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A PSICOPEDAGOGIA FRENTE AO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO: ÂMBITO DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA, PSICANÁLISE E NEUROPSICOLOGIA

Simone dos Santos Antonio

Trabalho apresentado ao Curso de Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional, FATEC – Faculdade de Tecnologia Internacional no ano de 2009, sob orientação da Profº. Regiane Banzzatto Bergamo.

RESUMO
O docente precisa motivar seus alunos para que se sintam estimulados para o seu desenvolvimento, proporcionando um ambiente que conferir ao aluno criar, comparar, discutir e perguntar, ou seja, aplicar os conhecimentos. A intenção desse trabalho é proporcionar ao educador uma maior sensibilidade para ir além do simples trabalho de transferir ao aluno conhecimento, é saber o que cada um trás consigo, inclusive, acontecimento particulares, familiares e até mesmo de fases anteriores no seu desenvolvimento. As teorias aqui abordadas, tais como a psicanálise, epistemologia genética e neuropsicologia, cada uma com os seus seguidores, estudiosos e conceitos, se encontram em um único objetivo a exemplificação da aprendizagem, a fim de facilitar, o desenvolvimento cognitivo, através do conhecimento, memória e do pensamento. O psicopedagogo tem um papel muito importante nesse processo de ensino-aprendizagem, que é o de conhecer os pressupostos básicos década corrente teórica, a fim de atuar precisamente nos problemas diagnosticados.

Palavras-chave:
Psicopedagogo, psicanálise, epistemologia genética, neuropsicologia, aprendizagem.

INTRODUÇÃO
A psicopedagogia é uma área que prepara para educar e ensinar. Esse profissional é aquele que faz a intervenção, quando necessária, principalmente na educação infantil, tem um papel crucial nas soluções de problemas no processo de ensino-aprendizagem.
A epistemologia genética é uma teoria desenvolvida pelo biólogo Jean Piaget, que sempre viu a educação como sendo uma condição essencial para o alcance da liberdade do homem. Sua maior contribuição foram os estudos voltados ao conhecimento e aos mecanismos que os produzem. Nota-se a necessidade de destacar o significado do nome dado por Piaget a sua teoria, “epistemologia genética”, que em poucas palavras seria definida como a teoria da origem do conhecimento. Conforme Balestra (2007) surgiu esse nome pelo fato do mesmo afirmar sempre que “não há gênese sem estrutura, nem estrutura sem gênese”. 
Piaget sempre sonhou com uma sociedade mais justa e igualitária e com sua teoria ele contribuiu para que essa sociedade se desenvolvesse principalmente com os seus estudos sobre a formação e o desenvolvimento mental da criança, permitindo que a prática pedagógica se adequasse.
A psicanálise por sua vez, foi desenvolvida por Sigmund Freud em 1896 e é utilizada em diferentes áreas da educação, tornou-se um conhecimento indispensável ao educador para se fundamentar em determinadas práticas educativas. Assis (2007) ressalta que se torna difícil, ou até mesmo, impossível, educar o mundo sem aplicarmos o conhecimento que a psicanálise nos traz. Acrescenta ainda que os objetos de estudos dessa teoria são: a constituição do sujeito; determinação de pulsões, dos desejos e dos outro no processo de desenvolvimento; mecanismo de defesa; fases do desenvolvimento psicossexual.
Na Neuropsicologia vamos identificar o cérebro como o maior instrumento da evolução humana e que devemos exercitá-lo sempre para que o mesmo tenha utilidade. Nosso cérebro é dividido em dois hemisférios, porém trabalham em conjunto, principalmente no exercício do nosso foco, ou seja, a aprendizagem.
Através da neuropsicologia é lançado um desafio aos educadores, o de conhecer o cérebro de seus aprendizes e o seu funcionamento, pois cada um apresenta suas particularidades e características.

DESENVOLVIMENTO
1. O papel da afetividade: um fator de aprendizagem
Existe um paralelo constante entre a vida afetiva e a inteligência no período que vai da infância à adolescência dos seres humanos. (BALESTRA, 2007, p. 47)
Nas décadas de 1950 e 1960, Henri Wallon, desenvolveu uma teoria em que a afetividade ocupava um lugar de destaque no processo de aprendizagem. O autor afirmar que a afetividade (interações culturais) e a inteligência (interações pessoais) desenvolvem-se juntas desde o primeiro ano de vida da criança.
A afetividade é muito importante, assim como no ambiente escolar, pois contribui para o processo ensino-aprendizagem, considerando que o professor não só deve transmitir conhecimentos, mas sim ouvir os alunos e estabelecer uma relação de troca.
Moura (2005) afirma “Afetividade no ambiente escolar é se preocupar com os alunos, é reconhecê-los como indivíduos autônomos, com uma experiência de vida diferente da sua, com direito a ter preferências e desejos nem sempre iguais ao do professor”.
1.1 O afeto na epistemologia genética
Para Jean Piaget, o afeto desempenha um papel essencial no funcionamento da inteligência, afirma que o mesmo é uma energia para o desenvolvimento cognitivo. Sendo assim, dividiu a afetividade em fases de acordo com o desenvolvimento da criança:
• De O anos a 2 anos: a afetividade está voltada para o “Eu”, as carências da criança são marcadas pelas necessidades orgânicas;
• De 3 anos à 6 anos: interligada com o desenvolvimento da inteligência, a afetividade se manifesta com noção de “permanência do objeto”. Nessa fase se manifesta sentimentos de antipatia e simpatia em suas relações interindividuais e suas atitudes afetivas e intelectuais são de submissão em relação ao adulto;
• De 7 anos aos 11 anos: as sensações de sucesso ou fracasso dos atos intencionais, dos esforços e dos interesses são acompanhados dos sentimentos de alegria e tristeza. Os estados afetivos estão ligados às ações da própria criança e podemos perceber o surgimento de novos sentimentos morais, submetidos à influência da própria vontade e a tendência ao autoconhecimento;
Conforme Balestra (2007) a avaliação do psicopedagogo diante do desempenho escolar, é preciso identificar se o(s) problema(s) decorre(m) de uma limitação cognitiva ou de uma limitação afetiva. Cabendo ao mesmo averiguar de onde vem a dificuldade da criança.

1.2 O afeto na psicanálise
No contexto dessa corrente o afeto é que determina a aprendizagem, pois é ele o grande responsável pela geração do desejo de saber no ser humano. Sigmund Freud especifica, de acordo com Moura (2005) que a afetividade influi na construção do conhecimento de forma essencial através da pulsão de vida e da busca pela excelência.
Winnicott, médico pediatra foi o pioneiro da psicanálise de crianças na Grã-Bretanha, apesar de situar-se como um psicanalista freudiano, discordava em muitos aspectos do pai da psicanálise, Freud. Winnicott verificou a importância fundamental do afeto materno à criança, ao observar que quando elas são provadas desse afeto, tende a cair em depressão e comportamento anti-sociais, a fim de encontrar por trás desses atos uma boa mãe.
Assis (2007) nos chama a atenção no sentido de que as questões afetivas encontram-se sempre na base da compreensão do mundo, da criatividade, etc, sendo fundamentais para o conhecimento e para a prática da aprendizagem cultural, social e escolar.
Outro aspecto importante a destacar-se sobre a afetividade na teoria da psicanálise são os fenômenos transicionais desenvolvidos por Winnicott, que são fenômenos que ocorrem na passagem que gera desenvolvimento, que permite uma relação com um objeto transicional. Por exemplo, na falta do seio materno a criança coloca a mão ou até mesmo objetos na boca para satisfazer suas pulsões orais e esta estabelece ligações afetivas com o objeto, que representa para a criança a sua mãe, na qual pode depositar suas pulsões.
Diante disso, Assis (2007) destaca a “importância afetiva dos objetos como a chupeta, que representa o conforto do seio da mãe, e o cobertor do qual não se separa na ausência desta, pois representa a sua proteção, a sua presença”.  Sendo assim, os objetos que “substituem” a mãe são importantes, pois representam a transição da dependência total da mãe para uma pequena autonomia que permite a criança viver sem a presença da mesma, embora inicialmente a representando por um objeto.
A figura da mãe nesse processo é muito importante, pois é esta que proporciona espaço para que a criança aos poucos entre em contato com a realidade. A mãe deve oferecer a criança todo afeto e proteção necessária, mas sem exagerar e cair na superproteção, doses de frustrações são necessárias para o desenvolvimento da criança.  
(...) a afetividade é parte importante e integrante do processo de aprendizagem, já que ela acompanha o desenvolvimento cognitivo da criança. Portanto, cabe ao professor estabelecer relações afetivas com os alunos para que elas facilitem o processo de ensino-aprendizagem. (LACOMY, 2007, p. 70)
Em um sistema de ensino e aprendizagem, deve-se levar em consideração fatores afetivos de modo a tornar a interação com o educando mais flexível e adaptável. (RELVAS, 2008, p. 96).

2. Brincar: um ato de aprendizagem
Pode-se dizer que o brincar possibilita que a criança vá até o outro, viva suas experiências e volte ao seu eu. Interligado com o item anterior, onde falamos da afetividade, o brincar é a maneira mais fácil e real para se estabelecer relações afetivas com a criança, estabelecendo e transmitindo confiança e segurança.
Oliveira (2007) afirma que “(...) ao brincar e jogar, a criança fica tão envolvida com o que está fazendo que coloca na ação seu sentimento e emoção”.
O brincar é sempre uma experiência essencial para a vida, criativa e real para a criança que brinca, podendo até tornar-se assustadora para ela, inclusive porque mobiliza seus conteúdos inconscientes. (...) Como o brincar fica na linha divisória entre o subjetivo e o objetivo, entre o que é interno e o que é externo, entre a ilusão e a realidade, está relacionado às experiências vividas pelo bebê com sua mãe. (ASSIS, 2007, p. 76)

Uma característica impressionante de um brinquedo é a maneira incansável pela qual a criança repete a mesma coisa por muitas vezes.

2.1 O brincar na epistemologia genética
A medida que as crianças crescem no ato de brincar, segundo Pickard (1975), passam por três estágios nítidos que se superpõem. Durante os primeiros dois ou três anos, a característica mais visível é a da atividade física, que abrange o que Piaget denomina o reconhecimento sensório-motor dos objetos, onde as crianças estão aprendendo a se orientar para o mundo. Que vale a pena recordar que este meio ambiente consiste primeiro da mãe e em seguida, dos objetos e das outras pessoas.
Cerca de três ou quatros até os sete anos, a fantasia é acrescentada a atividade física. Nesse estagio a criança usa de certas coisas como indicadores de fatos, utilizando de símbolos.
O terceiro estagio começa aos sete anos, inclui também atividade física e fantasia, é uma fase conhecida como banco, porque a criança já começa a ficar mais independente e sentem prazer em estar juntas com outras crianças, estabelecem regras e segredos.

2.2 O brinca na psicanálise
É brincando que a criança leva o mundo a sério. Freud em seus estudos considera que a criança faz uma ótima distinção entre a realidade e o jogo.
Para Winnicott o ato de brincar equivale a uma terapia, conforme cita Assis (2007). O brincar representa uma forma de comunicação, é um caminho para a resolução de problemas.
O brincar em sala de aula é fundamental para as vivências que satisfazem as necessidades de realização psíquica e de identificação da criança. Esse brincar facilita o crescimento, é a essência da autentica aprendizagem, proporciona uma convivência grupal, sendo ao mesmo tempo uma comunicação consigo mesmo. O ato de brincar criar laços de pago afetivo e de confiança.

2.3 O brincar na neuropsicologia
Segundo Relvas (2008) “O cérebro necessita de estímulos. As células nervosas quando excitadas produzem neurotrofinas, moléculas que estimulam seu crescimento e reação”.
Autora acrescenta ainda que para que isso aconteça, um princípio básico é fugir da rotina, pois o cérebro cria hábitos e acaba caindo no “piloto automático”, sendo assim o brincar na vida da criança estimula e ajuda a sempre exercitar o cérebro com diferentes desafios que dificultam a criação de hábitos.
A plasticidade cerebral é o ponto culminante da nossa existência e desenvolvimento da vida, da qual depende todo o processo de aprendizagem e também reabilitação das funções motoras e sensoriais. (RELVAS , 2008)

3. Ensinar e aprender nas diferentes fases do desenvolvimento
Vê-se nesse ponto, a necessidade de diferenciar educar de ensinar. Segundo Balestra (2007) “Por educar entendemos atuar junto ao sujeito visando seu integral desenvolvimento; já ensinar – para nós- é agir de forma a possibilitar ao educando o acesso ao conhecimento, intermediando sua busca por novos horizontes em direção à cidadania”.
Na epistemologia genética o desenvolvimento do ser humano aconteça é necessário que a passagem de um conhecimento inferior e mais pobre para um saber mais rico. A epistemologia genética investiga as raízes do conhecimento, seguindo sua evolução, desenvolvimento e a estruturação do pensamento científico.

Piaget identificou os seguintes estágios a formação da inteligência, ou seja, o desenvolvimento:
• Sensório-motora de 0 ano a 2 anos: a criança não distingue o mundo, é voltada para o eu, cheio de egocentrismo;
• Simbólica de 2 anos a 7-8 anos: apresenta o uso da linguagem para se comunicar e da capacidade de representação de ações, redução do egocentrismo;
• Operatório concreta de 7-8 anos a 11-12 anos: a criança passa a raciocinar e analisar e acentua o crescimento intelectual;
• Lógico formal a partir dos 12 anos:  o individuo usa dos raciocínios sem mais precisar do apoio do real, opera mentalmente sem a mediação do concreto;
Na psicanálise, Freud constatou em suas observações clinicas que o desenvolvimento da personalidade da criança e do adolescente ocorre devido as pulsões sexuais, que pelo fato de estar em desenvolvimento na criança são conhecidas como fases do desenvolvimento psicossexual:
• Oral de 0 a 2 anos: o prazer que o bebe experimenta e de satisfazer sua necessidade de se alimentar, começa a perceber o mundo através dos lábios;
• Anal de 2 a 3 anos: a maturação orgânica permite à criança o controle dos esfíncteres anal e uretral. A criança sente satisfação de efetuar esse controle e o poder de agradar ou não a mãe através da retenção ou expulsão das fezes;
• Fálica de 3 a 7 anos: nesse período a criança começa a dar importância por ter um pênis ou não. Aparece então o complexo de Édipo, ou seja, quando a menina se diz namorada do pai e o menino o namorado da mãe;
• Latência de 7 a 12 anos: interesse da criança em conhecer tudo que a cerca, basta somente que lhe ofereçam condições para que a aprendizagem ocorra;
• Genital a partir de 12 anos: o complexo de Édipo pode aparecer novamente trazendo consigo crise de identidade, é uma fase de conflitos.
Conforme Assis (2007, p. 46),
Freud afirma que é bom os educadores terem em mente que a vida adulta é decorrência do que acontece na infância (...) os educadores não podem deixar de conhecer seu aluno. Eles têm que saber quem é ele; quais são suas características especificas; quem é a família dele; se ele está crescendo e se desenvolvendo bem; (...) como é o seu relacionamento com sua mãe, seu pai, seus irmãos e os demais familiares (...).
Na neuropsicologia, conforme Relvas (2008) a criança logo após o seu nascimento, já tem quase todos os neurônios que precisará por toda a sua vida, estes se expandirão e se organizarão em grandes redes de processamentos. Os primeiros anos de vida da criança são fundamentais para o seu desenvolvimento.
Acrescenta ainda que as emoções e o equilíbrio psicológico dependem do exercício cerebral realizado desde o primeiros minutos de existência até a adolescência.

4. A cultura, a sociedade e a família na aprendizagem
A criança é social desde o primeiro dia de vida, logo já sorri para as pessoas e sempre procura o contato com o outro. Os bebes são dependentes e tem a necessidade da companhia de alguém. Conforme Piaget (1896-1980) a criança não conheci regras, mas através da adaptação, feita pela assimilação dos outros, o que lhe dá a acomodação, uma compreensão mútua baseada nas palavras e na disciplina.
Segundo Assis (2007) a psicopedagogia hoje é um ramo que se preocupa não só com o aluno e sua família, mas com tudo que os cerca, influencia e constrói: a escola, a comunidade, os professores e toda a equipe onde a criança está envolvida.  É preciso considerar a importância social e cultural, pois é visível a vinculação entre o aprender e as necessidades, valores e sonhos.

4.1 Epistemologia Genética
A questão da influencia do meio sobre o desenvolvimento e o fato de que as reações características dos diferentes estágios sejam sempre relativas a uma certo ambiente tanto quando à própria maturação (...) nos levam a examinar (...) o problema psicopedagógicos das relações sociais próprias da infância. (PIAGET, 1896 -1980, p. 177)
A ação do professor sobre o aluno, segundo Piaget, é tudo. O professor em relação ao aluno é revestido de autoridade intelectual e moral e o aluno lhe devendo obediência, estabelecendo uma relação social que muitas vezes é completa de pressão, que pode ser suave e aceita pelo aluno.
Lakomy (2007) enfatiza que à medida que a criança interage com o mundo ao seu redor, ela começa a atuar e a modificar ativamente a realidade que a envolve. A primeira condição de ação da criança com o meio é através do esquema da ação que é utilizada pela mesma como uma estratégia de ação para que ela possa se adaptar às modificações do meio. A autora acrescenta ainda que em contato com o meio a criança perturba-se e desequilibra-se, que para superar ela constrói novos esquemas de ação, que levam à produção de conhecimentos mais complexos. Ressalto que essa adaptação é realizada através da assimilação e acomodação.
Na fase de socialização a criança é acompanhada pelo egocentrismo e permanecerá assim na medida em que não esta adaptada às realidades sociais exteriores.  Piaget encerra sua obra “Psicologia e Pedagogia”, traduzida em 2008 por Lindoso e Silva, com a seguinte frase “Os novos métodos de educação não tendem a eliminar a ação social do professor, mas a conciliar com o respeito adulto a cooperação entre as crianças, e a reduzir, na medida do possível, a pressão deste ultimo para transformá-la em cooperação superior”.

4.2 Psicanálise
Uma questão essencial e fundamental citado por Assis (2007) “inter-relacionamentos pessoais e sociais para a constituição do sujeito e para o desenvolvimento de sua personalidade, pois (...) é o afetivo que dá energia e motivação para a vida, para o desenvolvimento e para a aprendizagem”.
Conforme Assis (2007) Winnicott elegeu como foco principal de suas pesquisas a importância da cultura e do social para a constituição do individuo. Sendo assim, as relações familiares são consideradas, fundamento da constituição e do desenvolvimento do bebê e da criança. A relação da materna é de suma importância, pois a organização do “eu” da criança acontece pelo fato de existir laços estabelecidos com a mãe.
Diante desses aspectos, inclusive do afeto, Winnicott voltou os seus trabalhos para a compreensão do desenvolvimento infantil e para a educação, em especial os aspectos culturais, sociais, familiares, emocionais e afetivos em constantes interações e construções.
Os estudos de Pichon-Revière, psiquiatra e psicanalista argentino, trouxeram muitas contribuições importantes para a educação, pelo fato do seu foco ser nos aspectos culturais, sociais e institucionais. Desenvolveu a teoria do vínculo que são estabelecidos nas relações interpessoais e refere-se a maneira como cada um se relaciona com o(s) outro(s).
A criança recebe influencia da família, da comunidade na qual a família está inserida, assim como a escola exerce uma influencia sobre a mesma.

4.3 Neuropsicologia
A memória é a base de todo o nosso saber, Relvas (2008) afirma que todo o nosso cérebro funciona através dela, só comemos, andamos, falamos porque memorizamos e sabemos como devemos fazer. É um fator muito importante pois está ligada a aprendizagem e à capacidade de repetir acertos e evitar erros.
O processo de memorização é complexo e envolve varias estruturas, reações químicas e circuitos interligados de neurônios. Um fator muito importante citado por Relvas (2008) “(...) deve o professor analisar o tipo de conhecimento que é passado ao educando e direciona-los para o tipo de memorização a ser feita ou decorada”.
Diante dessa linha de pensamento, evita-se o esgotamento da memória dos alunos, facilitando que reconheça o que realmente precisam saber sobre determinados assuntos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os educadores precisam ter a clara consciência de que quando a criança na escola transfere a imagem que tem da mãe para a professora, que são referência e exemplo. Precisam perceber principalmente na prática psicopedagógica, que a criança tem total dependência em relação à sua mãe e à sua família para construir um mundo interior que lhe seja favorável e gratificante.
Ressalto a importância do psicopedagogo tanto na avaliação quanto na intervenção na sua atuação no que se refere a afetividade, as relações interpessoais, brincadeira educacionais e na criação de vínculos.
Conclui-se que o papel do professor, frente ao brincar, consiste em zelar para que o dia do aluno contenha períodos suficientes de atividades e de quietudes destinadas à aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento de crianças ativas, firmes e em desenvolvimento.
Os educadores precisam ser estimuladores de aprendizagem nos alunos, proporcionando estímulos que ajudam na utilização e desenvolvimento da memória dos alunos. Sendo um ponto de referencia que ajuda o educando a encontrar arquivos na memória que ajudam na memória principalmente a associativa, utilizando de estratégias Mnemônicas e procedimentos pedagógicos.
A Psicanálise auxilia o psicopedagogo a estabelecer relação com o individuo que ele atua. Cada um tem sua particularidade e precisa de uma metodologia especifica para se interagir, sendo assim cabe ao psicopedagogo identificar a melhor metodologia a ser utilizada.   
Concluo propondo uma reflexão sobre a grande importância do psicopedagogo na sociedade atual, onde ter conhecimentos é um diferencial no mercado competitivo e é nesse processo de obtenção de conhecimento, através do ensino-aprendizado que esse profissional atua. Cada dia vê-se a necessidade de um profissional que atue com as dificuldades, principalmente das crianças, onde os pais na correria do dia-a-dia confiam muitas vezes somente aos educadores essa grande tarefa de educar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSIS, Árbila Luiza Armindo. Influências da psicanálise na educação: uma prática psicopedagógica. 2. ed. rev. Curitiba: Ibpex, 2007. 101 p.
BALESTRA, Maria Marta Mazaro. A psicopedagogia em Piaget: uma ponte para a educação da liberdade. 1.ed. Curitiba: Ibpex, 2007. 127 p.
LAKOMY, Ana Maria. Teorias cognitivas da aprendizagem. 2. ed. rev. e atual. Curitiba: Ibpex, 2007. 95 p.
MOURA, Lucilene Tolentino. A relação da afetividade com a inteligência. Artigo publicado em 1.nov.2005. Disponível em <
http://www.psicopedagogia.com.br>. Acesso em 15 jun. 2009 às 11:23:37.
OLIVEIRA, Renata Cristiane de. A importância do brincar na construção do conhecimento. Publicado 4. mai. 2007. Disponível em <
http://www.psicopedagogia.com.br>. Acesso em 15 jun. 2009 às 11:23:37.
PIAGET, Jean. Psicologia e pedagogia. Tradução de LINDOSO, Dirceu Accioly SILVA, Rosa Maria Ribeiro; Revisão de COUTO, Paulo Guimarães. 1. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2008. 184 p.
PICKARD, Phyllis Marguerite. A criança aprende brincando. Tradução de GERTEL, Noé. 1. ed. São Paulo: Ibrasa. 1975. 226 p.
RELVAS, Marta Pires. Fundamentos biológicos da educação: despertando inteligência e afetividade no processo de aprendizagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Wak Ed. 2008. 120 p.

Publicado em 27/01/2010


Simone dos Santos Antonio - Administradora de empresas, graduanda de psicologia e pós-graduanda de psicopedagogia: clínica e  Institucional. Sócia proprietária da empresa SIQUI Treinamento Empresarial. Docente do SENAC-SP de Mogi-Iguaçú.

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