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O QUE É TDAH?

Mara Rubia Rodrigues Martins

Até o início da década de 70, um conjunto de transtornos, dentre eles, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) eram considerados como lesão ou disfunção cerebral mínima.

Na última década, um grande número de pesquisas científicas permitiu mais conhecimentos sobre esse transtorno.

O TDAH não é mais considerado como comportamento inconveniente, ou falta de educação, pois há um comprometimento funcional da vida profissional, acadêmica e de relacionamento. Esse transtorno se apresenta de maneiras semelhantes em culturas distintas.

As características centrais de TDAH são: a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade e em mais de 50% dos casos, é associado com outros transtornos.

O TDAH acomete cerca de 5% de crianças e persiste até a vida adulta em mais da metade dos casos.

Ele pode ser dividido em três tipos: desatento, hiperativo - impulsivo e combinados (os dois juntos).

As alterações neuroquímicas causadas pelo transtorno e que prejudicam a vida do indivíduo, podem ser minimizadas com o uso de estimulantes.

No Brasil se usa o metilfenidato de curta duração e metilfenidato (MFD) de ação prolongada, Ritalina como é mais conhecida, com duração aproximada de 8 horas e estudos de um novo medicamento com ingestão de uma única dose diária, deverá ser lançado: Concerta, como está sendo testado, para liberar 22% do metilfenidato inicialmente e o restante do produto é liberado lentamente ao longo de 10 horas, com duração do efeito, em média, de 12 horas.

Observando-se o sistema nervoso central (SNC), pôde-se perceber ativação do centro respiratório medular e os efeitos de estimulação mais evidentes nas atividades mentais que nas motoras. O medicamento aumenta o estado de alerta e diminui o estado de fadiga, melhorando a desatenção e o desempenho escolar.

O metilfenidato é o medicamento mais estudado e mais receitado no tratamento de TDAH.

Vinte e dois estudos nas últimas décadas demonstraram que 70% dos pacientes que utilizaram o medicamento apresentaram melhoras sensíveis nos sintomas que caracterizam o transtorno.

A suspensão do medicamento durante fins de semana, feriados e férias ainda causam controvérsias entre os estudiosos. Para alguns, só suspende-se a medicação para avaliação da real necessidade do uso.

Na avaliação utilizam-se instrumentos de rastreio, tais como, escalas e questionários que permitem a quantificação e os perfis dos sintomas do transtorno, utilizando o ponto de corte para diagnóstico realizado por um psicólogo especialista com análise cuidadosa da história clínica do paciente.

Utiliza-se também o questionário de Conners para pais e professores. A versão nacional foi adaptada por Barbosa e Gouveia (1993) e Barbosa (1997).

Fatores genéticos e ambientais são estudados como causadores do TDAH, mas é improvável que exista um “gene TDAH”. Acredita-se que vários genes podem influenciar.

Casos de danos cerebrais perinatais no lobo frontal, afetam a atenção, planejamento e motivação.

Há mais incidência do transtorno em filhos com um dos pais com TDAH ou parentes de primeiro grau.

Estudos com gêmeos idênticos permitem estimar o quanto o fenótipo é herdável e como fatores ambientais podem contribuir. O mais provável é que vários genes interajam entre si e estimulem o aparecimento dos sintomas, através de uma combinação de alelos.

Uma coisa é certa: a identificação das possíveis causas genéticas e ambientais é fundamental para tratamento e até prevenção de aparecimento desse transtorno.

Os sintomas têm origem na disfunção cerebral, com problema nos neurotransmissores, como revelam exames de neuroimagem e bioquímica. Uma falha nas atividades dos circuitos afeta o autocontrole.

Pesquisas na área neuropsicológica revelam que pessoas com sintomas de TDAH têm problemas cognitivos, de atenção, planejamento, organização, na percepção, de comportamento anti – sociais, pois estes estão ligados com o lobo frontal e com áreas subcorticais.

Outras pesquisas sugerem que um déficit de dopamina nas regiões corticais seria responsável pelos sintomas do transtorno.

Os exames de neuroimagem ainda são utilizados para fins de pesquisa. Os principais são os estruturais como a tomografia computadorizada de encéfalo e a ressonância magnética, esta com mais precisão que a primeira.

Nesses exames pôde-se observar uma redução do metabolismo cerebral na região frontal anterior esquerda.

Estudos neuropsicológicos abordam o TDAH como transtorno das funções executivas, pois incapacita o paciente a ações voluntárias, auto – organização, cognição, emoção, comportamentos e tarefas simples de sua rotina, bem como prejudica o desempenho em atividades de análise e síntese.

Os testes neuropsicológicos mais utilizados para identificação do TDAH são: Baterias Wechsler e Stroop; teste de Trilhas, CPT (Continous Performance Test), Bender, Figura Complexa de Rey, além de subtestes de organização de figuras e jogos.

Algumas características podem ser observadas na escola. As crianças podem apresentar dificuldades: na aquisição de habilidades lingüísticas, noções espaciais, reconhecimento de símbolos gráficos semelhantes, coordenação motora, desatenção, hiperatividade (não conseguem ficar paradas, nem se concentrar e terminar as tarefas) e impulsividade.

Porém, os especialistas devem ser cuidadosos ao emitirem um diagnóstico de TDAH.

Deve-se levar em consideração a história de vida do paciente, seu comportamento desde a tenra idade, fatores genéticos e ambientais.

Desatenção, hiperatividade e impulsividade por curtos períodos ou após conflitos psicossociais devem ser analisados antes de se fechar um diagnóstico.

Com o crescimento, os sintomas de hiperatividade geralmente diminuem e os da desatenção permanecem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, G.A; GAIÃO, A.A. Um estudo exploratório do fator hiperatividade do questionário de Conners. Neurobiol. , Recife, v. 60, n. 3, p. 91 – 106, jul./ set, 1997.

BARBOSA, G.A; GOUVEIA, V.V. O fator hiperatividade do questionário de Conners: validade conceitual e normas diagnósticas, Temas, v. 23, n. 46, p. 188 – 202, 1993.

ROHDE, L.A; MATTOS, Paulo. Princípios e práticas em TDAH, Porto Alegre, Artmed. 2003.

Publicado em 19/10/2004


Mara Rubia Rodrigues Martins - Pedagoga e especialista em psicopedagogia; Professora alfabetizadora de alunos portadores de Transtornos Invasivos do Desenvolvimento e Distúrbio do Déficit de Atenção e Hiperatividade.

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