Para imprimir este artigo sem cortes clique no ícone da impressora >>>
 
 

AVALIAÇÃO ESCOLAR DO DESENHO INFANTIL: APRESENTAÇÃO DE UM INSTRUMENTO

Mônica Cintrão


De 09 a 11 de Julho acontecerá na UNIP o 8° Congresso Brasileiro de Psicopedagogia em São Paulo, o tema de sua palestra será “Avaliação escolar do desenho infantil: apresentação de um instrumento". Qual a importância do desenho infantil como recurso pedagógico?
O desenho é uma das formas humanas de representação do pensamento, por isso por meio da grafia a criança pode apresentar a forma como pensa o mundo, a maneira como esse processo se dá e indicar dificuldades na área da cognição.

O desenho é importante para o desenvolvimento infantil?
O desenho é uma das manifestações do desenvolvimento da criança, ao lado da afetividade, pensamento e motricidade. Entender como a criança desenha permite entender como se dá seu desenvolvimento global.

Sabemos que o educador deve ter sensibilidade mediante uma produção artística infantil. Como sensibilizá-los?
Na medida em que o professor compreende que o desenho não é apenas uma manifestação criadora da criança. Por meio do estudo e da leitura do desenho o professor pode compreender todo o processo de desenvolvimento do grafismo e seu olhar passa a ser outro em relação à produção artística infantil.

Qual a importância de conhecer as transformações do desenho infantil, as etapas do grafismo?
O aprendizado do desenvolvimento do grafismo possibilita ao professor uma ‘alfabetização’ em relação ao desenho da criança. Permite a leitura de indicadores no desenho que mostram a maneira como esse desenho evolui (ou não) e os procedimentos de intervenção que podem ser elaborados como auxílio.

Que intervenções podem fazer os docentes a partir dos desenhos?
Após avaliar a produção gráfica dos alunos, o professor pode criar alguns procedimentos de intervenção que possibilitem o desenvolvimento do desenho dos alunos. Entre várias propostas está o desenho com interferência.

Quando ocorre o “empobrecimento do grafismo”?
Autores como Luquet e Lowenfeld indicam que o empobrecimento do desenho ocorre pela falta de compreensão dos adultos (pais e professores) em relação às fases do grafismo e procedimentos equivocados de intervenção nesse grafismo. Ora as propostas pedagógicas nessa área visam o treino de habilidades motoras em exercícios de cópia e pintura em ilustrações, ora são livres sem qualquer intervenção do professor. Isso leva a produções estereotipadas a partir dos nove/dez anos até a vida adulta.

Quais são as perdas para o indivíduo quando isso ocorre?
O sujeito perde a possibilidade de expressar seu pensamento via desenho. Além disso, a escola valoriza mais a representação escrita (alfabetização) do que a representação gráfica. Na escola a hora do desenho é sempre mais livre, sem uma proposta referendada e quando há um projeto pedagógico pode tornar-se excessivamente diretivo, prejudicando da mesma forma.
 
O educador é somente um facilitador do processo ou ele poderá colaborar ainda mais?
O professor que compreende o desenho como uma expressão do pensamento da criança poderá construir um projeto de trabalho nessa área, associado a outros projetos, possibilitando o desenvolvimento não apenas artístico mais também do pensamento da criança. Haverá, com certeza, um ganho muito grande.

Como você vê essa questão nas escolas brasileiras?
Ainda há professores que desconhecem o grafismo infantil nessa perspectiva e pretendo no congresso auxiliar no desenvolvimento desse olhar e no trabalho nessa área.

Que mensagem deixa aos congressistas, participantes e a todos os psicopedagogos?
Tenho desenvolvido trabalhos em escolas, especialmente em comunidades carentes e encontrado uma situação bastante alarmante. Nosso papel é muito importante e espero, neste congresso, que possamos refletir juntos sobre isso e construir procedimentos psicopedagógicos que possibilitem um trabalho de maior transformação social. Ajudar nossos alunos a refletir sobre estas questões e utilizar o desenho como fonte de representação dessas idéias pode ser um caminho.

Publicado em 18/06/2009 11:07:00


Mônica Cintrão - Doutorado e Mestrado em Psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; Graduação em Psicologia e Especialização em Psicopedagogia. Na Universidade Paulista – Unip/SP desempenha as funções de Professora Titular e Líder de disciplinas nos cursos de Psicologia e Pedagogia, Professora pesquisadora e Assessora técnico-científica em pesquisas docentes, Professora Orientadora de Iniciação Científica, Líder do Grupo de Pesquisa certificado pelo CNPQ em 2008: ‘Psicologia e Saúde’, Professora no curso EAD de Graduação em Pedagogia e Professora no curso de pós-graduação em Formação do Professor para Educação Superior. No Instituto Nacional de Pós-Graduação – INPG é professora da disciplina ‘Psicopedagogia e Arte-Educação’ no curso de especialização em Psicopedagogia.

Dê sua opinião:

Clique aqui: Normas para Publicação de Artigos