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ENSINO RELIGIOSO : UMA VISÃO PSICOPEDAGÓGICA

Mara Musa Soares Silveira

Tendo em vista que o psicopedagogo é um pesquisador em ação na busca de alternativas para minimizar e ou prevenir conflitos na busca de soluções, quer seja, na questão da aprendizagem ou entre outras que possam surgir na área de educação e saúde do escolar, isto faz com que se venha a fazer uma reflexão sobre o ensino religioso nas escolas públicas. Atualmente o assunto em questão vem sendo discutido com grande ênfase na opinião da comunidade acadêmica. Acredita-se que a inclusão desta disciplina na grade curricular beneficiará o ambiente escolar, visando à diminuição de atos de violência dentro e fora da escola. Nos dias atuais é comum ver o medo de alguns profissionais que estão ingressando no mercado de trabalho, quando são encaminhados para realização da disciliplina de Estágio Supervisionado dentro das instituições públicas de ensino. Eles têm sempre um leque de histórias pra contarem. Então, o que fazer para sensibilizar alunos, professores e comunidade estudantil para ações que promovam a paz? Reflitamos juntos: professores com medo dos alunos e alunos com medo dos colegas e do professor. A transmissão de valores foi um dos principais argumentos utilizados para solucionar a questão. A Esperança Divina na formação do caráter do indivíduo foi um dos recursos utilizados para tentar resolver o problema. A advogada, Maria Lúcia Amary, que foi uma das autoras e orientadora das escolas, ressalta que, já se percebe a mudança de comportamento dos alunos nas Instituições de ensino onde projeto foi implantado. Educadores do passado, como Rousseau dizia no Emílio: ”O culto essencial é o do coração. Deus não rejeita nenhuma homenagem, quando sincera, sob qualquer forma que lhe seja oferecida.” (Rousseau, 1967:627). Pestalozzi também se pronuncia afirmando: ”Conservação dos sentimentos piedosos da criança: elevação à Religião e à virtude com plena consciência e conhecimento de seus deveres: estimulo a uma alegre atividade autônoma da criança; estímulo à pesquisa e à reflexão pessoal e através de tudo isso, promover a aprendizagem do conhecimento e das qualidades que a vida exige.” (Pestalozzi, 1980:59).
Todavia, alguns estudiosos ressaltam a existência de duas vertentes de pensamentos antagônicos com fortes argumentos de pesquisadores. A comunidade cientifica se pronuncia, alguns contra, outros a favor, mostrando seus pontos de vista coerentemente, através de dados fornecidos pelo IBGE e alguns relatos de profissionais diversificados da área do Direito, pedagogos, sociólogos, teólogos, filósofos, antropólogos e a comunidade escolar como um todo. Diante desse fato, é de suma importância repensar as relações entre família, escola, Estado e sociedade no processo educativo. Como responsáveis na formação do educando, tendo como objetivo principal, o desenvolvimento cognitivo, afetivo, físico e social é importante que se faça um trabalho de sensibilização no despertar da espiritualidade da criança, do jovem e adolescente. Não quero aqui defender um ensino religioso obtendo como resposta do aprendente uma fé cega, mas sim, uma fé raciocinada, na leitura das Escrituras Sagradas, visualizando um futuro próximo formado por profissionais que poderão, um dia, como cidadãos responsáveis, participar ativamente das decisões do nosso país. Entretanto, muitas vezes, quer por receio ou por considerar o assunto sem nenhuma relevância, nos furtamos de expor nossos próprios pensamentos e, então, somos cobrados como omissos pela opinião pública. Pude constatar este fato ao participar de um curso na área de recursos humanos quando foi abordado o assunto da solidariedade, do respeito, da violência verbal e emocional, do compromisso, da ética e da moralidade humana entre os membros da equipe de trabalho. A pergunta para os grupos era a seguinte: “Na sua instituição, em sua área de atuação você acha importante à leitura de um dos livros mais vendidos no mercado: a Bíblia Sagrada?” Você conhece alguma pessoa que lê e coloca seus ensinamentos em prática? A grande maioria respondeu que lia a Bíblia, porém, consideravam muito difícil de interpretá-la, e acreditavam que, se seu estudo fosse matéria escolar desde épocas atrás, o mundo atual seria outro. Afirmaram ainda que a Palavra de Deus nos revela ensinamentos valiosos, que se fossem aplicados em nossa vida diária o mundo seria menos violento, as pessoas mais compreensivas e tolerantes uma com as outras, o mal seria vencido com o bem, as pessoas seriam mais sábias para viver em comunhão com o outro, entre outras coisas mais. Foi desta experiência que surgiu subsídios para escrever este artigo, quanto iniciei, então, a pesquisa sobre a leitura e o ensino religioso nas instituições de ensino. Em minha área de trabalho o assunto foi tão debatido que foram criados grupos de estudos bíblicos. Acho muito importante a leitura coletiva de um versículo e a interpretação que cada membro do grupo faz e compartilha com os demais. A troca de conhecimentos nos faz refletir e cada vez mais nos motiva ir à busca do saber. O livro de Provérbios, escrito no antigo testamento por Salomão, filho de Davi, que era rei de Israel, é uma verdadeira fonte de sabedoria e justiça, assim como, o livro de Eclesiastes, que retrata o aconselhamento para a vida diária. E a Psicopedagogia o que tem a ver com tudo isso? Em outras palavras, quero dizer que o papel do psicopedagogo neste processo objetiva ser de um mediador entre família, escola e sociedade civil, já que trabalha com o processo de leitura, compreensão e interpretação textual. Quero esclarecer que não defendo, aqui, nenhuma denominação religiosa, seja ela qual for, mas o simples ensino das Escrituras Sagradas. Pois se Deus, sendo um Ser Supremo, soberano e justo, não obriga a ninguém seguir seus ensinamentos, no entanto, nos deu o livre arbítrio, para escolhermos os nossos próprios caminhos, e, se são ofertadas tantas outras fontes de leituras aos aprendentes, sem questionar, na maioria das vezes, as ideologias embutidas em tais obras ou a idoneidade de seus autores, por que não oferecer-lhes a oportunidade de conhecer o ponto de vista Daquele que lhes criou como suas criaturas através das Escrituras Sagradas – documento com origem histórica e arqueológica plenamente comprovada? Enfim, acho de suma importância o ensino religioso (ensino bíblico) dentro da escola. O desafio é encontrar mestres, que sejam conscientes e neutros em sua religiosidade. Para transmitir os conhecimentos bíblicos, necessitamos de educadores verdadeiramente comprometidos com a moralidade, pois os pais enfatizam muito este aspecto. Porque você ensina a teoria e o aprendente te observa, se você faz na prática aquilo que ensina. Como mãe também, entendo a preocupação dos pais, em relação à transmissão dos conteúdos. Da forma, como vai ser abordado o assunto do pecado, da desobediência as leis de Deus, da questão da morte, entre outros mais. No entanto, os alunos vão aprender também sobre o amor, o perdão e as virtudes que deverão ser cultivadas. Assim como a oração e o louvor a Deus, que segundo, as escrituras sagradas são nossos verdadeiros alimentos espirituais. Finalizo ressaltando que é importante conhecer as escrituras descobrir, na visão dos seus livros, argumentos para defender seu ponto de vista, já que, só podemos opinar sobre determinado tema, quando temos algum conhecimento prévio sobre o mesmo.

Referências Bibliográficas:
ALVES, Rubem. Dogmatismo e Tolerância, Ed. Paulinas.
BOFF, Leonardo. Igreja, carisma e Poder. Ed. Vozes.
CHRISTO, Carlos Alberto Libanio.Talita abre a porta dos evangelhos.Ed.Moderna
___________________________ Sinfonia Universal-a cosmovisão de Teilhard de Chardin.Ed. Moderna.
INCONTRI, DORA&BIGHETO, Alessandro – Ensino Religioso sem Proselitismo. É Possível?
CATÃO, Francisco. O fenômeno religioso. São Paulo: Letras&letras, 1995.
CAMILO, Janaína. Ensino Religioso na Escola Pública – Uma Mudança de Paradgma /Revista de Estudos da Religião – N. 2/2004/PP.26-36 - ISSN1677-1222.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. (Euvres Completes). Vol. 4. Paris. Gallimard, 1967.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 1997.
Resolução de 27/07/2001 que regulamenta o Artigo 33 da Lei 9394/96. São Paulo, Conselho Estadual de Educação, 2001.
Fórum Nacional Permanente do ensino religioso. Parâmetros Curriculares Nacionais. Ensino Religioso. São Paulo, Ed. Ave Maria, 1998.

Sites Visitados:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,ERT11556-15204-11556-393400.html
www.mundodosfilosofos.com.br/pencristao.htm
http://www.filosofia.com.br/vi¬_entr.php?id=18
http://www.elielvieira.org/2008/11sou-evangelico.html
http://www.psicopedagogia.com.br
http://www.hottopos.com/videtur13/dora.htm
Ciberteologia – Revista de Teologia & Cultura – Ano III, n. 18.
www.pucsp.br/rever/rv2_2004/p_camilo.pdf

Publicado em 27/01/2010 16:30:00


Mara Musa Soares Silveira - Graduada em Filosofia com Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional.

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