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O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO DIANTE DAS DIFICULDADES, DISTÚRBIOS E TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

Cleily Medeiros de Faria Lima e Eunice Barros Ferreira Bertoso

Relato de Pesquisa

Resumo
Este artigo apresenta a discussão dos resultados obtidos por uma pesquisa realizada no ano de 2009, sobre o tema: “O papel do psicopedagogo diante das dificuldades, distúrbios e transtornos de Aprendizagem”. Este projeto de pesquisa tem como objetivo apresentar questões relacionadas ao papel do psicopedagogo diante dos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem. Diante da relevância do papel do psicopedagogo na atuação para o atendimento às dificuldades de aprendizagem, levantamos a questão: como estão as abordagens e as dificuldades do “fazer” psicopedagógico: identificar os diversos materiais, técnicas e estratégias que podem ser utilizados no trabalho de intervenção dirigido para os problemas de aprendizagem. Para tanto, o trabalho se orienta por uma metodologia de abordagem qualiquantitativa, tendo como instrumento a coleta de dados questionários, constituídos de perguntas fechadas e abertas e optou-se por trabalhar com a totalidade de vinte sujeitos, em sete escolas oito clínicas particulares da zona sul de São Paulo. Os resultados basearam-se nas contribuições dos sujeitos em questão. Uma lacuna observada e que nos deixa como psicopedagogos, bastante intrigados, diz respeito à falta de preparo profissional no atendimento de clientes/pacientes com  dificuldades de aprendizagem. Que a maioria dos psicopedagogos se preocupam com sua própria formação e com a qualidade de atendimento que oferecem para seus clientes/pacientes, procurando se atualizarem através de palestras e oficinas. Muito se tem falado sobre dificuldades de aprendizagem, embora seja comum este assunto nos meios educacionais, pouco é compreendido. E ainda, as definições das DA são muito polêmicas, recebendo contribuições na elaboração de diversas áreas.
Palavras-chave: psicopedagogo, dificuldades, distúrbios, transtornos, aprendizagem.

1. INTRODUÇÃO
Se, para viver a vida é preciso aprender; se, para executar as ações necessita-se desenvolver habilidades, se não é possível aprender tudo, se sempre haverá alguma habilidade a ser aprendida, então é natural que em algumas ações se obtenha mais sucesso do que em outras. Isto é o que vai caracterizar as dificuldades de aprendizagem; algumas coisas serão mais difíceis do que outras para todas as pessoas. Todo ser humano terá facilidade para executar determinadas ações e dificuldade para realizar outras, seja por causas orgânicas, emocionais ou ambientais.
De acordo com este ponto de vista, as dificuldades de aprendizagem devem ser o foco da intervenção psicopedagógica, já que a Psicopedagogia é a área de conhecimento que se dedica ao estudo do processo de aprendizagem humana e que este processo engloba tanto o aprender, como o não aprender.
Este projeto de pesquisa tem como objetivo apresentar questões relacionadas ao papel do psicopedagogo diante dos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem. Diante da relevância do papel do psicopedagogo na atuação para o atendimento às dificuldades de aprendizagem, levantamos a questão: como está o “fazer” psicopedagógico: articular as instâncias objetivas e subjetivas envolvidas no ato de aprender, potencializando ambas para que possa surgir o sujeito autor?
Para atuar desta maneira, o psicopedagogo deve ele próprio desenvolver habilidades que o tornem competente neste trabalho. Uma destas habilidades é conseguir discernir se a dificuldade de aprendizagem de seu cliente é sintomática ou reativa. Para tanto, necessitará de bagagem teórica que sustente suas hipóteses e permita-lhe estruturar sua prática.
É necessário que tenha sólida formação teórica tanto na esfera dos conhecimentos relativos ao desenvolvimento do pensamento: neuropsicologia e epistemologia genética, assim como ao desenvolvimento dos procedimentos educativos usuais: didática e mediação da aprendizagem, além de conhecer a formação do sistema psíquico e os conceitos psicanalíticos que embasam os conhecimentos a respeito dos aspectos emocionais.
Alícia Fernández (1991), compara o profissional de qualquer área a um equilibrista andando na corda bamba de um circo. Ela diz que o artista tem coragem de praticar este número porque sabe que existe abaixo de si uma rede de proteção e que, caso ele caia, esta rede sustentará seu peso e impedirá fraturas. Da mesma forma o psicopedagogo, para praticar, para intervir na aprendizagem, necessita ter desenvolvido certo nível de estudos que lhe permita transitar da teoria à prática sem maiores acidentes.
Nesta pesquisa queremos analisar as relevantes abordagens psicopedagógica aos problemas de aprendizagem que tem um enfoque muito específico, voltado para as dificuldades de aprendizagem, articulando as esferas objetivas e subjetivas da relação humana com a produção e construção de conhecimentos. Bem como a utilização de materiais, técnicas e estratégias no atendimento às dificuldades de aprendizagem.
É importante refletir também sobre as diferenças entre distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem, esclarecendo a priori que tais termos são comumente empregados como se fossem sinônimos, e que não existe ainda muita literatura a respeito de suas diferenças sendo, portanto, usados indistintamente, desde que se verifique algum problema ou falha relacionada ao ato de aprender.
O problema de pesquisa é demonstrar, qual é o papel dos psicopedagogos na atuação para o atendimento os problemas de aprendizagem. Partindo do pressuposto que os portadores de distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem podem e devem receber atendimento psicopedagógico. E também a fim de elucidar e contribuir para o exercício de nossa profissão.
Esse trabalho também se justifica pela possibilidade de elucidar e auxiliar o psicopedagogo a identificar e compreender o cliente com distúrbios, transtornos e dificuldades na aprendizagem, pois estas estão presentes em todos os seres humanos, indistintamente e este é o compromisso social da Psicopedagogia.
Gostaríamos de entender melhor os distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem, as abordagens e as dificuldades do “fazer” psicopedagógico e o seu papel para atenuar e diminuir esses problemas apresentadas no processo de ensino aprendizagem no quotidiano.

2.1Objetivo Geral
Compreender o papel do psicopedagogo na atuação diante dos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem.
 
2.1.2 Objetivos Específicos:
   1) Identificar os diversos materiais, técnicas e estratégias que podem ser utilizados pelo psicopedagogo no trabalho de intervenção dirigido para os problemas de aprendizagem.
   2) Analisar as abordagens e as dificuldades do “fazer” psicopedagógico apontados pelo psicopedagogo.

3. METODOLOGIA
O trabalho se orienta por uma metodologia de abordagem qualiquantitativa com a intenção de coletar e discutir informações sobre o papel do psicopedagogo diante dos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem como ponto de partida as opiniões dos psicopedagos.
Os sujeitos de pesquisa foram selecionados a partir da disponibilidade de tempo e aceitação da participação na pesquisa respondendo com clareza e atenção ao questionário. Foram escolhidos numa amostra de conveniência 20 psicopedagogos que atuam em escolas e clínicas particulares da zona sul da cidade de São Paulo.
Para coleta de dados foi escolhido o questionário com questões abertas e fechadas (anexo) entregue aos psicopedagogos, em sete escolas e oito clínicas particulares da zona sul de São Paulo. O primeiro contato com os participantes foi o preenchimento do Termo de Consentimento Livre Esclarecido para a participação da pesquisa, após a aprovação do Comitê de Ética.
Os resultados serão analisados e organizados de acordo com as informações obtidas através da bibliografia consultada e da análise estatística das questões dos questionários. A interpretação final desses dados empíricos se dará combinando a consulta à literatura especializada com as percepções e idéias inferidas pelos pesquisadores no estudo do material coletado. Os resultados terão por base as contribuições dos sujeitos em questão.

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os dados mostram que os psicopedagogos costumam participar de eventos na sua área. Apontando na maioria a participação em palestras e 45% em oficinas. A participação em eventos é uma grande possibilidade de conhecer novas idéias e discutir idéias já vistas como verdadeiras e que hoje não são mais atuais, tentando aperfeiçoar a prática psicopedagógica, assim como afirma (FREIRE, 1996, p. 43), ao dizer que: “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática”.

Percebe-se que dos entrevistados 50% consideram que distúrbios e transtornos são iguais. E ainda 20% afirmam que distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem são comumente empregados como se fossem sinônimos.
A palavra "distúrbio", do latim disturbium, disturbare, é composta pelo prefixo "dis", que significa negação, alteração, separação, mau funcionamento e o radical "tubare", que significa perturbar, alterar a ordem das coisas, interromper. Traz em si, duplamente, o significado que alcança até hoje: um distúrbio é uma perturbação, algum tipo de alteração, de interrupção ou algo que funciona mal em uma ordem qualquer.
No caso do processo de aprendizagem humana também usamos o termo distúrbio para designar quando algo não vai bem no ato de aprender. Sempre que ocorre uma alteração na aprendizagem, é exigida uma modificação dos padrões de aquisição, assimilação e transformação do indivíduo, seja por suas vias internas ou por recursos externos a ele, presentes em seu entorno.
Vallet (1997), define distúrbio de aprendizagem como uma perturbação na aquisição e utilização de informações ou na habilidade de solucionar problemas. A maioria das definições encontradas na bibliografia disponível é semelhante a esta, referindo-se aos distúrbios de aprendizagem como déficits em componentes de habilidades, como linguagem oral, leitura, escrita, cálculo ou nas relações ou combinações entre elas.
Seguindo o percurso etimológico que permite uma compreensão mais acurada dos termos, verifica-se que a palavra "transtorno" significa "que se torna". Isso indica que os transtornos acontecem no decorrer do processo de desenvolvimento humano, a partir da gestação. Suas causas podem ser genéticas, neurológicas, neuropsicológicas ou psíquicas e ocasionam uma transformação no organismo, mudando seu curso. De acordo com os Manuais de Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento, (CID-10), e Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais, ( DSM-IV), definem transtornos como: “a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado ... Cada um dos transtornos mentais é conceitualizado como uma síndrome ou padrão comportamental ou psicológico clinicamente importante, que ocorre em um indivíduo e que está associado com sofrimento, incapacitação ou com risco significativamente aumentado de sofrimento atual, [...]”.
Por serem fruto de processos de desenvolvimento, os transtornos são geralmente mais difíceis de serem tratados, apesar de mais fáceis de serem diagnosticados. Os mais conhecidos e que afetam mais diretamente o processo de aprendizagem são acompanhados por oligofrenia (retardo mental), como a síndrome de Down, por exemplo, ou a síndrome autista. Vários fatores são pré-determinantes para o surgimento de transtornos de desenvolvimento em indivíduos, podendo ser de causa ambiental, genética ou sócio/econômicas.
Muitos são causados por falta de acompanhamento pré-natal, doenças infecciosas, acidentes durante o parto, casamentos consangüíneos, ingestão de drogas ou por acidentes (envenenamentos, afogamentos, quedas, choques elétricos, engasgamentos, ingestão de pequenos objetos, acidentes no trânsito). Dentre as causas sociais encontram-se a desnutrição, ou a falta de alimentação balanceada, estimulação global, boas condições de higiene e saúde ambientais.
Há ainda os transtornos oriundos de causas emocionais, ou psiquiátricas. Alguns transtornos trazem como conseqüência problemas perceptivos relacionados aos atos motores, visão, fala e audição. Os portadores destas características são classificados como portadores de deficiências múltiplas. Os transtornos, depois de instalados, geralmente não têm cura.
Segundo o Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem (CNDA), (1988, on line), as dificuldades de aprendizagem são definas da seguinte forma: “É um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e utilização, na compreensão auditiva, fala, leitura, escrita raciocínio ou habilidades matemáticas [...]”.
Portanto, dificuldade é a negação ou a falta de alguma habilidade. As dificuldades de aprendizagem são decorrentes de aspectos naturais ou secundários, são passiveis de mudança através de adequação ambiental, de aspectos secundários, alterações estruturais, mentais, emocionais ou neurológicas, que repercutem nos processos de aquisição, construção e desenvolvimento das funções cognitivas.

Na questão que tange sobre ao atendimento de clientes, 40% relatam que é memória e atenção e 20% disgrafia e dislexia. Notou-se nesta questão, coerência de opiniões entre os sujeitos pesquisados. Pois, as dificuldades de aprendizagem mais relatadas e que são alvo de muitas queixas de psicopedagogos, pais e professores são memória e atenção que é a dificuldade em manter o estado de vigília, de focar a atenção e se concentrar nas tarefas formais. E a Linguagem e escrita: dificuldade em organizar os sons em uma determinada seqüência que englobe-começo, meio e fim,dificuldades de simbolização.
Segundo Amaral, o que podemos observar de um modo geral, em alunos com dificuldade de aprendizagem são problemas dos seguintes tipos: “Hiper ou hipoatividade, dificuldade de coordenação, baixo nível de concentração, problemas na de/codificação simbólica, irregularidades na lectoescrita, disgrafias, dislexias, dificuldades de fixação, baixa auto-estima, desajustes emocionais leves, inversão de letras, inibição participativas, pouca habilidade social e agressividade”. AMARAL (2004, on line).
 
Nesta questão os investigados poderiam assinalar mais do que uma alternativa. Constatou-se como resposta dos sujeitos entrevistados que 50% mostram utilizar como recursos jogos em suas intervenções. E ainda 10% afirmam utilizar livros paradidáticos. Os dados mostram que os psicopedagogos sempre estão em busca de novos recursos, técnicas e estratégias que atendam as necessidades de seus pacientes.
Alícia Fernández lembra que "aprender é quase tão lindo como brincar" e que aprender e brincar ocupa o mesmo espaço transacional no qual razão e emoção, objetividade e subjetividade se encontram. Para jogar o homem precisa exercitar uma lógica e uma ética, pois não basta apenas jogar bem para ganhar, mas é preciso ganhar com dignidade.
Por isso, o jogo é um material por excelência da intervenção psicopedagógica, na medida em que possibilita o exercício destas lógicas racionais e afetivas necessárias para a ressignificação dos aspectos patológicos relacionados com a aprendizagem humana. Existe no jogo, contudo, algo mais importante do que a simples diversão e interação. Ele revela uma lógica diferente da racional . O jogo revela uma lógica da subjetividade, tão necessária para a estruturação da personalidade humana, quanto à lógica formal das estruturas cognitivas.
 
Percebe-se que dos entrevistados 45% mostram-se confiantes e satisfeitos com as informações obtidas através de sua formação profissional relacionada ao atendimento de pacientes portadores de distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem. Enquanto 20% ainda se consideram insatisfeitos. Podemos inferir que existem cada vez mais profissionais recém formados atuando na área que ainda possuem pretensão a dar continuidade a sua formação, apresentando como principal razão à necessidade de se manterem atualizados e se especializarem.
A contínua formação do profissional é muito importante para o desenvolvimento de habilidades que requerem muita pesquisa e renovação de conceitos, assim confirmamos que: “O aprender contínuo é essencial se concentra em dois pilares: a própria pessoa, como agente, e a escola, como lugar de crescimento profissional permanente” (NÓVOA, 2002, p. 23).
 
Quando os psicopedagogos são questionados sobre o preparo 40% relatam que estão preparados. Porém, um índice significativo de 25% consideram que se encontram despreparados para isso. Infelizmente a qualidade do preparo profissional dos psicopedagogos para atender os pacientes portadores de distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem é insuficiente. Parece ser lógico que os psicopedagogos precisam buscar por si mesmos maior conhecimento em relação a esta lacuna, se conscientizando da importância da educação continuada.
 
Referente a opinião sobre o que falta no atendimento aos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem um índice significativo de 30% dos psicopedagogos afirmam possuir formação pedagógica e experiência em sala, bem como usar sua experiência profissional. E ainda 5% responderam ter autonomia.
É importante deixar claro que o psicopedagogo é aquele profissional que irá atuar sempre que houver um problema de "não aprendizagem". É aquele que cuida, não o que cura, pois este profissional visa possibilitar mudanças, transitando sempre entre o objetivo e o subjetivo, articulando inteligência e desejo. Apesar de atuar quando houver uma demanda de não aprendizagem, o psicopedagogo não pode perder de vista que o processo de aprendizagem humano, não se dissocia do processo de ensino. Em função da complexidade dos fatores causadores dos distúrbios de aprendizagem, o diagnóstico deve ser realizado por equipe multidisciplinar, mesclando profissionais das áreas da saúde, educação e assistência social. Em função dos componentes orgânicos envolvidos nos distúrbios de aprendizagem, é sempre importante que haja o acompanhamento médico e a realização de exames.

7.  CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando se optou por este tema de pesquisa certamente já se tinha à noção dos muitos vieses que viriam entrelaçados ao estudo. As definições de dificuldades, distúrbios e transtornos de aprendizagem construídas ao longo da história de seu estudo são muitas, recebendo contribuições de diversas áreas. Fonseca (1995, p. 287), argumenta sobre a dificuldade de encontrar uma forma de unificar as definições: “De fato, a expressão DA tem sido usada para designar uma grande variedade de fenômenos, dada a ocorrência de uma miscelânea desorganizada de dados que se espalham por vários conceitos confusionais...”
As definições do ICLD de 1987, do USOE de 1977, do NJCDL de 1981 e do LDA  de 1986, são as quatro definições que atualmente possuem a maior viabilidade profissional, nas quais estão pautadas todas as outras definições encontradas por autores em todas as partes do mundo. No Brasil, muitos escritores definem DA, como está definida por Dunn (1997), dando ênfase ao aspecto das informações que “viajam entre os sentidos e o cérebro” e a criança que freqüentemente fica confusa, hiperativa, tornando-se frustrada e rebelde, deprimida, retraída ou agressiva”.
Os estudos psicopedagógico das DA introduzido no Brasil por Pain (1985, p. 13), tem sido bastante utilizados. Ela delimita o campo de ação da psicopedagogia afirmado e esclarecendo: “ Consideramos perturbações na aprendizagem aquelas que atentam contra a normalidade deste processo, qualquer que seja o nível cognitivo do sujeito. Desta forma, embora seja freqüente uma criança de baixo nível intelectual apresentar dificuldades para aprender, apenas consideramos problemas de aprendizagem aqueles que não dependam daquele déficit. Isto quer dizer que os problemas de aprendizagem são aqueles que se superpõe ao baixo nível intelectual, não permitindo ao sujeito aproveitar as suas possibilidades”.
As definições das DA são muito polêmicas por diversos estudiosos, que se manifestam contra este rótulo e atribuem à escola os problemas que a criança possa apresentar. Tanto os sistemas classificatórios oficiais quanto os rótulos diagnósticos. 
Uma lacuna observada e que nos deixa como psicopedagogos, bastante intrigados, diz respeito à falta de preparo profissional no atendimento de clientes/pacientes com dificuldades de aprendizagem. Sendo assim, tanto a pesquisa de campo quanto a literatura consultada mostra a necessidade de rever e exigir uma formação acadêmica de qualidade para os profissionais da psicopedagogia.
Analisando os dados coletados concluímos que a maioria dos psicopedagogos se preocupam com sua própria formação e com a qualidade de atendimento que oferecem para seus clientes/pacientes, procurando se atualizarem através de palestras e oficinas.
A diversificação de materiais, técnicas e estratégias para fazer com que seus clientes/pacientes atinjam os objetivos propostos também se fazem presentes no cotidiano desses profissionais entrevistados.
Ao analisarmos os dados e cruzarmos essas informações com os estudos realizados, concluímos que a missão da Psicopedagogia é retirar as pessoas de sua condição inadequada de aprendizagem, dotando-as de sentimentos de auto-estima, fazendo perceber as suas potencialidades, recuperando desta forma, seus processos internos de apreensão de uma realidade em todos os aspectos.
Cabe ao psicopedagogo compreender os obstáculos existentes para, através da intervenção, promover sua dissolução. Ele busca muitas vezes a parceria com outros profissionais, em nenhuma ciência há resposta para tudo e para todos. A meta do psicopedagogo é ajudar é ajudar aquele que por diferentes razões não consegue aprender, para que consiga e também possa adquirir ou desenvolver habilidades para tanto.
Muito se tem falado sobre dificuldades de aprendizagem, embora seja comum este assunto nos meios educacionais, pouco é compreendido. Neste sentido, surge como sugestão, proposta de trabalhos futuros que poderão contribuir no processo de ensino aprendizagem dos clientes/pacientes com DA e também para melhorar a prática do “fazer” psicopedagógico de uma maneira geral.
Por fim citamos JUPP, (1998, p. 57),  pois acreditamos que todos têm um potencial  a ser desenvolvido, pois todos são como uma pedra preciosa que precisam ser lapidadas para mostrarem o seu brilho. “É fácil esquecer que aqueles que possuem necessidades adicionais também têm as mesmas necessidades básicas de todas as outras pessoas. Independente de quem sejamos precisamos dar e receber afeto, desenvolver amizades, apoiar uns aos outros e ter as mesmas oportunidades de aprendizagem e experiências fundamentais”.


CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO
CURSO DE PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA - UNASP/ CAMPUS I

Prezada, Psicopedagoga
Você é convidada a participar do Projeto de Pesquisa intitulado: “O papel do psicopedagogo diante dos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem”.
O objetivo deste estudo é: Identificar os diversos materiais, técnicas e estratégias que podem ser utilizados pelo psicopedagogo no trabalho de intervenção dirigido para as dificuldades de aprendizagem. E analisar as abordagens e as dificuldades do “fazer” psicopedagógico apontados pelo psicopedagogo.
Assinale uma opção de cada item do questionário abaixo, não esquecendo de descrever os motivos de sua resposta nas questões abertas.
Conto com sua colaboração e agradeço a atenção dispensada à presente.
CLEIILY MEDEIROS DE FARIA LIMA.

Questionário
1. Tempo de Experiência Profissional:
(   ) 0 a 5 anos          (   ) 6 a 10 anos          (   ) 11 a 15 anos       (    ) 16 a 20 anos
(   ) mais de 21 anos
2. Você costuma participar de eventos na área da Psicopedagogia?
(  ) Sim                                                          (  ) Não
3. No caso de você ter respondido afirmativamente a questão anterior, quais?
(  ) Palestras         (  ) Oficinas        (   ) Simpósios           (  ) Outro: .....................
4. O que você entende por Distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem?
(  ) são comumente empregados como se fossem sinônimos;
(  ) são comumente empregados como se fossem antônimos;
(  ) distúrbios e transtornos, significam a mesma coisa;
(  ) Outra: .....................................................................................
5. Você atende ou já tendeu cliente com Distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem?
(   ) Dislalia/ecolalia
(   ) Disgrafia/Dislexia
(   ) Discalculia
(   ) Coordenação global e fina
(   ) Memória e atenção
(   ) Outro: .....................................................................................................
6. Quais são os materiais, técnicas e estratégias que podem ser utilizados pelo psicopedagogo no trabalho de intervenção dirigido para as dificuldades de aprendizagem:
(   ) música                   
(   ) livros paradidáticos  
(   ) jogos
(   ) atividades objetivas, criativas e dramáticas
(   ) técnicas expressivas
(   )  materiais simbólicos
(   ) outros
7. Como você avalia as informações obtidas através de sua formação profissional relacionada com o atendimento de clientes portadores de distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem?
(   ) Muito satisfatório        (   ) Satisfatório        (   ) Poderia ser melhor
(   ) Insatisfatório               (   ) Outro: ....................................................................
8. Você se considera preparada para atender os clientes portadores de distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem?
(   ) SIM      (    ) NÃO        (    ) PARCIALMENTE      (    ) OUTRA: ..........................

9. No seu ponto de vista, qual é o papel do psicopedagogo diante dos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem?
..................................................................................................................................................................................................................................................................
.................................................................................................................................

10. A seu ver, o que falta para o psicopedagogo no atendimento de clientes portadores de distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem?
..................................................................................................................................................................................................................................................................
.................................................................................................................................

Centro Universitário Adventista de São Paulo

Termo de consentimento Livre e Esclarecido

Você está sendo convidado (a) para participar, como voluntário na pesquisa sobre “O papel do psicopedagogo diante dos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem”. A sua participação é de suma importância, porém, não é obrigatória. A qualquer momento você poderá desistir de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa não trará nenhum prejuízo em relação com o (a) pesquisador (a) ou a instituição.

Os objetivos desta pesquisa são:

  • Compreender o papel do psicopedagogo diante dos distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem.
  • Identificar os diversos materiais, técnicas e estratégias que podem ser utilizados pelo psicopedagogo no trabalho de intervenção dirigido para as dificuldades de aprendizagem.
  • Analisar as abordagens e as dificuldades do “fazer” psicopedagógico apontados pelo psicopedagogo.

As informações obtidas através dessa pesquisa serão confidenciais e asseguramos o sigilo da sua participação. Os dados não serão divulgados de forma a possibilitar sua identificação.
Você recebera uma cópia deste termo onde consta o telefone e endereço do (a) pesquisador (a), podendo tirar suas dúvidas sobre o projeto e sua participação, agora ou a qualquer momento.

Eu________________________________ portador do RG n°_______________ concordo livremente em participar da pesquisa estando ciente de que a minha identidade não será revelada, e que não terei nenhum custo e que os dados coletados serão utilizados exclusivamente para fins acadêmicos.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMARAL, Marta Teixeira do. Alfabetização e Leitura. In. Revista Espaço Acadêmico.  (on line) ano IV, nº 42, novembro, 2004. Disponível em <http:
www.espaçoacademico.com.br>
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Publicado em 09/10/2009


Cleily Medeiros de Faria Lima e Eunice Barros Ferreira Bertoso - Cleily Medeiros de Faria Lima discente, UNASP. e-mail: faria.lima@ibest.com.br
Eunice Barros Ferreira Bertoso, Mestre, docente, orientadora, UNASP. e-mail: euni.barros@bol.com.br

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