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O MODELO RELACIONAL SISTÊMICO NA CONSTRUÇÃO DE PROJETO PSICOPEDAGÓGICO INSTITUCIONAL

Maria Cecília Castro Gasparian

Para abordar esse tema temos que observar alguns novos conceitos que estão surgindo atualmente e que ainda não fazem parte da linguagem pedagógica.

 

Conceitos tais como de ecologia educacional; de sistemas; circularidade; retroalimentação; cibernética, por exemplo, fogem do entendimento de muitos profissionais ligados à área da educação por acharem que estas idéias não fazem parte do universo pedagógico.

 

Para abordarmos os laços que conectam  a educação com o modelo sistêmico, precisaremos examinar as relações do fazer educativo com as várias correntes educacionais e notaremos que essa abordagem, embora nova no nosso consciente, já existe há vários anos entre nós.

 

Por exemplo, a década de 60 evidenciou o interesse pelo ambientalismo preocupando-se com a ecologia biosférica; as décadas de 70 e 80 intensificaram esse interesse criando espaços para a ecologia social. Infelizmente, a educação não conseguiu acompanhar esse processo e ficou apenas numa abordagem superficial destes temas.

 

A escola, longe de ser um lugar de desenvolvimento da personalidade, é o lugar onde, pelo contrário, se permite a todo cidadão adaptar-se  à sociedade tal qual é, integrando-se num sistema determinado.

 

Ela é o cenário onde atuam diferentes personagens, desempenhando papéis altamente diversificados. São vários grupos de indivíduos interagindo tais como o grupo familiar, a comunidade, o grupo de alunos, os profissionais que trabalham na escola e outros tantos que trabalham para a escola.

 

Todos estes elementos atuam direta ou indiretamente no sentido de atingir o objetivo exigido pela sociedade que é o indivíduo apto a exercer sua cidadania através da educação, tornando-se consciente de seus direitos e deveres.   

 

Para se atingir a tão almejada sociedade moderna, é necessário juntar o esforço individual e o esforço do trabalho cooperativo de toda a comunidade que detém a responsabilidade pela tarefa de educar seus cidadãos.

 

Com isso cria-se as redes sociais que é o “conjunto de caminhos, materiais e fictícios que,  de maneira informal, expontânea, vinculam as pessoas entre si.” ( Dicionário de Terapias Familiares: Teoria e Prática. Jaques Miermont e cols. 1994. Artes Médicas)

 

Compete, à escola, realizar o processo formal de evolução da sociedade transmitindo o saber universalizado e desenvolvendo atitudes morais e éticas entre seus elementos.

 

Para que isso ocorra será necessário formular um projeto pedagógico que priorize a realização do objetivo de formação de um novo cidadão. Para isso precisa-se formar profissionais aptos a enfrentar esses novos desafios.

 

Muito tem se falado e feito visando esses objetivos, visto o número muito expressivo de cursos, palestras e convites de escolas para prepararem os seus professores para uma nova era que se aproxima. Mas, nota-se com tristeza que pouco se faz em sala de aula. Isso porque ainda temos o ranço de uma educação através de formulas: o professor espera que se transmitam fórmulas de como ensinar.

 

É por isso que com freqüência ouve-se que o construtivismo é uma proposta muito difícil de ser aplicada, e quando algumas escolas o fazem é sempre através de uma imposição de cima para baixo, ou seja, por ordem da direção, e o professor não consegue aplicar o que aprendeu por que não conseguiu incorporar os conceitos. Portanto impingimos um aprendizado sem significado tanto para nossos alunos como para nossos professores.

 

A proposta deste projeto é, entre outras, a de se trabalhar a pessoa deste profissional da educação para que ele sinta a real necessidade de transformar o seu fazer em sala de aula através  de sua transformação pessoal.

 

Os conceitos aqui expostos são ao mesmo tempo simples e complexos, mas serão colocados de maneira clara e sucinta para melhor entendimento, isto não quer dizer que ter-se-a uma visão reducionista da questão, mas sim, simplificada e colocada de maneira didática para que o professor possa entrar em contato com uma nova abordagem.

 

Toda  mudança provoca críticas e desconfiança, sem contar o medo e a insegurança. Mas sem essas emoções não poderemos inovar o ensino que demonstra o grande fracasso através da evasão e repetência escolar.

 

Temos que mudar, não há dúvidas, mas como mudar? O que mudar? Para que mudar?

 

Essas são as questões que procurar-se-a responder no decorrer deste trabalho.

 

Em primeiro lugar iremos delimitar alguns conceitos para partirmos do mesmo ponto. Em seguida será sugerido propostas de atuação de trabalho com o professor para que ele sinta a real necessidade de mudança, crescimento e expansão de sua postura pedagógica, para logo após, pontuar algumas atividades de desenvolvimento  pessoal e profissional.

 

Não podemos esquecer que para que a mudança pedagógica ocorra é necessário que antes o professor sinta que ele próprio precisa mudar. Portanto não se pretende separar a prática da teoria mostrando o que é possível, e tudo é possível quando se sente a necessidade de se fazer alguma coisa de diferente, porque o que se está fazendo não está mais dando certo, ou o que é pior, não se sente mais prazer ou satisfação no que se faz. Tudo passa a não ter mais sentido, e precisamos dar significado tanto para a nossa vida como para o que fazemos.

 

Antes de mais nada precisamos saber que estamos num ponto de transição da civilização. Devemos compreender que as soluções fundamentais que deviam ser trazidas pelo desenvolvimento da ciência, da razão e do humanismo, se transformaram em problemas essenciais e que com os instrumentos que temos a nossa disposição atualmente não conseguimos soluciona-los.

 

Precisamos, então, criar novos instrumentos para solucionar velhos problemas e uma das alternativas para a educação é a utilização da abordagem sistêmica para a prática pedagógica.



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Publicado em 22/05/2002


Maria Cecília Castro Gasparian - Mestre e Doutora em Educação: Currículo PUCSP. Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional PUCSP, Terapeuta de Família, Membro da AMCE Associación Mundial da Ciências de la Educación, Pesquisadora do GEPI Grupo de Estudos e Pesquisa da Interdisciplinaridade da PUCSP

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