto em um momento em que ele não sabe nem quem ele é.....ou seja, para complicar ainda mais, já é sabido que este momento é determinado por intensos conflitos de identidade.
Qual a influência do mercado de trabalho?
Para que uma decisão seja a melhor possível, é necessário também se levar em conta o mercado de trabalho atual, além de outros fatores determinantes. O mercado atual oferece muitas possibilidades, e é preciso que o profissional atenda à demanda desse mercado para que possa manter sua “empregabilidade”.
A preocupação com a escolha assertiva da profissão, que lhes traga a melhor remuneração no futuro, é importante?
Sim, mas a escolha tem que trazer realização pessoal também, não adianta escolher uma profissão que garanta alta remuneração mas que seja um sacrifício exercê-la. Não se pode esquecer que atuamos profissionalmente no mínimo 5 vezes por semana, numa média de oito horas diárias por muitos anos.
Alguns nascem com uma vocação clara, outros não conseguem saber que caminho seguir. Qual a importância da família neste momento da vida do jovem?
A idéia de que nascemos prontos, predestinados é errônea. Nascemos com alguns determinantes genéticos que podem facilitar o exercício de uma determinada profissão, porém, se o ambiente não proporcionar ao indivíduo a oportunidade, talvez esse sujeito nunca chegue a exercer determinada função. Portanto, a família tem um papel fundamental no sentido de captar os interesses e habilidades do filho e proporcionar a ele experiências diversas a fim de facilitar o encontro do sujeito com uma atividade que lhe seja prazerosa e mais fácil de exercer.
O que os jovens devem levar em conta na hora da escolha?
O jovem deve ter um nível de auto conhecimento, bom o bastante que o permita responder sobre o que gosta de fazer, quais suas habilidades, o que espera do futuro, além de estar a par da situação do mercado atual.
Em qual momento deve-se buscar um serviço de orientação profissional?
No momento em a escolha for razão de preocupação para ele, ou idealmente falando, no 2º semestre do 2º ano do ensino médio ou no 1º semestre do 3º ano do ensino médio. Isto, se a escolha for para uma faculdade, mas há orientação vocacional e profissional para curso de nível técnico, assim como no final da faculdade para a escolha de que área seguir dentro da profissão escolhida. Há o serviço também para pessoas que já são formadas e que já trabalham mas estão pretendendo mudar de área.
Qual a importância da orientação profissional?
A orientação profissional muitas vezes evita perda de tempo, uma vez que, muitas pessoas têm que recomeçar o percurso profissional, em função de uma escolha mal feita. Ela evita desvios, e deixa o sujeito mais feliz e menos angustiado com a questão da escolha e do futuro profissional.
Em sua experiência profissional, qual tipo de orientação profissional é mais eficaz, individualmente ou em grupo ?
Depende da possibilidade do adolescente e da instituição, mas as duas formas são eficazes. O adolescente funciona muito bem em grupo, porém, alguns, por insegurança, timidez, ou outros motivos, prefere o atendimento individual. Em minha experiência como supervisora do serviço de orientação profissional da UNISA (Universidade de Santo Amaro), percebo que o adolescente resiste num primeiro momento ao trabalho em grupo, quando o grupo oferecido não é conhecido por ele, mas acaba por se entrosar e trabalhar muito bem. Em meu consultório particular, às vezes, o adolescente traz o grupo pronto, um grupo do colégio, do clube, do prédio, etc, sentindo-se assim mais seguros para o trabalho. Quando notamos que não há possibilidade do trabalho em grupo, fazemos a orientação individualmente.Também recebemos os pais quando necessário, por vezes, percebemos que muitos deles ficam muito mais ansiosos, que seus filhos. Em uma palestra que ofereci ao Hospital Albert Einstein para os filhos dos funcionários, muitos pais apareceram para assistir e darem uma espiada no que é que iria acontecer com seus filhos, dando muitas vezes a impressão de que a escolha era deles.
E se houver erro na escolha da profissão, qual caminho deve o jovem percorrer?
Não adianta ficar lamentando ou ter medo de mudar, se perceber que fez a escolha errada, é melhor o quanto antes redirecionar sua escolha procurando um profissional competente que o auxilie.
Como lidar com os sentimentos de insegurança, incapacidade e frustração pelos anos perdidos?
Se esses sentimentos tomarem grandes proporções para vida do indivíduo, nada melhor que uma boa ajuda terapêutica.
Para que o adolescente possa ter uma visão mais clara a respeito das diversas profissões, seria interessante incluir no currículo escolar a orientação?
As escolas até procuram proporcionar esse serviço para seus alunos, mas o trabalho da escola é limitado, uma vez que seu papel é informar o aluno. Isto não basta para mobilizar o jovem sobre a importância de uma escolha bem feita, pois é necessário também um trabalho pessoal, interno do indivíduo que não depende da escola. Aí entra o profissional qualificado que pode detectar os entraves do sujeito com relação a uma escolha. Publicado em 05/08/2004 17:24:00
Maria Flávia Ferreira - Psicóloga, Psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae, Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP, Professora de Psicologia do Desenvolvimento e Supervisora de Orientação Vocacional e Psicoterapia da UNISA-SP., Supervisora de Psicodiagnóstico da UNI-A. CRP - 06/17127
Lemos,C. e Ferreira, M.F.– Geração Zapping e Escolha Profissional. Em Orientação Vocacional: Algumas Reflexões teóricas, técnicas e práticas , Vetor, S.P., 2004 (no prelo).
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