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ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO:...

Catarina Gonçalves

como fica o trabalho com linguagem diante desses dois processos?

Pra pensar o ensino de língua portuguesa na atualidade...

As questões sobre o ensino aprendizagem da língua portuguesa hoje, parece ser um assunto bastante em evidência. Pesquisar, refletir e buscar entender o processo pelo qual se desenvolve a alfabetização vem sendo uma atividade constante entre pesquisadores, pedagogos, lingüistas, psicólogos e etc. Essas investigações vêm priorizando, sobre tudo, os progressos teóricos e metodológicos sofrido por esse fenômeno do saber ler e escrever.

O conceito de alfabetização vem sendo questionado, analisado e, até mesmo, negado nos últimos tempos. Essas modificações ocorrem em função da necessidade que a sociedade impõe aos sujeitos sobre o domínio da leitura e da escrita, o que vem a questionar se um indivíduo é ou não é alfabetizado, ampliando esse adjetivo para a pessoa que é capaz de transgredir a capacidade de codificar e decodificar.

Essas mudanças sociais trazem para o âmbito acadêmico alteração, ampliação, além de inclusão de significados em determinados conceitos. Discorrer sobre o processo de alfabetização escolar como um todo e analisar os conceitos da alfabetização, suas possibilidades e limites, numa perspectiva crítica, parece ser fundamental para a compreensão e adequação “do ensino de português” nas escolas.

Atualmente várias defesas estão ocorrendo em torno do trabalho com linguagem. Dentre os paradigmas aceitos nesse em sala de aula, há aquele que enfatiza uma reflexão contínua do aluno sobre os materiais escritos. Dentro desta perspectiva, uma denominação que está sendo bastante usada, é a do Letramento. As discussões acerca do Letramento surgem no meio acadêmico brasileiro num contexto de reflexões sobre a importância das habilidades necessárias para o uso competente da leitura e da escrita, habilidades estas que estariam para além do simplesmente saber ler e escrever.

Essa proposta de mudança ocorre em virtude da contemporaneidade exigir novas competências dos cidadãos em relação aos usos da leitura e escrita. É fato que o índice de alfabetização aumentou bastante nos últimos anos, mas é fato também que, para a plena participação social do indivíduo, exige-se domínio da língua, pois é por meio dela que podemos expressar sentimentos, opiniões, idéias, experiências, etc. Através da língua, interagimos com a sociedade para compreendê-la, recriando-a, tornando-nos seres ativos, pois o ato de saber se expressar faz parte das competências socialmente exigidas para o exercício da cidadania, e assim como MARCUSCHI apud DIONÍZIO (2001, p. 26), acreditamos que a língua é a grande ferramenta diária da qual ninguém poderá abdicar durante toda a sua vida, venha ele a fazer seja lá o que for.  Assim, o sujeito hoje precisa ser crítico e atuante, o que requer que ele tenha domínio da língua escrita, esta, sendo vista como algo além de um sistema de códigos, mas como um sistema que possibilite uma atuação dinâmica e capaz de ser transformadora da realidade.

Nesse contexto a literatura atual vem trazendo novas discussões acerca da aquisição eficiente da leitura e da escrita. Hoje o domínio dessas duas habilidades é visto como um processo complexo que envolve tanto o domínio do sistema de escrita alfabética como o uso competente da língua escrita em práticas sociais diversificadas.

Além da literatura, documentos oficiais, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs 1997), também está contemplando a perspectiva do Letramento. 

Nos PCN 1997 (p.08) encontramos que para o trabalho com a linguagem, “cabe à escola viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente, ensinar a produzi-los e a interpretá-los. Isso inclui os textos das diferentes disciplinas, com os quais o aluno se defronta sistematicamente no cotidiano escolar e que, mesmo assim, não consegue manejar, pois não há um trabalho planejado com essa finalidade”. Assim, percebe-se que as recomendações para o trabalho com linguagem escrita em sala de aula, deve-se proporcionar situações de aprendizagem e reflexão sobre a língua. Nessas atividades, devem ser trabalhados variados textos, dando a possibilidade do aluno compreender os diferentes usos, refletir sobre a variedade de recursos que a língua oferece para que se alcance diferentes finalidades comunicativas, além de possibilitarem aquisição do Sistema de Escrita Alfabética (SEA).

 

DOMÍNIO DA LEITURA E DA ESCRITA: CAMINHOS DO PASSADO AO PRESENTE

Durante muito tempo, no âmbito educacional, circulou a crença de que para ser alfabetizado, bastava ao indivíduo apropriar-se do sistema de escrita, conhecendo os grafemas e os seus respectivos fonemas. Os Censos realizados até os anos 40, tinham como critério a afirmação do indivíduo quanto ao fato de ser ou não alfabetizado, que era confirmada a partir da assinatura do próprio nome.

Nas escolas o ensino de português era voltado para a aprendizagem dos códigos que possibilitavam a capacidade de ler, ou melhor, decodificar. A interação com textos em sala de aula era limitada, e os materiais escritos que circulavam no espaço escolar eram textos graduados, produzidos com um objetivo muito específico: Ensinar a ler e escrever.

A partir dos anos 50 até o último Censo (2000) uma nova realidade começou a ser demandada. O critério para identificar indivíduos alfabetizados passou a ser ler e escrever um bilhete simples. A partir de então o cidadão deveria saber usar a leitura e a escrita para exercer uma prática social em que a escrita é necessária, o que indica mudanças na expectativa social em termos da funcionalidade da leitura e escrita, não apenas para o indivíduo alfabetizado, mas para a sociedade como um todo.

Nas escolas, não houve modificação na mesma época. Apenas em torno dos anos 80, influenciada pelas pesquisas construtivistas, sócio-construtivistas e psicolingüísticas.

Nos últimos anos, novas pesquisas vem sendo realizadas 1, tomando como base os anos de escolaridades dos sujeitos, o que pressupõe que o domínio da escrita exige habilidades para além do apenas ser capaz de ler e escrever bilhetes simples.  O que requer portanto, que a escola prepare os indivíduos para a superação dessa capacidade.

Dentro dessa nova perspectiva muitas discussões surgem para defender a aprendizagem da escrita alfabética associada à relação que os sujeitos têm com esse objeto de conhecimento. No Brasil há uma tendência a se valorizar a função social da língua, diferente da questão de aquisição do sistema. A esse processo chamamos de: LETRAMENTO.

O vocábulo letramento passou a ser utilizado no Brasil, mais ou menos em meados dos anos 80, mas já está incluído em boa parte das discussões acerca das novas perspectivas de ensino do sistema alfabético.  É uma tradução para o português da palavra inglesa literacy.

Literacy quer dizer capacidade de ler e escrever. Nessa língua o termo é utilizado como sinônimo de alfabetização e habilidade de se inserir em práticas sociais de leitura e escrita.

Nesse estudo o termo Letramento, não é utilizado como sinônimo de alfabetização. Em países desenvolvidos, onde o índice de analfabetismo é praticamente inexistente, é possível utilizar um único termo para a capacidade de ler e escrever e se inserir em práticas sociais de leitura e escrita. Contudo, No Brasil, onde o analfabetismo ainda atinge uma parcela significativa da população, a utilização de um único termo poderia se tornar ambígua, uma vez que “podemos falar em analfabeto que lê e escreve e pessoas alfabetizadas, que dominam o sistema de escrita alfabética, mas que são incapazes de produzir textos em situações específicas”. (MORAIS e ALBUQUERQUE, 2004:2)

A partir dessa realidade brasileira, seria incoerente chamar de analfabeto, pessoas capazes de produzir e interagir com textos em situações específicas, o que leva a uma necessidade de utilização dos vocábulos Alfabetização para o domínio do sistema de escrita alfabética, e Letramento para o exercício de práticas de leitura e escrita. É importante ressaltar que não se pretende nesse estudo afirmar que Letramento e Alfabetização são práticas distanciadas, mas que no Brasil, diferente dos países desenvolvidos, o vocábulo Letramento não substitui o termo Alfabetização, mas sim são termos complementares e que tem sentido da forma como a cultura letrada se realiza no Brasil.

Essa discussão em torno da Alfabetização e do Letramento, tem suscitado uma série de polêmicas e equívocos. Pode-se dizer que a causa desses equívocos é uma incompreensão do que venha a ser, efetivamente, o Letramento, uma vez que “no Brasil os conceitos de Alfabetização e Letramento se mesclam, superpõem e, freqüentemente se confundem”, o que leva a perda das especificidades de cada um dos dois processos. (Soares).

 

MAS AFINAL, O QUE DISTINGUE LETRAMENTO DE ALFABETIZAÇÃO?

Alguns teóricos não fazem distinção conceitual entre Alfabetização e Letramento, embora apontem para práticas de alfabetização inseridas em práticas sociais de leitura. Ferreiro afirma que:

Há algum tempo, descobriram no Brasil que se podia usar a expressão Letramento. E o que aconteceu com a Alfabetização? Virou sinônimo de decodificação. Letramento passou a ser o estar em contato com distintos tipos de texto, o compreender o que se lê.(...) Letramento no lugar de Alfabetização tudo bem. A coexistência dos dois termos é que não funciona. (2003: 30)

A referida autora, ao fazer essa afirmação, não pretende reduzir a Alfabetização, ao contrario. Ao negar a coexistência dos dois termos Ferreiro preocupa-se com o reducionismo que pode ser dado a alfabetização, uma vez que se não tem função social, reduzi-se a codificação e decodificação. Para Ferreiro “a escrita pode ser entendida em função de três variáveis: das formas, da denotação dessas formas e dos contextos em que são usadas” o que leva a perceber que, embora não utilize o vocábulo Letramento, compreende a processo da Alfabetização em práticas de Letramento.

Dentre os teóricos que não citam a palavra Letramento, porém o defendem, mesmo que de forma implícita, em suas práticas de Alfabetização, citamos Freire, que em seus estudos atribuía à Alfabetização a capacidade do indivíduo organizar criticamente o seu pensamento, desenvolver consciência critica, e introduzir-se num processo real de democratização da cultura e de libertação. (Freire, 1996).

Outros teóricos preferem, no entanto, distinguir esses dois termos, apontando suas especificidades e limites. Como afirma Ribeiro (2004), o termo letramento, está bastante disseminado no ambiente acadêmico brasileiro e também entre os educadores; entretanto ainda é desconhecido pela maior parte da população.

Sua aceitação e a delimitação de seu sentido ainda não são unânimes o que torna, nesse momento, fundamental ressaltar que é preciso além de valorizar o letramento como elemento fundamental nas práticas docentes, conceituar o que venha a ser essa prática neste estudo, pois como afirma André (2001: 58) termos como este, “que podem ser usados para propósitos tão variados, correm o risco de esvaziarem-se, banalizando a própria idéia”, pois algo que serve para tudo pode não servir para nada.

Embora haja no âmbito acadêmico um esforço no sentido de não utilizar termos específicos para propósitos diversificados, é importante apontar as variadas concepções acerca do Letramento, por ser ainda um conceito em construção, existindo usos distintos, o que requer um levantamento e explicitação desse termo.

Kleiman (1995) define Letramento como um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para objetivos específicos.

Para Soares (2003. a), Letramento é o estado ou condição em que vive o indivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive. No que se refere ao termo Alfabetização a autora afirma que é o ato de saber ler e escrever. Em outro estudo, (Soares 2004), complementa a conceituação de Letramento definindo-o como exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita. 

Na perspectiva de Tfouni (1995: 9), a “Alfabetização refere-se à aquisição da escrita, já o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade”.

Britto (2004) chama a atenção para a necessidade de não apenas conceituar, mas também delimitar o conceito de Letramento, percebendo seus usos e suas especificidades:

(...) diferentemente de alfabetização, cujo sentido mais freqüente está associado ao ensino-aprendizagem do sistema de escrita (que, no caso das línguas ocidentais, é alfabético), letramento remeteria para um movimento mais geral, que se relaciona com a percepção da ordem escrita, de seus usos e objetos, bem como de ações que uma pessoa ou um grupo de pessoas faz com base em conhecimentos e artefatos da cultura escrita. Sendo assim a noção de alfabetizado implica uma condição do tipo tudo ou nada, a de letramento (ou de alfabetismo2) sugere uma multiplicidade de níveis e graus, em função do quanto o indivíduo realiza com seus conhecimentos de escrita. (2004:53)

 

O apontamento feito por Brito é também discutido por Tfouni, quando a autora afirma que Alfabetização e Letramento são processos interligados, porém separados enquanto abrangência e natureza. Além de diferenciar os dois fenômenos a autora chama a atenção para a importância dessa consciência pois:

Desse modo estaremos evitando as classificações preconceituosas decorrentes da aplicação das categorias “letrado” e “iletrado”, bem como a confusão que usualmente se faz com essas categorias e respectivamente “alfabetizado” e “não-alfabetizado. Estaremos ainda separando o fenômeno do letramento do processo de escolarização, que comumente acompanha o processo de alfabetização” (Tfouni 1995:25)

 Soares ratifica o que é afirmado por Tfouni, afirmando que Letramento e Alfabetização são conceitos que, embora sejam indissociáveis, são distintos. Para Soares (2003. b), essa distinção e a clareza da especificidade de cada um desses conceitos é de suma importância, uma vez que afirma que no âmbito educacional brasileiro vem ocorrendo uma falsa compreensão dos mesmos, acarretando altos índices de fracasso escolar na aquisição da leitura e escrita.

Para Soares esse fato deve-se, sobretudo, a “desinvenção” da Alfabetização que vem acontecendo nas escolas, em função da “invenção” do Letramento. As escolas, com a chegada das discussões acerca do letramento, deixaram de trabalhar as questões relacionadas a Alfabetização, contemplando apenas trabalhos com gêneros textuais. Os professores começaram a conceber que os educandos se alfabetizariam apenas pelo contato com os textos que circulam na sociedade, sem que para isso fosse mais preciso trabalhar de forma sistemática o sistema de escrita alfabética.  No meio dessa confusão, Soares afirma que esses dois processos, embora sejam indissociáveis, perderam suas especificidades, gerando então o fracasso na aprendizagem de ambos. É preciso clareza de que a aquisição e domínio da linguagem escrita ocorrem quando o sujeito domina as técnicas da escrita alfabética, ou seja, a alfabetização, e o uso social da mesma, o letramento.

 

ENTÃO LETRAMENTO SERIA A MESMA COISA QUE ALFABETIZAÇÃO?

Embora não haja um consenso entre os acadêmicos sobre a discussão em foco, além de não haver a utilização desses dois termos em países desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos, nesse estudo consideramos ser de suma importância a distinção entre os dois termos, que embora sejam indissociáveis e interligados entre si, possuem suas especificidades, limites e possibilidades.

 

E O LETRAMENTO E A ALFABETIZAÇÃO... COMO ESTÃO SENDO CONTEMPLADOS NAS SALAS DE AULA?

Diante de tantas interrogações e variadas interpretações sobre esses dois conceitos, é necessário ser feita uma reflexão no âmbito educacional: que caminho deve ser trilhado no percurso da alfabetização? Como é possível que um tema tão discutido no cenário educacional ainda levante dúvidas entre educadores?

Nos espaços escolares as práticas de aquisição da leitura e da escrita precisam se desenvolver através de duas vias: a técnica (que podemos chamá-la de alfabetização), e o uso social da língua (que nomeamos de Letramento). Porém, como afirma Galvão e Leal (2005: 14) “a escola tem desenvolvido práticas de alfabetização que se estruturam com base em uma lógica linear e seqüencial, segundo a qual só se passa a aprender uma coisa ao se aprender outra. Primeiro se aprende a ler e escrever, depois é que se aprende seus usos por práticas sociais. Ou então, ao revés, as práticas alfabetizadoras mergulham direto nos usos, esquecendo-se de considerar as especificidades do processo de apropriação do SEA”.

Modificar, de fato, as práticas pedagógicas em sala de aula vem sendo o grande desafio para a efetivação de uma alfabetização de qualidade.  Enquanto na Literatura essa discussão vem se desenvolvendo bastante, em sala de aula os resultados encontrados ainda não são tão estimulantes. Em se tratando de concepções e práticas acerca da Alfabetização e do Letramento, as professoras participantes de um estudo sobre a temática3 demonstraram entender, em sua maioria, a Alfabetização apenas enquanto codificação e decodificação, trabalhando o aprendizado da língua materna de forma fragmentada e descontextualizada. Com relação ao Letramento é conceito não muito assimilado pelas mesmas, que demonstram insegurança sobre o que seja o mesmo.

Nas salas de aula das referidas professoras o aprendizado da “técnica” ainda é descontextualizado das situações sociais em que as crianças utilizam a leitura e a escrita. Não queremos dizer com isso, que não se devam ser trabalhadas técnicas ou métodos4 de alfabetização, mas que, como afirma Soares, “não adianta aprender uma técnica e não saber usá-la”, o processo de aprender a ler e escrever só faz sentido se soubermos para que e porque ler e escrever.

Esse novo caminho exige das escolas uma revisão das práticas pedagógicas para o ensino das séries iniciais, o que impõe desafios aos profissionais de educação que atuam nas escolas. Desse modo a prática pedagógica passa a ter bastante relevância nas atividades de alfabetização, no sentido de se buscar um equilíbrio entre o trabalho de aquisição do código, articulado ao domínio da leitura e escrita.

É fundamental repensar, agora, o trabalho com linguagem em sala de aula, levando em conta as discussões e necessidades atuais. Esse caminho não é tão fácil, uma vez que muitos educadores não ouviram a terminologia Letramento em sua formação inicial, ou apresentam uma interpretação equivocada do mesmo. Mas, embora compreendamos a dificuldade, acreditamos na possibilidade, pois “o saber dos professores não provém de uma fonte única, mas de várias fontes e de diferentes momentos da história de vida e da carreira profissional” o que possibilita a compreensão desse conceito. (Tardif, 2004:18)

Valorizar o professor, sobretudo o alfabetizador, seus saberes e sua prática é buscar entender, não só a literatura, mas a dinâmica da sala de aula, uma vez que o conhecimento científico é ressignificado pelo professor no cotidiano escolar.

Assim, à medida que o professor reconstrói seus saberes e sua prática, precisa pensar em metodologias de ensino que articulem a alfabetização e o letramento. O processo de aquisição do sistema de escrita alfabética precisa ocorrer inserido no trabalho com materiais escritos que circulam na sociedade, levando os alunos a compreenderem seu uso. Ou seja, é necessário alfabetizar em um contexto de letramento, é necessário ALFABETIZAR LETRANDO. Isto é, fazer com que a criança se aproprie do sistema alfabético e ortográfico da língua, garantindo-lhe plenas condições de usar a língua nas práticas sociais de leitura e escrita. 

Essa prática de alfabetização, inserida no contexto de letramento, significa ensinar os educandos a utilizarem a língua, escrita e falada, em diferentes contextos sociais. Dessa forma, as atividades pedagógicas devem ser centradas no desenvolvimento das capacidades fundamentais às práticas da linguagem oral e escrita. No contexto da sala de aula as crianças precisam ouvir e falar, ler e escrever os mais variados textos possíveis. A prática pedagógica organizada em torno do uso da língua e sua reflexão deve visar não só o processo de alfabetização em si mesmo, mas também a possibilidade de inserção e participação ativa dos alunos na cultura escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita, na produção e compreensão de diferentes gêneros textuais.

 

1- SAEB e PISA.

2- Entende-se por alfabetismo o mesmo que Letramento. (grifo nosso)

3- (Gonçalves e Oliveira 2005)

4- No presente estudo adota-se a definição de método de Galvão e Leal 2005, no qual afirma que método é o caminho que conduz a um fim determinado.  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Brasil, Mec. Parâmetros Curriculares Nacionais. Língua Portuguesa, 1997.

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TFOUNI, Leda.V. (1995) Letramento e Alfabetização. 6ª Edição. São Paulo: Cortez

Publicado em 21/08/2006


Catarina Gonçalves - Pedagoga, especialista em Desenvolvimento da Aprendizagem, atua como Coordenadora Pedagogica de uma instituição particular, presta assessoria para escolas da cidade do Recife, e ensina Metodologia do Trabalho Científico na UVA- Universidade do vale do Acaraú.

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