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PARA ENTENDER PSICOPEDAGOGIA: PERSPECTIVAS ATUAIS, DESAFIOS FUTUROS

João Beauclair


Novo livro de João Beauclair, colaborador de nosso site, que será lançado no stand da Editora WAK Livros, do Rio de Janeiro

Lançamento do livro no VII Congresso Brasileiro de Psicopedagogia promovido pela ABPp-Associação Brasileira de Psicopedagogia, que acontecerá entre os dias 12 e 15 de outubro próximo.

A primeira pergunta, Professor João Beauclair: o que motivou a escolha de um título tão diferenciado: Para entender Psicopedagogia: perspectivas atuais, desafios futuros?Primeiro, agradeço a oportunidade desta entrevista, caríssima Maria Alice. Tenho imenso carinho pelo site www.psicopedagogia.com.br , sob sua direção e coordenação há tanto tempo e referência brasileira e latino-americana em Psicopedagogia, Educação e Saúde. Sempre falo sobre este site em palestras e congressos, recomendando para todas as minhas alunas e alunos, pois, além disso, sempre fui muito bem acolhido por este virtual espaço, que tanto aproxima pessoas interessadas nos temas de nossa cotidianidade.  A escolha deste título Para entender Psicopedagogia: perspectivas atuais, desafios futuros, inicialmente se deu pelo desejo de fazer uma revisão, a meu ver necessária, nos próprios conceitos que existem sobre o que pode ser percebido como Psicopedagogia hoje. Depois, diante das minhas experiências neste campo do saber humano, como mediador em cursos de formação pessoal em Psicopedagogia e pesquisador interessado na temática vinculada à própria formação de psicopedagogos no Brasil, me propus a elaborar um conjunto de idéias sobre algumas das principais perspectivas atuais da ação e do trabalho psicopedagógico. Por isso, este título.

Como você percebe essas perspectivas atuais no campo da Psicopedagogia?
A Psicopedagogia e seus desdobramentos conceituais podem ser vistos, na atualidade, como um movimento de novas buscas e conhecimentos.  O mundo está se constituindo, a cada novo dia, como “espaçotempo” de aprendizagem e de informação. Vivemos na sociedade da informação e o maior desafio é compreender esta sociedade, este nosso tempo, este nosso espaço. Entretanto, informação em excesso não significa conhecimento, muito menos sabedoria. Vivemos hoje na complexa gama de relações que estabelecemos com os outros e com os conteúdos do mundo, de um modo acelerado, rápido demais, hiperativo por assim dizer. Somos uma sociedade que está cada vez mais distante da calma, da mansidão, da quietude, da doçura, da ternura e da afabilidade. Este contexto contemporâneo instaura um movimento de revisão, de mudança de paradigmas. As perspectivas atuais do nosso trabalho psicopedagógico, entre várias outras questões, talvez possam estar focadas nisso: mostrar outras possibilidades de viver, diferentes das estabelecidas, das que emergem no cotidiano como tarefas que não podemos de deixar de fazer. Aprender a aprender é tarefa essencial, mas muitos não aprendem, sofrem o fracasso nesta humana ação e, com isso, dificuldades de aprendizagem e exclusão social tornam-se resultados do processo educacional como um todo, o que de fato não é a sua missão.

Como a Psicopedagogia, então, pode contribuir para estas questões?
A Psicopedagogia cria, a partir de sua articulação de saberes, espaços para que o aprender seja movimento vivencial compartilhado, articulado com o tempo, oportunidade única de emancipação humana. Neste sentido, a práxis psicopedagógica é ampla, plural, dinâmica e interdisciplinar e na atualidade nossa maior crença é a de que nossas ações neste campo do saber possam ser contribuições relevantes para a ressignificação dos nossos atos cotidianos e para validação dos nossos movimentos enquanto sujeitos desejantes e carregados de subjetividade. Contribuir para a superação do não-aprender e para a liberação do espaço desiderativo do aprender presente em todos, mas adormecidos em muitos, é desafio essencial. A demanda para os serviços no campo da Psicopedagogia é grande e muitas são as contribuições já bem sucedidas. E nesta questão, a formação em Psicopedagogia ganha importante papel, pois é uma outra profissão, e muitos são os desafios a serem enfrentados até chegarmos a regulamentação do nosso fazer.

Cite como exemplo, alguns desses desafios?
A busca pela qualidade nos cursos de Psicopedagogia, por exemplo, é um desafio imenso, talvez o maior a ser enfrentado. Preocupa-me sobremaneira a expansão desenfreada de cursos de pós-graduação lato-sensu pelo país, sem organização e estruturação curricular possibilitadora de vivências significativas no campo das diferentes modalidades de aprendizagem. Formação teórica e metodológica significativa, espaços de reflexão estruturados em metodologias dialógicas e vivências com psicopedagogos experientes fazem parte de nossas inserções no campo psicopedagógico e, por isso, a formação de psicopedagogos é uma questão séria a ser debatida com maior ênfase entre nós, para que este trabalho seja feito da melhor maneira possível. A Psicopedagogia deve ser vista, cada vez mais, como uma nova profissão, que exige formação adequada para o tempo presente e o enfrentamento das múltiplas tarefas que surgem no campo do ensinar e do aprender no século XXI.  E sem as devidas vivências necessárias no processo de formação inicial em Psicopedagogia, principalmente no que se refere aos conteúdos importantes neste movimento, fica complexo pensar nas ações vindouras dos que passam por formações inadequadas.

Por isso sua afirmação de que “vivenciar Psicopedagogia é um estado de ser e estar sempre em formação”?
Exatamente. As relações interpessoais, os espaços institucionais, as devidas supervisões no trabalho psicopedagógico, a participação em cursos, simpósios, grupos de estudos, congressos, eventos educacionais e produção acadêmica devem coexistir, fomentando a continuidade da formação inicial. Como psicopedagogos, sabemos que nossa formação é permanente e continuada e, por isso espaços abertos devem ser construídos para a permanente e dinâmica busca pela competência e profissionalidade.

Como ocorre sua produção em Psicopedagogia, com textos, artigos, livros, cursos e congressos? De que modo você alia pesquisa, ação docente na formação de psicopedagogos e produção acadêmica neste campo do conhecimento? 
A partir do desejo da sistematização. Acredito que nosso trabalho em Psicopedagogia necessita, cada vez mais, de sistematização, de busca de maneiras diversas de exercitarmos nossas autorias de pensamento, modo capaz de fazer com que nossas subjetividades encontrem espaços de intercâmbio, de interação que possam gerar a necessária intersubjetividade, espaço de expansão de nossas consciências e de encontros com outros eus. Estudar muito, ler, escrever, trocar idéias, fazer parte de grupos de discussão e estar participando ativamente do meu/nosso tempo é um interessante modo de ser e estar no mundo, cada vez mais carente de comunhão.  Escrevo para compartilhar as histórias que vivencio, para buscar sentido ao meu fazer. Minha práxis como formador utilizando a MOP - Metodologia de Oficinas Psicopedagógicas, que venho sistematizando ao longo de minha carreira e pesquisas na área educacional e psicopedagógica, me estimula demasiadamente. É um rico processo, onde na tarefa de ordenar idéias do que vivenciei e vivencio como psicopedagogo formador de outras pessoas interessadas em Psicopedagogia, possibilita tal produção. Isso sem falar na paixão que move todo este fazer, pois enquanto sujeito desejante, não percebo minha vida fazendo outras coisas que sejam diferentes destas: o lidar com pessoas em espaços de mediação de aprendizagem sempre foi um grande prazer para mim, desde o início de minha carreira como educador, que perpassou por experiências na educação infantil, na animação cultural, na escola básica, em cursos de capacitação, de graduação, enfim, toda a trajetória que carrego em minha história pessoal como ensinante e aprendente, como aprendente e ensinante.       

E suas perspectivas futuras de todo este trabalho no campo psicopedagógico? Onde residem?
Boa pergunta. Desafiadora. A meu ver residem nos processos de pensamento, ação e reflexão que levem ao agir para a mudança, para a coragem e ousadia de inovar sempre, buscando novos caminhos, encontrando outras possibilidades de fazer, construindo espaços para a vivência e convivência humanas magníficas que o ato de ensinar e aprender possibilita. Os espaços sociais, a escola, a empresa, a clínica psicopedagógica, as instituições, enfim, os grupos humanos, podem re-criar a vida, que de acordo com Cecília Meireles “só é possível reinventada”. Reinventar a vida a partir da aprendizagem é uma boa expectativa e excelente perspectiva ao olharmos para o futuro.

Sobre sua participação no congresso e o lançamento do livro no congresso, o que mais você gostaria de falar?
Estou com uma alegre expectativa, de rever amigas e amigos, de fazer novos contatos, conhecer pessoas interessantes que estão neste mesmo movimento de agir, pensar e fazer Psicopedagogia de modo sério, pulsante, prazeroso. Além de estar presente todos os dias no congresso, aprendendo com outros ensinantes, no evento, eu e minha querida amiga Dulce Consuelo iremos participar de uma apresentação nos Temas Livres, com uma construção nossa sobre “Subjetividade e Objetividade: O Corpo e o Olhar desvelando a Trama do Ser e do Saber Humano”, desejosos de compartilhar nossas apreensões por estarmos envolvidos no trabalho de formação de psicopedagogos e em cursos de formação inicial e continuada de educadores. E no stand da Editora WAK, teremos o lançamento nacional deste meu novo livro, “Para entender Psicopedagogia: perspectivas atuais, desafios futuros”, um privilégio para mim enquanto escritor. Agradeço ao meu editor, Pedro, por sempre acreditar e estimular todo o meu trabalho e todos de sua equipe, que sempre me acolhem com carinho. E, claro, não posso deixar de te agradecer, Maria Alice, por tudo e por esta nova oportunidade gerada pelo seu carinho, de poder estar, mais uma vez, divulgando aqui todo o meu trabalho. Muitíssimo obrigado!                                  

Caso nossos leitores desejem fazer contatos para cursos e eventos? 
Por e-mail sereviverconsultorias@yahoo.com.br ou joaobeauclair@yahoo.com.br
Aproveito para divulgar minha nova página na rede: www.profjoaobeauclair.net 

Publicado em 27/09/2006 12:49:00


João Beauclair - Doutorando em Intervenção Psicossocioeducativa pela Universidade de Vigo,Campus de Ourense, Galícia Espanha. Palestrante e Conferencista Internacional. Autor de vários livros sobre Educação e Psicopedagogia; Professor convidado por diversas instituições ministrar cursos de Pós-graduação em Educação e Psicopedagogia em diferentes regiões do Brasil; Escritor, Arte-educador,  Psicopedagogo, Mestre em Educação.
homepage: http://www.profjoaobeauclair.net

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