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Introdução
A literatura a respeito do
diagnóstico e tratamento de distúrbios, transtornos, dificuldades ou
problemas de aprendizagem é vasta e fundamentada em concepções, muitas
vezes, divergentes entre si.
Devido o grande número de obras relacionadas ao assunto, torna-se inviável
contemplar todas as possíveis definições e abordagens sobre esses conceitos.
Portanto, nesse texto pretendemos analisar os conceitos mais comumente
utilizados na literatura especializada e algumas das muitas perspectivas de
análise sobre as dificuldades de aprendizagem, procurando traçar um panorama
(ainda que provisório) sobre essa temática.
Segundo Moojen (1999), os termos distúrbios, transtornos, dificuldades e
problemas de aprendizagem tem sido utilizados de forma aleatória, tanto
na literatura especializada como na prática clínica e escolar, para designar
quadros diagnósticos diferentes.
Na mesma perspectiva, França (1996) coloca que a utilização dos termos
distúrbios, problemas e dificuldades de aprendizagem é um dos aspectos menos
conclusivos para aqueles que iniciam a formação em Psicopedagogia. Para o
autor, aparentemente os defensores da abordagem comportamental preferem a
utilização do termo distúrbio, enquanto os construtivistas parecem
ser adeptos do termo dificuldade. Ainda de acordo com o autor,
aparentemente a distinção feita entre os termos dificuldades e distúrbios de
aprendizagem esteja baseada na concepção de que o termo “dificuldade” está
mais relacionado à problemas de ordem psicopedagógica e/ou sócio -
culturais, ou seja, o problema não está centrado apenas no aluno, sendo que
essa visão é mais freqüentemente utilizado em uma perspectiva preventiva;
por outro lado, o termo “distúrbio” está mais vinculado ao aluno, na medida
em que sugere a existência de comprometimento neurológicos em funções
corticais específicas, sendo mais utilizado pela perspectiva clínica ou
remediativa.
Distúrbios de aprendizagem
Collares e Moysés
(1992) analisaram o conceito de distúrbios de aprendizagem do ponto de vista
etimológico e a partir do conceito proposto pelo National Joint Comittee for
Learning Disabilities (Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem),
Estados Unidos da América.
Etimologicamente, a palavra distúrbio compõem-se do radical
turbare e do prefixo dis. O radical turbare significa
“alteração violenta na ordem natural” e pode ser identificado também nas
palavras turvo, turbilhão, perturbar e conturbar. O prefixo dis tem
como significado “alteração com sentido anormal, patológico” e possui valor
negativo. O prefixo dis é muito utilizado na terminologia médica (por
exemplo: distensão, distrofia). Em síntese, do ponto do vista etimológico, a
palavra distúrbio pode ser traduzida como “anormalidade patológica
por alteração violenta na ordem natural”
Segundo as autoras, seguindo a mesma perspectiva etimológica, a expressão
distúrbios de aprendizagem teria o significado de “anormalidade
patológica por alteração violenta na ordem natural da aprendizagem”,
obviamente localizada em quem aprende. Portanto, um distúrbio de
aprendizagem obrigatoriamente remete a um problema ou a uma doença que
acomete o aluno em nível individual e orgânico.
De acordo com
Collares e Moysés (1992), o uso da expressão distúrbio de aprendizagem
tem se expandido de maneira assustadora entre os professores, apesar da
maioria desses profissionais nem sempre conseguir explicar claramente o
significado dessa expressão ou os critérios em que se baseiam para
utilizá-la no contexto escolar. Na opinião das autoras, a utilização
desmedida da expressão distúrbio de aprendizagem no cotidiano escolar
seria mais um reflexo do processo de patologização da aprendizagem ou da
biologização das questões sociais.
De acordo com a definição estabelecida em 1981 pelo National Joint Comittee
for Learning Disabilities (Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem),
nos Estados Unidos da América,
Distúrbios de aprendizagem é um
termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas
por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição, fala,
leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Estas alterações
são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do
sistema nervoso central. Apesar de um distúrbio de aprendizagem poder
ocorrer concomitantemente com outras condições desfavoráveis (por exemplo,
alteração sensorial, retardo mental, distúrbio social ou emocional) ou
influências ambientais (por exemplo, diferenças culturais, instrução
insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é resultado direto
dessas condições ou influências.
(Collares e Moysés, 1992: 32)
O National Joint Comittee for
Learning Disabilities é considerado, nos Estados Unidos da América, como o
órgão competente para normatizar os assuntos referentes aos distúrbios de
aprendizagem. A fim de prevenir a ocorrência de erros de interpretação o
Comitê publicou a definição acima apresentada com explicações específicas ao
longo de cada frase.
A frase “estas
alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à
disfunção do sistema nervoso central”, por exemplo, vem acompanhada da
explicação de que a fonte do distúrbio deve ser encontrada internamente à
pessoa que é afetada e que a causa do distúrbio de aprendizagem é uma
disfunção conhecida ou presumida no sistema nervoso central. Acerca da
evidência concreta de organicidade relacionada ao distúrbio de aprendizagem,
o Comitê afirma que, apesar de não ser necessário que tal evidência esteja
presente, é necessário que, pelo menos, uma disfunção do sistema nervoso
central seja a causa suspeita para que o distúrbio possa ser
diagnosticado.
No entanto, segundo
Ross (1979, citado por Miranda, 2000), a utilização do termo “distúrbio de
aprendizagem”, chama a atenção para a existência de crianças que freqüentam
escolas e apresentam dificuldades de aprendizagem, embora aparentemente não
possuam defeitos físicos, sensoriais, intelectuais ou emocionais. Esse
rótulo, segundo o autor, ocasionou durante anos que tais crianças fossem
ignoradas, mal diagnosticadas ou maltratadas e as dificuldades que
demonstravam serem designadas de várias maneira como “hiperatividade”,
“síndrome hipercinética”, “síndrome da criança hiperativa”, “lesão cerebral
mínima”, disfunção cerebral mínima”, “dificuldade de aprendizagem” ou
“disfunção na aprendizagem.”
Para Collares e Moysés (1992), os distúrbios de aprendizagem seriam frutos
do pensamento médico, surgindo como entidades nosológicas e com o caráter de
doenças neurológicas.
Transtornos de aprendizagem
Outra terminologia recorrente na
literatura especializada é a palavra “transtorno”. Segundo a Classificação
de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de
Doenças - 10, elaborado pela Organização Mundial de Saúde:
O termo “transtorno” é usado
por toda a classificação, de forma a evitar problemas ainda maiores
inerentes ao uso de termos tais como “doença” ou “enfermidade”. “Transtorno”
não é um termo exato, porém é usado para indicar a existência de um conjunto
de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado, na
maioria dos casos, a sofrimento e interferência com funções pessoais
(CID - 10, 1992: 5).
A Classificação de Transtornos
Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças - 10
(ou, simplesmente CID - 10) situa os problemas referentes à aprendizagem na
classificação Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades
escolares (F81), que, por sua vez, está inserida na categoria mais ampla
de Transtornos do desenvolvimento psicológico (F80 - 89).
Segundo o CID - 10, todos os transtornos incluídos na categoria
Transtornos do desenvolvimento psicológico (F80 - 89), inclusive os
Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81),
possuem os seguintes aspectos em comum:
- um início que ocorre
invariavelmente no decorrer da infância;
- um comprometimento ou atraso no
desenvolvimento de funções que são fortemente relacionadas à maturação
biológica do sistema nervoso central;
- um curso estável que
não envolve remissões (desaparecimentos) e recaídas que tendem a ser
características de muitos transtornos mentais.
Segundo o CID - 10:
Na maioria dos casos, as funções
afetadas incluem linguagem, habilidades visuoespaciais e/ou coordenação
motora. É característico que os comprometimentos diminuam progressivamente à
medida que a criança cresce (embora déficits mais leves freqüentemente
perdurem na vida adulta). Em geral, a história é de um atraso ou
comprometimento que está presente desde tão cedo quando possa ser
confiavelmente detectado, sem nenhum período anterior de desenvolvimento
normal. A maioria dessas condições é mais comum em meninos que em meninas.
(Classificação de
Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de
Doenças - 10, 1992: 228).
Em relação aos Transtornos do
desenvolvimento psicológico (F80 - 89), o documento coloca que é
característicos a esses tipos de transtornos que uma história familiar de
transtornos similares ou relacionados esteja presente e que fatores
genéticos tenham um papel importante na etiologia (conjunto de possíveis
causas) de muitos (mas não de todos) os casos. Os fatores ambientais
freqüentemente podem influenciar as funções de desenvolvimento afetadas,
porém, na maioria dos casos, esses fatores não possuem uma influência
predominante. E adverte que, embora exista uma concordância na conceituação
global dos transtornos do desenvolvimento psicológico, a etiologia na
maioria dos casos é desconhecida e há incerteza contínua com respeito a
ambos (CID - 10, 1992: 228).
Acerca dos Transtornos
específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81), o documento
coloca que
(...) são transtornos nos
quais os padrões normais de aquisição de habilidades são perturbados desde
os estágios iniciais do desenvolvimento. Eles não são simplesmente uma
conseqüência de uma falta de oportunidade de aprender nem são decorrentes de
qualquer forma de traumatismo ou de doença cerebral adquirida. Ao contrário,
pensa-se que os transtornos originam-se de anormalidades no processo
cognitivo, que derivam em grande parte de algum tipo de disfunção biológica
(CID - 10, 1992: 236).
Quanto ao diagnóstico desses
tipos de transtornos, o CID - 10 alerta que existem cinco tipos de
dificuldades para que esse seja estabelecido, dos quais destacam-se:
- a necessidade de diferenciar os
transtornos de variações normais nas realizações escolares;
- a necessidade de levar em
consideração o curso do desenvolvimento, pois, em primeiro lugar, o
significado de um atraso de um ano em leitura, na idade de 7 anos é
diferente do atraso de um anos aos 14 anos de idade. Em segundo lugar, é
comum que um atraso de linguagem nos anos pré - escolares desapareça no que
diz respeito à linguagem falada, mas seja seguido por um atraso específico
na leitura, o qual, por sua vez, pode diminuir na adolescência, ou seja, a
condição é a mesma ao longo do tempo, mas o padrão se altera com o aumento
da idade;
- a dificuldade de que as
habilidades escolares têm que ser ensinadas e aprendidas: essas habilidades
não são apenas resultados da maturação biológica e, dessa maneira, o nível
de habilidades de uma criança dependerá das circunstâncias familiares e da
escolaridade, além de suas próprias características individuais.
Fazem parte da categoria
Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81),
as seguintes subcategorias:
F81.0 - Transtorno
específico da leitura
F81.1 - Transtorno
específico do soletrar
F81.2. - Transtorno
específico de habilidades aritméticas
F81.3 - Transtorno
misto das habilidades escolares
F81.8 - Outros
transtornos do desenvolvimento das habilidades escolares
F81.9 - Transtornos do
desenvolvimento das habilidades escolares, não especificado
De acordo com o CID - 10, os
Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares são
compostos por grupos de transtornos manifestados por comprometimentos
específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares,
comprometimentos esses que não são resultado direto de outros transtornos,
como o retardo mental, os déficits neurológicos grosseiros, os problemas
visuais ou auditivos não corrigidos ou as perturbações emocionais, embora
eles possam ocorrer simultaneamente com essas condições. Os transtornos
específicos do desenvolvimento das habilidades escolares geralmente ocorrem
junto com outras síndromes clínicas, como por exemplo, o transtorno de
déficit de atenção ou o transtorno de conduta, ou outros transtornos do
desenvolvimento, tais como o transtorno específico do desenvolvimento da
função motora ou os transtornos específicos do desenvolvimento da fala e
linguagem.
As possíveis causas dos
Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares não são
conhecidas, mas supõe-se que exista a predominância de fatores biológicos,
os quais interagem com fatores não biológicos, como oportunidade para
aprender e qualidade do ensino. É um fator diagnóstico importante que os
transtornos se manifestem durante os primeiros anos de escolaridade.
Portanto, segundo o CID - 10, o atraso do desempenho escolar de crianças em
um estágio posterior de suas vidas escolares, devido à falta de interesse, a
um ensino deficiente, a perturbações emocionais ou ao aumento ou mudança no
padrão de exigência das tarefas, não podem ser considerados Transtornos
específicos do desenvolvimento das habilidades escolares.
Ao lado da definição proposta
pelo CID - 10, apresentados a análise realizada por Moojen (1999) sobre o
conceito de Transtornos de Aprendizagem, a partir do Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais (DSM - IV). Segundo essa análise, o termo
Transtorno de Aprendizagem situa-se na categoria dos Transtornos
geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância ou adolescência,
sendo classificado em Transtorno de Leitura, Transtorno de Matemática e
Transtorno da Expressão Escrita. Os Transtornos de Aprendizagem são
diagnosticados quando o desempenho de indivíduos submetidos a testes
padronizados de leitura, matemática ou expressão escrita está
significativamente abaixo do esperado para a idade, escolarização e nível de
inteligência. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM
- IV) estima que a prevalência dos Transtornos de Aprendizagem seja na faixa
de 2 a 10% da população, dependendo da natureza da averiguação e das
definições explicadas.
Dificuldades ou problemas de
aprendizagem
Moojen (1999) afirma que, ao lado
do pequeno grupo de crianças que apresenta Transtornos de Aprendizagem
decorrente de imaturidade do desenvolvimento e/ou disfunção psiconeurológica,
existe um grupo muito maior de crianças que apresenta baixo rendimento
escolar em decorrência de fatores isolados ou em interação. As alterações
apresentadas por esse contingente maior de alunos poderiam ser designado
como “dificuldades de aprendizagem”. Participariam dessa conceituação os
atrasos no desempenho escolar por falta de interesse, perturbação emocional,
inadequação metodológica ou mudança no padrão de exigência da escola, ou
seja, alterações evolutivas normais que foram consideradas no passado como
alterações patológicas.
Pain (1981, citado por
Rubinstein, 1996) considera a dificuldade para aprender como um sintoma, que
cumpre uma função positiva tão integrativa como o aprender, e que pode ser
determinado por:
1. Fatores orgânicos:
relacionados com aspectos do funcionamento anatômico, como o funcionamento
dos órgãos dos sentidos e do sistema nervoso central;
2. Fatores específicos:
relacionados à dificuldades específicas do indivíduo, os quais não são
passíveis de constatação orgânica, mas que se manifestam na área da
linguagem ou na organização espacial e temporal, dentre outros;
3. Fatores psicógenos:
é necessário que se faça a distinção entre dificuldades de aprendizagem
decorrentes de um sintoma ou de uma inibição. Quando relacionado ao um
sintoma, o não aprender possui um significado inconsciente; quando
relacionado a uma inibição, trata-se de uma retração intelectual do ego,
ocorrendo uma diminuição das funções cognitivas que acaba por acarretar os
problemas para aprender;
4. Fatores
ambientais: relacionados às condições objetivas ambientais que podem
favorecer ou não a aprendizagem do indivíduo.
Fernández (1991)
também considera as dificuldades de aprendizagem como sintomas ou “fraturas”
no processo de aprendizagem, onde necessariamente estão em jogo quatro
níveis: o organismo, o corpo, a inteligência e o desejo. A dificuldade para
aprender, segundo a autora, seria o resultado da anulação das capacidades e
do bloqueamento das possibilidades de aprendizagem de um indivíduo e, a fim
de ilustrar essa condição, utiliza o termo inteligência aprisionada (atrapada,
no idioma original).
Para a autora, a origem das dificuldades ou problemas de aprendizagem não se
relaciona apenas à estrutura individual da criança, mas também à estrutura
familiar a que a criança está vinculada. As dificuldades de aprendizagem
estariam relacionadas às seguintes causas:
1. Causas externas à estrutura
familiar e individual: originariam o problema de aprendizagem reativo, o
qual afeta o aprender mas não aprisiona a inteligência e, geralmente, surge
do confronto entre o aluno e a instituição;
2. Causas internas à estrutura
familiar e individual: originariam o problema considerado como sintoma e
inibição, afetando a dinâmica de articulações necessárias entre organismo,
corpo, inteligência e desejo, causando o desejo inconsciente de não conhecer
e, portanto, de não aprender;
3. Modalidades de pensamento
derivadas de uma estrutura psicótica, as quais ocorrem em menor número de
casos;
4. Fatores de deficiência
orgânica: em casos mais raros.
A aprendizagem e seus desvios,
para Fernández, compreendem não somente a elaboração objetivante, como
também a elaboração subjetivante, as quais estão relacionadas às
experiências pessoais, aos intercâmbios afetivos e emocionais, recordações e
fantasias (Miranda, 2000).
Em busca de uma síntese (ainda
que provisória)
Em uma tentativa de síntese,
apresentaremos a proposta de análise de Romero (1995), o qual afirma que,
apesar da proliferação de teorias e modelos explicativos com a pretensão,
nem sempre bem - sucedida, de esclarecer as dificuldades aprendizagem, em
geral essas costumam ser atribuídas a:
1. Variáveis pessoais, como a
heterogeneidade ou a lesões cerebrais;
2. Variáveis ambientais, como
ambientes familiares e educacionais inadequados;
3. Combinação interativa de ambos
os tipos.
Segundo o autor, é possível
situar as diferentes teorias ou modelos de concepção das dificuldades de
aprendizagem em um contínuo pessoa - ambiente, dependendo da ênfase
na responsabilidade da pessoa ou do ambiente na causa da dificuldade.
Em um extremo estariam todas as
explicações que se centram no aluno e que compartilham a concepção da pessoa
como um ser ativo, considerando o organismo como a fonte de todos os atos.
No outro extremo, estariam situadas as correntes de cunho ambiental, que
estão ligadas, em maior ou menor grau, a uma concepção mecanicista do
desenvolvimento, considerando que a pessoa é controlada pelos estímulos do
ambiente externo.
Para melhor visualização,
reproduz-se abaixo o quadro originalmente elaborado pelo autor:
As teorias sobre a origem das
dificuldades de aprendizagem
situadas em um contínuo pessoa
- ambiente segundo a ênfase na importância
daquela ou deste na causa das
dificuldades
|
P
®
Teorias sobre déficits neurológicos
E
®
Teoria sobre déficits de processos
S
psiconeurológicos subjacentes: - Perceptivos
S
®
Linguísticos
O
®
Teorias sobre atrasos maturativos: Do Sistema Nervoso Central
A
®
De funções psicológicas
®
Teorias sobre deficiências no processamento ativo da informação
A
M
- Baseadas em processos
psicológicos subjacentes
B
®
Teorias integradoras - Baseadas no processamento da informação
I
E
®
Teorias centradas no ambiente
N sócio -
educacional do aluno: - No ambiente sociológico
T
- No ambiente educacional
E
®
Teorias centradas na tarefa
|
Fonte:
ROMERO, J. F. Os atrasos maturativos e as dificuldades de aprendizagem.
In: COLL. C., PALACIOS, J., MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico
e educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1995, v. 3
No entanto, segundo Romero
(1995), as posições nem sempre limitam-se a uma ou outra dessas categorias:
será difícil encontrar, nos dias de hoje, um defensor de causas neurológicas
que descarte completamente a importância dos diversos determinantes
ambientais, assim como que quem enfatiza a importância dos fatores puramente
acadêmicos não pode ignorar a influência de certos processos
psiconeurológicos e ambientais.
Nesse sentido, Scoz (1994: 22)
coloca que
(...) os problemas de
aprendizagem não são restringíveis nem a causas físicas ou psicológicas, nem
a análises das conjunturas sociais. É preciso compreendê-los a partir de um
enfoque multidimensal, que amalgame fatores orgânicos, cognitivos, afetivos,
sociais e pedagógicos, percebidos dentro das articulações sociais. Tanto
quanto a análise, as ações sobre os problemas de aprendizagem devem
inserir-se num movimento mais amplo de luta pela transformação da sociedade.
Portanto, em posições
intermediárias do contínuo pessoa - ambiente deve-se situar a maioria dos
autores, os quais defendem posturas integradoras e interacionistas, baseadas
em um concepção dialética das dificuldades de aprendizagem, na qual
posições aparentemente opostas podem dialogar e serem complementares entre
si. |