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PEDAGOGIA HOSPITALAR: O PACIENTE FRENTE A UMA NOVA ABORDAGEM DE ENSINO

Tiziane Muniz Fighera

RESUMO
Este estudo analisa os danos que internação hospitalar representa para a criança, uma vez que ela é confinada em um ambiente estranho com pessoas desconhecidas. Este ato impossibilita que ela freqüente a escola por um determinado período, a sua rotina é voltada para exames, medicações e diagnósticos, no qual causam sentimentos de revolta, impaciência e medo na criança.
Para amenizar este sofrimento provocado pela internação, aciona-se a Pedagogia Hospitalar, que por sua vez proporciona ao paciente o atendimento pedagógico educacional apoiando-se em atividades continuadas da escola de origem do paciente.
Tais atividades são desenvolvidas com a orientação de profissionais capacitados na área de educação, propiciando o bem-estar físico e o rendimento intelectual ao educando enfermo, dessa forma ele passa a se sentir mais confiante no seu regresso à sociedade e esperançoso na sua luta pela vida, contemplando o direito inalienável de crianças e adolescentes hospitalizados à educação.

ABSTRACT
This study analysis the demage that the hospitalar internament means to a child, once that he/she is limited in a different place with unknown people, This action impossibilitates he/she to go to school for a determinated time, his/her routine is turned up to exams, medications, diagnostics, witch causes revolt, impatience and fear feelings in this child.
To make pleasant this sufferance caused by internment, we bring in action hospitalar pedagogy, that adapts to the patient an educational pedagogical attendance having basis in activities from his/her school.
This activities are developed with orientation of capacited educational professionals, propitiating the physics well-being and the intelectual profit to sick pupil. This way he/she feels more confident in his return to the society and hopoful in his/her life fighet, contemplating the inalienable low of childrem and young intern having to education.

1 INTRODUÇÃO
A pedagogia hospitalar é uma modalidade de ensino da Educação Especial que visa a ação integrada do educador no ambiente hospitalar, onde possibilita que a doença não seja diagnosticada como um fator de descontinuidade ao processo educacional na formação da criança ou adolescente.
Tal atuação pedagógica se empenha em atender crianças com necessidades educativas especiais transitórias, ou seja, crianças que por motivo de doença precisam de atendimento escolar diferenciado e especializado. Com isso, cabe a classe hospitalar buscar alternativas e métodos qualificados que possibilitem aos pacientes usufruírem de abordagens educativas por um determinado espaço de tempo.
Esta idéia de Pedagogia Hospitalar vem sendo absorvida pelos educadores como uma nova visão de ensinar, dando uma chance a mais aquelas crianças afastadas de suas rotinas escolares em busca de saúde.
A problemática decorrente investiga como se desenvolve o atendimento de uma eventualidade, que representa prejuízos a criança ou adolescente em estado de doença prolongada sem o receio de reprovação ou evasão, já que se torna inviabilizada a freqüência escolar.
Dessa forma, acionam-se propostas estimuladoras ao conhecimento e a aprendizagem, oferecendo assim uma abordagem específica com atividades educativo-escolares e lúdico-escolares, considerando-se que tais atividades são restritamente praticadas por profissionais da área de educação.
Para integralidade desta pesquisa pontua-se como objetivo geral observar a mediação, num processo de desenvolvimento pedagógico, que servem como ponte entre o hospital e a escola, colaborando com a socialização da criança/adolescente, onde a ruptura da mesma pode ocasionar graves problemas psicopatológicos.
Esta nova modelagem de educação em hospitais é desenvolvida pela demanda existente nos mesmos, onde ela também possibilita auxiliar nos transtornos emocionais causados pelo ato da internação, como a raiva, insegurança, incapacidades e frustrações que podem ser reagentes negativos no processo de cura. Sob tal óptica, pondera-se que o enfermo, neste momento, entra num conflito provocado pelo próprio ambiente em si, onde ele deixa de existir como criança e torna-se paciente, sendo alvo de agressões ao seu próprio corpo, no qual está em fase de descoberta.
Com isso vale verificar que “a hospitalização, em determinadas situações, constitui um risco igual ou maior que aqueles da própria doença que a originou” Biermann apud Carvalho e Ceccim (1997).
De acordo com esta realidade, justifica-se este estudo acerca da importância do educador na classe hospitalar no período em que a criança/adolescente se encontra em fase de ser motivada, quando estão ávidos por novidades, essas atividades são verificadas através da observação, experiência e comunicação, elementos constitutivos da aprendizagem devem acontecer em condições permanentes de ensino. Estimulando, então o processo educativo que por sua vez ficaria estagnado.

2 Tipos de atendimento educacional especializado:
Apoio pedagógico especializado: Este atendimento é realizado na rede regular de ensino ou em espaços adaptados para possibilitar o acesso e a construção da aprendizagem com qualificação aos educandos com necessidades especiais na escola.
As atividades de recurso: Ensino e interpretação de Libras, sistema Braille, comunicação alternativa, tecnologias assistivas, educação física adaptada, enriquecimento e aprofundamento curricular, oficinas pedagógicas, entre outros.
Atendimento pedagógico domiciliar: Alternativa de atendimento educacional especializado em realizar os trabalhos curriculares escolares em domicilio beneficiando os educandos com necessidades educativas especiais transitórias ou permanentes. Este tratamento diferenciado é dado devido aos traumas causados por doenças prolongadas, onde impossibilita o aluno a freqüentar a escola.
Classe hospitalar: Alternativa de atendimento educacional especializado, onde o educador leva o ensino até os hospitais, desenvolvendo atividades curriculares, uma vez que se torna impossibilitada a freqüência escolar por motivo de doença prolongada ou não.
Estimulação essencial: Atendimento educacional especializado a crianças com necessidades educacionais especiais do nascimento até os três anos e onze meses de idade cronológica, caracterizado pelo emprego de estratégias de estimulação para o desenvolvimento sócio-afetivo, físico, sensório-perceptivo, motor, cognitivo e da linguagem.

3 A Pedagogia Hospitalar no seu contexto
A pedagogia hospitalar é uma nova realidade sócio-educativa que está adquirindo seu espaço nos hospitais, onde a criança/adolescente recebe o processo de escolarização proporcionando a ela a continuidade do seu currículo, desenvolvendo parâmetros para atender as necessidades do educando.
Com isso a educação que se processa por meio desta, não pode ser identificada como um simples depósito de conhecimentos, mas sim um suporte psicopedagógico, pois ameniza para criança a condição de doente e a mantém integrada em suas atividades da escola e da família, sendo apoiada pedagogicamente por profissionais capacitados para ampara - lá no decorrer da internação.
Procura-se ressaltar que a Pedagogia Hospitalar é um processo alternativo de educação, pois ela ultrapassa os métodos tradicionais escola/aluno, buscando dentro da educação formas de auxiliar o paciente no processo de internação que a ele é imposto.
Esta é uma idéia que propicia aos alunos com necessidades especiais transitórias, buscando alternativas para desenvolver suas habilidades em regime especial, tratando-se de uma nova realidade multi/inter/ transdisciplinar com características educativas.
Este atendimento aponta mais um recurso a ser adicionado no processo de cura, frente às inúmeras modernidades tecnológicas que circulam nos hospitais. Sob este ângulo, faz-se uma analise fundamentada na óptica educacional, onde este é um processo de educação continuada, na qual beneficia as crianças com necessidades educativas especiais, seja qual for à procedência ou estágio da doença.
Baseia - se nos indicativos de CECCIM apud ORTIZ e FREITAS (2005):

Parece-me que, para a criança hospitalizada, o estudar emerge como um bem da criança sadia e um bem que ela pode resgatar para si mesma como um vetor de saúde no engendramento da vida, mesmo em fase do adoecimento e da hospitalização” (p.47).

Dentro desta realidade, observa-se uma demanda de atendimento em hospitais infantis, onde se faz necessário uma nova ação pedagógica. Sabendo-se disso, a resolução 02 CNE/CEM MEC/ Secretaria de Estado da Educação – Departamento de Educação Especial, datado em 11 de setembro de 2001, determina expressamente que a implantação de hospitalização escolarizada com a finalidade de atendimento pedagógico aos alunos com necessidades especiais transitórias e conseqüentemente a elaboração de cursos acadêmicos destinados a atender nova demanda, reforça:

Por outro lado, o direito a saúde, segundo a Constituição Federal (Art.196), deve ser garantido mediante políticas econômicas e sociais que visem ao acesso universal e igualitário às ações e serviços, tanto para a sua promoção, quanto para a sua proteção e recuperação. Assim, a qualidade do cuidado em saúde está referida diretamente a uma concepção ampliada em que o atendimento às necessidades de moradia, trabalho, e educação, entre outras, assumem relevância para compor a atenção integral. A integralidade é, inclusive, uma das diretrizes de organização do Sistema Único de Saúde, definido por lei (Art.197). (MEC, maio 2002).

A visão de inúmeros professores, hoje, é muito tradicional quando se fala em Pedagogia Hospitalar, pois para alguns o ato de educar se estende da escola a família, retirando de muitos pacientes o direito a educação, restringindo-se somente as salas de aulas convencionais.
Esta nova visão de educação está ligada à demanda existente nos diversos hospitais e aos parâmetros já definidos por lei, no qual se faz necessário uma medida emergencial para que exista de fato a educação continuada em todas as unidades hospitalares, sendo esta uma forma de prevenir o atraso da educação.
Diz Ronca em uma entrevista para a Revista Nova Escola: “A escola precisa aprender a mover-se em outros espaços, sem fazer da sala de aula a única passarela em que desfila o conhecimento”. (Ronca, Revista Nova Escola, n° 148, edição 2001).
Por outro lado, a pedagogia hospitalar também é vista como um desafio e uma grande conquista para os profissionais atuantes na área. Aqui o educador desenvolve a sua atuação de forma contributiva, transmitindo o conhecimento àqueles que seriam prejudicados em sua escolarização decorrente da internação, em uma busca valiosa de conhecimentos, qualidade de vida e bem-estar ao educando enfermo.
Com isso, é interessante informar que são plenamente consoantes com a lei especifica vigente, em plena contribuição a política nacional de educação e saúde em prol do atendimento qualificado ao hospitalizado.

4 A Hospitalização: Um desafio lançado
Quando criança ou adolescente chega ao hospital, sem possibilidades de atendimento ambulatorial e prescreve-se a internação como medida emergencial, aciona-se o controle e a tecnologia para obter senão resultados de cura ao menos a possibilidade de melhora do paciente para seu regresso na sociedade.
A educação hospitalizada tem como base o atendimento personalizado ao educando internado, onde se desenvolve uma proposta pedagógica de acordo com as suas necessidades e possibilidades diárias. Contudo o educador precisa estabelecer critérios que respeitem o momento de doença do paciente.
Diante da hospitalização, a criança passa a merecer atenção redobrada, pois ela encontra-se envolta em um mundo cheio de descobertas, sonhos, fantasias e surpreendentemente somem-se os brinquedos, a escola e os amigos. A partir deste momento ela se vê em contato diário com integrantes do grupo hospitalar, como médicos, enfermeiros, além dos familiares, que devem estar atentos e presentes para o melhor alento da criança/paciente. Portanto os receios de machucar e ser machucada são sensivelmente latentes, por isso a criatividade do educador em relacionar as doenças, mal-estares e melhoras a contos de fadas, bruxas e magias são instrumentos fundamentais para a aceitação e superação da condição de enferma.
Neste contexto apóia-se a Ortiz e Freitas (2005):

A prática docente é fortemente marcada pelas relações afetivas, servindo de reforço para que a criança não desista da luta por saúde e se mantenha esperançosa em sua capacidade de esforço.
O professor passa a ser um mediador de estímulos cauteloso, solícito e atento, reinventando formas para desafiar o enfermo quanto à continuidade dos trabalhos escolares, a vencer a doença e a engendrar projetos na vida emancipatória. (p.67)

De acordo com Fonseca (2003), “além disso, também a rotina de vida é alterada, uma vez que as refeições (agora denominadas dietas) podem não ser servidas nos horários com que, quando fora do hospital, estava habituado; a cama (agora chamado de leito) e as roupas não são como as de casa; o cheiro do ambiente é outro etc.” (p.20).
Com isto o processo de internação pode ser amenizado também com a presença de objetos que fazem parte da antiga rotina da criança, como travesseiros, bichinhos, cobertos, livros, entre outros. Dessa forma consegue-se diminuir a ansiedade gerada na criança diante deste este procedimento tão agressivo na vida do paciente.
Outro cuidado fundamental a ser analisado é o procedimento cirúrgico, no qual a criança será submetida, nestes casos é muito importante que a comunicação seja clara entre a criança e a equipe hospitalar, pois falsear dados a ela poderá aumentar o sentimento de angustia e desconfiança. Por isso que em alguns hospitais já utilizam o “pacientinho”, uma boneca que os médicos dispõem para demonstrar os procedimentos que serão realizados com a criança, como aplicações de injeções, soro, assim a criança se familiariza e corrija suas fantasias relacionadas com os procedimentos que ela será submetida.
Todos os integrantes da equipe hospitalar podem de alguma forma amenizar o sofrimento e os receios da criança, por isso que a Pedagogia Hospitalar não auxilia somente nas atividades curriculares, mas no encorajamento diante dos procedimentos acima relatados. Segue-se no pensamento de Matos e Mugiatti (2006):

O educador, o assistente social, o psicólogo e os demais profissionais afins, devem buscar em si próprios o verdadeiro sentido de “educar”, devem ser o exemplo vivo dos seus ensinamentos e converter suas profissões numa atividade cooperadora do engrandecimento da vida. Para isso, deverão pesquisar, inovar e incrementar seus conhecimentos e expandir sua cultura geral e procurar conhecer e desenvolver novos espaços socioeducacionais que possam, de certa forma uma sociedade mais harmoniosa em suas diversidades. (p.26)

5 Processo de atuação do educador
Dentro da escolarização hospitalar o papel do educador é fundamental, pois ele propicia a criança/adolescente o regresso à aprendizagem, uma vez que estaria estagnada, justificada pelo processo de internação. Diante deste contexto afirma-se em Ceccim (1999):

A hospitalização não implica, necessariamente, qualquer limitação ao aprendizado escolar e, apesar de ser na Política Nacional de Educação Especial (MEC/SEESP, 1994 e 1995) que a educação em hospital aparece como modalidade de ensino e de onde decorre a nomenclatura de “classe hospitalar”, deve-se ter presente que esta oferta educacional não se resume às crianças com transtornos do desenvolvimento como foi no passado (anos 50 aos 80), mas também às crianças em situação de risco ao lar, uma vez que a hospitalização impõe limites à socialização e às internações, impõe o afastamento da escola, dos amigos, da rua e da casa e impõe regras sobre o corpo, a saúde, o tempo e os espaços. O ensino e o contado da criança hospitalizada com o professor no ambiente hospitalar, através das chamadas classes hospitalares, podem proteger o seu desenvolvimento e contribuir para a sua reintegração à escola após a alta, além de protegerem o seu sucesso nas aprendizagens. (p. 42)

Para que este processo de aprendizagem ocorra sem transtornos ao paciente é importante que o educador se mantenha informado da rotina do hospital, dos horários de coleta de exames, refeições, entre outros e faça uma adaptação coerente quanto ao horário que será desenvolvido trabalho de educação escolar.
No primeiro contato entre o professor e o aluno/paciente é necessário que a mãe ou acompanhante esteja presente para intermediar essa interação de forma positiva e benéfica, já que a criança fica insegura frente às pessoas que não são familiares a ela, podendo retardar o processo de aprendizagem.
Esse acompanhamento pode vir a durar até uma semana, pois este é o tempo estimado para que a criança comece a adquirir confiança e se sentir mais segura na companhia da professora.
No decorrer desse processo de entrosamento é importante que o educador se mantenha atento em saber qual o tipo de doença que está sendo tratada e quais os procedimentos que serão realizados, com isso este ofício também poderá auxiliar no desenvolvimento das áreas mais afetadas pelo tratamento.
Os trabalhos realizados apóiam-se em um planejamento diário de atividades, onde elas contêm começo, meio e fim.
Quando a criança chega e a aula já está sendo iniciada é necessário que o educador use estratégias para que não se sinta deslocada perante o grupo, fazendo com que realize suas tarefas que a ela está destinada pela sua escola de origem.
Se a criança precisa sair mais cedo da aula, é necessário que se usem estratégias de fechamento, para que não se perca o aprendizado, deixando a possibilidade dela retornar mais tarde para efetivar as suas atividades.
O espaço físico que o professor utiliza para realizar suas aulas pode variar entre as enfermarias, leitos, ou salas próprias. No atendimento ambulatorial é necessário mesa e cadeiras para que as atividades possam ser realizadas, nesses casos os educadores apóiam-se mais as atividades lúdico-educativas, mas enfatizando sempre a produção do conhecimento, como forma de auxiliar no alívio dos traumas causados pela doença e na impaciência gerada pela espera da consulta.
O atendimento nos leitos acontece nos casos em que o aluno/paciente requer internação por tempo indeterminado e fica impossibilitado de deslocar-se até as salas educacionais. Isto ocorre com freqüências nas crianças em fase de tratamento ao câncer, pois as alterações no organismo são originadas por intervenções quimioterápicas e radioterápicas oncológicas, causando mal-estares, dores, ela baixa a imunidade impondo o paciente sua permanecia no setor de isolamento hospitalar, além do tempo indeterminado que o paciente fica em tratamento incluído no hospital. Seguindo Ortiz e Freitas (2005):

A duração da hospitalização configura-se como sendo também um fator determinante da resposta á problemática deste evento. Quanto maior o período do isolamento hospitalar, maiores serão os riscos de surgirem prejuízos ao livre desenvolvimento normal da criança. (p.38)

Este atendimento propicia que o paciente/aluno fique se sinta mais à vontade para realizar as atividades escolares, pois nestes casos o professor desenvolve as aulas nos leitos, dispensando que o educando faça o uso das máscaras de proteção.
Nas salas educacionais ocorre o processo de aprendizagem, interação e socialização da criança, onde se desenvolve as atividades planejadas. Nessas salas os materiais variam de acordo com cada hospital, algumas delas desfrutam de brinquedos e jogos pedagógicos, mesas, cadeiras, computadores, televisão, vídeo-game, entre os materiais permanentes, como lápis de cor e preto, giz de cera, folha branca, hidrocor, entre tantos outros que auxiliam neste processo educacional.
Dessa forma analisam-se os parâmetros de Fonseca (2005):

Se o professor dispõe de sala ambiente, ela deve ser constantemente organizada, a fim de que possa melhor suprir as demandas das crianças nela atendidas. Isto pode ser feito com base nas observações e registros de como as crianças exploram e utilizam os materiais nela existentes. O professor deve estar atento para disposição do material e substituir aqueles pelos quais as crianças pareçam não se interessar muito, ou criar estratégias para que elas passem a explorar tais recursos.(p.44)

Perante a atuação pedagógica nos hospitais é de grande valia informar e esclarecer, que a atuação de pedagogos ou professores da classe especial dentro dos hospitais é de ação educativa, social e humanitária, onde não se opõe, nem se confunde com a ação e a finalidade que são naturais à medicina e ao ato médico.
Com isso é imprescindível a união e o respeito de cada profissional, visando o bem estar e a evolução pessoal e clinica do paciente.  Com isso baseia-se no referencial curricular nacional para Educação Infantil (2002):

Considerando estas condições e limitações especiais, compete ao sistema educacional e serviços de saúde, oferecem assessoramento permanente ao professor, bem como inseri-lo na equipe de saúde que coordena o projeto terapêutico individual. O professor deve ter acesso aos prontuários dos usuários das ações e serviços de saúde sob atendimento pedagógico, seja para obter informações, seja para prestá-las do ponto de vista de sua intervenção e avaliação educacional. (p. 18-19)

6 A prática educativa
Com o propósito de realizar uma educação continuada, cabe ao educador proporcionar atividades alternadas de acordo com a capacitação diária do paciente, ora educativo-escolares, ora lúdico-educativas.
As propostas educativo-escolares correspondem ao cumprimento de conteúdos formais de educação básica, que são enviadas pelas escolas de origem das crianças internas. Este processo de aprendizagem é realizado gradativamente, não existe a cobrança rígida e formal da escola, pois o aluno neste momento encontra-se debilitado, por isso que tem que partir dele próprio a vontade de participar das aulas.
Já as propostas lúdico-educativas é uma mistura do conhecer-brincar-conhecer, onde utiliza-se os jogos coletivos, contos,caça-palavras,teatros e música, aqui o educador consegue trabalhar seus objetivos através da ludicidade.
Esse processo de aprendizagem é baseado num ato de companheirismo, trocas e marcada fortemente pelas relações afetivas entre o educador e o paciente, atribuindo à criança uma forma de incentivo para que ela não desista da luta pela saúde e se mantenha esperançosa em sua capacidade de recuperação.
É de inteira responsabilidade do educador, inventar e reinventar formas estratégicas para desafiar o enfermo quanto à continuidade dos seus trabalhos escolares, já que muitas vezes depara-se com a falta de auto-estima, auto-confiança e  auto-imagem, sendo ocasionado pelo conflito de imagem da própria criança, no qual este é um sério empecilho para a socialização da mesma.
São inúmeras as inseguranças dos pacientes, pois junto à hospitalização carrega-se a dor, o desconforto e o medo, entretanto a atuação pedagógica consegue recuperar os momentos que pareciam estar perdidos, como o estudar e o brincar.
Dependendo da doença que a criança está tratando, são usados inúmeros medicamentos que podem vir a ocasionar sérios problemas de regressão no sistema nervoso central, atingindo a memória, concentração, atenção, coordenação motora fina, linguagem e inteligência, afetando assim a aprendizagem.
Dessa forma usam-se métodos de prevenção, segundo Ortiz e Freitas (2005): “Uma medida preventiva para sanar futuros problemas escolares é estabelecer um programa mediador de estimulação, exercitando aspectos mais comprometidos da inteligência da criança.” (p.43)
Portanto a pedagogia hospitalar por um momento difere-se de sala de recreação, pois ela deixa de ser um “passatempo” do enfermo para se tornar um apoio fundamental no crescimento intelectual e social do paciente, não deixando de lado as formas lúdicas de ensinar, mas visando sempre a luta pelo conhecimento que a eles é de direito.
Em inúmeras vezes os pedagogos já inseridos em hospitais deparam-se com a triste realidade, a chegada de crianças em fase escolar, no qual nunca estiveram numa, é neste momento que começa o papel desafiador do educador em conscientizar a família e principalmente despertar na criança a vontade de descobrir o desconhecido, com isso poderá se obter uma chance dela se interessar pela sala de aula. Uma vez que ele só poderá receber o atendimento pedagógico educacional estando matriculado em algum órgão de ensino, pois sem este vínculo, não se torna válido perante o MEC o exercício de escolaridade continuada. Dessa forma, o educador faz o papel de mediador entre os pais e a escola, encaminhando o paciente a escolaridade, não deixando que a acomodação ou conformismo aconteça por fatores ligados à hospitalização. Acrescenta-se com o pensamento de Matos e Mugiatti (2006):

Na situação de conformismo ou acomodação, as crianças e adolescentes, muitas vezes, nem chegam a se matricular permanecendo no analfabetismo. A realidade mostra a criança como um ser precariamente dotado de recursos para se proteger das agressões do meio. Há o acréscimo ainda de que o período infantil, como o da velhice, se constitui, não só biologicamente, de maior valor vulnerabilidade. (p.57)

Nesses parâmetros, nota-se a importância de um educador atuante na área da saúde, mas por falta de uma política nacional específica, infelizmente a maioria das classes hospitalares são geradas através de parcerias entre secretarias estaduais de Educação e de Saúde, por esse motivo que as organizações e métodos desenvolvidos nas classes hospitalares variam entre si.  Mas mesmo sem um critério padrão de educação hospitalar, diversos hospitais contam com a atuação de educadores e alunos do curso de graduação, onde desempenham as suas tarefas visando o bem-estar e a aprendizagem do enfermo.
Para assumir esta concepção de educação é necessário ter audácia para enfrentar o desconhecido, afetividade para levar a alegria, e acima de tudo coragem para enfrentar uma cruel realidade, que é a luta pela sobrevivência. 

Para melhor entendimento, baseia-se nas idéias de Matos (1998):
É importante que o educador cresça em suas habilidades junto a seus alunos, especialmente, no desenvolvimento da sensibilidade, da compreensão e da força de vontade, sobre tudo em dimensões de resistência ao desanimo, agir com paciência e audácia em suas atitudes. Por isso que o educador não pode deixar abater–se em seus esforços no atingimento de suas metas formativas e, de sua tarefa de ajuda, por mais difíceis que possam parecer. (p. 86)

Dentro da classe hospitalar, observam-se infinitas patologias, idades diferenciadas que integram e interagem num mesmo espaço, deste modo obtêm-se a cooperação de todos a troca de idéias, e principalmente o relacionamento entre os pacientes. Diante dessa diversidade existente na classe hospitalar se faz necessário que o educador aja com audácia, expondo aulas criativas de acordo com a possibilidade de cada paciente.
A forma de educar e conciliar idades e traumas no mesmo recinto é bastante delicado, por isso que as atividades são variadas e o atendimento torna-se individual, direcionando as propostas correspondentes com a escola de origem.

7 O processo avaliativo
A primeira pergunta que se observa dentro de uma classe hospitalar é, como se desenvolver uma avaliação para ela ser validada na escola de origem da criança?
Os primeiros passos do educador é criar um prontuário onde poderão constar desde as atividades que o aluno concretiza até o seu desempenho no decorrer das atividades propostas, englobando suas habilidades, dificuldades e o interesse demonstrado pelas atividades propostas. Por isso se torna imprescindível o vínculo com a escola de origem da criança, assim a aprendizagem decorre de forma contínua.
Este prontuário é enviado para escola, sendo anexado todas as atividades e avaliações realizadas pelo aluno no momento de sua internação, contendo um parecer do educador frente às observações feitas no decorrer das atividades.
Esta atuação pedagógica beneficia também o aluno quando ele retorna a escola, pois os conteúdos que foram desenvolvidos em sala de aula durante a sua ausência, foram todos ou parcialmente desenvolvidos e recuperados na classe hospitalar sem prejudicar na continuidade do currículo escolar. Seguindo as idéias de Matos (1998), acrescenta-se:

Dentro deste entendimento, o objetivo é claro e definido, manter e potencializar os hábitos próprios de educação intelectual e da aprendizagem que necessitam os enfermos em idade escolar mediante as atividades desenvolvidas por professores pedagogos em função docente. (p.86)

8 Em hospital também se brinca
Quando a criança é submetida à intervenção hospitalar, observa-se que ela deixa de ser criança e passa a ser paciente, dessa forma ela se sente retraída pela própria rotina que lhe é imposta.
Quando o hospital proporciona essa simultaneidade de tratamento, entre o aprender e o brincar, ele possibilita ao enfermo uma chance de enfrentar a doença sem tantos traumas que são ocasionados pelo próprio ato de hospitalização.
Os trabalhos lúdicos podem ser realizados desde uma simples boneca até peças teatrais, danças, contos, enfim, todos os recursos que possibilitem o reencontro de sua identidade como criança. Diante das experiências de Ortiz e outros (2003) complementa-se:

A permanência hospitalar reporta o paciente à rudeza do lado sombrio da vida. Em contrapartida, as produções teatrais permitem-lhe viver outras vidas. O foco teatral, além de desvelar situações pouco exploradas como a auto-estima e auto-imagem dos alunos-atores, deixam à mostra oportunidades de desenvolvimento das inteligências múltiplas. (p.102)

Essas atividades lúdicas são aceitas na classe hospitalar de forma que não desqualifique a abordagem da aprendizagem, onde elas se tornam um dispositivo a mais a ser acrescentado no decorrer da internação.
Faz-se necessário que o educador da classe hospitalar consiga distinguir que pedagogia hospitalar apóia-se nas propostas educativo-escolares, desenvolvendo as atividades formais da escola de origem do paciente e as salas de recreações ou lúdicas, entre outras, baseiam-se em atendimentos ligados a ludicidade e recreação, onde caracteriza-se como uma forma de o tempo passar mais rápido para esses internos.
Quando se desenvolve o trabalho pedagógico-educacional com bebês ou crianças na fase de educação infantil é de suma importância que os brinquedos sejam seriados ou classificados para o atendimento dos objetivos traçados pelo educador. Por esse motivo que se faz necessário que a classe hospitalar tenha uma rotina a ser seguida, onde se prima exclusivamente por ações que construam a aprendizagem. Conforme destaca Ceccim (1999):

A classe hospitalar, como atendimento pedagógico educacional, deve apoiar-se em propostas educativo-escolares, e não em propostas de educação lúdica, educação recreativa ou de ensino para a saúde, nesse sentido diferenciando-se das Salas de Recreação, das Brinquedotecas e dos Movimentos de Humanização Hospitalar pela Alegria ou dos Projetos Brincar é Saúde, facilmente encontrados na atualidade, mesmo que o lúdico seja estratégico à pedagogia hospitalar. Esse embasamento em uma proposta educativo-escolar não torna a classe hospitalar uma escola formal, mas implica que possua uma regularidade e uma responsabilidade com as aprendizagens formais da criança, um atendimento obrigatoriamente inclusivo dos pais e das escolas de origem de cada criança, a formulação de um prognóstico à alta, com recomendações para casa e a escola ao final de cada internação. (p.43)

Com isso não se descarta a possibilidade da criança ter sua hora de recreação, no qual não se podem tirar os méritos que o ato de brincar desenvolve. No momento em que o paciente consegue sair da rotina do hospital se voltar para suas brincadeiras, fantasias, é necessário que se utilize jogos que aprimorem o raciocínio, a coordenação motora, a imaginação e a afetividade, sendo eles classificados para que se proporcione diversas concepções de brincar. Essas atividades devem enfocar a mistura do conhecer e brincar, assim o educador concilia a forma lúdica com a aprendizagem.  Para complementar busca-se o auxilio de Fonseca (2003):
O brincar serve como instrumento para aquisição e do domínio de habilidades e para o desenvolvimento de competências que contribuem para o processo de aprendizagem das crianças pequenas ou mais velhas, de adolescentes, e até mesmo dos adultos. (p.76)

9 Processo de integração com o acompanhante do paciente
O bom relacionamento entre o educador e o acompanhante do aluno/paciente é fundamental para o desenvolvimento e aceitação da educação continuada. Pois estas atividades só podem ser concretizadas com a aceitação do enfermo, diante disso o acompanhamento do aluno pelos responsáveis, nas primeiras semanas de intervenção é indicado para que exista a familiarização entre o professor da classe hospitalar e a criança. Além do acompanhante poder auxiliar nas dificuldades que o aluno encontra em determinadas tarefas, ele também encontra no educador um amparo e o um encorajamento constante frente as suas incertezas e medos.
Os pais ou responsáveis devem passar tranqüilidade à criança e ser os mediadores entre os médicos e o paciente, uma vez que somente ele conhece por totalidade o que a criança sente e se queixa.

10 O apoio da classe hospitalar frente à morte
Toda doença tem um determinado fator de risco para a vida do paciente, uma das questões delicadas desta área é a forma como o educador lida com a realidade da morte, uma presença constante no contexto das doenças crônico-degenerativas, como o câncer.
O câncer infantil quando detectado, ele pode ser curado mais rapidamente por ser mais sensível ao tratamento do que em adultos, sendo que o diagnóstico precoce se torna um fator positivo diante a cura.
Por isso os pais têm que estarem atentos nas mudanças de atitudes, hábitos ou disposição nas crianças, geralmente devem ser investigados, uma vez que os cânceres infantis podem ser confundidos com patologias menores. Exemplifica-se com a presença de gânglios, que pode denunciar um linfoma ou leucemia, a barriguinha volumosa pode indicar, ao invés de uma verminose, a presença de tumor no rim ou alças intestinais; enquanto dores de cabeça, inchaços ou distúrbios de visão prolongados, também podem sinalizar algum tipo de câncer.
Com isso a doença quando diagnosticada tardiamente, passa a exigir um aumento na intensidade do tratamento, podendo causar um número maior de seqüelas, como amputações e diminuição na qualidade de vida, além do óbito.
Diante dessa realidade se faz necessário que a classe hospitalar esteja apta para fornecer apoio emocional tanto para os familiares quanto para o educando, já que a criança considera a morte temporária, de forma que as coisas podem retornar a vida após comerem ou tomarem algum medicamento.
No decorrer do desenvolvimento da criança, acontece uma significativa mudança no conceito de morte por volta dos sete anos, onde ela já tem a capacidade de entender que a morte é irreversível.

11 A Pós-hospitalização
No decorrer das aulas no hospital o educador luta e tenta auxiliar na melhora integral do educando/paciente, incentivando-o pela busca da cura e no desenvolvimento intelectual do aluno/paciente, diante disso se torna impossível evitar que os laços afetivos não existam entre os educadores da classe hospitalar, o interno e os familiares. Mas é chegada a hora de voltar para casa, para o convívio dos amigos, a rotina diária, enfim a tão esperada alta e a confirmação da cura.
Este é um momento de vitória e acima de tudo a afirmação da liberdade em que todos devem estar atentos, pois a criança deixa de ser paciente volta a ser criança, enfrentando a realidade e adaptando-se novamente a sua rotina. O auxilio dos pais em não superprotejer a criança, fazer com que ela se torne independente nos seus atos é imprescindível para que ela não caia na acomodação e volte a desenvolver suas habilidades.  Segundo Ortiz e Freitas (2002):

Ao ser prescrito a alta hospitalar, aciona-se a confirmação do acerto terapêutico, e a certeza do sonho de cura.  Porém, em meio a esta euforia do término de um desafio, surge a necessidade de enfrentamento da vida extra – hospitalar.
 Uma das implicações do gerenciamento da dimensão social da cura está, justamente, neste cuidado de promover a inclusão do paciente no ambiente hospitalar.
A criança passa a ser, neste instante, concebida não mais como um ser doente, mas alguém com aptidão para o desenvolvimento, sujeita a programas que maximizem suas potencialidades num ato intencional de dirimir os danos causados pela hospitalização. (p.98)

Diante da pós–hospitalização o cuidado para que a criança não se sinta insegura e excluída no retorno a escola é fundamental para não acarretar um atraso no desenvolvimento da aprendizagem.
Estes conflitos que a criança passa decorrentes após a internação são bem administrados por algumas, mas já por outras não. Por isso que se torna fundamental que a equipe escolar auxilie o educando juntamente com os familiares neste processo de inclusão a vida estudantil e social, preparando a turma, proporcionando atividades recuperatórias dos conteúdos que não foram desenvolvidos na classe hospitalar e garantir a receptividade vinda por parte de educadores, colegas e amigos.
Nos casos onde os tratamentos originam efeitos colaterais provenientes das fortes medicações, como a auto-imagem afetada, os movimentos motores limitados, fazem com que aluno não se sinta apto a enfrentar a sociedade, com isso os familiares devem respeitar seu momento e deixa-lo livre para que esse momento chegue de forma tranqüila sem maiores pressões.
Dessa forma complementa-se com Ortiz e Freitas (2002):

É preciso ter cautela e saber respeitar o ritmo de adaptação do educando ao seu “mundo-vida” livre da hospitalização e há que se ter a sensibilidade em atribuir o devido reconhecimento aos atos dos pais que, pela condução atenciosa, guiam seus filhos para a reabilitação no mundo extra-hospitalar. (p.101)

12 Educação domiciliar
Na maioria das vezes o educador não assimila o quanto ele é importante na vida do aluno, um gesto de carinho, um expressão amável, pode modificar a vida do educando.
Quantas vezes um professor chega à sala de aula e nota que aquele aluno não compareceu, e isso passam-se dias, semanas, aí o diretor comunica-se com os pais do mesmo, e pergunta o que está acontecendo. Logo surge a notícia que aquele aluno está impossibilitado de freqüentar as aulas, por um curto espaço de tempo, por motivo de doença. Com isso ele irá perder provas, trabalhos, enfim atividades diárias que o deixam para trás do restante da turma.
Para os educadores isso é muito freqüente, mas é preciso ir além do ambiente escolar, buscar alguns procedimentos que pode servir de ponte entre o educando e a escola de forma que ele seja reintegrado a aprendizagem mesmo estando impossibilitado de freqüentar as aulas.
Para isso baseia-se na fundamentação da educação domiciliar sendo, um direito adquirido pelo aluno, onde o educador faz um acompanhamento de suas aula com o aluno em casa, evitando que ele retorne a aula e se sinta perdido e perante seus colegas.
De acordo com referencial curricular nacional para Educação Infantil (2002) defini-se atendimento domiciliar:

O alunado do atendimento pedagógico domiciliar compõe-se por aqueles alunos matriculados nos sistemas de ensino, cuja condição clinica ou exigência de atenção integral à saúde, considerados os aspectos psicossociais, interfiram na permanência escolar ou nas condições de construção do conhecimento, impedindo temporariamente a freqüência escolar. (p.16)

Para que a educação domiciliar ocorra é necessário que exista um local apropriado e adaptado para o aluno, facilitando assim, o desenvolvimento das atividades curriculares, no qual o professor apóia-se em recursos didático-pedagógicos.
Com o auxilio do referencial curricular nacional para Educação Infantil (2002), constata-se:

Providenciar em parceria com os serviços de saúde e de assistência social, mobiliário e/ou equipamentos de acordo com as necessidades do educando, como cama especial, cadeiras e mesas adaptadas, cadeiras de rodas, eliminação de barreiras para favorecer o acesso a outros ambientes da casa e ao espaço interno, etc. (p.18)

A internação Domiciliar, quando efetivada com equipe multidisciplinar, resulta em benefícios aos usuários e à sua família. A recuperação e reabilitação são realizadas de forma segura e eficaz, proporcionando uma relação muito próxima da realidade em que vive o paciente e, por conseqüência a humanização do atendimento.
Facilitar o desempenho do educando frente a qualquer impossibilidade causada por doença tanto em casa como na escola, mediante a adaptação o aluno não se sente desmotivado ou excluindo da sociedade.
Com isso é importante afirmar que o educador pode se fazer presente diante de uma eventualidade que o educando sofra, levando o conhecimento onde o ele estiver, pois onde existir alunos existe educação, seja qual for o espaço que ela ocorra.

13 Considerações Finais
Diante das experiências obtidas dentro da pedagogia, denota-se a fundamental importância de um educador cresça no desenvolvimento dos seus trabalhos visando à diversidade que existe em uma sala de aula, como as formas de pensar, de agir, de limitações tanto motoras quanto psíquicas, cor, raça, etnia, religião, classe social, entre outras.
Todos esses educandos dividem uma sala de aula, cada um dentro de sua individualidade e potencialidades que devem ser estimuladas, com isso cabe ao educador proporcionar formas de alcançar o sentimento de cada um, valorizando a aprendizagem como um direito de todos.
Baseando-se no pensamento de Fonseca (2003):

Uma criança dita normal tem uma relação mais fluida com o ambiente, pois capta os estímulos dele provenientes e a eles responde por ações e reações que, em geral, se adequam à expectativa dos adultos. Não queremos dizer que o mesmo deixa de ocorrer com uma criança portadora de necessidades especiais. Para esta criança, os estímulos do ambiente nem sempre são captados, ou a criança apresenta dificuldades nesses contatos, o que interfere na forma como responde a este ambiente e em decorrência, pode trazer problemas para o curso de seu desenvolvimento (potencial). (p. 77-79)

Encontra-se na Educação Especial uma proposta de desfragmentar um ensino que é direcionado apenas para alguns, excluindo os educandos com necessidades educativas especiais transitórias ou não.
Dessa forma delimita-se o presente estudo sobre a Pedagogia Hospitalar, classificando-a como uma modalidade de atendimento educacional especializado, que vem amparando às crianças com necessidades educativas especiais transitórias o seu direito de continuar estudando mesmo não estando presente em sala de aula.
Esta nova roupagem de educação tem como finalidade buscar meios para levar mais qualidade de vida aos pacientes internados nos hospitais em busca de saúde, promovendo um acompanhamento escolar aos educandos impossibilitados de freqüentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação hospitalar ou atendimento ambulatorial.
A escuta pedagógica surge, através de uma metodologia educativa propriamente dita, no qual auxilia a lidar com o stress causado pelo adoecimento, proporciona ao paciente um vínculo mais saudável com a realidade, garante o atendimento escolar visando dar continuidade às necessidades intelectuais e do desenvolvimento infantil do paciente, o que faz desse atendimento, um fator indispensável para a cura e expectativa de vida do educando enfermo.
Perante a internação o educando se torna impossibilitado de freqüentar seu ambiente escolar, correndo o risco de reprovação por motivo de doença, ele deve se manter seguro diante dessa possibilidade, pois assegurado por lei, o enfermo pode receber o atendimento pedagógico já estruturado no ambiente hospitalar (em caso de internação) ou em atendimento pedagógico domiciliar.
O desempenho do educador dentro da classe hospitalar vai além de levar o conhecimento para o meio, mas em fortalecer a criança para que ela consiga compreender a sua doença, e reaja diante as impossibilidades causadas pelo adoecimento.
A Pedagogia Hospitalar é uma evolução para os educadores, pois ela serve como ponte entre o hospital e a escola, fazendo com que a criança se sinta mais familiarizada com esse ambiente tão assustador, possibilitando que o educador compreenda que não é o meio que qualifica a educação, mas sim a vontade de ir além de suas próprias resistências. Complementa-se com as idéias de Freire apud Matos e Migiatti (2006):

[...] o desenvolvimento de uma consciência crítica que permite ao homem transformar a realidade se faz cada vez mais urgente. Na medida em que os homens, dentro de sua sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão temporizando os espaços geográficos e vão fazendo história pela sua própria atividade criadora. (p. 68–69)

Com isso, conclui-se destacando a lição de vida de um dos educandos internados no Hospital Universitário de Santa Maria relatou: “Viver é muito bom, e eu ainda quero viver mais para aprender ainda mais.” J.R.S 

14 REFERÊNCIAS
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BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Referencial curricular nacional para Educação Infantil: Estratégias e orientações para a educação da classe hospitalar e atendimento pedagógico. Brasília, 2002 CADERNOS de Educação Especial. Universidade Federal de Santa Maria. Centro de Educação Especial / Laboratório de Pesquisa e Documentação – LAPEDOC. vol 2 - n°20 (2002) 139 p.
CECCIM, Ricardo Burg. Classe hospitalar: encontros da educação e da saúde no ambiente hospitalar. Revista pedagógica Pátio, n.10, p 41-44, ago./out. 1999.
CARVALHO, Paulo R. A., e Ceccim, Ricardo Burg. Destaques do livro: Criança hospitalizada atenção integral como escuta à vida. UFRGS, 1997 Disponível em: <
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DIREITOS da Criança e do Adolescente Hospitalizado. Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Resolução 41/95. Disponível em: <
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DROUET, Ruth Caribe da Rocha. Fundamentos da Educação Pré-Escolar. São Paulo. Editora Ática, 1995.
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MATOS, Elizete Lucia Moreira. O desafio do professor universitário na formação do pedagogo para atuação na educação hospitalar. PR. 1998. Dissertação (Mestrado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 1998.
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Publicado em 03/04/2008


Tiziane Muniz Fighera - Pedagoga graduada pela Universidade Regional da Campanha (URCAMP) – Itaqui, Pós-graduanda em Psicopedagogia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC).

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