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AUTO-ESTIMA

Solange Gomes da Fonseca

AUTO-ESTIMA: a moldura do retrato dos alunos de Educação de Jovens e Adultos (EJA)

A auto-estima é o conjunto de crenças e atitudes que você tem em relação a si mesmo e ao pensamento do outro com relação às suas capacidades. Poderíamos dizer que a auto-estima é ter amor próprio, é se gostar, é ser positivo em relação aos acontecimentos da vida, por piores que pareçam.
  
Ter auto-estima é ter autoconfiança, é ser feliz, ter auto-respeito, ser seguro. É gostar do mundo. Todavia, todos estes conceitos de auto-estima não são aplicados aos alunos de EJA, pois vivem uma realidade que os faz desacreditar na sua própria capacidade cognitiva, e seu amor próprio esta comprometidos com toda sua trajetória sofrida de vida e sua consciência no seu valor pessoal; cabendo ao educador desses alunos o grande desafio de encontrar meios de fazer todos eles acreditarem em seu potencial.

O que não podemos nunca é esquecer, que o homem é um ser em constante movimentação, adaptação, evolução e busca, incessantemente, novas descobertas e acaba por se desafiar na busca do que acredita ser ideal, podendo incluir a família ideal, a situação economica ideal, a sociedade ideal e incluindo nesta, a busca por uma educação ideal oferecida a todos pelas leis educacionais do país.

O que os educadores de EJA necessitam é ter mais consciência de que a educação ideal para todos os indivíduos contribuirá na formação de uma sociedade mais humanizada e competente, mas o que nos deparamos nessa modalidade de ensino são com situações assustadoras que ocorrem no processo educativo, sistêmico e assistemico, de nossos jovens e adultos, que já trazem consigo uma imagem destruída e sacrificada por sua condição socioeconômica ao longo de toda sua vida.

É papel do educador amenizar e permitir a esse grupo de alunos mais confiança, adquirindo sua auto-estima e, assim trabalhando com a formação de seres humanos, na gestão de pessoas que precisam estar atentos a tudo que ocorre ao seu redor, administrando profissionalmente, estes alunos de EJA para enfrentarem as novas situações no seu cotidiano.

São muitos os desafios a serem enfrentados num ambiente escolar de alunos jovens e adultos, principalmente, no que diz respeito ao amor próprio desses indivíduos que perderam sua auto-estima, mediante as dificuldades que a vida os conduziu. Por este motivo, o processo de formação pela qual o profissional da educação passa a requerer é a qualidade e o comprometimento de todos os envolvidos. E os professores engajados nesse ensino devem conhecer as dificuldades e os desafios diários de um ambiente escolar alfabetizador de jovens e adultos, atuando numa pedagogia transformadora e não reprodutora.

A auto-estima, um assunto de que muito se fala dos alunos de EJA, mas sobre o qual, atualmente, pouco ou quase nada se escreve, parece ter sido relegado aos manuais de auto-ajuda que se difundiram espantosamente no final do século passado.

Na tentativa de resgatar a auto-estima desses alunos jovens e adultos, que cada dia, como presenciamos muitas vezes em nossa vivencia na instituição escolar esta indefesa e abalada, sendo confundidas com as de uma ciência moderna que esta sendo construída, como uma das valiosas conquistas da humanidade.

Para os alunos de EJA, sua auto-estima é freqüentemente, relacionada ao bem-estar físico e mental, na grande maioria das vezes, reflete-se nas suas condições físicas, na aparência e em muitas evidencias comportamentais no seu dia-a-dia. Essa auto-estima é considerada como uma expressão da relação unívoca entre a mente e o corpo, o que significa uma unidade dividida, apenas sob o ponto de vista humano.

Tratar da auto-estima dos alunos de EJA torna-se uma necessidade urgente, especialmente para os que trabalham em instituições escolares, onde o corpo e a mente desses indivíduos sofrem com o descaso e o despreparo dos profissionais, que não recebem uma formação continuada para lidar com esses alunos em suas práticas pedagógicas de sala de aula.

A importância da afetividade na EJA modifica o convívio diario e serve como elemento facilitador de aprendizagem.
A relação de confiança entre os alunos e destes com os professores é fundamental, pois proporciona o desembaraço, a criatividade, o enfrentamento aos novos desafios. Porem, o que devemos ter em mente é que esses laços não podem ser estabelecidos de maneira forçada ou obrigatória e, sim de forma espontânea.

A interação em sala de aula é um dos principais papeis dos educadores, a fim de proporcionar momentos ou dinâmicas que são ampliadas de saberes e que as historias de vida, seja, consideradas e os vínculos se criem por afinidade e empatia, por encanto e confiança entre os alunos e os professores.

Sendo, obvio que toda relação ou vinculo, seja de amizade ou profissional, deve ser construída através do respeito às individualidades e vivencias trazida por cada um.

O afeto, o saber ouvir, o aprender com o aluno, muitas vezes são mais importantes que algumas formalidades estabelecidas nas praticas escolares; evitando o rebaixamento da auto-estima que se expressa por sentimentos de desvalia, de vergonha, de inadequação, que é a “moldura” cruel do retrato desses alunos. Afinal de contas, a sensação de sentimentos prazerosos de nos mesmos não pode ser algo delegado a um segundo plano, ou a uma ilusão apenas de superfície, já que so temos uma única vida e vivê-la bem e em sua plenitude é o que nos resta, e o que esses alunos jovens e adultos, que já foram tão prejudicados pelo seu meio socioeconômico espera, das políticas pedagógicas de nossos órgãos governamentais é uma implementação pedagógica nas escolas, com a participação do diretor, equipe pedagógica e professores para o auxilio no acompanhamento, desenvolvimento, programação das atividades e a necessidade de praticas educativas mais afetivas por parte dos professores desta modalidade de ensino.

Embora, esses alunos tragam consigo uma vasta bagagem de conhecimentos adquiridos como experiência de vida, ao busca pela escola procuram obter a educação formal que garanta oportunidades de emprego.

Um sentimento freqüentemente associado ao universo de EJA é a baixa auto-estima, resultante das situações de fracasso vivenciadas como exclusão social e repetência escolar. Outro sentimento é a vergonha de sua condição de iletrado, pois a falta de leitura e escrita prejudica a qualidade de vida desses alunos, dificultando as oportunidades no mundo do trabalho.

Para tanto, apontamos a importância da relação professor/aluno, que deve agir como mediador das relações afetivas, que não podem ser ignoradas e que precisam ser levadas em conta no planejamento das atividades escolares, pois as decisões assumidas pelo professor é o divisor de águas entre o sucesso e o fracasso na experiência da aprendizagem e a elevação da auto-estima desses alunos.

O aluno de EJA quer ser visto como um individuo com possibilidades de mudanças e potencial para atuar numa sociedade e, não apenas como uma pessoa que retorna aos bancos escolares em busca do “tempo perdido” na sua infância.

A “moldura” do retrato dos alunos de EJA é exposta pela auto-estima, onde mesmo sendo alunos adultos, o professor pode ser o exemplo de vida para eles através do incentivo na realização das atividades, mostrando o quanto são capazes, não importando a diferença de idade que esta presente entre eles.

Para finalizar, concluímos que a auto-estima influi consideravelmente no rendimento escolar dos alunos e, que através dela poderão sentir mais prazer na realização das atividades, tornando-se possível ao aluno jovem e adulto se permitir a uma expressão de afeto, desenvolvendo relações de confiança com seu grupo e permitindo a si mesmo e a sociedade, uma “moldura perfeita” no seu retrato de alunos de EJA.

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Publicado em 20/07/2010 17:06:00


Solange Gomes da Fonseca - Graduada em Portugues/Literatura pela Universidade SUAM no Rio de Janeiro, ano 1979. Especialista em Linguagem pela Faculdase Internacional de Curitiba, ano de 2004, e membro do grupo de pesquisa Linguagem e Cultura da UFPR.

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