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ORIENTAÇÃO SEXUAL: UM ESTUDO COM ADOLESCENTES

Jocélia Germano Soares, Maria Lúcia Batista da Silva

RESUMO

Este trabalho versa sobre a falta de “Orientação Sexual na Escola”, problema que vem inquietando jovens e adolescentes de um modo geral e tornando-se para a instituição de ensino um desafio permeado de muita complexidade. Tendo como objetivo analisar o problema sobre Sexualidade, Educação Sexual, Orientação Sexual e as Doenças Sexualmente Transmissíveis. O referido trabalho foi realizado através de uma pesquisa de campo e de um levantamento bibliográfico, sendo utilizado como universo de pesquisa aos alunos da Escola Municipal do Ensino Fundamental Maria Tâmara Souza do Nascimento. Como instrumento de pesquisa utilizamos um questionário com perguntas abertas, cujos dados foram analisados através do método qualitativo.

Neste estudo, procuramos situar a escola dentro da sociedade evidenciando os fatores que determinam o tipo de relação existente, com base em alguns estudiosos que têm se debruçado sobre o assunto e dedicado considerável tempo para pesquisa a respeito desse tema.

Os resultados desta pesquisa foram satisfatórios, pois mostrou a necessidade que os alunos têm de informações sobre o tema, esses resultados poderão servir de subsídios para futuros estudos, assim como intervenções direcionadas ao âmbito educacional.

Os resultados obtidos revelam o quanto os adolescentes e jovens da referida escola precisam de um grande esclarecimento sobre Orientação Sexual; bem como também procurar um meio para que haja mais diálogos entre pais e filhos.

Ainda de acordo com as respostas obtidas, pudemos observar a confiança que os adolescentes e jovens têm nos professores, pois eles podem tirar suas dúvidas, preparando-lhes para o desenvolvimento saudável de sua sexualidade.          

 

APRESENTAÇÃO

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s, 1998, p. 293), “a orientação sexual na escola é um dos fatores que contribui para o conhecimento e valorização dos direitos sexuais e reprodutivos. Estes dizem respeito à possibilidade que homens e mulheres tomem decisões sobre sua fertilidade, saúde reprodutiva e criação de filhos, tendo acesso às informações e aos recursos necessários para implementar suas decisões”.

Ainda de acorde com os PCN’s (1998), a orientação sexual na escola também contribui para a prevenção de problemas graves, como o abuso sexual, a gravidez indesejada, o conhecimento sobre os métodos anticoncepcionais, sua disponibilidade e a reflexão sobre a própria sexualidade.

Calçados nos princípios adotados pelos PCN’s (1998), vimos que a família realiza a educação sexual de seus filhos, embora não falando abertamente sobre sexualidade. O comportamento dos pais entre si, na relação com os filhos, nos tipos de “cuidados” recomendados, nas expressões, gestos e proibições que estabelecem, são carregados de valores associados à sexualidade. As palavras, comportamento e ações dos pais, configuram o primeiro e mais importante modelo da educação sexual dos adolescentes e jovens, muitos outras agentes sociais e milhares de estímulos farão parte deste processo. As pessoas com quem convivem, ao expressarem sua sexualidade, transmitem conceitos e idéias, tabus e preconceitos que vão se incorporando à educação sexual.

Em uma reportagem publicada na Revista Pátio Guizo (2003) diz que: “as discussões sobre orientação sexual indicam que a maioria das questões trazida pelos alunos tem um caráter informativo sobre a sexualidade”. A curiosidade gira em torno da compreensão do que é relacionamento sexual, como ele ocorre, as transformações no corpo durante a puberdade. Por não terem informações sobre o tema é que muitos adolescentes e jovens buscam através do sexo um meio de sobrevivência.

O presente estudo tem por objetivo Identificar a percepção dos alunos no que concerne a Orientação Sexual. E de maneira especifica pretendeu-se discutir sexualidade no contexto educacional; analisar as ações educativas sobre a Sexualidade; propor maneiras de trabalhar a Orientação Sexual com os alunos e ampliar o conhecimento dos adolescentes e jovens sobre Sexualidade e Orientação Sexual.   

Para desenvolver a idéia central, dividiu-se este trabalho em três capítulos.

No primeiro capítulo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre o tema em estudo, onde foram abordados os temas: sexualidade, educação sexual e  orientação sexual.

No segundo capítulo, foi abordada as principais Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), fazendo uma exploração sobre os seus sintomas.

O terceiro capítulo, consta da metodologia da pesquisa. Em seguida foram discutidos e analisados os dados.

Espero que este estudo possa contribuir com os adolescentes e jovens sobre as dúvidas que eles têm sobre Orientação Sexual principalmente as DST’s / AIDS. 

 

I - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1.1.    A Sexualidade na percepção de alguns autores

Especificamente no que concerne à sexualidade, freqüentemente se observa conflitos na esfera familiar, pois em nossa cultura os jovens recebem mensagens ambíguas da família que ora os estimula a inicia-se no namoro, ora os recriminam, quando busca uma maior intimidade com o parceiro (a).

A sociedade emite mensagens conflitates sobre a sexualidade. Aceita e até incentiva a sua banalização, deixando que os adolescentes e jovens sejam bombardeados pelos estímulos erotizantes da mídia, ao mesmo tempo em que os adultos têm dificuldade em abordar o assunto com os jovens. No entanto os adolescentes assumem a sua sexualidade e procuram conhecer e experimentar as novas sensações e capacidades do corpo.     

 

“Os adolescentes têm todo o direito ao prazer. Precisam aprender a considerar, também, os aspectos reprodutivos de sua sexualidade genital e, portanto agir responsavelmente, prevenindo-se de gravidez indesejada e das doenças sexualmente transmissíveis / AIDS.” (PCN, 1998, p. 304)

 

Assim, como nos afirma os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998), a sexualidade envolve sentimentos que precisam ser percebidos e respeitados. Envolve também crenças e valores. Ocorre em um determinado contexto sócio-cultural e histórico, que tem papel determinante nos comportamentos. Nada disso deve ser ignorado quando se debate a sexualidade com os adolescentes e jovens. O papel de problematizador e orientador, que cabe ao educador, é essencial para que os adolescentes e jovens aprendam a refletir e tomar decisões coerentes com seus valores, no que diz respeito a sua própria sexualidade, ao outro e ao coletivo, conscientes de sua inserção em uma sociedade que incorpora a diversidade.

 

“O impulso sexual deve ser contrabalançado pelo compromisso social, num projeto de vida global, construído na caminhada do povo. Uma sexualidade assumida deve evoluir dos níveis físicos e eróticos para o amor pessoal e para a doação de uma causa em que vale a pena empenhar a própria vida” (Hess, 2001, p. 04)

 

Segundo Foucault (1988) a sexualidade é um conjunto de elementos físicos, psíquicos e morais, próprios de um indivíduo que o diferenciam de outros indivíduos de mesmo e do outro sexo. A sexualidade é algo fundamental para nós, pois sentir-se bem consigo mesmo é indispensável, para tanto, é preciso estar bem com a própria sexualidade. O modo pelo qual a sexualidade se ajusta vão determinar muitos dos seus traços de personalidade definem seu caráter e assegurar ou não sua autoconfiança, vão intervir decisivamente no bom ou mau relacionamento com seu semelhante, A sexualidade não é necessariamente prazer sexual, mas grande parte dela diz respeito às funções sexuais.

De acordo com Suplicy et al (2000) a descoberta da sexualidade é um processo que se desenvolve no decorrer da vida, a desinformação, o medo, a angustia decorrentes da ignorância podem comprometer a capacidade de aprender do adolescente e as suas possibilidades de ter uma vida sexual harmoniosa, assim como colocá-la à mercê de experiências sexuais diante das quais se encontrará desprotegida.

Informar é importante, mas não suficiente para mudar comportamentos. Os preconceitos impedem a utilização de informações, a adoção de comportamentos preventivos, o exercício da liberdade e o relacionamento de igualdade entre os jovens, por isso, muitos jovens encontram dificuldades em processar os conhecimentos recebidos. Outros devido a medos e conflitos não conseguem utilizá-los adequadamente.

Por ser uma experiência única para ser abordada a sexualidade só requer confiança e intimidade, a partir daí fica mais fácil à troca de experiências e informações.

                  

“A sexualidade que foi durante algum tempo um tabu, depois se tornou uma questão religiosa, depois se tornou uma questão médica, hoje é uma questão de mercado. As pessoas oferecem os produtos de uma sexualidade, onde você usa todo o tipo de estimulação visual, operacional, para uma sexualidade impessoal, mecânica e genital. Isso é banalizar a sexualidade é transformá-la em mercadoria.” (Nunes, 2001, p. 13)  

 

De acordo com Bingemer (2000) em uma reportagem publicada pela Revista Mundo Jovem, a sexualidade é a própria marca afetiva da condição humana. A pessoa tem uma dimensão da sexualidade, como um valor ontológico, que o define como ser humano, por isso ela não é uma mera preparação mecânica, nem biológica. Ele tem que ser um ato sujeito, com estima, com ternura, beleza, envolvimento e responsabilidade, com participação e aprendizado entre duas pessoas, pois o desenvolvimento da sexualidade está inteiramente ligado ao desenvolvimento integral do ser humano.

Segundo Duarte (1995) todos têm o direito de ser feliz, fator importante para isso é viver bem sua sexualidade, sem pressa e com cuidado para não cometer enganos.

Para Duarte (1995) desde o nascimento buscamos os nossos prazeres, a busca do prazer acompanha o homem por toda a vida. O desejo sexual surge na adolescência quando as glândulas passam a produzir hormônios sexuais. O adolescente entre em um rápido amadurecimento sexual, que é simultâneo aos processos de amadurecimento emocional, afetivo e intelectual. Então, se inicia o processo de formação de valores e independência, isso gera pensamentos e atitudes contraditórias, principalmente no que diz respeito a sua vida sexual, pois muitos não têm experiência nenhuma e acham que sabem tudo, com isso a felicidade para eles é apenas os momentos que estão passando e muitas vezes cometem os enganos que nos deparamos no nosso dia-a-dia.

Para Meira (2002) a sexualidade não é algo em separado na vida de alguém, pois interage com todos os níveis de relação humana: tem a ver com os pensamentos que vem a cada instante, os sentimentos que batem forte dentro do peito, com a função orgânica, a motivação interna e com os valores individuais. E esses elementos a todos influem no comportamento sexual.

Assim, como nos afirma Duarte (1995) cada pessoa age de acordo com aquilo que acha de se, independente do real ou daquilo que os outros pensam, pois cada pessoa tem sua sexualidade própria e isso depende muito da maneira como foi criada. Não há uma fórmula pronta para a sexualidade de um indivíduo, pois a sexualidade varia de pessoa para pessoa. A sexualidade e a função sexual relacionam-se com as três esferas da relação humana que é a área cognitiva, área do sentimento e área do comportamento, a partir dessas áreas o indivíduo constrói a sua sexualidade.

Segundo Pinto (1999) a sexualidade é importante na formação da identidade do indivíduo em todos os quatro estágios do existir humano: infância, adolescência, maturidade e velhice.

 

“A sexualidade é um fato cultural que Poe em jogo questões amplas e fundamentais como a relação entre os indivíduos. Podemos considerar que a sexualidade abrange quem somos, os caminhos que seguimos até chegarmos a ser homens e mulheres, como sentimos nossos papeis e representações e como vivemos essas questões em uma relação.”(Carvalho et al, 2002, p. 61)  

 

“Durante muito tempo falar de sexo era proibido, pois este era associado à coisa feia, imoralidade, pecado. Mesmo sabendo que o desenvolvimento da sexualidade está interligado ao desenvolvimento do ser humano, representando papel importante na estruturação da personalidade, para muitos pais e, para muitos educadores, falar de sexo é extremamente difícil, mesmo em nossa era, onde vivemos intensamente a revolução sexual iniciada depois de década de 1970.” (Mota, 2004, p. 17)  

 

A sexualidade é um tema que deve ser tratado com muita atenção e carinho, pois ele envolve valores padrões éticos, estéticos, políticos de todos em geral, e de cada um, em especial. Por isso é necessária muita responsabilidade para conduzir o assunto. A formação deve ocorrer de forma continuada e sistemática, propiciando a reflexão sobre valores e preconceitos.

Desde o nascimento, cada pessoa recebe uma educação espontânea, que é dada continuamente pela família e pelo meio social a que pertence. Essa educação formativa inicia-se com a família, que é a intermediária entre a sociedade e o indivíduo, integrando-lhe à cultura e influindo na formação das suas atitudes básicas relacionadas à sexualidade.

A formação de atitudes, condutas e o desenvolvimento de papeis ocorrem ainda com o conhecimento adquirido na escola, nos meios de comunicações e locais de manifestações. No entanto, essa educação formativa e informativa é muitas vezes insuficiente para os adolescentes. Diante deste dilema os educadores devem dar as melhores orientações possíveis, pis existe muita confiança entre o aluno e o professor.   

 

1.2.  Entendendo o Conceito de Educação Sexual

A sociedade tem passado por rápidas e intensas transformações e essas mudanças se refletem no interior da escola alterando sua postura. Pode-se então, afirmar que a escola assumiu diferentes papeis em diferentes momentos, dependendo da concepção de educação que lhe dá suporte, pois hoje a escola tenta corrigir a ignorância, desenvolver a inteligência, formar o caráter e a personalidade do indivíduo.

 

“A educação sexual na escola, principalmente nos níveis da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, tem sido bastante polêmica. Muitos consideram ainda hoje, a abordagem de questões sexuais na escola como algo não-sadio... Para outros proporcionaria aos jovens o conhecimento da importância da vida sexual.” (Camargo, 1999, p. 39)  

 

O trabalho de Educação Sexual implica a discussão de questões sociais, éticas e morais. Sendo assim, as relações entre liberdade, autonomia e respeito à intimidade devem estar presentes em todo trabalho educativo, principalmente naqueles que tratam a sexualidade, pois entendo que o trabalho de Educação Sexual deve ser realizado de tal forma que permita a participação constante dos alunos e alunas, por meio de discussões que privilegiem o posicionamento de cada um quanto às dúvidas, as divergências e os pontos em comum.

Na percepção de Meira (2002) muitas vezes os pais não falam sobre sexo para os filhos, com receio de ser isso um incentivo à prática sexual precoce. Porém, esqueceram os pais que o perigo reside na dúvida ou na informação distorcida.

É mais seguro que os adolescentes entrem em contato com as explicações sexuais para as suas indagações pelos pais, de forma adequada ao nível do seu entendimento, do que aprenderem com os amigos de modo incorreto, inseguro e inadequado, pois quando isso acontece eles ficam deslocados para discutir com a família, seus conhecimentos sobre o assunto, pois existem muitas formas de falar sobre sexo. Uma família amadurecida sabe transmitir aos adolescentes a noção de ato sexual como uma coisa boa, criada por Deus. Que o ato sexual e o amor devem andar juntos, que meninos e meninas são igualmente pessoas humanas, com direitos iguais e a quem se deve respeitar nas suas escolhas e decisões pessoais afetivas.

Segundo Pinto (1999) a educação sexual transcorre no contato cotidiano do adolescente com os pais e é influenciada e transformada por outras experiências de vida. As atitudes conscientes ou não dos pais diante da sexualidade são as influências mais importantes que o adolescente tem para elaborar sua vida sexual.

Concordo com a citação do autor, pois os pais são as pessoas mais capazes de acompanhar o desenvolvimento psicológico e afetivo das crianças, pois a educação sexual começa com o nascimento, portanto os pais não só deveriam dar informações, como também saber o momento oportuno para fazê-lo e na possibilidade dos pais não falarem sobre o assunto, a escola deveria em condições de fazê-lo, dispondo de professores capacitados pra essa tarefa.

De acordo com os PCN’s (1998) a escola deve informar, problematizar e debater os diferentes tabus, preconceitos, crenças e atitudes existentes na sociedade, buscando não a isenção total, o que é impossível, mas um maior distanciamento das opiniões e aspectos pessoais dos professores para empreender essa tarefa.

Os professores, mesmo sem perceber, transmitem valores com relação à sexualidade no seu trabalho cotidiano, inclusive na forma de responder ou não as questões mais simples trazidas pelo aluno. Isso porque na relação professor-aluno o professor ocupa lugar de maior poder, constituindo-se em referência muito importante para o aluno.

Segundo os PCN’s (1998) não cabe a escola em nenhuma situação, julgar como certa ou errada a educação sexual que cada família oferece. O papel da escola é abrir espaço para que a pluralidade de concepções, valores e crenças sobre a sexualidade possam se expressar.

Caberá à escola trabalhar o respeito às diferenças a partir da sua própria atitude de respeitar as diferenças expressas pela família, pois as famílias constroem suas histórias e desenvolvem crenças e valores, certamente muito diversos, embora possam receber influências sociais semelhantes respeitando essa diversidade. A escola favorece o desenvolvimento de uma visão crítica por parte do aluno.

De acordo com Nunes (et al, 2000) toda educação sexual implica uma reeducação da própria sexualidade. Só transmitimos com segurança aqueles conceitos e valores que nos convencem. Os que nos ouvem e conhecem nossas atitudes aprendem o envolvimento e o sentido que nos impulsiona a tratar a sexualidade humana. Não se faz educação sexual dogmática e doutrinária.

Segundo Andery (2002), além de ser necessário resgatar a sexualidade humana: positiva, integral, afetiva e plena, é preciso que o educador possa fazer a crítica dos papeis tradicionais e de suas convicções ideológicas. A abordagem de educação sexual requer, o reconhecimento das possibilidades e os limites da apresentação da sexualidade, pois só é possível empreender tal estudo para uma abordagem educacional se tivermos claro como educadores, que não há uma educação  sexual pronta e acabada, muito menos olhá-la de maneira burocrática.

 

“Muitos pois acham difícil falar sobre sexo com os filhos. Educados em outra época, eles sentem dificuldade em agir de forma diferente, apesar de acharem que a educação que receberam não foi boa para eles e desejarem que tivesse acontecido de outra forma. Na educação sexual, a ignorância e a mentiras provocam resultados desastrosos. A ignorância e as mentiras provocam medo e culpa.” (Suplicy, 1995, p. 33)  

 

A maioria dos pais quer o melhor para os filhos, mas justamente é aí que está o problema. É muito difícil saber o que é o melhor, pois, diante do mundo em que vivemos; hoje, as regras não são mais tão claras como antigamente, as pessoas achavam que sabiam o que era melhor para os filhos.

Não existiam muitas opiniões conflitantes quanto à educação. Com as mudanças nos costumes e valores sexuais; os pais, muitas vezes, ficam na dúvida sobre como educar. Alguns se tornam mais autoritários, outros abdicam completamente do seu dever de educador, outros tem receio de que ao conversar sobre sexo, estarão despertando os filhos para uma vida sexual, porém esquecem os pais que o perigo reside na dúvida ou na informação distorcida.

Para Andrade (1997) a Sexologia trouxe grandes contribuições para o progresso do homem ao tratar da anatomia dos órgãos sexuais e de suas funções biológicas, ao lançar as bases da educação sexual que orienta as pessoas para as relações sexuais sadias e os prazeres da prática do sexo seguro.

Cabe-nos ter e dar educação sexual, sem a proibição castradora, pois a humanidade passa por um período de fortes questionamentos sobre os padrões definidos historicamente. Para as relações humanas, em especial, para as condutas sexuais, muitos comportamentos tidos, antigamente, como inadequados e até imorais; por ferirem convenções sociais plenamente aceitas, passaram a ser, hoje em dia, considerados normais, mas mesmo assim, muitas pessoas vivem ainda insatisfeitos e em constante dúvidas a cerca do modo mais conveniente de tratar os semelhantes, de se comportar perante as mais variadas circunstâncias da vida, quando se diz respeito ao campo sexual.  

  

1.3.    Definições sobre Orientação Sexual

A orientação sexual é um processo formal e sistematizado que se propõe a preencher as lacunas de informação, erradicar tabus e preconceitos, abrir a discussão sobre as emoções e valores que impedem o uso dos conhecimentos. A orientação sexual cabe também propiciar uma visão mais ampla, profunda e diversificada acerca da sexualidade, pois a educação sexual é um processo de vida, que permite ao indivíduo se modificar, se reciclar ou não, e só terminar com a morte.

   

“O ambiente escolar pode ajudar o jovem a descobrir a si mesmo e a inserir-se no seu mundo. A orientação sexual lida com um aspecto vital no amadurecimento mental e na formação de sua personalidade. A troca de vivencias com pessoas da mesma idade e a aprendizagem do respeito por posições diferentes, oferecem ao adolescente um melhor desenvolvimento de si mesmo, tendo o outro como referência.” (Suplicy, 2000, p. 13)    

 

Se a escola não abrir um espaço de discussão, a sexualidade se transforma em fonte de agressão. Ao falar sobre sexo, os alunos se conscientizam dos seus temores, encontram respostas às indagações e passam a lidar com o tema de forma madura, possibilitando maior tranqüilidade em meio ao turbilhão da adolescência, pois conhecendo-se mais profundamente, sendo ouvido e respeitado pelos colegas e pelo professor, o adolescente tem melhor condições de assumir suas crenças e valores.

Assim como nós afirma Nunes et al (2000) os adolescentes que evitam abordar a discussão sobre a sexualidade infantil, que não buscam informações para seu aperfeiçoamento e que nada desenvolvem para adquirir uma habilidade didática para trabalhar o assunto, estão radicados na omissão e na irresponsabilidade, pois o descurar da sexualidade significa abdicar da educação integral da criança, tão reclamada por todos os educadores tidos como progressistas e que possuam alguma dimensão de responsabilidade ética sobre sua função social e educacional.

Ainda de acordo com Nunes et al (2000) educar integralmente a criança exige a responsabilidade e o cuidado de considerar todas as suas dimensões e trabalhar para que nenhuma delas fique de fora do seu processo de desenvolvimento, pois a omissão alienada, o não saber adequado sobre curiosas, vivências das crianças e suas descobertas, só pode ser superado por uma consciência crítica e cientifica desta sexualidade. Sendo assim, a criança ou o adulto esclarecidos de suas potencialidades e possibilidades estão mais próximas da autonomia e do direito de lutar pela liberdade.

De acordo com os PCN’s (1998) o trabalho de orientação sexual na escola se faz problematizando, questionando e ampliando o leque de conhecimento e de ações para que o próprio aluno escolha seu caminho, isso quer dizer as diferentes temáticas da sexualidade devem ser trabalhadas dentro do limite da ação pedagógica, sem invadir a intimidade e o comportamento de cada aluno.

Propõe-se que a orientação sexual oferecida pela escola aborde com os adolescentes e jovens as repercussões das mensagens transmitidas pela mídia, família e demais instituições da sociedade. Trata-se de preencher lacunas nas informações que os adolescentes já possuem e, principalmente, criar a possibilidade de formar opinião a respeito do que lhes foi apresentado.

   

“O trabalho de orientação sexual deve-se nortear pelas questões que pertencem à ordem do que pode ser aprendido socialmente, preservando assim a vivência singular das infinitas possibilidades da sexualidade humana, pertinente à ordem do que pode ser prazerosamente aprendido, descoberto ou inventado no espaço da privacidade de cada um”(PCN’s, 1998, p. 315).    

 

Segundo Giongo (2001) cada sociedade cria regras que estabelecem o comportamento sexual de cada indivíduo, pois a Educação Sexual inclui todo processo informal pelo qual aprendemos sobre a sexualidade ao longo da vida, seja através da família, da religião, da comunidade, dos livros ou da mídia. A abordagem da sexualidade não deve limitar-se ao tratamento de questões biológicas e reprodutoras, devem incluir um questionamento mais amplo sobre o sexo, seus valores, aspectos preventivos, para o indivíduo como forma de exercício da cidadania.

Para Aquino (1997) a orientação sexual na escola deve se dar em âmbito coletivo, não tendo, portanto caráter de aconselhamento individual ou psicoterapêutico. Deve também promover informações e discussões acerca das diferentes temáticas considerando a sexualidade em suas dimensões biológica, psíquica e sociocultural, articulando-se, portanto, a um projeto educativo que inclua uma ação integradora das experiências vividas pelo aluno e que inclua a sexualidade como algo ligado à vida, à saúde e ao bem-estar de cada criança ou jovem.

De acordo com os PCN’s (1998) o objetivo mais amplo da orientação sexual é o de favorecer o exercício prazeroso e responsável da sexualidade aos jovens. Devemos estar também conscientes que a orientação sexual, como qualquer outro processo educativo, apresenta efeitos e resultados demorados, muitas vezes só observados após muito tempo e, certamente não tem o poder de transformar todas atividades e comportamentos dos jovens. É fundamental que o educador ao trabalhar com a orientação sexual comece a partir das questões e dúvidas trazidas pelos alunos, pois o que está em questão é a vida em uma de suas formas mais amplas.

 

II - Metodologia da Pesquisa

A metodologia utilizada nesse estudo teve como base uma revisão bibliográfica.

Feita essa leitura realizamos o estudo de campo na Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Tâmara Souza do Nascimento, na cidade de Maturéia – PB.

Como instrumento de pesquisa foi utilizado um questionário contendo perguntas objetiva e subjetivas, aplicado para 109 alunos entre 13 a 30 anos de idade.

As respostas obtidas através dos questionários foram analisadas e agrupadas em categorias semelhantes. Após a categorização, foi calculada a freqüência e percentual.

De forma específica pretendem-se analisar as concepções dos alunos dentro da Orientação Sexual, discutir sexualidade no contexto educacional, e estimular a utilização de técnicas e métodos que favoreçam a discussão sobre sexualidade em sala de aula, como também e prevenir contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis.

Os dados sócio-demográficos foram coletados por meio das questões referentes a: idade, sexo, série que estuda, se já repetiu de ano, qual série, estado civil, religião, se já teve sua primeira relação sexual, com quantos anos e renda familiar.            

 

2. 1. Análise dos dados

2.2.1. Dados sócio-demográficos da amostra.

Analisando os dados pessoais da amostra pesquisada observamos que com relação à faixa etária 45% tinha entre 13 a 16 anos, 39% entre 17 a 20 anos, 10,1% entre 21 a 25 anos e 5,5% entre 26 a 30 anos de idade.

Observamos que 39,5% dos entrevistados são do sexo masculino, ao passo que 60,5% são do sexo feminino. 

No que concerne à escolaridade 32,2% estão cursando a 7ª série e 67,8% a 8ª série. Desta amostra 32,2% já repetiram de ano, 62,3% nunca repetiram de ano e 5,5% não responderam.

Em relação ao estado civil foi constatado que 92,6% são solteiros, enquanto que apenas 7,4% são casados.

A pesquisa revelou também que 89,9% é de religião católica, 1,8% é evangélica, 0,9% é ateu e 7,4% não tem nenhuma religião.

Do total pesquisado 45% já tiveram sua 1ª relação sexual, enquanto os outros 55% esperam pela sua 1ª vez. Dos que já tiveram sua 1ª relação sexual 26,5% foi entre 12 a 14 anos, 59,2% entre 15 a 17 anos e 14,3% entre 18 a 21 anos de idade.

No tocante a pesquisa, quanto à renda familiar observamos que 46,8% ganham menos de um salário mínimo, 37,6% um salário mínimo, 13,8% entre dois e três salários mínimos e apenas 1,8% mais de quatro salários mínimos.     

 

 

 

 

2.2.2. Resposta à pergunta: O que você entende por orientação sexual?

 

 

Acerca da questão: O que você entende por orientação sexual? Da amostra pesquisada 27,5% acham que é ter conhecimento de vida, 21,1% entendem que é conhecer sua própria sexualidade, 19,3% que devemos usar camisinha na relação sexual, 15,6% responderam que orienta sobre os riscos de uma relação sem proteção, 11,9% não entendem de nada e apenas 4,6% não responderam.

 

2.2.3. Resposta à pergunta: Na sua opinião de que forma os pais podem contribuir com sua formação?

 

 

No que diz respeito à questão: Na sua opinião de que forma os pais podem contribuir com sua formação? Da amostra pesquisada 44,9% acham que eles deveriam ajudar nas dificuldades escolares e pessoais, 15,6% falam sobre a quebra de tabus, já 14,7% acham que eles deveriam ser mais abertos, não tendo vergonha de falar sobre o que é certo ou errado, 13,8% acham que os pais deveriam conversar mais com os filhos e dar-lhes atenção e carinho, enquanto 11,0% acham que eles deveriam falar sobre a experiência de vida de cada um deles.

 

2.2.4. Resposta à pergunta: Você acredita que a escola pode fazer o trabalho de orientação sexual? De que forma?

 

 

Quando questionada a pergunta: Você acredita que a escola pode fazer o trabalho de orientação sexual? De que forma? Todos responderam de forma afirmativa. Após caracterizar as respostas observamos que 28,4% responderam que a escola deveria alertar os adolescentes para o conhecimento do próprio corpo, 21,1% acham que a escola deveria orientar para que os adolescentes vivam sua sexualidade a partir dos valores éticos e humanos, 17,5% orientar sobre os riscos de uma relação sem proteção, 16,5% orientar para uma vida sexual saudável e os outros 16,5% acham que a escola deveria dar aula sobre o assunto.

 

2.2.5. Resposta à pergunta: Quais as dificuldades que você encontra na escola quando você quer falar sobre sexualidade?

 

 

Analisando os dados da pergunta: Quais as dificuldades que você encontra na escola quando você quer falar sobre sexualidade? Concluímos que 38,5% têm vergonha de falar sobre o assunto, 24,8% acham que falta um alguém que se dedique ao assunto como as outras disciplinas, 17,5% não têm nenhuma dificuldade, 11,0% acredita que o assunto é delicado e polêmico, onde 8,2% acham que o preconceito e a incompreensão, pois muitas vezes que abordam o assunto tem alguém que entende por outro lado, principalmente se a pergunta vier por parte das mulheres, alguns homens já acham que elas querem transar.   

 

2.2.6. Resposta à pergunta: Na sua opinião o relacionamento com o (a) professor (a) pode facilitar as discussões sobre orientação sexual? Por quê?  

 

 

No que concerne à resposta da amostra da pergunta: Na sua opinião o relacionamento com o (a) professor (a) pode facilitar as discussões sobre orientação sexual? Por quê? Todos responderam de forma afirmativa. Após caracterizar as respostas observamos que 24,8% falam que eles escutam e tiram dúvidas, 18,3% acham que eles não tem vergonha de falar sobre o tema, 16,5% acham que eles são mais experientes, 11,9% aborda o assunto de maneira clara, naturalmente e com segurança, 10,1% tem confiança de falar sobre o assunto com o professor, 9,2% cultivam uma amizade muito forte entre eles e 9,2% responderam dentro das possibilidades.

 

2.2.7. Resposta à pergunta: Quais conseqüências a falta de orientação sexual pode trazer para o indivíduo?    

 

 

No que diz respeito à questão: Quais conseqüências a falta de orientação sexual pode trazer para o indivíduo? Da amostra pesquisada 35,8% responderam a gravidez indesejada, 26,6% que eram as Doenças Sexualmente Transmissíveis, 18,3% a AIDS, 8,3% a morte, 6,5% não sabiam responder e 4,5% não responderam a pergunta.

 

2.2.8. Resposta à pergunta: Percepção do aluno em relação à orientação sexual.

 

Quando perguntei se havia diálogo entre aluno e seus colegas, 13,8% responderam que sim, 57,8% responderam que não e 28,4% disseram às vezes.

Feita essa mesma pergunta em relação ao aluno e os pais, 8,3% falaram que sim, 74,3% disseram que não e 17,4% responderam às vezes.

Foi perguntado se o aluno tira todas as dúvidas com o (a) professor (a) em sala de aula, 24,8% disseram que sim, 65,1% declaram que não e 10,1% responderam às vezes.

Com relação à pergunta, você se sente confiante para opinar, argumentar, sugerir ou discordar sobre o assunto, 23% afirmaram que sim, 69,6% responderam que não e 17,4% falaram que às vezes.

De acordo coma pergunta, você alguma vez já fugiu para não falar sobre o assunto, 45% disseram que sim, 16,5% que não e 38,5% às vezes.

Perguntamos se o aluno se considerava uma pessoa preparada para viver uma relação sexual, 14,7% afirmaram que sim, 74,3% que não e 11% às vezes.

Para a pergunta, em algum momento a falta de orientação sexual atrapalhou algo em sua vida, 71,5% responderam que sim, 12% falaram que não e 16,5% disseram às vezes.

 

III - DISCUSSÃO

Os dados colhidos serão discutidos com base nos princípios propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, visto que o estudo destes é obrigatório e primordial no que concerne a Educação, envolvendo assim, não apenas a orientação sexual, mas também diversos temas transversais.

Foi observado, após a análise dos dados, que os adolescentes e jovens da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Tâmara Souza do Nascimento, acreditam que orientação sexual tem por objetivo: orientar para uma vida sexual saudável e para o conhecimento do próprio corpo; evitar as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce; para que eles vivam a sua sexualidade a partir dos valores éticos e humanos.

Observando todos os dados, percebeu-se a preocupação dos adolescentes na ausência dos pais com relação a sua educação, pois muitos acham que se os pais se abrissem mostrando a sua experiência de vida a sua adolescência poderia ser vivida de modo menos problemático. De acordo com essa declaração Cláudia Giongo (2001), psicóloga, afirmou: Eu vejo que as famílias estão muito isoladas. Em função dessa exigência social de trabalho, os pais não têm tempo para se socializar com os filhos. Sendo assim, eles sentem-se pessoas inseguras, com pouca ou nenhuma iniciativa, que enfrentam dificuldades para lidar com novas situações, com frustrações, com decisões. Enfim, não estão preparados para a vida!

Para os adolescentes os pais devem orientá-los sem brigas e gritos, podendo apresentar-lhes novas idéias, refletindo com mais carinho e passando mais confiança, pois eles acham que o diálogo tem o poder de transformar as fantasias e ao mesmo tempo delimitar os problemas.

Observados todos os dados da pesquisa percebeu-se que para a sexualidade não existem regras. Ela pode-se manifestar no indivíduo independentemente dele ser masculino ou feminino, adolescente ou adulto. Observou-se, também, a necessidade que os adolescentes têm de uma construção de relacionamento humano, pois muitos alunos falam que na escola eles encontram o que lhes faltam em casa.

 

IV - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percorrido esse caminho, estudando esse universo de conflito lendo os fatos referenciados nos livros escritos por diversos autores estudiosos do assunto, principalmente os dados coletados na pesquisa, será relatado algumas considerações importantes.

Para Giddens (1993) o prazer erótico se transforma em “sexualidade” à medida que a sua investigação produz textos, manuais e estudos que distinguem a “sexualidade normal” de seus domínios patológicos. A verdade e o segredo do sexo foram determinados pela busca e pelo acesso fácil a tais “descobertas”.

Segundo Duarte (1995) o sexo e a sexualidade desempenham um papel essencial em nossas vidas, influenciando bastante nosso modo de ser. O jovem “precisa” escolher uma profissão, seus amigos, o parceiro eventual, o companheiro para a vida, e em toda essa busca há uma enorme influência da sexualidade. O equilíbrio emocional o bem estar físico, o papel social, o lugar na família, o bom desempenho intelectual, dependem essencial e primordial da compreensão da própria sexualidade, que deve ser “aceita” pelo adolescente como algo extremamente valioso.

A sexualidade poderá ser extremamente gratificante se o adolescente tiver a preocupação de escolher, criteriosamente seu companheiro e o momento para tomar atitudes, para não ser sucedido por problemas como uma gravidez não desejada ou por uma Doença Sexualmente Transmissível, em especial a AIDS.

De acordo com os PCN’s (1997) se de uma maneira geral, o trabalho de orientação sexual visa desvincular a sexualidade dos tabus e preconceitos, afirmando-a como algo ligado ao prazer e a vida, na discussão das Doenças Sexualmente Transmissíveis / AIDS o enfoque deve ser coerente com os princípios gerais e não deve acentuar a ligação entre sexualidade e doença ou morte... Particularmente, em relação a AIDS, pois nunca devemos dizer “AIDS mata”. Essa mensagem contribui para o aumento do medo e da angústia, desencadeando reações defensivas. A mensagem fundamental que devemos passar é “AIDS, previna-se”.

O trabalho com orientação sexual, ao mesmo tempo em que fornece informações sobre as DST’s, possibilita a explicação dos medos e angustias suscitadas e a abordagem dos diferentes mitos e obstáculos emocionais e culturais que impedem a mudança de comportamento necessária a informação de práticas de sexo seguro. Além disso, deve-se discutir também a discriminação social e o preconceito de que são vítimas os portadores de HIV (os doentes de AIDS). Também aqui se faz particularmente importante o levantamento do conhecimento prévio dos alunos sobre as doenças sexualmente transmissíveis e sobre a AIDS, pois se constata a existência de um grande volume de informações errôneas e equívocas sobre elas.

Segundo Moser (2002) a primeira grande lição que os pais podem dar para os filhos, é revelarem uma vida sexual equilibrada. Aqui não estou falando de ato sexual, mas de vida sexual, afetiva-sexual, de respeito mútuo, de ajuda, de abnegação e renuncia. Esta é a principal lição de vida, ou seja, como os pais vivem sua afetividade... Os pais precisam ajudar o adolescente a se libertar, a serem eles mesmos.

Vivemos num mundo de uma compreensão empobrecida sobre sexualidade. Existe um grande número de pais que sabem fazer sexo, mas que são ignorantes em matéria de sexualidade. Com as mudanças de valores nos costumes sexuais, os pais ficam em dúvida e alguns se tornam autoritários para não terem que enfrentar discussão e por em prática os seus conflitos, enquanto outros abdicam  completamente de seu dever de educar, não colocando regra alguma no modo de orientar seu filho.

A maioria dos pais deseja o melhor para seus filhos, mas não sabem transmitir seu pensamento devido a falta de informação correta sobre a sexualidade, com isso, a curiosidade dos adolescentes os leva a uma vida sexual mais rápida e sem entender as conseqüências do que pode acontecer com o que está praticando.

O grande desafio da nossa sociedade hoje é uma análise da sexualidade numa perspectiva histórico-cultural, onde o estudo da educação sexual faz um questionamento crítico das noções sexuais correntes, preparando os adolescentes para o seu contexto pessoal, trabalhando a reeducação da própria sexualidade.

O educador deverá conhecer a si próprio, sua própria sexualidade, para que possa de modo aberto desenvolver um trabalho onde tenha condições de trazer a sexualidade no nível da palavra, do permitido, do prazeroso e não só do proibido. O ideal seria que os educadores, na figura de pais e professores, se antecipassem informando aos adolescentes e jovens dos riscos das doenças sexualmente transmissíveis e que conversassem livremente sobre sexo e sexualidade dentro da sala de aula.

Foi de suma importância, no desenvolvimento deste trabalho, ampliar meu conhecimento sobre a sexualidade, bem como constatar através da pesquisa de campo, que os adolescentes precisam muito de um conhecimento mais ampliado sobre orientação sexual; para poderem viver uma sexualidade satisfatória, pois é na fase da adolescência que se define os caracteres sexuais secundários e se evidenciam as qualidades específicas do indivíduo.

   

“A sexualidade humana, mais do que o ato sexual e reprodução abrande as pessoas, seus sentimentos e relacionamentos. Implica aprendizados, reflexões, planejamentos, valores morais e tomada de decisão. A sexualidade é uma energia forte e mobilizadora, uma dimensão da expressão do ser humano em sua relação consigo mesmo e com o outro, lugar de desejo, do prazer e da responsabilidade.” (Camargo e Ribeiro, 1999, p. 50)

V - BIBLIOGRAFIA

1.ANDRADE, Geziel. Sexo, sem Preconceito sem Medo, com Equilíbrio. Capivari – São Paulo: Editora EME, 1997.

2.AQUINO, Julio Groppa, (org). Sexualidade na escola: alternativas Teóricas e Práticas. São Paulo: Summus, 1997.

3.CAMARGO, Ana Maria Fracioli de. Sexualidade (s) e Infância (s): A Sexualidade como tema Transversão. São Paulo: Moderna, Campinas, S. P. Editora da Universidade de Campinas, 1999.

4.CARVALHO, et al. Adolescência. Belo Horizonte. Editora UFMG; Proex – UFMG, 2002.

5.DUARTE, Ruth de Gouvêa. Sexo, Sexualidade e Doenças Sexualmente Transmissíveis . São Paulo: Moderna, 1995.

6.FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I:A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: editora Graal, 1988.

7.GIDDENS, Anthony. A transformação da intimidade: Sexualidade, amor & erotismo nas Sociedades Modernas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1993.

8.MEIRA, Luiz B. Sexos, Aquilo que os pais não falaram para os filhos. 5ª ed. João Pessoa: Editora Universitária. UFPB, 2002.

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11.PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, (PCN’s): Pluralidade Cultural, Orientação Sexual / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

12.________________________________________________: Temas Transversais / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

13.PINTO, Ênio Brito. Orientação Sexual na Escola: a importância da psicopedagogia nessa Nova Realidade. São Paulo: Editora Gente, 1999.

14.SUPLICY, Marta. Sexo para adolescentes: amor, sexualidade, masturbação, virgindade, anticoncepção, AIDS. 3ª ed. São Paulo: Editora FTD, 1995.

15.______________, et al. Sexo se aprende na Escola. 3ª ed. São Paulo: Olho D’água, 2000.

16.R. V. Mundo Jovem. Nº 304, Março, 2000

17.________________. Nº 312, Novembro, 2000

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19.________________. Nº 320, Setembro, 2001

20.________________. Nº 321, Outubro, 2001

21.________________. Nº 324, Março, 2002

22.________________. Nº 343, Fevereiro, 2004

23.R. V. Pátio. Nº 27, Agosto / Setembro, 2003

 

Publicado em 27/10/2004


Jocélia Germano Soares, Maria Lúcia Batista da Silva - Jocélia Germano Soares – Mestra em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba, Professora de Pós-Graduação das Faculdades Integradas de Patos, ministrando a disciplina Psicopedagogia e as Relações Interpessoais, Cursando Especialização em Psicologia da Saúde: Desenvolvimento e Hospitalização, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Maria Lúcia Batista da Silva - Graduada em Pedagogia pela Universidade do Vale do Acaraú, Especialista em Psicopedagogia pelas Faculdades Integradas de Patos

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