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PRÁTICAS INCLUSIVAS NA EDUCAÇÃO ESPECIAL

Valéria Ferreira Telles

Práticas inclusivas na educação especial para alunos com necessidades educacionais intelectuais

RESUMO
Neste artigo queremos apresentar um pouco do que é desenvolvido na Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio, em suas atividades práticas inclusivas, onde temos por objetivo educar através do lúdico, naquilo que dê prazer para que o aluno chegue ao aprendizado, para que pais e outras unidades escolares procurem o trabalho especializado para melhor desenvolvimento de seus filhos e alunos.

Selecionamos algumas atividades práticas e inclusivas realizadas com os alunos, onde muito é feito através da comunicação.

Palavra chave: práticas, comunicação, alunos.

ABSTRACT
In this article we present a bit of what is developed at the School Teacher Luiza Helena Medicine, in their activities inclusive practices, where we have to educate through play, what gives pleasure to the student arrives to learning, for parents and other school units seek the specialized work for the better development of their children and students.
Select a few practical activities and inclusive place with students, where much is done through communication.

Keywords: practices, communication, students.


1-A ESCOLA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS INTELECTUAIS
A Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio (UEPLHR) funciona no Bairro Campinho, em Araras. Atende alunos com múltiplas deficiências da área de abrangência da cidade de Araras, com idade inicial de três anos, e temos alunos já com 28 anos, a escola atende hoje 34 alunos divididos no período da manhã e da tarde. Os alunos têm na sua maioria Paralisia Cerebral associada com outra deficiência (PC e Visual, PC e Autista, etc.), havendo também alunos com Surda Cegueira, Mielomeningocele, Hidrocefalia, e muitos deles são cadeirantes.

Alguns alunos com o mental menos prejudicado e com condições de aprendizagem tiveram a possibilidade à inclusão no ensino regular, frequentando a Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio em Salas de Recurso com professores especializados. Inseridos numa comunidade escolar que se enriquece na compreensão e aceitação das diferenças de cada um, alunos com necessidades educacionais intelectuais e os ditos “normais” partilham o seu percurso de desenvolvimento pessoal e escolar, juntos em alguns projetos e atividades promovendo-se deste modo a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino e à educação, tornando efetivo para todos: O direito à educação

“O direito a igualdade de oportunidades, o que não significa um “modo igual” de educar a todos e sim dar a cada o que necessitam, em função de suas características e necessidades individuais.”     

Acompanhando o processo de mudanças, as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº 2/2001, no artigo 2º, determinam que:

Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educando com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (MEC/SEESP, 2001).

As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar a escolarização, porém, ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular, não potencializa a adoção de uma política de educação inclusiva na rede pública de ensino prevista no seu artigo 2º.

O percurso no sentido da inclusão desses alunos foi feito da forma significativa, em escolas onde houvesse condições de acessibilidade.

Para que estes alunos tenham igualdade de oportunidades para realização da aprendizagem do currículo nacional, é necessário que a escola se organize viabilizando respostas que contemplem a verdadeira inclusão dos alunos com necessidades educacionais intelectuais – na gestão de recursos humanos e materiais, na gestão dos currículos, nos espaços, na constituição de turmas, nos horários, nas ações de formação e sensibilização da comunidade escolar.

A Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio é constituída pelos seguintes profissionais: Diretor, Coordenador Pedagógico, Professores especializados e em formação especialista, Psicóloga, Fisioterapeuta, Técnica em Enfermagem, Auxiliares Assistencial, Monitoras, Motoristas, Cozinheira, Serventes e Secretária de Escola.

Constituindo-se a Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio como uma equipe multidisciplinar que se organizou em torno de objetivos comuns, teve sempre como primeira instância o projeto educativo lúdico e prazeroso de cada indivíduo/aluno. Assim, tendo sido desenvolvido um trabalho muito ativo de sensibilização e envolvimento, procurando sempre evoluir nas práticas desenvolvidas, na aquisição das respostas e no seu modelo de organização/funcionamento.

Na Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio há Classes de Estimulação Pedagógica, Classes de Alfabetização e Salas de Recurso. Quando a Unidade Escolar fica sabendo de algum caso, pode ser feita a visita à família e/ou a criança ser encaminhada para a escola especial. A criança recebida passa por um processo de avaliação, com Psicóloga, Fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional, Fisioterapeuta, Assistente Social, Coordenadora Pedagógica, denominando após a classe que poderá frequentar na Escola Especial.

2-ATIVIDADES PRÁTICAS EDUCATIVAS E INCLUSIVAS
São realizadas atividades que desenvolvam a criança como um todo, de acordo com seu nível etário, procurando privilegiar a área da comunicação, uma vez que a mesma está sempre presente de alguma forma e muitas vezes é a mais deficitária.


                                     
O trabalho do professor, a tempo inteiro, é fundamental na aquisição e desenvolvimento das crianças com necessidades educacionais especiais.

Todos os conceitos são aprendidos através da comunicação, em contextos naturais e em situações de aprendizagens mais formais.

O trabalho realizado em nível de comunicação desenvolve-se a partir de vivências das crianças em relatos que, inicialmente, nos chegam através da família (por contatos diretos ou até por registros escritos e também em alguns casos quando a criança já nos consegue contar).

Na Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio é utilizado um quadro de horários com as aulas da semana, onde temos:
• Linguagem Oral e Escrita;
• Identidade e Autonomia;
• Matemática;
• Desenvolvimento de Habilidades Manuais;
• Biblioteca;
• Brinquedoteca;
• Movimento;
• Recreação;
• Atividades da Vida Diária e
• Atividades da Vida Prática.

Este quadro ajuda a organizar o funcionamento da sala, sempre que é falado ou mostrado as aulas do dia para a criança, faz com que ela participe e construa a consciência do tempo a partir das vivencias e ritmos, a regular comportamentos, à iniciação da leitura global, à descoberta da matemática.

                

Também é iniciada a aprendizagem da matemática, de forma mais formalizada, através de jogos individuais e de grupo, da exploração de materiais manipuláveis, da descoberta do número e de iniciação às operações, utilizando sempre a melhor (mais fácil) comunicação para o aluno.

Todas as aprendizagens passam por situações de concretização – palpáveis, visíveis, sentidas, dramatizadas – sempre de forma lúdica em que a descoberta é uma constante. Em simultânea, fazemos registros fotográficos de forma a realizar, em alguns casos, registros escritos e ilustrados, que ficam passíveis de utilizar em qualquer momento: para fazer comparações, consultar e recordar. Estes registros são um meio para desenvolver a comunicação, na sala, em grupos maiores e em casa. A partir destas vivências podemos despertar na criança o desejo de ler e escrever, uma vez que este é o meio de acesso a informação.

Muitas das salas da Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio faz uso de uma pasta de Comunicação Alternativa para cada aluno, onde ficam figuras de revistas, cada figura em uma folha e cada uma com seu nome escrito abaixo, nessa pasta há também foto do aluno e familiares. Este material é enriquecido a cada semana ou necessidade do aluno estando sempre acessível e ampliando seu vocabulário.              
         


Usamos também um programa para Windows chamado Boardmaker que ajuda na confecção de pranchas de comunicação, pois possui diversos caracteres ligados por temas e de acordo com a necessidade do aluno pode-se montar a prancha adequada. 

Há na Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio um Projeto de Adaptação que tem como objetivo adaptar conteúdos, atividades e materiais de acordo com as necessidades de cada aluno, para que possam sentir-se efetivamente incluídos e participarem ativamente das atividades desenvolvidas em sala de aula facilitando o seu processo de aprendizagem e dando maior independência aos mesmos. Além de toda a adaptação quanto aos conteúdos e materiais, faz-se necessário um entrosamento entre os docentes e coordenadores envolvidos no trabalho de inclusão dos alunos com dificuldade motora, sendo a professora da classe regular, a professora da sala de recurso e a professora do projeto de adaptação, onde todas devem estar atentas ao nível de desenvolvimento de cada aluno.

A adaptação dos conteúdos, atividades e materiais são previamente preparadas pela professora da classe regular e passadas para a professora do projeto, que os adapta e devolve para a professora regular, a fim de proporcionar aos alunos a oportunidade de desenvolverem habilidades e capacidades que os tornem capaz de progredir nos estudos.

Esse projeto é desenvolvido dentro da Unidade Escolar Professora Luiza Helena Remédio pela professora do projeto que apóia a professora da classe regular e os alunos envolvidos e em parceria com a professora da sala de recurso, sob orientação e supervisão da Coordenadora do Ensino Especial.


 
Como diz Veiga - Neto (2005), o desafio é por uma boa escola para todos, o que afirma a luta não só por igualdade entre os alunos especiais e os demais como também pelas diferenças, o que implica a inclusão das múltiplas necessidades de cada um. Se for fundamental certo pragmatismo nos embates por direitos iguais, evidencia o autor, não é menos importante a ampliação dos espaços polêmicos em torno dos modos de funcionamento da escola frente à sociedade que queremos construir. Beyer (2006) estabelece que uma prática pedagógica para qualquer aluno esteja atenta ao fato de que o acolhimento à diversidade passa pelo trabalho da diferença. Diferença, aqui, constitui-se no tensionamento produzido pela decalagem, a sincronia que modula as experiências nas situações que resistem à rotina, aos planejamentos, dando o que pensar aos implicados no curso da ação e que pode levar a transformações da inquietação vivenciada em indagação, em pesquisa que cria outros possíveis de trabalho (Rocha, 2006). Nesse sentido, a educação inclusiva pode constituir-se em dispositivo de atenção à vida e de mudanças mais efetivas nas práticas de um ensinar e aprender coletivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O percurso que até aqui realizamos é ainda um caminho em construção, persistente na procura de soluções mais eficazes e adequadas para a aprendizagem de cada aluno que transita da unidade para os seus projetos de vida.

Sabemos da importância que tem para o desenvolvimento do aluno com necessidades educacionais intelectuais, as práticas inclusivas, a aprendizagem e desenvolvimento da comunicação é sempre um desafio que nos inquieta, para o qual estaremos sempre em busca de solução.

Alguns até poderão aprender, num caminho longo e persistente, outros não, dependente também da vontade e possibilidade de cada um.

A oportunidade que cada um dos nossos alunos com necessidades educacionais intelectuais, de adquirir e desenvolver a comunicação e a prática educativa tem implicações bem visíveis no seu percurso escolar e de vida. Uns seguem os seus sonhos e prosseguem os estudos frequentando a rede regular, outros se frustram com a ida querendo voltar, na possibilidade de estarem apenas na Educação Especial, outros ainda seguem-nos por não ter a condição de frequentar à rede regular. Mas outros perderam tempo de vida primeiro que lhes vedam agora o acesso a sonhos que também tem.

E é por todos eles que temos de continuar juntos à procura de respostas cada vez melhores.

Beyer, H. O. (2006). Da integração escolar à educação inclusiva: implicações pedagógicas. In: Baptista, C. R. (Org.). Inclusão e escolarização: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Mediação. p. 73-82.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Imprensa Oficial, 1988.
BRASIL. Ministério da Educação. Necessidades Especiais de Educação: Práticas de Sucesso, julho de 2006.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Secretaria de Educação Especial - MEC/SEESP, 2001.
Rocha, M. L. (2006). Identidade e diferença em movimento: ressonâncias da obra de Deleuze. Revista do Departamento de Psicologia da UFF, 2 (18), 79-88.
Veiga - Neto, A. (2005). Quando a inclusão pode ser uma forma de exclusão.
In: Machado, A. M. et al. (Org.). Psicologia e direitos humanos: escola inclusiva: direitos humanos na escola. São Paulo: Casa do Psicólogo. p. 55-70.

Publicado em 20/07/2010 17:13:00


Valéria Ferreira Telles - Professora com especialização em Educação Especial, trabalhando a 11 anos em escola com Múltiplas deficiências.

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